quarta-feira, 28 de maio de 2008

RUA ANTÓNIO VARIAÇÕES

Rua António Variações - (1983) - Fotógrafo não identificado in 13.photobuckt.com/
Rua António Variações - (198-) Fotógrafo não identificado in www.uni-hamburg.de/

Rua António Variações (s/d) Fotógrafo não identificado in boraiprosol.blogs.sapo.pt

Rua António Variações - (198-) Fotógrafo não identificado in dn.sapo.pt2004/11/12/artes


A «RUA ANTÓNIO VARIAÇÕES» pertence à freguesia de SANTA MARIA DOS OLIVAIS. Começa na Rua Carlos Daniel e termina na Rua Mário Viegas.
Por deliberação Camarária de 13 de Maio de 1998 e Edital de 24 de Junho de 1998, foi atribuído o nome de António Variações à rua nesta freguesia, de designação anterior "B" do Bairro dos Retornados, sendo inaugurada em 7 de Maio de 1999.


A 3 de Dezembro de 1944 na Aldeia minhota de Fiscal, situada no Concelho de Amares (BRAGA), viu nascer um dos seus filhos mais famosos, António Joaquim Rodrigues Ribeiro, que é como foi baptizado «ANTÓNIO VARIAÇÕES».
Estudou por aquelas bandas, no mesmo tempo que ajudara o seu pai no trabalho do campo. Já nesses tempos demonstrava grande apetência pela música.
Com apenas 11 anos teve o seu primeiro emprego, em Caldelas, como fabricante de quinquilharias. Um ano depois vem para Lisboa, onde começa a trabalhar num escritório.
Os anos passaram e veio a altura de cumprir o serviço militar. Os tempos eram outros e o seu destino foi Angola. Antes de partir, pede à sua mãe que acenda uma vela a Santo António, figura da sua devoção. Regressa em 1975, mas por pouco tempo. O seu próximo destino é Londres. Um ano depois, mais um rápido retorno... e nova partida; desta feita, para Amesterdão, cidade em que aprende o seu oficio: assim, monta em Lisboa, no Centro Comercial IMAVIZ, o primeiro cabeleireiro Unisexo português.


Em 1978 apresenta uma maqueta à firma Valentim de Carvalho e, uns anos mais tarde, dá-se o encontro com duas pessoas: Júlio Isidro e Luís Vitta. O primeiro abre-lhe as portas da Televisão, o segundo as da rádio.
Em 1982 sai o seu primeiro "single" «POVO QUE LAVAS NA RUA» e «ESTOU ALÉM». E, em pouco mais de um ano, transforma-se num caso de popularidade da música popular Portuguesa. Em 1983, sai o seu primeiro álbum intitulado «ANJO DA GUARDA», com êxito como «É PARA AMANHû ou «O CORPO É QUE PAGA», num estilo que ele próprio define como reunir folclore, rock, blues e fado. Em 1984 grava o seu segundo e último álbum «DAR E RECEBER», no qual se revelou como sucesso a «CANÇÃO DO ENGATE».
O seu primeiro sucesso constitui-se no arrojo de cantar «POVO QUE LAVAS NO RIO», "emblema" de Amália. Temas como «É PARA AMANHû, «O CORPO É QUE PAGA» ou «VISÕES/FRICÇÕES/NOSTRADAMUS» - com a música composta por Victor Rua - ficarão na história da música portuguesa.
Quando lhe punham questões de natureza estética, definia-se de forma vulgar: «Estou entre Braga e Nova Iorque». Morreu a 13 de Junho de 1984, no dia em que Lisboa celebra o Santo de sua devoção


BIBLIOGRAFIA
Gazeta de Lisboa Nº6 de 04/05/2000
CML - Toponímia

(ATÉ BREVE... AMIGOS)



COMUNICADO

VOU ESTAR AUSENTE DESTE MEU RECANTO PORQUE O MEU SENHORIO ME COLOCOU NA RUA, DEPOIS DE ME MOVER UMA ACÇÃO DE DESPEJO EM DESCARADA MÁ FÉ.
NÃO ME ACEITOU A RENDA (1996) EU FUI DEPOSITÁ-LA NA CAIXA GERAL DOS DEPÓSITOS, (A MINHA ADVOGADA NÃO VEZ PROVA DA RECUSA E EU ESTOU NA RUA), APÓS 12 ANOS DE RECUOS E AVANÇOS (POIS GANHEI TRÊS VEZES E PERDI UMA, A ÚLTIMA).
ESTAVA NESTA CASA DESDE 1960 EMBORA JÁ TIVESSE HABITADO NO MESMO PRÉDIO (NOUTRO ANDAR) DESDE 1957. TENHO 71 ANOS SEMPRE PAGUEI A RENDA ATEMPADAMENTE, AGORA VEJO-ME RETIRADO DA CASA DE PERTO DA FAMÍLIA, ALÉM DOS PROBLEMAS PSICOLÓGICOS E MORAIS QUE TUDO ISTO ENVOLVE.
NÃO ME VOU LAMENTAR MAIS, ACEITO A VIDA COMO ELA ME PROPORCIONA, NÃO SEI SE SOU UM "PARVALHÃO" OU UM "CHICO-ESPERTO", UMA COISA TENHO PRESENTE. SOU SÉRIO, O TRIBUNAL DECIDIU (MAL OU BEM NÃO INTERESSA) EU LIMITO-ME A CUMPRIR.
NO DIA 30 DE MAIO DE 2008 SERÁ O MEU ÚLTIMO DIA NESTA MORADA EM SASSOEIROS.
SAUDAÇÕES "BLOGUISTAS"
APS (Agostinho de Paiva Sobreira)

terça-feira, 27 de maio de 2008

LARGO DO CONDE BARÃO [ VI ]

Largo do Conde Barão - (actual)(fotógrafo não identificado) in lisboa-abandonada.blogspot.com
Largo do Conde Barão - (19--) Fotógrafo não identificado (Carros Americanos) in AFML Largo do Conde Barão - (19--) Fotógrafo não identificado (carros do Chora no Largo) in AFML


(CONTINUAÇÃO)
LARGO DO CONDE BARÃO
«PALÁCIO DOS ALMADAS-CARVALHAIS»
Não queremos deixar de referir que foi aqui, neste Palácio em finais do século XIX, até1923 que existiu a «COMPANHIA NACIONAL EDITORA», infelizmente desaparecida.
Nestes últimos anos esteve, também, instalado no Palácio dos «ALMADAS-CARVALHAIS» o «CASA PIA ATLÉTICO CLUB - ATENEU CASAPIANO» (negociada a saída deste Palácio até 31 de Agosto de 2005). Existia ainda uma Biblioteca-Museu Luz Soriano na sede do Clube desde 1939 a 2005. Esta biblioteca foi fundada pelo antigo casapiano António Bernardo profissional dos CTT, que se distinguiu também na pintura e BD.
Tivemos conhecimento que este edifício já está classificado como Monumento Nacional desde 1920. Foi alvo de profundas obras de restauro no século XVIII. Da primitiva traça conserva-se o túnel de entrada com abobada de arestas forradas de azulejos seiscentistas. No pátio ainda se pode ver o claustro renascentista.


«PALÁCIO DOS CONDES-BARÕES»
O Palácio dos Condes-Barões ficam nos números 41 a 47 deste Largo (1), mas tinham a sua parte nobre na esquina da Rua dos Mastros.
Os Alvitos (cujo primeiro título pertenceu a João Fernandes da Silveira (1475), chanceler-mor e escrivão da puridade e embaixador de D. Afonso V, foi o primeiro Barão em Portugal, tinha sangue real, eram Lopos da Silveira, porque João Fernandes casara em segundas núpcias com D. Maria de Sousa Lobo que trouxe ao marido os senhorios, entre outras, de Alvito e de Oriela, de que adveio o condado de Oriela.
O primogénito do casamento, D. Diogo continuou a casa de Alvito que deu a dos «CONDE-BARÃO».
(1) - Elevam-se dois prédios de igual aparência, forrados a azulejo industrial escuro, o principal dos quais, contíguo à antiga casa dos Almadas-Carvalhais, pertence a Luís de Campos Henriques de Almeida, Conde de Pinhel.


BIBLIOGRAFIA
ARAÚJO, Norberto de - Peregrinação em Lisboa, Volume XIII
A Capital
www.sg.min-edu.pt/museu


(Próximo) - Rua António Variações-Cantor (1945-1984)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

LARGO DO CONDE BARÃO [ V ]

Largo do Conde Barão - (194-) Foto de António Castelo Branco (Pátio do Palácio Almada-Carvalhais) in AFML
Largo do Conde Barão - (194-) Foto de António Castelo Branco (Pátio do Palácio Almada-Carvalhais) in AFML
Largo do Conde Barão - (194-) Foto de António Castelo Branco (Palácio Almada-Carvalhais Portão) in AFML
Largo do Conde Barão - (1907) Fotógrafo não identificado (antigo Palácio dos Almada-Carvalhais, vendo-se a placa da Companhia Nacional Editora) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


(CONTINUAÇÃO)
LARGO DO CONDE BARÃO
«PALÁCIO ALMADA-CARVALHAIS»
No Largo do Conde Barão, logo a seguir à Rua das Gaivotas, para poente, um prédio cujo arco de entrada nasce de um pequeno ângulo desenhado no alinhamento urbano. Foi a entrada da «GARAGEM CONDE BARÃO».


Nesse pedaço de fachada da casa apalaçada seiscentista, encontramos uma Torre de cantaria, e na janela de volta redonda que fica sobre o portão, sobrepujada do brasão dos Almada-Carvalhais.
Este solar foi pertença em meados do século XVII dos Provedores da Casa da Índia (ALMADAS), «D. CRISTÓVÃO DE ALMADA», que sucedera no cargo de Provedor a seu pai, o fidalgo «RUY FERNANDES ALMADA». Por casamento advém-lhe a união das duas famílias e casas (ALMADA-CARVALHAIS).


Os vestígios deste Palácio são curiosos.A entrada em rampa, mostra ainda as pilastras e os arcos de cantaria em volta perfeita. À direita um formoso arco de volta abatida, abre um delicioso claustro da Renascença, ao fundo do qual sobe a escadaria nobre do Palácio, hoje prédio de rendimento, indiferente às belezas do passado.
Tem o claustro três faces, adornadas, a do fundo de três arcos, e as laterais de quatro arcos, apoiadas a colunas de lindos capitéis lavrados; uma das ordens laterais de arcarias está entaipada com um barracão saliente que os encobre, e a outra está visível, mas a parte do seu interior foi ocupada por uma oficina de imprensa a «OTTOSGRÁFICA, LIMITADA»(1).
Voltando à rampa de entrada, ela segue em direcção à garagem, uma passagem, revestida de curiosos azulejos setecentistas nos dois tramos de abóbada, apoiados em belas pilastras nuas.
Sabe-se que foi aqui a cozinha da casa, no tempo em que o local da garagem constituía o jardim do Palácio do Provedor da Casa da Índia.


Este jardim, de que não restam notícias escritas, e ficará apenas esta nota, era guarnecida de algumas estátuas e azulejos, alguns do tipo dos da Bacalhoa (Azeitão), Vila onde os Carvalhais tiveram uma casa, a qual se extinguiu com último representante da família.
(1) - Existia uma ligação entre esta firma e a Empresa do "JORNAL DO COMÉRCIO", através do seu director Dinis Bordalo-Pinheiro, resultando mais tarde a firma BORDALO-PINHEIRO,Lda. no Largo do Conde Barão, 49.

domingo, 25 de maio de 2008

LARGO DO CONDE BARÃO [ IV ]

Largo do Conde Barão, 47 - (1976-77) Fotógrafo não identificado (6ª e última casa da Escola Académica) in http://www.sg.min-edv.pt/
Largo do Conde Barão, 47 - (depois 1944) (Escola Académica) in http://www.sg.min-edv.pt/

Largo do Conde Barão - (1901) Fotógrafo não identificado in picasaweb.google.com



(CONTINUAÇÃO)
LARGO DO CONDE BARÃO
«O ENVOLVENTE AO LARGO»
O último sinal de vida activa no Palácio dos «CONDES DE PINHEL» foi dado pela «ESCOLA ACADÉMICA», estabelecimento de ensino com largas tradições em Lisboa - de que já nos referimos no nosso Blogue, referente à Calçada do Duque, em 09.02.2008 - que ali teve a sua sede. Vamos só relembrar um pouco, para salientar que esta Escola funcionou durante 130 anos (1847-1977). Teve o seu inicio em S. Roque (actual Largo Trindade Coelho) de onde passou, em 1863, para a calçada do Duque, ocupando então o enorme prédio, a meio das escadinhas, que hoje é pertença da C.P.. Ali se manteve até 1917, ano em que transitou para o Monte Agudo, (à Penha de França). Veio acabar os seus dias neste prédio do Conde Barão, no Palácio dos Condes de Pinhel onde foi instalada em 1944. Lá comemoraria o seu centenário em 1947 e por ai se manteria por mais três décadas no número 47, até ao ano lectivo de 1976/1977, ano em que é definitivamente encerrada. Como vestígio físico último da sua passagem pelo edifício, resta uma placa na fachada do mesmo. O edifício em 2007 foi intervencionado com obras de conservação.


Nesta mesmo edifício, esteve durante vários anos uma loja de loiça e vidros, das mais bem fornecidas de Lisboa.
Falando ainda do envolvente do Largo, nomeadamente na Rua do Merca-Tudo, onde o espaço se proporciona, instalam-se esplanadas durante o tempo quente. As restantes ruas, estreitas, envergonhadas, ligam o largo ao Poço dos Negros, num dédalo cuja pequenez não dá para ninguém se perder.


Os alfacinhas mais idosos lembram, por exemplo, as fábricas reunidas Vulcano e Colares, especializadas na industria de serralharia, que desafiaram o tempo com o sugestivo nome de «COMPANHIA PERSEVERANÇA». Na Rua das Gaivotas existiu a célebre fábrica de vidros, fundada em 1881, que durou até há pouco tempo. Todo um passado de trabalho, hoje transferido para os serviços e comércio que abundam no local. E dos quais devemos as notas de vida que não deixam esmorecer quem ali viva ou por quem lá passe.

Numa altura em que se fala de prédios em mau estado e destinados a evitar que eles se transformem em verdadeiros archotes vivos da cidade, virá aproposito uma visita a um Largo lisboeta que poderá ser encarado como o símbolo de "decadência".
Chama-se por aparente ironia, do CONDE-BARÃO. Não lhe valeu, contudo, o duplo título para o livrar de ser hoje uma sombra.
O movimento pela passagem dos carros e pessoas pelo Largo disfarça um tanto as enfermidades. Enquanto se olha para o transito e para o caminho, não haverá tempo de observar os prédios que outrora exibiam acção e progresso. Poucos lugares em Lisboa tiveram, nos tempos áureos, tantos palácios por metro quadrado. Hoje, reinam pelo local uma certa tristeza e a visível decrepitude.
(CONTINUA) - Próximo «O PALÁCIO DOS ALMADA-CARVALHAIS»

sábado, 24 de maio de 2008

LARGO DO CONDE BARÃO [ III ]

Largo do Conde Barão - (Actual) Fotógrafo não identificado (Armas dos Barões de ALVITO) in www.pt.wikipedia.org/
Largo do Conde Barão - (1907) - Fotógrafo não identificado (O Largo naquele tempo) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


(CONTINUAÇÃO)
LARGO DO CONDE BARÃO
«O CONDE-BARÃO»
Conde Barão porque? Como facilmente se pode depreender o duplo título proveio de casamentos, que deu azo a que um descendente reunisse, numa só pessoa um condado (no caso o de «ORIOLA») e um baronato (o de «ALVITO»).
O primeiro Barão de ALVITO (e primeiro fidalgo português a usar o nome de BARÃO) foi «JOÃO FERNANDES DA SILVEIRA» em (1475), chanceler-mor do reino e embaixador no tempo de D. Afonso V.
O sétimo barão do ALVITO, «D. LUÍS LOBO DA SILVEIRA», em 1653, recebia de D. João IV o titulo de Conde de ORIOLA, pelo que ficou conhecido por CONDE-BARÃO do Alvito ou, simplesmente CONDE-BARÃO, designação que perduraria na toponímia local ao nomear o Largo fronteiro ao palácio da família.
Com o tradicional espírito galhofeiro que caracteriza o alfacinha, é de ver que o duplo título foi mote das mais diversas maneiras, incluindo o de servir de nome a peça teatral divertida.
Mas voltemos ao Largo: o facto de os CONDES-BARÕES ali terem fixado residência deu, obviamente, nome ao local. E, até aos dias de hoje, a designação ficou abrangendo não só o antigo palácio como toda a zona circundante - Rua das Gaivotas, dos Mastros, do Silva, do Merca-Tudo, do Boqueirão do Duro e Travessa do Cais do Tojo. De palácio chegou-se a bairro.
São vários os palácios que mudaram o destino deste largo. Logo à esquina da Rua da Boavista com a Rua das Gaivotas, morava a família ALARCÃO. A posse do edifício deu história agitada nos tempos da Restauração,já que D. João Soares de Alarcão e Melo abraçou a causa dos Reis de Espanha, contra D. João IV. A casa foi-lhe por isso confiscada, mas acabou por voltar à posse da família mais tarde.
Lá se instalaram oficiais franceses no tempo das invasões. Da velha casa, ainda é visível um portão seiscentista, na esquina da Rua das Gaivotas para a Rua Fernandes Tomás. Uma escola e um sindicato constituem a nota viva do antigo solar.


(CONTINUA) - Próximo «O ENVOLVENTE DO LARGO»

sexta-feira, 23 de maio de 2008

LARGO DO CONDE BARÃO [ II ]

Largo do Conde Barão - (195--) Foto Judah Benoliel (Fachada do Palácio Almada-Carvalhais na altura já transformado em prédio de rendimento) in AFML
Largo do Conde Barão - (1909) -Fotógrafo não identificado ( Ardinas no Largo) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


(CONTINUAÇÃO)
LARGO DO CONDE BARÃO
«AINDA O SÍTIO DO CONDE BARÃO»
Primitivamente foi aqui o solar dos provedores da Casa da Índia, cargo entregue aos Almadas.
Mais uma vez um casamento veio trazer outra nova riqueza: uma dama trouxe consigo o senhorio de Carvalhais.
Das antigas opulências algumas relíquias ficaram. A entrada em rampa, as pilastras, os arcos, o pátio... No entanto, tudo isto tem convivido, ao longo dos tempos, com actividades industriais - garagens, tipografias, uma grande Companhia Editora etc.. E lá se encontrava até 2005, a sede do Casa Pia Atlético Clube, (Associação ali instalada desde 1920) com tradições nas noites lisboetas e percursor na zona como local de romagem de muita juventude.
Mas o pior, como anunciámos estava para vir: Chegamos agora à esquina do Largo com a Rua dos Mastros e aí vemos um casarão enorme fechado, decrépito, com vidros partidos. Ar de abandono absoluto...
Pois esse foi o principal Palácio da zona, onde moravam os Alvitos, os Condes-Barões.
Quem erguer o olhar, verá os três pisos do edifício, o último dos quais com as suas janelas de sacada. Não será notável o conjunto, convenhamos. Impera a sobriedade e talvez a eficácia. Mas não deixa, mesmo assim, de constituir um dor de alma.
O encerramento de um outro estabelecimento (que chegou a ter fama em muitas localidades do país) «OS ARMAZÉNS DO CONDE BARÃO», aqui tiveram a sua sede. Tratava-se de um armazém de estilo popular, com preços acessíveis, por isso muito frequentado, dando vida ao local. Agora, lá está o prédio, entre as ruas dos Mastros e do Silva, fechado e decrépito, também à espera de melhores dias.
A verdade é que o sítio conserva uma certa vivacidade e um ar ainda característico de uma Lisboa típica e aldeã.
Ainda são visíveis as pequenas oficinas, as lojinhas, as múltiplas casas de pasto onde se come em ambiente familiar, entre vizinhos, discutindo interesses comuns.
A toponímia local lembra muito o mar - GAIVOTAS, PESCADORES, MASTROS... São ainda os restos do labor que caracterizou o sítio.


(CONTINUA) - Próximo «O CONDE-BARÃO»