quarta-feira, 14 de abril de 2010

RUA DE XABREGAS [ XVIII ]

Rua de Xabregas - (2006) (Sitio da antiga "Fábrica das Varandas" existe agora esta edifício de serviços onde funcionou o -IPA-Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos) in FACULDADE DE ARQUITECTURA DA UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA.
Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS ( Terrenos da antiga Fabrica de Fiação e Tecidos Oriental, vulgarmente chamada "Fábrica das Varandas", hoje um edifício de serviços) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS ( A RUA JOSÉ ANTÓNIO LOPES o Centro Comercial no lado esquerdo, em terrenos da antiga "FABRICA DAS VARANDAS") ARQUIVO/APS
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XVIII ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FÁBRICA DAS VARANDAS" (2)»
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Após as dificuldades iniciais a Têxtil passou a funcionar regularmente, desde 1893, com o capital inicial. Entre os principais produtos refiram-se diversos números de fios, tecidos e estofos (pano cru, enfeitados, lonas e sarjas).
Em 1898 trabalhavam nesta fábrica 425 operários.
Na segunda década do século XX procedeu-se à alteração dos estatutos e ao aumento do capital social para (550 contos).
As diversas crises fabris, entre a «I GUERRA MUNDIAL» e a crise da Bolsa de Nova Iorque em 1929, reflectiram-se na vida da empresa.
A partir de 1930, passou a ser administrada pelo empresário catalão, «LORENZO CISA Y TAY». A planta fabril sofre alterações e a área é ocupada em 15 000 metros quadrados. Segundo nos diz «CARLOS BASTOS» compreendia cinco secções: "fiação com doze mil cento e sessenta fusos; tecelagem, com trezentos e quarenta e sete teares; branqueio e acabamento; e fios para embalagens e fita vegetal (1947). (1)
A nível de produção enveredou-se para tecidos mais finos (cassas (2), bretanhas (3), estamparias etc.) e algodão e gazes para fins farmaceuticos. Especializara-se também no ramo das fitas e fios de vegetal, organizando-se em oficinas especializadas.
Diz-nos ainda da «FÁBRICA DAS VARANDAS» «MÁRIO FURTADO», no seu livro «DO ANTIGO SÍTIO DE XABREGAS» na página 107 o seguinte: "os salários mínimos (estamos a referir-nos à primeira metade dos anos 50 do século passado) oscilavam entre 110$00 e 130$00 (cento e dez escudos e cento e trinta escudos).
As tecedeiras que trabalhassem de empreitada (empreiteiras), se produzem ou o trabalho correr bem, poderão tirar médias de 180$00 ou 190$00.
O ruído na secção de Tecelagem era de tal ordem que obrigava as pessoas a comunicar por mímica, ou a bradar em altos berros. Por outro lado, como as condições atmosféricas influíssem no rendimento do trabalho - a trama (4) partia com mais facilidade com tempo seco - , as pobres sujeitavam-se, frequentemente, à acção dos humidificadores instalados nas oficinas de fiação.
Quanto a férias remuneradas - uma semana - era normal as operárias só terem direito a 2,3 ou quatro dias, se tivessem faltado para acudir ao filho ou marido doente".
- (1) - CARLOS BASTOS "EMPRESA DA FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL", in O Algodão no Comércio e na Industria Portuguesa - Porto - Grémio dos Importadores de Algodão em Rama, (1947) pp 37-38.
- (2) - Tecido transparente de linho ou algodão
- (3) - Tecido fino de linho ou algodão
- (4) - Fio que se conduz com a lançadeira através do urdume da teia
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XIX ] - FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FÁBRICA DAS VARANDAS" (3)»FINAL.



2 comentários:

Ricardo Moreira disse...

O IPA mudou de instalações há uns meses, não sei dizer ao certo quando nem para onde. Creio que todo o espaço anteriormente ocupado pelo IPA se encontra ainda desocupado.

Gostei de ver as fotos de 1989! As coisas vão mudando e a nossa memória vai-se perdendo: não me lembrava nada dessa fase "intermédia", quando o muro da fábrica já tinha ido abaixo, mas os arranjos da rua ainda não tinham sido feitos!
Só me lembrava era da estreiteza que era a Rua José António Lopes: todos os carros que estão do lado esquerdo, na terra batida, estão em terrenos que eram da fábrica, os quais terminavam num muro que ficava onde começa a zona alcatroada, no enfiamento do muro junto às escadas que se vêem ao fundo (e que ainda estão assim).

APS disse...

Caro Ricardo Moreira

Por vezes é preferível falar no passado, assim temos a certeza de que as coisas aconteceram.
Ainda em finais do ano passado o IPA estava a festejar com pompa e circunstância, os seus 20 anos de existência.
Por acaso só faço um apontamento da localização, sem entrar em pormenores, se o fizesse tornava-se mais ridículo.
Já rectifiquei a legenda na foto.

Lembro-me que o muro da fábrica fazia fronteira com a Rua José António Lopes, a rua da Farmácia Conceição, que dava passagem para a vila Maria Luísa ou Vila Zenha.

Obrigado pela dica.
Cumprimentos
APS