quarta-feira, 12 de setembro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ V ]

 Praça do Chile - (2009) Foto de Dias dos Reis (O antigo "Cruzeiro de Arroios" que se encontrava no "Largo de Arroios" está hoje no alpendre da moderna "Igreja Paroquial de S. Jorge de Arroios") in DIAS DOS REIS
 Praça do Chile - (depois de 1970) Foto de autor não identificado (O "Cruzeiro de Arroios" no alpendre da "Igreja Paroquial de S. Jorge de Arroios") in IGESPAR
 Praça do Chile - ((depois de 1970) Foto de autor não identificado (Pormenor do "Cruzeiro de Arroios" face principal que se encontra no "Igreja Paroquial de S. Jorge de Arroios") in IGESPAR 
 Praça do Chile - (1940/1949) - Foto de Eduardo Portugal (O "Cruzeiro de Arroios" dentro da antiga "Igreja de Arroios" mostrando a face de "Nossa Srª. da Piedade") in AFML
Praça do Chile - (1940/1949) - Foto de Eduardo Portugal ( O "Cruzeiro de Arroios" dentro da antiga "Igreja de Arroios", com a face de "Cristo na Cruz" virada para o altar) in AFML


(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ V ]

«O CRUZEIRO DA ARROIOS»

Este cruzeiro encontrava-se inicialmente no «LARGO DE ARROIOS», como vem representado nao quadro de «DOMINGOS ANTÓNIO DE SEQUEIRA»(1768-1837), conhecida por a «SOPA DOS POBRES»; actualmente encontra-se sob o alpendre da moderna «IGREJA PAROQUIAL DE S. JORGE DE ARROIOS».
Peça de estilo Manuelino foi mandada erguer no início do reinado de «D. JOÃO III» para comemorar a beatificação da «RAINHA SANTA ISABEL» em 1517. (Medianeira no "Campo de Alvalade" nas pazes entre pai e filho; D. Dinis e D. Afonso IV).
Trata-se de uma obra em pedra lioz, bastante trabalhada, assentando num soco hexagonal de base cilíndrica, com nó de encordoamento, e com fuste torso, decorado com gramática vegetalista, integrando a representação escultórica de «SÃO VICENTE» mártir, segurando uma folha de palma e a nau com os corvos, símbolo iconográfico da «CIDADE DE LISBOA». Sobe o capitel, decorado com mascaras e boleados, ergue-se duas cenas relevadas, na face principal «CRISTO NA CRUZ» e na face posterior «NOSSA SENHORA DA PIEDADE». As figuras deste cruzeiro denotam já influência do gosto da "Renascença", pelo acentuado naturalismo escultórico imprimido pelo artista, provavelmente de oficina lisboeta.
Dentro de uma vidrada edícula esteve durante muitos anos, esta monumento religioso, e possivelmente iluminado com sua lâmpada votiva, sendo alvo da piedade dos fiéis.
O «CRUZEIRO DE ARROIOS» ficava muito perto do chafariz, em cujo tanque se matava a sede aos machos dos almocreves, às bestas de tiro, aos cavalos de sela e a outro género de gado que por ali passavam em direcção aos campos ou lá vinham para a capital.
Os edifícios, que enquadravam outrora magnificamente o «CRUZEIRO», seriam modificados ou desapareciam, transformando o «LARGO» de forma que dificilmente se reconhece o seu passado.
No «CRUZEIRO DE ARROIOS» não se conhecia a existência de qualquer legenda descritiva, mas os viajantes saudavam sempre a memória sem lhe conhecerem o significado. Bastava para isso, estarem ali as imagens com iluminação. E quanto mais tempo decorria menos se devia saber a que acontecimento aludia o mármore e a pedra lioz daquele "Monumento". Nos degraus que conduziam ao pavilhão onde se resguardava o «CRUZEIRO DE ARROIOS», deviam ter ajoelhado milhares de pessoas de almas arrependidas, simples mendigos e grandes senhores, talvez muita gente, quando os males da Terra mais faziam voltar os olhos para o céu.
Dizem que por este «LARGO» junto ao «CRUZEIRO» terá por ali passado o cavalo negro de «JUNOT» ao entrar em LISBOA, querendo apossar-se da família real, que nessa altura já tinha partido para o Brasil, abordo da sua armada. Os soldados estropiados, enfraquecidos, de cabeças amarradas e os pés ensanguentados, caíam exaustos nos degraus das casas pobres do «LARGO», recebendo a caridade portuguesa, o pão o caldo e o vinho. Franceses invasores, seguindo no rasto do general alucinado, deveriam ter sido mortos no local, mas a alma atribulada, medrosa, ou a piedade do povo, socorrera-os.
Este «CRUZEIRO» foi removido do «LARGO» (para regularização do espaço urbano local), e levado para a sacristia da «IGREJA DE SÃO JORGE DE ARROIOS» que lhe ficava próxima. Mais tarde e depois das obras da construção do novo templo em 1970, este «CRUZEIRO» foi colocado no alpendre  da nova Igreja, onde ainda se encontra. 

(CONTINUA) - (PRÓXIMA)-«PRAÇA DO CHILE [ VI ] - ARRABALDES DE LISBOA, RETIROS E HORTAS (1)» 

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