sábado, 13 de fevereiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ VII ]

«RUA BERNARDO DE PASSOS»
 Rua Bernardo de Passos - (2015) - (A entrada da "RUA BERNARDO DE PASSOS", para que se apresenta pela "Rua Brás Pacheco". Num pormenor do candeeiro do início da construção do "BAIRRO SOCIAL DO ARCO DO CEGO")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Bernardo de Passos - (2015) - (A "RUA BERNARDO DE PASSOS" a sua finalização na "RUA BRITO ARANHA" para Norte) in  GOOGLE EARTH
 Rua Bernardo de Passos - (2015) - (Panorâmica geral do "BAIRRO DO ARCO DO CEGO" onde está inserida a "RUA BERNARDO DE PASSOS" na actual freguesia do «AREEIRO») in GOOGLE EARTH
 Rua Bernardo de Passos - (2015) - (Panorâmica mais aproximada do "BAIRRO DO ARCO DO CEGO", vendo-se a "RUA BERNARDO DE PASSOS") in  GOOGLE EARTH
Rua Bernardo de Passos - (1962) Foto de Artur Goulart - (A "RUA BERNARDO DE PASSOS" no BAIRRO DO ARCO DO CEGO", junto da Escola Secundária 2,3 DONA FILIPA DE LENCASTRE) ( Abre em tamanho grande )  in    AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ VII ]

«RUA BERNARDO DE PASSOS »

A «RUA BERNARDO DE PASSOS» pertencia à antiga freguesia de "SÃO JOÃO DE DEUS", hoje pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a  chamar-se freguesia do «AREEIRO», incorporando ainda a antiga freguesia do "ALTO DO PINA".
A este jornalista e poeta decidiu LISBOA homenagear, em 1955. Assim, um EDITAL CAMARÁRIO publicado em 31 de Dezembro daquele ano, deliberou que a "RUA - A" do "BAIRRO SOCIAL" do "ARCO DO CEGO" passasse a chamar-se " RUA BERNARDO DE PASSOS". Este arruamento tem início na "RUA BRÁS PACHECO" e finaliza na "RUA BRITO ARANHA" do BAIRRO SOCIAL.
E assim, mais um nome de jornalista passou a figurar nas esquinas da cidade de LISBOA.
«BERNARDO RODRIGUES DE PASSOS» (1876-1930) poeta e jornalista foi este um algarvio de gema, nascido em SÃO BRÁS DE ALPORTEL, em 29 de Outubro de 1876, e falecido em FARO em 1 de Junho de 1930.

Existe quem, tendo dos jornais e meios de comunicação em geral, uma ideia fria e concisa, suponha que a função de jornalista é incompatível com o estado de poeta. Quem pensar assim, basear-se-á  na ideia de que a missão de quem transmite, de quem relata acontecimentos, exige uma tal isenção, um tal distanciamento que este não se compadece com o compromisso que o poeta assume com os ideais e, por vezes, com algumas saudáveis utopias. 
O certo é que não rareiam os exemplos, nos dias de hoje como nos de ontem, de homens e mulheres que frequentam os domínios da musa poética e que não deixam por isso de bem escrever para os jornais, de bem transmitir por palavras e por imagem os acontecimentos. Se quisermos fazer sobre o caso uma pequena filosofia barata, poderíamos pensar que a poesia se torna numa necessidade de quem se cansa do desencanto do dia-a-dia e não quer esquecer que existem patamares mais elevados. Sendo uma fuga para a frente. E, como nestas coisas não há regras, também se dá o inverso:aqueles que são sobretudo, poetas genuínos e que não dispensam uma intenção activa na vida que os rodeia, escolhendo para tanto a vida da comunicação.

Terá sido o caso de "BERNARDO DE PASSOS"... rimava como respirava, o que não o impedia também de vasta actuação em jornais.
Tem havido em PORTUGAL poetas que se impõem pela facilidade aparente dos seus processos, pela espontaneidade com que conseguem encerrar conceitos profundos nos quatro versos de uma quadra.
"JOÃO DE DEUS" (o da CARTILHA MATERNAL e Algarvio), será possivelmente o mais conhecido, mas a esse grupo podemos juntar; AUGUSTO GIL, SILVA TAVARES, ANTÓNIO ALEIXO (também ele Algarvio) e BERNARDO DE PASSOS que, dotado de extraordinário poder emotivo, de sensibilidade fora do comum e com a capacidade de tudo  transformar em verso.
"GRÃO DE TRIGO", "A ÁRVORE E O NINHO" e "REFÚGIO" são algumas das suas obras poéticas. O ensaísta "FIDELINO DE SOUSA FIGUEIREDO" dedicou-lhe palavras entusiásticas, nas apreciações que fez das obras. Essa veia não o impedia, porém, de desde cedo se notabilizar na imprensa algarvia.
Publicou com pseudónimo de "BRÁS BRASIL" ou "PASSOS JÚNIOR", ia colaborando activamente nos jornais, fazendo sobretudo a apologia do regime republicano.  A sua doçura como poeta, contrapunha uma sanha de panfletário quando combatia pela sua dama, a REPÚBLICA. Que o diga, por exemplo, a sua obra "A REACÇÃO NO ALGARVE".
A dada altura, decidiu criar o seu próprio jornal, um semanário de nome «CORREIO DO SUL», que dirigiu, e que logo atingiu notoriedade em toda a província.


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