quarta-feira, 7 de março de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ VIII ]

«A FÁBRICA DE PÓLVORA DE CHELAS ( 1 )»
 Estrada de Chelas -  ( 2017)  -  As instalações do antigo "CONVENTO DE CHELAS", hoje pertença do Ministério do Exército onde instalou o seu "ARQUIVO GERAL DO EXERCITO")  in  GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas - (1987)- Foto de António Sacchetti  -  (Planta Aerofotogramétrica  da "FÁBRICA NACIONAL DE ARMAS LIGEIRAS" e "FABRICA NACIONAL DE MUNIÇÕES E ARMAS LIGEIRAS" no final da "ESTRADA DE CHELAS")  in  CAMINHO DO ORIENTE GUIA DO PATRIMÓNIO INDUSTRIAL
 Estrada de Chelas - (1911)  - ( O químico e inventor da pólvora sem fumo "ANTÓNIO XAVIER CORREIA BARRETO, que dirigiu a própria unidade fabril.(Publicado in Problemas e Manipulações Chímicas em 1911)   in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Estrada de Chelas - ( 1911)  - (Oficina de carregamento de cartuchos de infantaria. ( Publicado in Problemas e Manipulações Chímicas)   in   RESTOS DE COLECÇÃO
Estrada de Chelas - (1906)  -  (A planta da "FÁBRICA DE PÓLVORA SEM FUMO".  in "A FÁBRICA DE POLVORA EM CHELAS", revista de Artilharia, Ano II, Nº. 21-1906)  in  RESTOS DE COLECÇÃO

(CONTINUAÇÃO) - ESTRADA DE CHELAS [ VIII ]

«A FÁBRICA DE PÓLVORA DE CHELAS ( 1 )»

A «FÁBRICA DE PÓLVORA DE CHELAS» funcionou no antigo "CONVENTO DAS FREIRAS DE CHELAS" desde 1898 até aproximadamente a 1983.

Esta fábrica de pólvora sem fumo, instalada em finais do século XIX, na cerca e em algumas dependências do antigo "MOSTEIRO DE CHELAS", mais conhecido pelo "CONVENTO DE CHELAS".
Estas localizações de fábricas de explosivos na envolvência de casarios ou estruturas religiosas não era comum, pois geralmente eram escolhidos lugares ermos, devido a exigência de segurança.
O abastecimento do exército português era feito desde o tempo de D. MANUEL I, na grande fábrica de BARCARENA (OEIRAS). Com a formação de uma outra unidade industrial, por parte do ESTADO, para o fabrico de pólvora, prende-se com a necessidade de uma inovação técnica.
A "FÁBRICA DE PÓLVORA DE CHELAS" é duplamente significativa para PORTUGAL.  Por um lado, iria produzir uma pólvora química inovadora e por outro lado, esse avanço técnico, ficar-se-á a dever ao fundador da própria unidade fabril, o general "ANTÓNIO XAVIER CORREIA BARRETO ( 1853 - 1939). Assim, só em finais de oitocentos se irá deixar de fabricar a pólvora preta em armas portáteis de fogo, passando a chamar-se a partir dessa altura pólvora "BRANCA".
Os químicos "SCHONBEIN" e "BOTIGER" em 1846, descobrem o "ALGODÃO-PÓLVORA". No entanto esta pólvora não servia para os exércitos, pois quando se procedia o disparo a posição do atirador era denunciada. Várias explosões desastrosas e acidentes, demonstraram que o "ALGODÃO-PÓLVORA" não era indicado para armas de fogo. 
Outro engenheiro químico "PAUL VIEILE" terá dado mais um contributo para um explosivo de características progressivas. Embora o cientista "SUECO" que maior impulso deu à resolução do problema foi "ALFRED NOBEL (1833-1896). Este químico provou a possibilidade de gelatinizar o "ALGODÃO-COLÓDIO" pela nitroglicerina. Com esta descoberta, abria-se um novo caminho para a pólvora nitrocelulósica e nitroglicerina.
Em 1889, o então coronel "CORREIA BARRETO" foi incumbido, pelo director de Artilharia de estudar o fabrico de uma pólvora sem fumo, para as armas portáteis e bocas-de-fogo. Este objectivo prendia-se com a autonomização do nosso país face a "NOBEL" e a uma economia de meios que favorecessem o exército português, numa época de corrida aos armamentos. "CORREIA BARRETO" veio a obter uma pólvora de primeira qualidade igual ou superior às congéneres alemãs e inglesas. As suas investigações permitiam-lhe descobrir, quase ao mesmo tempo de "NOBEL", um novo tipo de pólvora química.
O grande avanço tecnológico prendia-se com a diminuição do explosivo na constituição da pólvora.
Em 1898, abria a fábrica de pólvora sem fumo, sob a direcção de "CORREIA BARRETO", estando em laboração até cerca dos anos 80 do século XX.  No início, o espaço ocupado pelas instalações fabris era muito limitado, não ultrapassava um hectare. Como é usual, em todas as fábricas de pólvora, as diferentes oficinas foram construídas separadamente devido a exigência de segurança. As instalações que apresentavam maior perigo, devido à manipulação de substâncias explosivas, tinham parte das suas paredes cota negativa no subsolo.

(CONTINUAÇÃO)-(PRÓXIMO)«ESTRADA DE CHELAS[ IX ]A FÁBRICA DE PÓLVORA DE CHELAS ( 2)» 

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