sábado, 6 de outubro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ XII ]

 Praça do Chile - (Pormenor do 1º. episódio da vida de São Francisco Xavier - O Santo é apedrejado e flagelado pelos infiéis. Tradução da Legenda de LATIM: D.F.X. - São Francisco Xavier no Japão pela fé é apedrejado, com varas açoitado, com setas ferido, mas milagrosamente é por Deus libertado) in AFML
Praça do Chile - (1960) Foto de Armando Serôdio - ("Colégio do Noviciado da Companhia de Jesus", mais tarde "Hospital de Arroios" - Painel de azulejos representando 3 episódios da vida de São Francisco Xavier: no primeiro, o Santo é apedrejado e flagelado pelos infiéis; no segundo está representada a sua entrada no Japão agarrado à cauda de um cavalo; no terceiro, o Santo martiriza-se nas chamas para conseguir a conversão de um pecador.) in AFML
Praça do Chile - (Pormenor do 2º. episódio da vida de São Francisco Xavier: está representada a sua entrada no Japão, agarrado à cauda de um cavalo. Tradução da Legenda de Latim: D.F.X. segue a pé um cavalo veloz para ser mais fácil entrada no Japão) in AFML 
Praça do Chile - (Pormenor do 3º. episódio da vida de São Francisco Xavier: O Santo martiriza-se nas chamas para conseguir a conversão de um pecador. - Tradução da Legenda de Latim: D.F.X. ensanguenta-se nas chamas para conduzir um pecador à penitência) in AFML
Praça do Chile - (1960) Foto de Armando Serôdio ("Colégio do Noviciado da Companhia de Jesus" mais tarde "Hospital de Arroios". Painel de azulejos do 2º piso relacionados com "Santo Estanislau Kostka" No primeiro painel o Santo reaviva as regras da Companhia, que ele próprio redigiu. No segundo quadro o Santo transporta lenha para o fogão às ordens do cozinheiro. Tradução da Legenda de Latim: 1ª - Santo Estanislau continuamente desperta em si as regras da Companhia de Jesus por si escritas. 2º - Santo Estanislau por mandado do cozinheiro traz um a um os cavacos para o fogão. O 3º quadro não é visível). in AFML

(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ XII ]

«OS AZULEJOS DO HOSPITAL DE ARROIOS ( 2 )»

Na capela existem dois silhares, com a altura de 12 azulejos, que revestem as paredes laterais a todo o comprimento.
São azulejos azuis e brancos do século XVIII, de qualidade inferior à dos azulejos do piso 2º, e provavelmente mais tardios: cerca de 1750. De contornos rectilíneos, estão decorados com anjinhos, cartelas e máscaras.
No silhal da direita existem três painéis onde estão representados seis episódios da vida de «SANTO ESTANISLAU KOSTKA». No silhal da esquerda existem igualmente três painéis e seis episódios da vida de «SÃO FRANCISCO XAVIER». Todos possuem legenda em Latim (que na publicação das suas fotos iremos reproduzir com a respectiva tradução).
No claustro do "HOSPITAL DE ARROIOS" existe (como já nos referimos anteriormente), um registo da imagem de «SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS», produzido na "Fábrica de Cerâmica de Constância", e pintado por «LEOPOLDO BATTISTINI».

Como curiosidade acrescentamos que existe no «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DA BAHIA-(SALVADOR) BRASIL, um considerável espólio azulejar, sendo o monumento mais importante para a história dos revestimentos cerâmicos parietais do século XVIII no BRASIL, e tem tido por parte dos investigadores uma justificada e merecida atenção.
Deve-se a sua acção com a actividade desenvolvida pela «COMPANHIA DE JESUS», no território brasileiro.
Do vasto espólio no «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO» destaca-se uma colecção de 37 painéis de azulejos recortados que se encontram no piso inferior do claustro, datados sensivelmente dos anos de 1746 - 1748, provenientes de LISBOA, presumivelmente da oficina de «BARTOLOMEU ANTUNES».
(Informação recolhida da Revista "OCEANOS"-Azulejos de Portugal e Brasil Nº 36/37 - Outubro de 1998/Março/1999 - Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses).

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - »PRAÇA DO CHILE [ XIII ] -CONVENTO DAS FREIRAS DA IMACULADA CONCEIÇÃO».

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

5 de Outubro

VIVA A REPÚBLICA E A DEMOCRACIA!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ XI ]

 Praça do Chile - (1960) - (Pormenor do Painel que se encontrava no "Colégio do Noviciado da Companhia de Jesus", mais tarde o "Hospital de Arroios". Painel barroco, de um conjunto de quatro, atribuído a "Bartolomeu Antunes", em que estão representados episódios da vida do "SANTO INÁCIO DE LOIOLA". Aqui, o Santo está ajoelhado à frente de uma imagem da Virgem, no momento da sua conversão) in AFML
 Praça do Chile - (1960) - Foto de Armando Serôdio ("Colégio do Noviciado da Companhia de Jesus" mais tarde "Hospital de Arroios": Painel de azulejos típico Barroco de um conjunto de quatro, atribuído a "Bartolomeu Antunes", em que estão representados episódios da vida de "Santo Inácio de Loiola". O primeiro temos a designação em pormenor. O segundo painel está dividido em duas partes, à direita vê-se "Santo Inácio de Loiola" ajoelhado à frente de um altar onde depõe a espada, à esquerda esta a trocar as suas vestes de guerreiro pelas de mendigo) in AFML
 Praça do Chile - (1960) - Armando Serôdio - ("Colégio do Noviciado da Companhia de Jesus" mais tarde "Hospital de Arroios". Painel de azulejos. Este painel é o primeiro de cinco que reveste a parede lateral esquerda da capela doméstica de Arroios. Neles estão representados oito episódios da vida de "SÃO FRANCISCO XAVIER", e todos eles à excepção de dois, que devem ter sido colocados posteriormente, estão legendados em Latim. Neste painel podemos ver, à esquerda, a partida de "S. FRANCISCO XAVIER" para a ÍNDIA, com a curiosidade da presença do Rei "D. JOÃO III" que veio despedir-se a uma varanda do "Paço da Ribeira". Na direita, "S.FRANCISCO XAVIER" já no Oriente, anunciando a salvação das almas). in AFML
 Praça do Chile - (Painel de azulejos igual ao anterior, tirado em data diferente. A partida de "S.FRANCISCO XAVIER" para a ÍNDIA, com a presença do Rei "D. JOÃO III" na varanda do "Paço da Ribeira" - no painel à direita, "S. FRANCISCO XAVIER" já no Oriente, anunciando a salvação das almas) in AFML 
Praça do Chile - (Pormenor do painel de azulejos da capela doméstica. Representa a partida de "S.FRANCISCO XAVIER" para a ÍNDIA. Como curiosidade a presença do Rei "D. JOÃO III" que veio despedir-se a uma varanda do "Paço da Ribeira". Tradução da legenda de LATIM: "S. FRANCISCO XAVIER" com auspícios felicíssimo no dia 2 de Abril de 1541 soltou do porto de Lisboa para a Índia") in  AFML 

(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ XI ]

«OS AZULEJOS DO HOSPITAL DE ARROIOS ( 1 )»

Com excepção do painel de «SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS» que existe no Claustro, cujo fabrico é do século XX, a azulejaria do antigo «HOSPITAL DE ARROIOS» é toda ela do século XVIII e concentrava-se em dois pequenos núcleos. Um deles encontrava-se na entrada situada no 2º piso que dava acesso ao claustro do Hospital; o outro situava-se no 3º piso, na antiga Capela doméstica e respectivo vestíbulo.

Estes dois núcleos estão claramente relacionados com a primeira fase de vida do edifício, durante a qual, como é sabido, serviu de "NOVICIADO DA COMPANHIA DE JESUS". Nestes azulejos estão, por isso, representados, em painéis historiados, episódios das vidas de "Santos Jesuítas".

Vamos iniciar pelo núcleo do piso 2º, que "reveste" uma divisão com cerca de sessenta metros quadrados. São quatro painéis do século XVIII, de azulejos azuis e brancos, de limite superior recortado, e cuja guarnição contém alguns elementos decorativos típicos dos azulejos barrocos: urna, pilastra, cabeças de anjinhos, etc.. "Santos Simões" atribui-lhes a data de 1740. Nesta conjunto falta já um dos painéis,  retirado não se sabe quando nem porquê, cujo local ficou assinalado por um revestimento de estuque pintado a azul, que reproduz rigorosamente os contornos do painel original.

Nos painéis historiados deste núcleo, cuja autoria tem sido atribuída a «BARTOLOMEU ANTUNES», estão representados alguns dos mais importantes episódios da vida de «SANTO INÁCIO DE LOIOLA».

O vestíbulo da antiga capela doméstica do "NOVICIADO", situada no piso3º, está revestida com azulejos barrocos, em cujo motivos ornamentais dominam os componentes volumétricos de excelente qualidade pictórica que guarnecem pequenos painéis com cenas campestres.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA DO CHILE [ XII ] - OS AZULEJOS DO HOSPITAL DE ARROIOS ( 2)»

sábado, 29 de setembro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ X ]

 Praça do Chile - (Século XIX) (Antigo "Colégio de Noviciados da Companhia de Jesus", depois "Convento Nª. Srª. da Conceição de Arroios", mais tarde "Hospital de Arroios" na "Rua Quirino da Fonseca" antiga "Estrada de Sacavém") in AFML
 Praça do Chile - (1948) Foto de Eduardo Portugal (Porta de Igreja brasonada no antigo "Colégio de Noviciados da Companhia de Jesus", mais tarde "Convento de Nª. Srª. da Conceição", virada para a antiga "Estrada de Sacavém", depois "Rua Alves Torgo" e em 1956 a "Rua Quirino da Fonseca") in AFML
 Praça do Chile - (2003) - (Antigo "Colégio de Noviciados da Companhia de Jesus" até 1758, depois "Convento" e mais tarde "Hospital de Arroios") in SKYSCRAPERCITY
Praça do Chile - (2003) - (Painel de azulejos que representa o "Santo Inácio de Loiola" no seu leito de morte ao receber a aparição de S. Pedro. Encontrava-se inicialmente no "Colégio dos Jesuítas" e por último no "Hospital de Arroios". O quinto painel que desapareceu, mas tendo ficado os contornos na parede, está encoberto possivelmente por este armário) in SKYSCRAPERCITY


(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ X ]

«COLÉGIO DE NOVICIADOS DA COMPANHIA DE JESUS»

O «COLÉGIO DE NOVICIADOS DA COMPANHIA DE JESUS» teve o seu início no sítio onde há poucos anos funcionava o «HOSPITAL DE ARROIOS». Começou a ser construído por volta de 1705 e destinava-se inicialmente a ser um seminário para formação de missionários da «COMPANHIA DE JESUS». O projecto já vinha a ser pensado desde 1628 quando, durante a "CONGREGAÇÃO PROVINCIAL DA COMPANHIA DE JESUS", sentiu a necessidade de garantir o sustento e a formação de noviços destinados às missões na ÍNDIA. Contudo, só em 1690, por influência do padre "Francisco Sarmento", procurador das "Missões da Índia", foi pela primeira vez seriamente encarada a construção de um seminário destinado às "Índias Orientais".
Entretanto, o padre "João Serrão", que tinha sido vigário geral do "Arcebispado de Lisboa", faleceu em 1697, mas deixou expresso no seu testamento o desejo de que o seminário fosse fundado numa das suas quintas, junto a «FRIELAS». Não obstante terem sido obtidas as necessárias autorizações, foi decidido que o edifício ficaria localizado, não em FRIELAS, como inicialmente se tinha pensado, mas numa quinta próximo do "CHAFARIZ DE ARROIOS".
A construção teve o apoio de «D. CATARINA» (a do Paço da Bemposta), filha de «D.JOÃO IV» e a rainha de Inglaterra, que regressara a PORTUGAL em 1692 depois da morte de  seu marido o rei «D. CARLOS II». Foi por sua vontade que a "CASA DO NOVICIADO" tomou o nome de «SÃO FRANCISCO XAVIER» enquanto que à igreja foi consagrada a «NOSSA SENHORA DA NAZARÉ», numa invocação da imagem que era venerada numa ermida existente na referida quinta de FRIELAS.
Dentro da estética maneirista, o edifício obedecia ao estilo que caracterizava as construções das casas da "COMPANHIA DE JESUS". A Igreja que se pensa ter sido do projectada pelo arquitecto «JOÃO ANTUNES», tinha uma forma poligonal, e era ornamentada com nichos ocupados pelas estátuas em mármore de quatro santos jesuítas:«SANTO INÁCIO DE LOIOLA», «SANTO ESTANISLAU KOSTKA»,  «SÃO FRANCISCO XAVIER» e «SÃO LUÍS DE GONZAGA».
A fachada da Igreja excelente trabalho em pedra, encimada pela imagem de "NOSSA SENHORA DA NAZARÉ", exibe um escudo bipartido com as armas de PORTUGAL e da INGLATERRA, numa referência à rainha «DONA CATARINA» e a seu marido «D. CARLOS II».
O Terramoto de 1755 pouco ou nada afectou o "Noviciado". Mas por Decreto de Agosto de 1758, o «MARQUÊS DE POMBAL» expulsou de PORTUGAL a «COMPANHIA DE JESUS» e, nomeadamente todos os Jesuítas pelo que, em Dezembro desse ano, os "noviços" foram enviados para suas casas ficando o edifício devoluto.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA DO CHILE [ XI ] - OS AZULEJOS DO HOSPITAL DE ARROIOS ( 1 )».

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ IX ]

 Praça do Chile - (2012) - Foto de Sammy (Antiga entrada do "Hospital de Arroios" pela "Rua António Pereira Carrilho" in CAIS DO OLHAR
 Praça do Chile - (2000)- (O antigo "Hospital de Arroios" visto da "Praça do Chile" ao entardecer) in SKYSCRAPERCITY
 Praça do Chile - (2000) - ("Praça do Chile", estátua de "Fernão de Magalhães" em segundo plano o "Hospital de Arroios") in SKYSCRAPERCITY
 Praça do Chile - (1960) Foto de Armando Serôdio ("Santa Teresinha do menino Jesus", painel de azulejos fabricado na "Fábrica de Cerâmica de Constância" e pintado por "Leopoldo Battistini". "Aníbal de Castro" que dirigiu este serviço de 1925 a 1950, doou à clínica de Cardiologia o painel que lhe fora ofertado pelo artista. Estava colocado no claustro do antigo "Hospital de Arroios") in AFML 
Praça do Chile -(1961) Foto de Artur Goulart (Entrada do "Hospital de Arroios" pela "Rua António Pereira Carrilho) in AFML

(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ IX ]

«O HOSPITAL DE ARROIOS ( 2 )»

Com a nomeação de «REYNALDO DOS SANTOS» para o cargo de Director do "Serviço de Cirurgia", em 1925, o «HOSPITAL DE ARROIOS» atingiu a sua época áurea, tendo ficado conhecido na história dos «HOSPITAIS CIVIS DE LISBOA» e dando origem à designação espontânea e carinhosa de "UNIVERSIDADE DE ARROIOS".
«REYNALDO DOS SANTOS», juntamente com «ANÍBAL DE CASTRO», ambos rodeados de excelentes colaboradores, organizaram ali uma "Unidade Médica-Cirúrgica" com estreita ligação ao "Laboratório" e à "Radiologia", que lhes permitiu realizar trabalho cientifico de alto nível, dos quais se destacam as primeiras «AORTOGRAFIAS» e «ARTERIOGRAFIAS» dos membros feitas em todo o mundo.
Posteriormente o «HOSPITAL DE ARROIOS» entrou em progressiva decadência à qual não foi estranha a degradação do edifício. Por fim possuía apenas uma enfermaria de "Medicina Interna" que funcionava sem apoio local de meios complementares de diagnóstico.
Depois de várias hesitações, o «HOSPITAL DE ARROIOS» foi encerrado em 1992, tendo os médicos e os doentes do "Serviço de Medicina" sido distribuídos por vários hospitais de LISBOA.
Em 1995 foi realizado um acordo entre a «SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA» e os «HOSPITAIS CIVIS DE LISBOA», com o objectivo de transformar o «HOSPITAL DE ARROIOS» em retaguarda dos outros hospitais, tendo sido posteriormente anulado.
"No início de 2004 o espaço foi adquirido por uma imobiliária do "Grupo FIBEIRA", que apresentou na CML um projecto de construção nova - para um "condomínio com habitação e comércio" - reprovado por não salvaguardar os valores patrimoniais. Em Novembro de 2004 o projecto era aprovado e previa a construção de 150 apartamentos e 17 lojas, em nove blocos de seis a oito pisos, e só a "IGREJA" e os "CLAUSTROS" se manteriam.
Em Fevereiro de 2005, a demolição foi aprovada, mas em 2008 o futuro era incerto"( 1 ).
Em 29 de Outubro de 2011 noticiava o "Jornal SOL" que: "Hospital vendido por 11 milhões e comprado por 21 milhões minutos depois".
Presentemente e apesar de algumas limpezas no exterior a nível do solo, o edifício ainda se encontra degradado e o seu espaço térreo serve de parque de estacionamento para carros.
E assim aquele que foi o antigo "Noviciado da Companhia de Jesus", mais tarde o "Convento das Freiras da  Imaculada Conceição" depois "Hospital Rainha D. Amélia", e finalmente "Hospital de Arroios", continua a aguardar que seja tomada uma decisão sobre o seu destino final.

- ( 1 ) - CIDADANIA LX

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA DO CHILE [ X ] -O COLÉGIO DO NOVICIADO DA COMPANHIA DE JESUS» 

sábado, 22 de setembro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ VIII ]

 Praça do Chile - (2000) - (O claustro do antigo "Hospital de Arroios", pode-se ver ao fundo colocado o painel de "Santa Teresinha do Menino Jesus" oferta de "Aníbal de Castro") in SKYSCRAPERCITY
 Praça do Chile - (2004) Foto de Bic Laranja (A "Praça do Chile" junto do antigo "Hospital de Arroios" in BIC LARANJA
 Praça do Chile - (2011) - (Fachada sul do antigo "Hospital de Arroios" virada para a "Rua António Pereira Carrilho") in SKYSCRAPERCITY
Praça do Chile - (2011) - (Nesta altura o antigo "Hospital de Arroios" servia de parque de estacionamento automóvel à espera de melhores dias) in JORNAL SOL


(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ VIII ]

«O HOSPITAL DE ARROIOS ( 1 )»

O «HOSPITAL DE ARROIOS» nasceu praticamente em 1892 a partir do «COLÉGIO DE NOVICIADO" de Jesuítas da «COMPANHIA DE JESUS» em 1705, como templo de invocação de «NOSSA SENHORA DA NAZARÉ». No ano de 1758 os Jesuítas eram expulsos de Portugal, mudando-se para este local as «FREIRAS CONCEICIONISTAS", motivado o seu convento de "CARNIDE" ter sofrido danos irreparáveis com o Terramoto de 1755.
Instalaram-se neste antigo "NOVICIADO" com a designação de «CONVENTO DAS FREIRAS DA IMACULADA CONCEIÇÃO». Também, devido a uma cláusula de anexação do edifício pelo «HOSPITAL REAL DE SÃO JOSÉ», quando nessa altura era enfermeiro-mor o "Professor Dr. João Ferraz de Macedo".
Inicialmente, o «HOSPITAL DE ARROIOS» foi utilizado para receber doentes com peste, cólera morbus, varíola, lepra e tuberculose. Todas vítimas das epidemias que nessa época grassavam pela cidade de LISBOA.
No ano de 1898 a rainha «D. AMÉLIA», impressionada com a elevada mortalidade provocada pela tuberculose, passou esta unidade hospitalar a especializar-se no tratamento e prevenção desta doença, para evitar que os doentes internados noutros hospitais fossem contagiados.
Face à acção persistente e dedicada da rainha nesta área da saúde, o Governo decidiu que o Hospital passasse a chamar-se «RAINHA D. AMÉLIA». Conservaria este nome até à implantação da República, ganhando novamente o nome de «HOSPITAL DE ARROIOS» no ano de 1911.
Além do edifício central, reservado a tuberculosos, possuía ainda, na área adjacente, um pavilhão em madeira com duas enfermarias, destinado ao internamento de doentes com varíola. As epidemias de varíola eram nessa altura frequentes, tendo sido especialmente grave a de Outubro de 1902 e Agosto de 1903, que obrigou à transferência de alguns tuberculosos para o «HOSPITAL DE SÃO JOSÉ» a fim de aumentar a capacidade de internamento.
No ano de 1899, durante a peste pulmónica do "PORTO", o «HOSPITAL DE ARROIOS» esteve preparado para receber pestíferos, caso a epidemia alastrasse a "LISBOA". Foi lá que, num quarto do primeiro andar, esteve internado «CÂMARA PESTANA», que se tinha deslocado ao PORTO para fazer o estudo laboratorial da peste e que de lá regressou com os sintomas da doença. Colocado de quarentena com dois colegas que o tinham acompanhado, ali veio a falecer no dia 15 de Novembro desse ano.
Em 1906, com a inauguração do «HOSPITAL CURRY CABRAL», destinado a doenças infectocontagiosas, todos os tuberculosos foram para lá transferidos.
O «HOSPITAL DE ARROIOS» readquiriu então o perfil de hospital geral, passando a ter serviços de "Medicina Interna" e de "Cirurgia Geral".

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«PRAÇA DO CHILE [ IX ] - O HOSPITAL DE ARROIOS ( 2 )»

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ VII ]

 Praça do Chile - (1939) - Foto de Eduardo Portugal (Retiro da "Perna de Pau" na antiga "Estrada de Sacavém" junto ao apeadeiro do Areeiro. Neste ano já não é visível a inscrição de azulejo na fachada do edifício) in AFML 
 Praça do Chile - (Início do século XX) Foto de Alberto Carlos Lima (O retiro da "Perna de Pau" na antiga "Estrada de Sacavém", junto ao apeadeiro do "Areeiro". A afamada casa da "D. Gertrudes") in AFML  
 Praça do Chile - (1937) (Dois casais aproveitando um almoço domingueiro nas "hortas", nos arredores de Lisboa, não faltando o indispensável "tintinho" in ARQUIVO/APS
 Praça do Chile - (2006) Foto de Carlos Fontes (O retiro "Quebra Bilhas" de portas fechadas no "Campo Grande" in JORNAL DA PRACETA
Praça do Chile - (1959) - Foto de Judah Benoliel (O antigo "Quebra Bilhas" no "Campo Grande") in AFML

(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ VII ]

«ARRABALDES DE LISBOA, RETIROS E HORTAS (2)»

As pescadinhas de rabo na boca, ornamentadas com raminhos de salsa e bem acompanhadas de salada de alface fresca, enchiam as travessas. E vinham famílias inteiras e grupos de parentes ou amigos, propositadamente para a reunião. Não faltavam fidalgos da melhor estirpe, artistas, toureiros e aficionados, gente generosa, alguns boémios incorrigíveis e folgazões para quem não havia Domingo nem dias Santos.
Verifica-se ainda que os "Retiros" proliferaram sobretudo ao longo de dois percursos; um, o da antiga "ESTRADA DE SACAVÉM", entre o «LARGO DE ARROIOS» e a «PORTELA» o do "Manuel dos Santos" (que desapareceu com a construção do Aeroporto de Lisboa), o outro, o que seguia os touros para as corridas da "Praça do Campo de Santana", desde o "Senhor Roubado", "Calçada de Carriche", "Rua Direita do Lumiar" e "Rua Oriental do Campo Grande".
O Retiro "PERNA DE PAU", situado na "Quinta de Santo António" ou  da "Frejoeira" (perto do apeadeiro do Areeiro), foi esse retiro vendido em 1860, e por a sua nova dona "D.GERTRUDES ROSA SOARES" ter sofrido a amputação de uma perna e a ter substituído por outra de pau,  ficou a casa conhecida por «PERNA DE PAU». Por morte daquela proprietária ocorrida em 1879, veio o retiro a pertencer à "TIA NARCISA", esta por sua vez falecida em 1912, tendo sido sob a direcção de ambas que ele desfrutou do maior prestígio e teve a melhor clientela, entre a qual se contou o grupo dos "Vencidos da Vida" e o pintor "José Malhoa". Depois de ter passado por mais dois ou três proprietários, um mandato judicial determinou o encerramento do "PERNA DE PAU" em 17 de Agosto de 1923.
Consta que um destes retiros, talvez o "PERNA DE PAU", figurava no cenário do 1º acto da «ROSA ENJEITADA», o drama tão popular (na época) e romântico do dramaturgo «D. JOÃO DA CÂMARA» no ano de 1901. No texto começava assim: "Uma horta nas proximidades de Lisboa. À esquerda, a casa e uma mesa. À direita, a parreira e uma mesa. Outra mesa, mais pequena, ao centro. Ao fundo, muro e porta para a rua. À direita, por detrás da parreira, há uma saída para  a horta".
O "QUEBRA BILHAS" do "Campo Grande", segundo averiguámos no Processo nº 5682,  do Arquivo Municipal do Alto da Eira, foi "JOÃO MARTINS" quem em 3 de Agosto de 1891 requereu licença para a construção de um barracão de madeira coberto a chapa de zinco, para guardar alfaias agrícolas (clandestinamente terá substituído por uma construção de pedra e cal), onde desde o início funcionou o  "QUEBRA BILHAS".
A pouco e pouco, porém, prejudicados pela constante evolução da vida citadina, as «HORTAS» e os «RETIROS» foram desaparecendo ou transferidos e aproximando-se em novas modalidades do centro da cidade.
Hoje, no respeito pelo passado, ainda existe (para homenagear a velha tradição), quem adopte os nomes próprios, históricos ou consagrados dos velhos retiros.
Apareceram depois das "Hortas" e dos "Retiros" os "Cafés", conhecidos mais pela população que os frequenta do que pela sua finalidade.
As "Hortas" foram, com efeito, durante largos anos, o regalo das famílias da capital, que naqueles dias (principalmente aos Domingos) debandavam rumo aos arrabaldes para, em ambiente rústico, comerem o seu almoço, fazendo esquecer as agruras da vida e desfrutarem as excelências do ar puro campesino.

RETIROS
Se forem retiros das hortas, trata-se de restaurantes e casas de pasto, com esplanada e áreas de espectáculo, para onde os lisboetas de deslocavam ao fim-de-semana. Para manter a clientela, não se limitavam a servir comidas e bebidas, como os fadistas e cantadores a tornarem-se atracções especialmente concorridas. Se forem apenas "retiros", significa outra designação para casa de fados, na acepção moderna da palavra.

HORTAS
Por este nome se definiam os perímetros rurais da cidade de LISBOA, para onde aos fins-de-semana os citadinos, iam retemperar os pulmões e passar alguns momentos aprazíveis com as famílias e amigos.( 1 )
- ( 1 ) - BIOGRAFIAS

Do Blogue «GASTROSSEXUAL» de Pedro Cruz Gomes, retirámos esta interessante receita:
Sopa à Tia "GERTRUDES" da «PERNA DE PAU»
 - 250 gramas de carne de vaca cortada em pedacinhos; 1dl. de azeite; meio litro de água; 100 gramas de macarrão; sal, pimenta p.b..
Frita-se a carne no azeite. Retira-se o máximo da gordura para uma panela, onde se ferverá o macarrão. A carne será acrescentada quando a massa estiver cozida.
Fácil, despachado, nutritivo. Devia ficar muito bem a fazer cama para um "tintinho".

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«PRAÇA DO CHILE [ VIII ] -O HOSPITAL DE ARROIOS (1)»