quarta-feira, 11 de novembro de 2009

RUA DA BICA DE DUARTE BELO [VI]

Rua da Bica de Duarte Belo - (2009) - (O elevador da Bica) Foto gentilmente cedida por Rafael Santos, autor do blogue DIÁRIO DO TRIPULANTE
Rua da Bica de Duarte Belo - (2005) - Foto de MAF.COM - (Entrada Sul do Ascensor da Bica na Rua de São Paulo) in A MINHA BICA

Rua da Bica de Duarte Belo - (194_) Foto de Manuel Tavares ( O elevador da Bica) in AFML


Rua da Bica de Duarte Belo - (1921) Fotógrafo não identificado ( O elevador da Bica nos anos 20 do século passado) in RESTOS DE COLECÇÃO
(CONTINUAÇÃO)
RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ VI ]
«O ELEVADOR DA BICA»
A necessidade da existência de veículos que ajudassem os pobres humanos a subir os íngremes caminhos da cidade de Lisboa foi sentida sempre. Basta olhar para ela: toda aos altos e baixos, Lisboa mete respeito a quem tenha de a percorrer.
Um sacerdote sonhador e amigo das coincidências descobriu-lhe sete colinas, tantas como as de ROMA - «CASTELO», «GRAÇA», «SANTO ANDRÉ», «SANTANA», «SÃO ROQUE», «CHAGAS» e «SANTA CATARINA».
Para além da confusão que faz a qualquer mortal distinguir por exemplo, entre as colinas de «SÃO ROQUE» e das «CHAGAS» (que, afinal, em rigor fazem parte da mesma elevação), cedo se tomou consciência de que as elevações são muito mais; basta lembrar, assim de repente, a «ESTRELA», a «AJUDA», a subida para as «AMOREIRAS» e tantas outras...
Os elevadores, fosse qual fosse a sua natureza, apareceram assim como a naturalidade de quem olha para os que necessitam.
Os elevadores que existem, nasceram todos entre os finais do século XIX e o princípio do século XX.
Fica na zona da «BICA» o mais típico destes veículos, inaugurado em 28 de Junho de 1892 (embora a sua exploração pela -COMPANHIA DE CARRIS DE FERRO DE LISBOA-tenha sido iniciada em 1927).
Deve o seu pitoresco ao facto de atravessar um "velho" bairro de Travessas e prédios na sua maioria do século XVIII, passando na «RUA DA BICA DE DUARTE BELO», aberta pela natureza.
Começa por ser curiosa logo a entrada no transporte, que é feito por um vulgar prédio de rendimento de cinco andares na «RUA DE SÃO PAULO».
Inicialmente movido por contrapeso de água, passou, quatro anos mais tarde, à locomoção a vapor. Devido a um acidente, por ocasião dos trabalhos para a sua electrificação iniciada em 1914, o «ASCENSOR DA BICA» esteve encerrado até 1923.
Deve-se a sua concepção ao Engenheiro «RAOUL MESNIER DU PONSARD», (Ver mais aqui)
responsável por este e outros existentes, bem assim como alguns já desaparecidos. Apesar do nome francês, era bem português, natural do «PORTO».
Foi este engenheiro o homem que mais poupou os pulmões dos alfacinhas, arranjando forma de lhes facilitar as subidas e descidas.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ VII ] - A HISTÓRIA DO ELEVADOR DA BICA (1)»




sábado, 7 de novembro de 2009

RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ V ]

Rua da Bica de Duarte Belo - (2007) Fotógrafo não identificado (A Rua da Bica de Duarte Belo) in PANORAMIO
Rua da Bica de Duarte Belo - (2009) Foto de Curly z (A Rua da Bica de Duarte Belo) in A MINHA BICA

Rua da Bica de Duarte Belo - (2009) Fotógrafo não identificado ( Rua da Bica de Duarte Belo in MILA
(CONTINUAÇÃO)
RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ V ]
«A RUA DA BICA DE DUARTE BELO»
O traçado actual da «BICA» e a sua envolvente, de malha ortogonal hoje classificada de pré-pombalina, com a sua articulação entre ruas, escadas e travessas, apesar do acentuado declive do solo, é, como se vê, bastante anterior ao terramoto de 1755.
De um modo geral, o sistema de arruamentos que ali hoje podemos observar, tem por conseguinte, cerca de quatro séculos de existência e terá sido contemporâneo da edificação do «BAIRRO ALTO».
A «RUA DA BICA DE DUARTE BELO» é quase integralmente ocupada pelo elevador (inaugurado em 29 de Junho de 1892), aquando da sua passagem. Cruza a «BICA» de alto a baixo, como se de uma coluna vertebral se tratasse. Ao passar na «CALÇADA DA BICA PEQUENA» e nos laterais finais o «LARGO DE SANTO ANTONINHO» e a «TRAVESSA DA BICA GRANDE», indo terminar por debaixo do prédio onde finaliza ou começa o elevador, referenciado com o número 242 da «RUA DE SÃO PAULO».
De facto, a «RUA DA BICA DE DUARTE BELO» é a rua do elevador e, para muitos ela é mesmo considerada como o centro do «BAIRRO DA BICA».
Os pequenos comércios do bairro encontram-se quase todos nesta rua. Algumas "Tascas", frequentadas sobretudo por residentes locais, algumas lojas antigas, como a «CASA DOS BOTÕES», um Cabeleireiro, pequeníssimas mercearias, alguns artífices em pequenas oficinas.
Uma Colectividade o «VAI-TU», já perto da última Travessa que cruza a linha do elevador a «TRAVESSA DO CABRAL».
Diz-nos ainda o Mestre «NORBERTO DE ARAÚJO» nas suas «PEREGRINAÇÕES EM LISBOA» (...)"este «CABRAL», que deu nome à «TRAVESSA», foi o bacharel «MANUEL RODRIGUES CABRAL», que nasceu no final do século XVI e morreu em 1632; a «TRAVESSA» na direcção nascente poente, liga as «CHAGAS» a «SANTA CATARINA», pela «RUA DO ALMADA». Ainda mais uma nota, no número 35 no prédio da esquina nascente da «RUA DA BICA DE DUARTE BELO», e esse curioso pórtico nobre, que faz hoje a porta de um barbeiro; nenhum de nós pode afirmar, mas podemos admitir, que foi aqui o solar do «RODRIGUES CABRAL».
O Topónimo de «BUARTE BELO» é dado a um certo armador e negociante da LISBOA QUINHENTISTA, e que possuía na «BOAVISTA» umas casas e um terreno no qual existia uma bica, designada pelos seus utentes como «BICA DOS OLHOS».
Como curiosidade, "em 1726, publicava-se em Lisboa no «ARQUIPÉGIO MEDICINAL» que recomendava, como remédio infalível para terçolhos e outros males da vista, a lavagem dos olhos na «BICA DO DUARTE BELO». Devia ser antes do Sol nascer, para garantir a cura".
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DA BICA DE DUARTE BELO [VI] - O ELEVADOR DA BICA»



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

RUA DA BICA DE DUARTE BELO [IV]

Rua da Bica de Duarte Belo - (2009) Fotógrafo não identificado (Troço da Rua da Bica de Duarte Belo com a esquina da Travessa do Sequeiro virada para as Chagas) in MILA
Rua da Bica de Duarte Belo - (2008) Fotógrafo não identificado (Troço da Calçada da Bica Pequena) in TRANSPORTES EM MOVIMENTO

Rua da Bica de Duarte Belo - (2000) Foto de Lampião (Bica dos Olhos na Rua da Boavista) esta bica representa uma Nau com os corvos de cada lado. Se ampliarem a imagem podem ler embora com certa dificuldade a inscrição: "He obrigado o dono desta propriedade a conservar esta bica sempre corrente e à sua conta". in SKYSCREPERCITY


Rua da Bica de Duarte Belo - (Início do século XX) Foto de Joshua Benoliel (O Largo do Santo Antoninho na Bica) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ IV ]
« SOBRESSALTOS DOS DESABAMENTOS»
Embora o «BAIRRO DA BICA» conserve o ar pacato e pitoresco que lhe foi timbre durante séculos, alguns sustos grandes lhe marcaram a vida.
De facto, segundo é tradição, davam as onze horas da noite em 21 de Julho de 1597 quando se ouviu uma voz desconhecida a gritar pelas ruas do sítio, que fugissem todos de casa porque o monte iria ruir. E assim aconteceu.
Mesmo não encontrando explicação para o estranho aviso, os moradores saíram em corrida, procurando abrigar-se mais para Norte.
Foi o que lhes valeu, já que às primeiras horas do dia 22 se deu na verdade a grande derrocada, que explica a abertura da colina a meio, dando azo à «RUA DA BICA DE DUARTE BELO», por onde hoje passa o elevador da «BICA».
A imaginação popular procurou feito miraculoso no aviso.
Mas simplesmente, como aventa mestre «JÚLIO DE CASTILHO», poderia tratar-se de qualquer transeunte retardatário que percebendo de desabamentos de terras, antevisse a desgraça que poderia dar-se, apressando-se a avisar os habitantes do local em perigo.
Aliás, em Outubro desse mesmo ano de 1597, novo desabamento ocorreu.
E o mesmo aconteceu em 13 de Fevereiro de 1621, com a «BOAVISTA» a ficar quase soterrada sob o monte de terra que lhe caiu em cima.
Todos estes sobressaltos tiveram lugar quando os Reis espanhóis reinavam em Portugal. No entanto, diga-se, o Senado da Câmara soube interpretar as necessidades dos moradores junto do Vice-Rei e obter as verbas necessárias para proceder aos arranjos preciosos, por forma a salvar o tempo de SANTA CATARINA e as casas nobres que por ali se erguiam.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA DA BICA DE DUARTE BELO [V] - A RUA DA BICA DE DUARTE BELO»




sábado, 31 de outubro de 2009

RUA DA BICA DE DUARTE BELO [III]

Rua da Bica de Duarte Belo - (2000) Foto de Lampião (Calçada da Bica Grande vista da Rua de S. Paulo) in SKYSCRAPERCITY
Rua da Bica de Duarte Belo ( 1967) - Foto de Garcia Nunes (Calçada da Bica Grande vista da Travessa do Cabral) in AFML

Rua da Bica de Duarte Belo - (194_) Foto de Eduardo Portugal (O Nicho no início da Calçada da Bica Grande) in AFML


Rua da Bica de Duarte Belo - (1945) foto de Fernando Martinez Pozal (Calçada ou Escadas da Bica Grande) in AFML



Rua da Bica de Duarte Belo - (s/d) Fotógrafo não identificado (Calçada da Bica Grande vista da Rua de S. Paulo) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ III ]
«O BAIRRO DA BICA (3)»
O contíguo edificado, maioritariamente construído por arquitecturas vernaculares dos séculos XVII e XVIII, vale pelo seu conjunto. As fachadas são simples mas harmoniosas. Algumas ostentam ainda as pequenas placas de calcário, onde aparece a referencia SEE ou Santa Maria Maior abreviado, recordando-nos que todos os edifícios da «Bica» eram foreiros ao Cabido da Sé.
Destacam-se dois registos de azulejos, um neoclássico, sobre a porta com o número quatro da «RUA DA BICA DE DUARTE BELO», e um outro, "rocaile"(1), sobre o número dezoito da «TRAVESSA DO SEQUEIRO», muito próximo do eixo central, ambos com a Virgem e o Menino ladeados por S. Marçal e Santo António. No gaveto da «TRAVESSA DO CABRAL», o único edifício senhorial de todo o bairro, com uma impositiva porta barroca.
Diz-nos NORBERTO DE ARAÚJO nas suas "PEREGRINAÇÕES EM LISBOA" livro XIII, página 65: "Este prédio, de fachada restaurada, no número 182, defronte da antiga casa da moeda, tem uma lápide de pedra que diz a sua idade «1707». (...) esse gracioso nicho, com forma de baldaquino vasio, em lavra Manuelina, no cunhal do prédio da esquina Oriental da CALÇADA (escadinhas) DA BICA GRANDE". Uma das entradas para o «BAIRRO DA BICA».
Fala-nos também do «PÁTIO DO BROAS», embora a designação seja local, estranha não estar nos roteiros. É nesse pátio que existe um tanque seiscentista com uma BICA, que corre para o tanque de pedra numa reentrância de abóbada redonda, relativamente comprida, com uns cinco metros de fundo. Deve ser esta a BICA GRANDE que deu o nome à CALÇADA. No outro lado do Bairro a poente, terá existido outra BICA (mais pequena) que estará na origem, possivelmente, no nome da «CALÇADA DA BICA PEQUENA».
À sua volta, a «BICA» fez-se «BAIRRO».
Embora parente pobre das «CHAGAS» e de «SANTA CATARINA», rico em cor, em alegria e de cheirinho a Lisboa.
Com uma população historicamente ligada às actividades marítimas a «BICA» mantém ainda hoje uma profunda identidade.
(1) - Estilo decorativo de origem francesa.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DA BICA DE DUARTE BELO [IV] - OS SOBRESSALTOS DOS DESABAMENTOS»


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

RUA DA BICA DE DUARTE BELO [II]

Rua da Bica de Duarte Belo - (2009) - Fotógrafo não identificado (Um troço da Rua da Bica de Duarte Belo) in MILA
Rua da Bica de Duarte Belo - (1968) - Foto de Armando Serôdio (Pátio do Broas - a Bica que deu nome à Calçada da Bica Grande) in AFML

Rua da Bica de Duarte Belo - (1945) - Foto de Fernando Martinez Pozal (Escadaria de acesso à Calçada da Bica Pequena) in AFML


Rua da Bica de Duarte Belo - (início do século XX) Foto de Joshua Benoliel - (Na altura que o ascensor estava parado) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ II ]
«O BAIRRO DA BICA (2)»
Na sequência de um deslizamento de terras no ano de 1597, que destruiu uma primeira urbanização tendo feito desaparecer uma centena de casas, veio alterar profundamente o perfil do habitado monte, formando-se um vale onde se ergue o «BAIRRO DA BICA»(ver mais aqui), fica entre as actuais «RUA DAS CHAGAS» e «RUA MARECHAL SALDANHA».
A instabilidade da encosta foi-se prolongando, tendo-se registado em 13 de Fevereiro de 1621 novo desabamento de terras. A consolidação dá-se depois desta data com o reiniciar de novas construções.
Sabe-se que este Bairro foi pouco afectado pelo terramoto de 1755.
Com o aglomerado populacional da «BICA» a crescer muito irregular na encosta íngreme junto à ribeirinha «RUA DE SÃO PAULO», ganhando contornos mais racionais entre a «TRAVESSA DO CABRAL» e o «LARGO DO CALHARIZ», no topo da colina, onde se lotearam, em espinha, quarteirões regulares centrados pela «RUA DA BICA DE DUARTE BELO», no eixo do talvegue.
Quatro arruamentos rasgados perpendicularmente ligam as duas encostas, «SANTA CATARINA» e as «CHAGAS».
Era nessa altura, o Cabido da Sé que detinha o então senhorio directo dos terrenos.
A designação «BICA DO BELO» é conhecida pelo menos desde 1554, que veio a denominar o Bairro homónimo que hoje conhecemos.
«DUARTE BELO», um armador e negociante de Lisboa quinhentista que dispunha na «BOA VISTA» umas casas e um terreno no qual existia uma fonte (ou bica). Um tal «ANTÓNIO FERREIRA» terá adquirido por aforamento em 1707 o terreno, então público, onde se encontrava a bica. Querendo construir uma casa à face da actual «RUA DA BOAVISTA», foi obrigado a mudar a bica à sua custa ficando ele e seus herdeiros, responsáveis pela sua manutenção, conforme se pode ler na inscrição que a mesma ostenta. "He obrigado o dono desta propriedade a conservar esta Bica sempre corrente e à sua conta".
Da actual bica, obra de 1675, brotava uma água com qualidades medicinais, boa para curar males de olhos, daí se chamar «BICA DOS OLHOS».
Esta bica fica situada no seguimento da «RUA DE S. PAULO» para quem se dirige ao «CONDE BARÃO». Existia a «RUA DIREITA DA BOA VISTA DA BICA DOS OLHOS», hoje com o topónimo de «RUA DA BOAVISTA».
Infelizmente, a «BICA DOS OLHOS», hoje propriedade Municipal, encontra-se desactivada e abandonada. Estando prevista uma obra (2004) profunda no edifício que a engloba, seria a oportunidade ideal para a valorizar.
O troço inferior do arruamento a Sul da «RUA DA BICA DE DUARTE BELO» junto ao cruzamento com a «TRAVESSA DO CABRAL», recebeu a designação de «CALÇADA DA BICA PEQUENA».
Na «BICA GRANDE» existe ainda no interior do «PÁTIO DO BROAS», com entrada pelo número 2, a bica que veio dar o nome à Calçada em escadaria «CALÇADA DA BICA GRANDE». Por oposição, terá existido uma «BICA PEQUENA», que deu nome à artéria que lhe ficava próxima. Ambos os topónimos reflectem a abundância de água daquelas terras, que se traduziu na construção de bicas e chafarizes.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA DA BICA DE DUARTE BELO [III]-(O BAIRRO DA BICA (3)»



sábado, 24 de outubro de 2009

RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ I ]

Rua da Bica de Duarte Belo - (anos 30 do século XX) Foto de Eduardo Portugal (Travessa da Portuguesa esquina com a Rua da Bica de Duarte Belo) in AFML
Rua da Bica de Duarte Belo - (1945) Foto de Fernando Martinez Pozal (Um troço da Calçada da Bica Pequena) in AFML

Rua da Bica de Duarte Belo - (1936) - Foto de Eduardo Portugal (Rua da Bica de Duarte Belo) in AFML


Rua da Bica de Duarte Belo - (1915) Foto de Joshua Benoliel ( De Sul para Norte - Final da Calçada da Bica Pequena, início da Rua da Bica de Duarte Belo, altura da paragem do Ascensor que só retomaria em 1923) in AFML
RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ I ]
«O BAIRRO DA BICA (1)»
RUA DA BICA DE DUARTE BELO» pertence à freguesia de «SÃO PAULO». Começa na «CALÇADA DA BICA PEQUENA» no número 22 e finaliza no «LARGO DO CALHARIZ» no número 14.
É atravessada de Norte para Sul pela «TRAVESSA DO SEQUEIRO», «TRAVESSA DA LARANJEIRA», «TRAVESSA DA PORTUGUESA» e «TRAVESSA DO CABRAL».
Em paralelo com esta rua no lado esquerdo situa-se a «RUA DO ALMADA», à direita a «RUA DAS CHAGAS». No seu envolvente tem ainda a «CALÇADA DA BICA PEQUENA», «RUA DOS CORDOEIROS», «LARGO DE SANTO ANTONINHO» e a «CALÇADA DA BICA GRANDE» que ligada à «TRAVESSA DO CABRAL» formam o «BAIRRO DA BICA».
O aumento populacional motivado pelos descobrimentos, fez LISBOA transbordar para fora da «CERCA FERNANDINA» expandindo-se progressivamente junto do rio a às principais vias que lavavam às populações do termo.
Na segunda metade do século XV os terrenos onde hoje se ergue o «BAIRRO DA BICA» faziam parte da vasta propriedade de «GHEDÁLIA PALAÇANO», um influente Judeu da Corte de D. DUARTE e de D. JOÃO II.
Os domínios de mestre «GUEDELHA» (como era conhecido), estendiam-se para Ocidente das «PORTAS DE SANTA CATARINA» e dividiam-se em duas grandes herdades, separadas pela estrada de «SANTO» ou da «HORTA NAVIA» (actuais «RUA DO LORETO», «LARGO DO CALHARIZ» e «CALÇADA DO COMBRO»), parte da via que levava a «ALCANTARA» e «BELÉM».
A «HERDADE DE SANTA CATARINA» ocupava as terras mais altas onde haveria de surgir o «BAIRRO ALTO», enquanto a «HERDADE DA BOAVISTA», marginando o Rio TEJO, se prolongava até à Esperança.
"Dóna JUDIA", viúva de «GHEDÁLIA PALAÇANO», em 1487, afora as duas propriedades a «FILIPE GONÇALVES», estribeiro do Rei. Por volta de 1498, em consequência das perseguições aos Judeus, "Dóna JUDIA" vende o senhorio directo das duas herdades a «LUÍS D'ATOUGUIA», a quem o estribeiro ficou a pagar foro.
«FRANCISCA CORDOVIL», filha herdeira de «FILIPE GONÇALVES», desposou «BARTOLOMEU DE ANDRADE» a quem o senhorio directo, então «LOPO DE ATOUGUIA», em 15 de Dezembro de 1513, autoriza o sub-aforamento das herdades, em talhões, segundo uma malha ortogonal, para construção de casas. Os primeiros terrenos a serem urbanizados, muito requisitados, marginavam o rio.
Esta urbanização terá começado ainda em 1498 e aí se fixou uma população maioritariamente ligada às actividades marítimas.
Após 1513 a urbanização cresceu rapidamente em direcção às «PORTAS DE SANTA CATARINA» subindo até «SÃO ROQUE».
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DA BICA DE DUARTE BELO [II] - O BAIRRO DA BICA (2)»



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CAMPO DOS MÁRTIRES DA PÁTRIA [ XII]

Campo dos Mártires da Pátria - (2009) Foto de APS ( Feira da Ladra no Campo de Santa Clara) Arquivo/APS


Campo dos Mártires da Pátria - (2009) - Foto de APS (Feira da Ladra no Campo de Santa Clara) Arquivo/APS

Campo dos Mártires da Pátria - (1940) Foto de Eduardo Portugal (Panorâmica sobre o Campo dos Mártires da Pátria) in AFML


Campo dos Mártires da Pátria (Segundo quartel do século XIX) Gravura de Alberto (Júlio de Castilho) (A feira da Ladra na Praça da Alegria) in DIAS QUE VOAM
(CONTINUAÇÃO)
CAMPO DOS MÁRTIRES DA PÁTRIA [ XII ]
«A FEIRA DA LADRA NO CAMPO DE SANTANA»
Explica-nos o Mestre António Vieira da Silva no seu livro «DISPERSOS» o significado de FEIRA DA LADRA.
"A nós, alfacinhas e moradores em Lisboa, a designação «FEIRA DA LADRA» não nos causa surpresa alguma, tão acostumados estamos a ouvi-la pronunciar desde crianças. Mas os habitantes do resto do país, e os estrangeiros, muitas vezes lhes terão ocorrido a interrogação: o que será a «FEIRA DA LADRA»? A esses diremos que a Feira da Ladra é uma feira ou mercado lisboeta, cuja origem remonta ou é porventura anterior à constituição da Monarquia Portuguesa, e se tem mantido seguidamente até à actualidade".
A origem deste mercado desaparece no obscuro do passado muito distante: em épocas bem longínquas fazia-se num pequeno Largo junto do Castelo de São Jorge, denominado «CHÃO DA FEIRA».
Documentos antigos contém referencias a uma feira que se realizava já nos tempos de D. Afonso II (1185-1223) e Norberto de Araújo, nas suas Peregrinações por Lisboa valida, afirmando: "A «FEIRA DA LADRA» (ou da LADA?), é um mercado lisboeta que remonta do século XII, e cuja avó foi aquela que se realizou, um dia por semana, no «CHÃO DA FEIRA», ao Castelo, com carácter muito diverso do que oferece hoje" (1).
A «FEIRA DA LADRA» andou pela «RIBEIRA VELHA», nas proximidades de «ALCÁÇOVA» ao Castelo, passou pelo «ROSSIO» pelos anos de 1552. Em 1610 existe a primeira postura oficial em que aparece o nome de «FEIRA DA LADRA», passa para a «PRAÇA DA ALEGRIA DE CIMA» (Cotovia de Baixo), de 1823 a 1835 de onde saiu para o «CAMPO DE SANTANA» (também conhecido pelo Alto da Caganita) onde permaneceu de 1835 a 1882. Existiu anteriormente uma deliberação em 18 de Março de 1823 para o funcionamento da «FEIRA DA LADRA» se efectuar no «CAMPO DE SANTANA». Porém em 10 de Junho do mesmo ano (três meses depois) era instalada na «PRAÇA DA ALEGRIA».
No ano de 1882 a Câmara mandou fixar a «FEIRA DA LADRA» (ver mais aqui) no «CAMPO DE SANTA CLARA» anteriormente chamado «CAMPO DA FORCA» e «LARGO DA FUNDIÇÃO DE CIMA» onde presentemente se encontra. Até 1903, a feira realizou-se neste lugar só às terças-feiras, aos sábados, tinha uma "sucursal" no Mercado de S. Bento.
Hoje realiza-se no «CAMPO DE SANTA CLARA» todas as semanas, às terças-feiras e sábados.
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Publicado no "JORNAL DO COMÉRCIO" da autoria de Augusto Pinto Leal (Autor de Portugal Antigo e Moderno) no ano de 1874, indica a feira da Ribeira como possível antecessora da «FEIRA DA LADRA», por se realizar na margem «LADA» do Tejo.
Esta posição seria refutada por «ALBERTO PIMENTEL», que indica como origem da designação o facto de se venderem na Feira objectos roubados, conforme já tinha sido indicado na postura de 1610, sendo esta portanto, a etimologia mais provável, não existindo indicações de que a Feira tenha passado pela zona Ribeirinha de Lisboa.
A Bibliografia sobre a «FEIRA DA LADRA» é muito vasta.
Aconselho a quem necessite de mais desenvolvimento à cerca deste assunto, consultar o livro «A FEIRA DA LADRA»-Guias de Lisboa colecção dirigida por «MARINA TAVARES DIAS» IBIS-Editora, Lda. ano 1990, uma edição com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e do seu pelouro Cultural.
(1) - Peregrinações em Lisboa - Livro VIII, página 72.
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BIBLIOGRAFIA
- Atlas da Carta Topográfica de Lisboa - sob a direcção de Filipe Folque: 1856-1858-CML - Departamento de Património Cultural - Arquivo Municipal de Lisboa - 2000.
- Lisboa de Ontem e de Hoje - Rocha Martins da Academia das Ciências - Edição da Empresa Nacional de Publicidade - 1945 - Lisboa.
- Dispersos de António Vieira da Silva - Volume II - Biblioteca de Estudos Olisiponenses - Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa - 1985.
- Peregrinações em Lisboa- de Norberto de Araújo - Livro IV e VIII - 1992 - Vega - Lisboa
- Estátuas Portuguesas - Olhares de Pedra - Edição de Prosafeita, Lda. - 2004 - Lisboa.
- Dicionário da História de Lisboa - Direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena - 1994 - Lisboa.
- Dicionário Ilustrado da História de Portugal - Coordenação de José Costa Pereira - Publicações Alfa - I e II Volumes 1985 - Lisboa.
(PRÓXIMO) - «RUA DA BICA DUARTE BELO [ I ] - O BAIRRO DA BICA (1)»