domingo, 21 de junho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [III]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2009) - (Panorama do Rossio-Lisboa) in WIKIMAPIA
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - início do século XX -Fotógrafo não identificado - (O Rossio com o seu primeiro empedrado-Litografia existente no Museu da Cidade) in RUAS DOS DIAS QUE VOAM

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1919) - Foto de Paulo Guedes - (O Rossio com a sua fonte e Monumento a D. Pedro IV) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [III]
«O ROSSIO (3)»
A designação de «ROSSIO» começou por ser atribuída a um lugar vago, amplo e excêntrico, onde se fazem ou faziam feiras e mercados e entram em contacto o estilo de vida urbana e rural .(1)
Aberto ao alfoz rural a norte da cidade pelas duas ramificações do Vale da Baixa (correspondente, hoje, à Avenida da Liberdade e à Rua da Palma e Avenida Almirante Reis), o «ROSSIO» foi, naturalmente, um dos locais para o qual mais significativamente convergiram os géneros fornecidos pelos pomares e hortas dos arredores. Esta quase que imposição das condições geomorfológicas actuou ainda, quando da reconstrução da cidade, na criação de um mercado à ilharga do Rossio, cuja existência se prolongou até meados do século XX.
Mas nem só de subsistência vivia o comércio do «ROSSIO».
Cedo a situação teria começado a corresponder a esta descrição de Castilho, válida sobretudo para o século XVII e princípios do seguinte; (...) era, antes do decreto que gizou em terrenos do «Hospital Real de Todos-os-Santos» a nossa Praça da Figueira, todo atravancado com cabanas portáteis e enormes chapéus-de-sol de mulheres de venda, com gigas de Colares, celhas de regateiras, rebolos de barbeiros, caixões de legumes (...) e até com barracas de pele para os sapateiros nómadas(...). No largo do Terreiro do Rossio, rodeado de mercearias, tabernas e outras lojas, havia às terças-feiras, no tempo do autor do «LIVRO DAS GRANDEZAS DE LISBOA», uma feira semanal, avó da nossa «FEIRA DA LADRA». (...) «Por baixo do edifício sumptuoso do Hospital corria uma arcada gótica; nessa arcada muitos mercadores »(...) Pela parte do Ocidente e a Sul, está cercado por casas muito grandes; têm de comprimento mais de quinhentos passos, de largura mais de duzentos; está cercado a nascente por um lanço de dormitórios o Mosteiro de São Domingos, que se situa à entrada deste Rossio, e ocupará um terço do seu comprimento.
Tanto este dormitório como o famoso edifício do Hospital Real de Todos-os-Santos estão fundados à face do «ROSSIO», sobre trinta e cinco arcos de fortíssima pedraria, entre os quais e a parede interior fica um largo corredor, com trinta pés de largura aproximadamente.
Serve não só de passagem para proteger do Sol e da chuva, mas também para serventia do Hospital de Nossa Senhora do Amparo, e dos que trabalhavam no Hospital de Todos-os-Santos.(2)
(1) - Raquel Soeiro de Brito
(2) - «LIVRO DAS GRANDEZAS DE LISBOA» de Frei Nicolau de Oliveira - contém fac-simile da edição original de 1620 e textos actualizados por Maria Helena Bastos - 1991 - Vega.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [IV] - O ROSSIO (4)»


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