sábado, 10 de abril de 2010

RUA DE XABREGAS [ XVII ]

Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS (Rua de Xabregas, em segundo plano o Palácio Olhão e o edifício nos terrenos da antiga "FÁBRICA DAS VARANDAS") ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (2005) - Foto de APS (O local onde se encontra este edifício, outrora a Fábrica de Fiação e Tecidos Oriental, vulgarmente chamada de "Fábrica das Varandas", pertence hoje a um C.C. e nele está instalado o IPA) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1898 ?) - Fachada da Fábrica de Fiação e Tecidos Oriental (vulgo) Fábrica das Varandas, na Rua de Xabregas em finais do século XIX) in CAMINHO DO ORIENTE
--//--
(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XVII ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FÁBRICA DAS VARANDAS" (1)»
Na «RUA DE XABREGAS» nos números 2 a 20 existiu a «FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL» de (1888 a 1983), tendo sido uma das mais emblemáticas e importantes unidades têxteis, deixando uma auréola na vida social e na história do sítio de «XABREGAS».
«ABEL BOTELHO» no seu romance «AMANHû, refere-se que no tempo em que já era conhecida por "FÁBRICA DAS VARANDAS", designação popular que se manteve até ao encerramento. Na história do operariado português é um marco indispensável, porque está associado a dirigentes operários, greves e lutas sociais, que motivaram frequentes despedimentos e outros acontecimentos de relevo na sua existência de cerca de cem anos.
A fábrica foi fundada pela «COMPANHIA ORIENTAL DE FIAÇÃO E TECIDOS», uma Sociedade Anónima criada em 2 de Abril de 1888.
Nos primeiros anos foi dirigida por «ERNESTO DRIESEL SCHROETER (1850-1942)» e «MANUEL JOSÉ DA SILVA». O capital inicial era de 400 contos. Em 14 de Agosto de 1888, a referida Companhia estabeleceu um contrato com «FRANCISCO BAERLEIN», representante da firma «BAERLEIN & Cª.» de Manchester, para a construção de uma fábrica de primeira classe, nos seus terrenos de «XABREGAS».
«FRANCISCO BAERLEIN» concretizou o projecto entre essa data e 31 de Agosto de 1891, fornecendo o maquinismo mais aperfeiçoado para a industria de fiação e tecelagem de algodão, incluindo uma máquina a vapor.
A nova fábrica, muito embora fosse equipada com o melhor que existia nessa altura para a industria têxtil, não ficou desde logo perfeita, devido a um problema grave ocorrido na máquina a vapor.
Por essa razão, entre Dezembro de 1891 (altura da inauguração) e 1893, houve um contencioso judicial entre os empreiteiros e a Companhia.
O estabelecimento fabril encontrava-se protegido da via pública por uma correnteza de um piso, onde ficavam as oficinas, sobre as quais se situavam as varandas.
Na parte de trás encontravam-se as duas oficinas principais, a fiação e a tecelagem, em edifícios separados, construídos com dois pisos cada um. A fiação organizava-se longitudinalmente à via pública e a tecelagem transversalmente, logo a seguir à portaria e à escada que subia aos escritórios.
Próximo a essa escadaria encontrava-se um grande janelão em ferro forjado e fundido, com a data de 1888 (hoje, na frontaria do novo edifício, conforme foto de 2005). Esse janelão iluminava a casa das máquinas, onde foi instalado um motor a vapor de alta e baixa pressão.
(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-«RUA DE XABREGAS [XVIII]-FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FABRICA DAS VARANDAS" (2)»



6 comentários:

Rafael Santos disse...

que bom era ver essa rua tal como nessa primeira foto. Com os carris do eléctrico que foi substituído pelos autocarros :(

Um grande abraço.

Rafael Santos

Ricardo Moreira disse...

O janelão com a data é o que aparece na última foto à direita da chaminé?

APS disse...

Caro Rafael Santos

Quando "postei" essa foto lembrei-me dos velhos carros elétricos da (série 200/300) grandes, abertos, (normalmente utilizados para longas viagens) da carreira 16, (XABREGAS-BELÉM), isto nos anos 50 do século passado.
Na RUA DE XABREGAS existia uma 3ª. linha ou desvio, (frente ao Palácio Olhão)sendo o términus da carreira 16.
Bons tempos, em que se ia de Xabregas a Belém por dez tostões e, se fosse antes das sete e meia da manhã (durante a semana), podíamos apanhar o "carro operário", com a possibilidade de utilizar o mesmo bilhete na volta, ou no dia (marcado no bilhete) num outro mês.

Um abraço
APS

APS disse...

Caro Ricardo Moreira

Também achei que seria, mas assim tenho mais a confirmação.

Obrigado pela achega.

Faltam 2 publicações para finalizar a RUA DE XABREGAS, e muitas coisas ficam por contar. Já estou com esta rua desde Fevereiro... É tempo para fazer uma pausa.

Um abraço
APS

Luisa disse...

Rua de Xabregas com muita História!
Gostei de saber da existência desta Fábrica, e como ela operava.

Abraço

Luisa

APS disse...

Cara Luísa

Tal como Alcântara, Xabregas era um pólo de actividades fabris, isto nos anos 40/50 do século passado.
Realmente existiram muitas fábricas e tudo se movimentava à sua volta.
Paralelamente à Fábrica do Tabaco (no Convento de S. Francisco de Xabregas) era a "Fabrica das Varandas" que utilizava mais mão-de-obra.
Hoje tudo mudou, ficam apenas aqui e ali, alguns apontamentos do passado, para que os vindouros saibam da existência de histórias verdadeiras.

Abraço
APS