sábado, 3 de março de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ VII ]

«O CONVENTO DE CHELAS ( 3 )»
 Estrada de Chelas - (1780) -(Quadro pertencente à Fundação das Casas de Fronteira e Alorna)  -  (D. LEONOR DE ALMEIDA "ALCIPE", Condessa d'OEYNHAUSEN e 4.ª MARQUESA DE ALORNA, com 31 anos.  Esteve em cativeiro no CONVENTO DE CHELAS desde os 8 anos de idade, estando 19 anos em clausura)  in  MARQUESA DE ALORNA
 Estrada de Chelas - (Possivelmente do Terceiro Quartel do Século XVIII) - (Foto de Pierre Guibert) (Quadro pertencente à Fundação das Casas de Fronteira e Alorna)  -  (D. JOÃO DE ALMEIDA PORTUGAL" 2.º MARQUÊS DE ALORNA, pai de D. LEONOR, 4.ª MARQUESA DE ALORNA) in   MARQUESA DE ALORNA
 Estrada de Chelas - (1998)  - Foto de António Sachetti   -  (Uma parte do Claustro do "CONVENTO DE CHELAS")   in   CAMINHO DO ORIENTE I
 Estrada de Chelas  -  (1998)  Foto de António Sachetti   -  (O Tanque central do CLAUSTRO  do "CONVENTO DE CHELAS")   in   CAMINHO DO ORIENTE I
 Estrada de Chelas  - ( 1968) Foto de João Hermes Cordeiro Goulart  -  (Um troço da ESTRADA DE CHELAS depois da passar o último "VIADUTO FERROVIÁRIO" no sentido Norte e edifícios no lado esquerdo)  in    AML 
Estrada de Chelas -  (2017)  - (Panorâmica mais aproximada do antigo "CONVENTO DE CHELAS" hoje ARQUIVO GERAL DO EXÉRCITO) (Pelas artérias que se aproximam no VALE DE CHELAS, esperamos que daqui a uns anos as ligações se façam com mais facilidade)  in  GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO) - ESTRADA DE CHELAS [ VII ]

«O CONVENTO DE CHELAS ( 3 )»

Foi no "MOSTEIRO DE CHELAS", das Religiosas de "SANTO AGOSTINHO" e de invocação dos Mártires "S. FÉLIX E SANTO ADRIÃO" de (1192),  ( 1 ), que neste edifício conventual deu entrada em 16 de Dezembro de 1758 com 8 anos de idade, «LEONOR DE ALMEIDA» futura "MARQUESA DE ALORNA" (ALCIPE) (1750-1839)",Ver mais aqui...)  sua mãe a 2.ª MARQUESA DE ALORNA "D. LEONOR DE LORENA E TÁVORA" (1729-1790), a irmã "MARIA ALMEIDA" com 7 anos, à ordem do "MARQUÊS DE POMBAL" (1699-1782), pela suposta cumplicidade  da família envolvida no atentado a "D. JOSÉ I" em (3 de Setembro de 1758), onde se mantiveram até 26 de Agosto de 1777, num período de 19 anos de cativeiro. Seu pai o 2.º MARQUÊS DE ALORNA DOM JOÃO DE ALMEIDA PORTUGAL (1726-1802), esteve encerrado inicialmente na TORRE DE BELÉM, tendo passado depois para o "FORTE DA JUNQUEIRA (Ver mais aqui...) onde passou momentos difíceis.
"DONA LEONOR DE ALMEIDA" no decurso, desses 19 anos de cativeiro em CHELAS, vigiada pelo ARCEBISPO DE LACEDEMÓNIA, não foi tal, que não permitisse às duas irmãs adquirirem uma cultura pouco vulgar para a época. Não se julgue, porém, que a alma inquieta de "ALCIPE" se contentasse de tal estreiteza de horizontes. As cartas ao pai, culto e inteligente, que nas masmorras húmidas da JUNQUEIRA, lhe escreve em vinagre e raspadura de tinta da cadeia, à luz de uma candeia, mesmo em pleno dia, impressionam a audácia crítica e inquieta ideológica. O tempo passava tão lento no CONVENTO DE CHELAS.
A 15 de Outubro de 1766 estava "LEONOR DE ALMEIDA" prestes a completar 16 anos, oito passados em clausura.  Em 1770 "LEONOR" continuava em CHELAS embora já ,ais instruída pela história assídua de grandes obras, com destaque para a poesia.
Em 1776 ainda no "CONVENTO", "ALCIPE" é a mais distinta e prestigiada poetiza do "REINO DE PORTUGAL", terá dito o "CONDE DE LIPPE".

A noite estava gelada, naquele inverno de 26 de Fevereiro de 1777, seria a última noite passada no "CONVENTO". Cá fora, ao romper do dia,  amontoavam-se  uma multidão em alvoroço. Parentes "TÁVORAS", primos "ATOUGUIAS", "TIRSE" o CONDE DE ARCOS, FILINTO ELÍSIO, FRANCISCO JOSÉ DE CASTRO  e o irmão PEDRO, fardado de oficial, ansioso por poder voltar a ter a família toda reunida na "BOA MORTE".  "ALCIPE" tinha acabado de escrever aquela que foi a sua última voz em "CHELAS". "MEU ARMÍNIO. / EM MIM NÃO CUIDO, E ENTRETANTO / SEM CUIDAR ACHO-ME PRESA: / TRIUNFA DE AMOR QUEM FOGE, /  CEDE A AMOR QUEM O DESPREZA. / QUERO FALAR-LHE, NÃO POSSO / SERÁ ISTO ACASO AMOR?"

Depois de sair do "CONVENTO DE CHELAS" "DONA LEONOR DE ALMEIDA (ALCIPE) casa-se em 1779 com o "CONDE ALEMÃO DE OYENHAUSEN. (Ver mais aqui...).

- ( 1 ) - A Antiga Freguesia dos Olivais - capitulo VI, pág. 49.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«ESTRADA DE CHELAS[ VIII ] A FÁBRICA DE PÓLVORA DE CHELAS ( 1 )»

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ VI ]

«O CONVENTO DE CHELAS ( 2 )»
 Estrada de Chelas - (1864) - (desenho)  -  (O "CONVENTO DE CHELAS" ilustração publicada no "ARCHIVO PITORESCO")   in   BIC LARANJA
 Estrada de Chelas  - (1966-08) Foto de João Hermes Cordeiro Goulart -  (A ESTRADA DE CHELAS junto do início da "AVENIDA AFONSO III" (antiga Estrada da Circunvalação de Lisboa)  in   AML
 Estrada de Chelas - (1994) - Foto de António Sachetti  -   Pormenor do portal "Manuelino" de acesso à Igreja do CONVENTO DE CHELAS)  in  LISBOA, UM PASSEIO A ORIENTE
 Estrada de Chelas -  (1998) - Foto de António Sachetti   -   (Galilé seiscentista de acesso à IGREJA DO CONVENTO DE CHELAS)  in   CAMINHO DO ORIENTE I 
 Estrada de Chelas  - (1998) - Foto de António Sachetti   -  (A Pia de Água Benta Manuelina, na entrada da IGREJA do CONVENTO DE CHELAS )  in   CAMINHO DO ORIENTE 
 Estrada de Chelas  -  (2017)  -   (Uma vista do CLAUSTRO do CONVENTO DE CHELAS)  in  CLUBE BELAVISTA AVENTURA 
Estrada de Chelas  -  (2017) - Foto de João Lopes  -  (Um aspecto da parte central do CLAUSTRO do CONVENTO DE CHELAS)  in   CLUBE BELAVISTA AVENTURA

(CONTINUAÇÃO) - ESTRADA DE CHELAS  [ VI ]

«O CONVENTO DE CHELAS ( 2 )»

O "CONVENTO DE CHELAS" que em 1756-1757, após o Terramoto, que o deixou bastante mal tratado, a IGREJA foi praticamente feita de novo, aproveitando-se pouco mais do que a fachada, sendo depois enriquecida com valiosas obras de talha.
Muito frequentada por peregrinos alemães, Flamengos e Ingleses, a IGREJA esteve sujeita a vários roubos e, por isso, o ARCEBISPO DOM MIGUEL DE CASTRO, também responsável por obras ali  realizadas, fez colocar as relíquias  em áreas doadas por ISABEL SCOTA  junto da CAPELA DO NASCIMENTO, sobre um portal por onde as mães faziam passar os filhos doentes, invocando a protecção dos mártires e indo depois levá-los na água de um poço, junto do antigo cais do esteiro.

Actualmente, a IGREJA, para além do PÓRTICO MANUELINO e dos azulejos policromos do ADRO, pouco tem de interesse devido a um incêndio que lhe destruiu a decoração. Da descrição feita nos MONUMENTOS SACROS DE LISBOA em 1837, pouco ou nada restava.

O edifício conventual está completamente adulterado com a sua adaptação a FÁBRICA DE PÓLVORA desde 1898, a servir de ARQUIVO GERAL DO EXÉRCITO, mantém o CLAUSTRO com uma fonte e "bancos de espaldar inclinados" e "alegretes com azulejos " azuis e branco, além da escadaria também guarnecida de azulejos.

O CONVENTO DE CHELAS possivelmente envolto nas brumas das lendas, é um dos lugares mais míticos de LISBOA.
O ponto de atenção do VALE é ainda o seu "velho"  "CONVENTO",trata-se da mais antiga casa monástica de LISBOA , cujas origens remontam ao período VISIGÓTICO e ligada  à lenda de SÃO FÉLIX, orago do CONVENTO. No local se ergueria possivelmente uma VILA ROMANA  - de que existem achados arqueológicos significativos -, depois adaptada a recolhimento monástico à maneira da antiga península. O CLAUSTRO é de 1604 com bastante elegância no equilíbrio das colunatas dos seus dois andares. 
Com uma história acidentada após o fecho dos CONVENTOS em 1834.  


(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«ESTRADA DE CHELAS [VII]O CONVENTO DE CHELAS( 3 )».

sábado, 24 de fevereiro de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ V ]

«O CONVENTO DE CHELAS ( 1 )»
 Estrada de Chelas -  (1835)  - Levantada pela Direcção e Coordenação do Engº. J. D. da Serra  - (Pormenor da Carta das linhas de Fortificação de Lisboa, vendo-se algum traçado da Estrada de Chelas sendo o traço a negro sinuoso, que faz o percurso de perto do CONVENTO DE CHELAS até ao RIO TEJO, será, eventualmente o esteiro, hoje assoreado)  in   RUAS DE LISBOA
 Estrada de Chelas -  (Século XIX) - Desenho de Gonzaga Pereira  -   (Entrada  principal do "CONVENTO DE CHELAS" cuja IGREJA tem como orago a figura de "S. FELIX")  in  CAMINHO DO ORIENTE I
 Estrada de Chelas  -  (1994) - Foto de António Sachetti  - (Entrada da Igreja do "CONVENTO DE CHELAS" com seu portal "MANUELINO")   in   LISBOA, UM PASSEIO A ORIENTE
 Estrada de Chelas  -  (1994 )  - Foto de António Sachetti  -  (Interior da IGREJA do "CONVENTO DE CHELAS)  in   LISBOA,  UM PASSEIO A ORIENTE
Estrada de Chelas  -  (1998) - Foto de António Sachetti  -  (Banco forrado de  azulejos, no Claustro do "CONVENTO DE CHELAS")   in   CAMINHO DO ORIENTE I


(CONTINUAÇÃO) - ESTRADA DE CHELAS [ V ]

«O CONVENTO DE CHELAS ( 1 )»

Em 1604 no local da implantação destes edifícios, foram recolhidos vestígios "EPIGRÁFICOS( 1 ) da ocupação Romana.  Foi ainda ali encontrado o "SARCÓFAGO DOS ESCRITORES", assim chamado por no respectivo friso ter quatro "MUSAS".  ( TÁLIA da Comédia; CLIO da História; POLIMNIA da Arte Mímica  e  MELPÓNENE da Tragédia), cada qual acompanhando um escritor). Nesse mesmo lugar teria existido no século VII  a. C. um templo de "VESTAIS", dedicado a "TÉTIS" (Deusa Grega do mar, mãe de  "AQUILES") onde, segundo a lenda, ULISSES foi buscar AQUILES, que lá se refugiara. Do nome de "AQUILES" teria possivelmente derivado "ACHELAS" e passando depois a "CHELAS", que no tempo de "DOM JOÃO I" se grafava também "CELHAS".
Os primórdios do "CONVENTO" remontam, pelo menos, ao ano de 665,  em que "RECESVINTO"(653-672) governava a Monarquia "VISIGÓTICA" e teria recebido as relíquias de S. FELIX (trazidas numa barca pelo "ESTEIRO" que então banhava o "VALE DE CHELAS"), martirizado em "GERONA" ( 2 ) no ano de 30. 
No século IX, "AFONSO III DE LEÃO" o "MAGNO", tomou LISBOA aos MOUROS e terá entregue ao "CONVENTO" as relíquias dos Mártires "SANTO ADRIÃO" e de sua mulher "SANTA NATÁLIA", provenientes da "GALIZA".
«DOM AFONSO HENRIQUES» em 1147 iniciou a reconstrução do "CONVENTO", fê-lo sagrar de novo, tendo-o   doado aos "TEMPLÁRIOS".  "DOM SANCHO I em 1192 fez-lhe uma importante doação.  Do antigo edifício restaurado entre 1219 e 1226,  durante  a 1.ª Dinastia  ( de D. AFONSO I e D. SANCHO I), podemos ainda encontrar no MUSEU DO CARMO, algumas cantarias do período VISIGODO.

Até  1219, o CONVENTO  teria sido "duplex", com uma comunidade masculina e outra feminina, à qual o bispo de LISBOA "D. SOEIRO VIEGAS"  o entregou naquele ano.

Em 1290 estava já o CONVENTO na posse da "ORDEM DE SANTO AGOSTINHO", chegando a dispor de notável autonomia e influência.
No início do século XVI, "DOM MANUEL I" fez obras no CONVENTO e na IGREJA, que lhe dotou com um notável pórtico.
Em 1604 vamos encontrar alterações  e intervenções feitas pelo ARCEBISPO "D. MIGUEL DE NORONHA", embora ainda subsistem na IGREJA, vestígios das obras do reinado do rei "venturoso", entre as quais o notável "PORTAL DA IGREJA" trilobado e com três "COGULHOS" ( 3 ) que se projectam sobre o forro de azulejos, contemporâneos das obras do século XVI.

- ( 1 ) - EPIGRAFIA - Ciência que estuda as inscrições antigas, em pedra, metal, argila, cera, madeira etc.,  incluindo a sua decifração, datação e interpretação.
- (  2  ) - GERONA - Cidade CATALÃ na altura sob o domínio BIZANTINO.
( 3 ) - COGULHO- o m. q. COGOILO ou CROCHETE. Espécie de "PAQUIFE" (HERÁLDICA) (que representa folhagem que sai do elmo e serve de ornato ao escudo), com que adornam "Cornijas".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«ESTRADA DE CHELAS[VI ]O CONVENTO DE CHELAS ( 2 )».

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ IV ]

«DA ESTRADA DE CHELAS À QUINTA DA CONCEIÇÃO»
 Estrada de Chelas -  ( 2017 )  -  (O edifício onde funcionava a "TUNA RECREATIVA - JUVENTUDE CHELENSE" e a  "JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO", encontrando-se em estado de abandono, na antiga "QUINTA DA CONCEIÇÃO")     in   GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas  -  (2017)  - (Panorama mais aproximado da "QUINTA DA CONCEIÇÃO", aspecto geral da antiga "TUNA DE CHELAS" e "JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO", após o incêndio, esperando urbanização adequada).    in    GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas -  (ant. a 14.10. 1987) Foto de António Sachetti  -  ( A "TUNA RECREATIVA -A JUVENTUDE CHELENSE", no espaço da antiga "QUINTA DA CONCEIÇÃO" na "CALÇADA DO TEIXEIRA", com vista para a "ESTRADA DE CHELAS")  in  CAMINHO DO ORIENTE   
 Estrada de Chelas  - (ant. a 14.10.1987)  Foto de António Sachetti  -  (Edifício na antiga "QUINTA DA CONCEIÇÃO" a "TUNA RECREATIVA - A JUVENTUDE CHELENSE" e a  "JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO", na "CALÇADA DO TEIXEIRA")  in  CAMINHO DO ORIENTE
 Estrada de Chelas -  (1968-10) Foto de João Hermes Cordeiro Goulart  -  (A "ESTRADA DE CHELAS" próximo do Viaduto Ferroviário mais alto, junto do   final da Estrada de Chelas)  in   AML
Estrada de Chelas  -  (191_)  Foto de Jushua Benoliel  -  ("Viaduto Ferroviário de Chelas" a Norte da "ESTRADA DE CHELAS", um dos suportes da "LINHA DE CINTURA DE LISBOA" de Alcântara Mar, passando por Chelas e finaliza em Marvila) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO)-ESTRADA DE CHELAS [ IV ]

«DA ESTRADA DE CHELAS À QUINTA DA CONCEIÇÃO»

A QUINTA DA CONCEIÇÃO - Passamos o "PALÁCIO DO LAVRADO", a ponte ferroviária do "LAVRADO", depois do barranco surge-nos grupos de casas de um e de outro lado. No lado esquerdo temos a "RUA DE SOL A CHELAS" e mais à frente fica a "QUINTA DA CONCEIÇÃO", que corresponde à "CALÇADA DO TEIXEIRA".  Um bom exemplar de "QUINTA" arrabaldina (de transição do século XVII para o século XVIII) com pátio, pequena Capela e varanda sobre a "ESTRADA DE CHELAS". Construída por "JOSÉ SOARES DE MELO", herdeiro (1697) dos prazos do pai, "FRANCISCO NUNES SANTARÉM" da "JUNTA DO COMÉRCIO". Esta casa fica conhecida, sobretudo por ter pertencido a partir de (1736) à família  "VAN PRATT",  de origem Flamenga, instalada em LISBOA, como muitos outros estrangeiros, pelas ligações ao grande "COMÉRCIO ULTRAMARINO".  "JÁCOME VAN PRATT", natural de ANTUÉRPIA, era já morador em LISBOA em 1685, casado com uma portuguesa e pai de outro "JÁCOME" e de "ANTÓNIO", futuros proprietários desta "QUINTA", e de duas filhas, casadas respectivamente com "JOÃO BAPTISTA VAN ZELLER, Morgado nos OLIVAIS, e "JOAQUIM JANSEN MOLER" demonstrando bem a rede de alianças e de interesses entre as comunidades estrangeiras nessa época,  estabelecidas em LISBOA.
"ANTÓNIO VAN PRATT" foi um activo comerciante com a ÍNDIA e o BRASIL, com abastada casa na região de LISBOA, morrendo em 1743 e instituindo por testamento um Morgado. Sucedeu-lhe o filho mais velho "JOSÉ ANTÓNIO VAN PRATT", cego de nascença e figura turbulenta, pelas questões que levantou ao longo da sua vida, deixando memória nem sempre simpática na ZONA DE CHELAS, onde ficou gravada a figura irascível de feitio quezilento que se deslocava guiado por um menino, e o indispensável bordão de cegueira.
Além das casas e dos restos mais ou menos preservados, a história dos lugares é também feita destas figuras lendárias, que perturbam pelo seu comportamento a vida pacata de uma ZONA DE QUINTAS, hoje esfumada por uma pressa sem lugar para cultivo de memória.
Nesta casa solarenga da "QUINTA DA CONCEIÇÃO" com o seu Pátio anexo do século XVIII, onde esteve instalada de 01.01.1909 a 14.10.1987, a "TUNA RECREATIVA -A JUVENTUDE CHELENSE", era uma colectividade de cultura e recreio sendo a mais antiga da zona, que a 10 de Maio de 1986 era publicado no Diário da República, Nº. 107, página 4464 - como de "UTILIDADE PÚBLICA".  O imóvel encontra-se em estado avançado de degradação, além de em 2 de Dezembro de 2012 o "CORREIO DA MANHÃ" anunciava que tinha deflagrado um incêndio na madrugada de Domingo, consumindo parte do edifício.
Esta  "TUNA RECREATIVA" era frequentada normalmente pela maioria dos seus associados, pessoas que viviam próximo e até moradores de XABREGAS.  Lembramos que nos anos 50 do século passado, primeiro dos bailes ali realizados, depois a organização dos "CÍRIOS DE CHELAS" que desciam a "ESTRADA DE CHELAS", passando pela "RUA GUALDIM PAIS" em romaria, embarcando em vários pequenos barcos todos enfeitados, que os esperavam na "PRAIA DE XABREGAS", (também conhecida pelo povo local de "PRAIA DA MARABANA") para os levarem com destino ao cais do MONTIJO , e entre cantos e rezas se procedia a pé até à localidade da "ATALAIA", na outra margem do TEJO.

Em 1970 ainda estava instalada nesta "CASA SOLARENGA" no primeiro andar, uma dependência da "JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO".
Passando o último "VIADUTO FERROVIÁRIO  DE CHELAS" vamos encontrar uma rampa que nos conduz ao apeadeiro de CHELAS, construído em 1890, virando um pouco à direita antes de entrar na "CALÇADA DA PICHELEIRA", estamos próximos do "LARGO DE CHELAS" onde se situa o mítico "CONVENTO DE CHELAS". 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«ESTRADA DE CHELAS [ V ]-O CONVENTO DE CHELAS (1)».

sábado, 17 de fevereiro de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ III ]

«DA ESTRADA DE CHELAS À QUINTA DO LAVRADO( 2 )»
 Estrada de Chelas - (1998) Foto de António Sachetti  - (Edifício na "QUINTA DO LAVRADO" na ESTRADA DE CHELAS, muito próximo ao viaduto ferroviário do LAVRADO. Antigo Palácio com belíssima fachada  corrida de tendência BARROCA, que a C.M.L. restaurou ultimamente.)  in  CAMINHO DO ORIENTE I
 Estrada de Chelas -  ( 1998) - Foto de António Sachetti  -  (Fachada da entrada principal do PALÁCIO, que era atribuído aos VISCONDES de FONTE ARCADA )  in  CAMINHO DO ORIENTE I
 Estrada de Chelas - (2017)  - (O edifício do antigo "PALÁCIO DO LAVRADO" que hoje pertence à C.M.L., mantendo um aspecto bastante agradável)   in  GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas  - ( 2017 ) - (Fachada do antigo "PALÁCIO DA QUINTA DO LAVRADO", visto de Norte para Sul)  in   GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas - (1961-05) - Foto de João Goulart  -  (O "PALÁCIO DA QUINTA DO LAVRADO", quando existia o "PÁTIO DO LAVRADO", seguindo-se o "VIADUTO DO LAVRADO" na Estrada de Chelas)   in    AML 
Estrada de Chelas  - (1961)  foto de Artur João Goulart  -  (A "ESTRADA DE CHELAS" na sua parte Poente e no início do empedrado,  junto das traseiras - no lado direito - do antigo "ASILO MARIA PIA")  in  AML 

(CONTINUAÇÃO)-ESTRADA DE CHELAS [ III ]

«DA ESTRADA DE CHELAS À QUINTA DO LAVRADO ( 2 )»

«A QUINTA DO LAVRADO»
A belíssima fachada "BARROCA", peça de grande relevo de arquitectura Setecentista. Identificada como "QUINTA DOS VISCONDES DA FONTE ARCADA", veio a revelar-se incorrecta tal atribuição por razões já apresentadas. Será possivelmente a CASA  da "QUINTA DOS CONDES DE VIMIEIRO", embora carecer de mais confirmação.

O edifício revelando um refinado manuseamento das várias componentes que equilibram a fachada. Tendo esse equilíbrio um jogo muito subtil entre três corpos que se articulam em convexo, contrariando-se o número ímpar desses corpos pela afirmação decidida rigorosamente simétrico dos pares de aberturas: seis em cada piso nos corpos laterais e seis no central, correspondendo neste, duas delas aos portais de acesso.
O "PISO NOBRE" e, sobretudo, pela conjugação do desenho refinado das cantarias que ligam os portais à janela  superior e estas às pedras de armas, realçadas numa simbólica curva desenhada na cornija, elemento dinâmico que ondula e anima todo o conjunto.

O "PALÁCIO DO LAVRADO", actualmente o seu espaço envolvente é ocupado pela "ETAR" -(Nereida) - ( 1 ) -, ou seja "ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS DE CHELAS". Tendo a sua parte traseira circunscrita por uma vedação de rede aramada.
Ainda nos anos 50 do século XX, naquele "PALÁCIO" se acomodavam algumas famílias de condição pobre no "NOBRE EDIFÍCIO" setecentista de tão precário e decadente que se encontrava, possivelmente faria a indignação dos seus antigos proprietários, fossem eles os "VISCONDES DE FONTE ARCADA" ou  os "CONDES DE VIMIEIRO".
O MUNICÍPIO DE LISBOA resgatou o edifício, restaurou-lhe a bela fachada corrida de tendência "BARROCA".  E o que antes fora o "PÁTIO DO LAVRADO" (que chegámos a conhecer) passou de novo a ser "PALÁCIO DO LAVRADO"(Ver mais aqui...), isto é, a edilidade notabilizou-o por um lado, mas utilizou-o por outro.
Em 25 de Novembro de 2016 a CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA terá aprovado a constituição de um novo direito de superfície sobre o prédio MUNICIPAL da "ESTRADA DE CHELAS"  com os números 113-127, para as instalações sociais da "FEDERAÇÃO DE ANDEBOL DE PORTUGAL" e a anulação de direito de superfície da parcela na "QUINTA DO NARIGÃO" que detinha desde 1993. A superfície a favor da "FAP" sobre a futura fracção autónoma a constituir no edifício sito na "ESTRADA DE CHELAS", 113 a 127 (PALÁCIO DO LAVRADO), pelo prazo de 50 anos.

Junto da ETAR - (Nereida) no lado Sul, vamos encontrar o espaço da extinta fábrica de malhas de "INÁCIO DE MAGALHÃES BASTO & CIA (também conhecida pela "FÁBRICA DO  MAGALHÃES",  cujas instalações foram também recuperadas pela C.M.L. e nelas instalou um departamento camarário.

- ( 1 ) - Nereida- (gr. nereis) Zool. Género de anelídeos poliquetas errantes, espalhados por todos os mares [Fonte: Dic. LELLO].

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«ESTRADA DE CHELAS [ IV ] DA ESTRADA DE CHELAS À QUINTA DA CONCEIÇÃO».

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ II ]

«DA ESTRADA DE CHELAS ÀS QUINTAS: DA AMOROSA E DO LAVRADO ( 1 )»
 Estrada de Chelas - (2006) - Foto de APS  - (Entrada para a ESTRADA DE CHELAS - hoje interrompida a cerca de 500 metros - No lado esquerdo da foto a "AVENIDA AFONSO III" (antiga Estrada da Circunvalação)   in    RUAS DE LISBOA... 
 Estrada de Chelas -  ( 2017) - (O antigo PALÁCIO do 4.º CONDE DE UNHÃO, já renovado na "ESTRADA DE CHELAS" junta da "TRAVESSA DA AMOROSA" que dava passagem para a "RUA GUALDIM PAIS") in   GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas -  (2017)  - (A "ESTRADA DE CHELAS" no sentido do seu início a "AVENIDA AFONSO III". No lado esquerdo uma parte do antigo "PALÁCIO do 4.º CONDE DE UNHÃO")  in  GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas - (1998) - Foto de António Sachetti  -  (Palácio construído na parte alta da "QUINTA DA AMOROSA" sobre a "ESTRADA DE CHELAS" tendo pertencido ao 4.º CONDE DE UNHÃO)   in    CAMINHO DO ORIENTE II
 Estrada de Chelas -  (1967-09  Foto de João H. Cordeiro Goulart  -  ("ESTRADA DE CHELAS", entrada Norte para a "TRAVESSA DA AMOROSA" - na parte alta da QUINTA DA AMOROSA - no lado direito o antigo PALÁCIO do 4.º CONDE DE UNHÃO e ainda algum movimento de pessoas nas habitações vizinhas)  in   AML 
 Estrada de Chelas -  (1959) Foto de Armando Maia Serôdio  -  (PALÁCIO DA QUINTA DO LAVRADO, Portal brasonado, na ESTRADA DE CHELAS)   in   AML  
Estrada de Chelas  -  (anos 50 do séc. XX)  Foto de Artur João Goulart  -  (Antigo "PALÁCIO DA QUINTA DO LAVRADO" quando ainda existia o "PÁTIO DO LAVRADO"; seguindo-se o "VIADUTO DO LAVRADO" e a  "ESTRADA DE CHELAS")   in   AML 


(CONTINUAÇÃO) - ESTRADA DE CHELAS [ II ]

«DA  ESTRADA DE CHELAS  ÀS QUINTAS:  DA AMOROSA   E   DO   LAVRADO ( 1 )»

Só a partir da noção exacta desta rede viária do antigo "VALE DE CHELAS", é possível tentar identificar as múltiplas propriedades existentes nesta zona, hoje muitas delas desaparecidas ou profundamente transformadas ou ainda truncadas pela abertura de novas vias, como é o caso da referida "RUA GUALDIM PAIS" ( Ver mais aqui...).
Na "ESTRADA DE CHELAS" existiram alguns PALÁCIOS ou casas solarengas,  (Casas Nobres), começamos pelo edifício (hoje bem conservado) que faz esquina entre esta "ESTRADA" e a "TRAVESSA DA AMOROSA", (antiga "QUINTA DA AMOROSA" que pertencia aos CONDES DE UNHÃO, depois NISA).
Este edifício foi mandado restaurar em 1758, porque o Terramoto de 1755 lhe terá arruinado o quarto alto, "o qual se mandou lançar abaixo", estando o PALÁCIO só no segundo quarto, o que parece confirmar com a actual imagem da fachada, resultado de obras posteriores, muito possivelmente após o "PALÁCIO DE XABREGAS" se ter tornado residência principal dos MARQUESES DE NISA, uma vez que perderam com o Terramoto o seu PALÁCIO junto  a "SÃO ROQUE" (Ver mais aqui...). 
Consta ainda do Registo da Décima, referindo-se à construção inacabada pelo 4.º CONDE DE UNHÃO "D. RODRIGO XAVIER TELES DE MENESES CASTRO E SILVEIRA,  de um novo palácio na parte alta da propriedade da "QUINTA DA AMOROSA", sobre a ESTRADA DE CHELAS. No interior, resistiram ao incêndio e às adaptações o grande pátio quadrado, a escadaria interior - talvez um dos poucos apontamentos mais antigos, de desenho muito sóbrio de matriz clássica -, e a cozinha abobadada de dimensões pouco habituais em palácios privados, mais ajustado ao movimento de um PAÇO REAL.

"A QUINTA DO LAVRADO" - Os investigadores "JOSÉ SARMENTO DE MATOS" e "JORGE FERREIRA PAULO" no seu livro "CAMINHO DO ORIENTE - HISTÓRICO I, na página 149 indicam: "o único palácio que surgia referido na zona era o dos "VISCONDES DE FONTE ARCADA" (...) de belíssima fachada côncava barroca a meio da "ESTRADA DE CHELAS", hoje Municipal, com a quinta dos titulares. No entanto, a leitura atenta dos Registos da DÉCIMA, a partir de 1762, informa que a QUINTA DOS FONTE ARCADA era a terceira do lado direito da ESTRADA DE CHELAS, ficando esta que nos ocupamos do lado esquerdo e bastante mais à frente. Mais nos diz o referido registo que do lado esquerdo, antes da "QUINTA DA CONCEIÇÃO" - onde se ergue o PALÁCIO em análise - ficava a "QUINTA DOS CONDES DE VIMIEIRO", da qual mais nada se sabe. Ora são as armas usadas por essa família, ramo segundo da "CASA DE BRAGANÇA", as que lá se encontram sobre dois portais, com a única dúvida de apresentarem elmos sobrepostos e não coroas condais. como seria regular". No entanto, estranhamente, os referidos REGISTOS DA DÉCIMA, sempre muito meticulosos, não referem a existência das CASAS NOBRES  na "QUINTA DO CONDE DE VIMIEIRO", pois a dúvida persiste e só uma investigação demorada poderá vir a resolver.
Em contrapartida, no local aproximado onde seria a "QUINTA DOS VISCONDES DE FONTE ARCADA - depois da fábrica das chitas -, e originariamente de  "ANTÓNIO DE CAVIDE", secretário de DOM JOÃO IV, encontram-se restos de uma fachada e um portal de verga redonda em cantaria rusticada, possivelmente da segunda metade do século XVII. Supõe-se esta a QUINTA dos JAQUES DE MAGALHÃES, VISCONDES DA FONTE ARCADA?. Todas estas dúvidas ficaram como sinal do muito que continua por investigar neste caminho sinuoso da "ESTRADA DE CHELAS" - que, apesar da degradação  em certos percursos - continua a manter um impremeditado ar de subúrbio rural.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«ESTRADA DE CHELAS [ III ]-DA ESTRADA DE CHELAS À QUINTA DO LAVRADO ( 2 )».

sábado, 10 de fevereiro de 2018

ESTRADA DE CHELAS [ I ]

«A ESTRADA DE CHELAS E SEU ENQUADRAMENTO»
Estrada de Chelas - (2016)  -  (Panorâmica da "ESTRADA DE CHELAS" com o seu antiquíssimo "CONVENTO DE CHELAS" e seu "VALE", onde outrora corria um esteiro. Sendo um local que constituiu um bom exemplo dos muitos caminhos que atravessavam a LISBOA rural dos séculos XVIII e XIX)   in   GOOGLE EARTH
 
 Estrada de Chelas  - ( 2017)  -  (Aqui termina o primeiro troço da ESTRADA DE CHELAS, (pensamos temporariamente), até se conseguir uma urbanização para a sua continuidade)  in  GOOGLE EARTH
 Estrada de Chelas - (2006) - Foto de APS  -  (Ao fundo a entrada da "ESTRADA DE CHELAS" no lado direito o "ASILO MARIA PIA". O percurso desde a "Calçada da Cruz da Pedra," até à estrada da Estrada de Chelas, foi retirado `a  "AVENIDA AFONSO III" (antiga Estrada da Circunvalação) e deram-lhe o nome do escritor "NELSON DE BARROS") in  RUAS DE LISBOA...
 Estrada de Chelas -  (1998) foto de António Sachetti  - (Um troço da "ESTRADA DE CHELAS" com o seu antigo casario em ruínas)   in  CAMINHO DO ORIENTE - INSTITUTO-CAMÕES
 Estrada de Chelas - (1998) Foto de António Sachetti  -  (Um aspecto do velho traçado da "ESTRADA DE CHELAS" com o seu empedrado de basalto polido, naturalmente para noutros tempos, ter desequilibrado alguns cavalos mal ferrados)  in   CAMINHO DO ORIENTE I - INSTITUTO-CAMÕES
 Estrada de Chelas - (07-1973) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (Casas na ESTRADA DE CHELAS, depois de se ter passado o segundo "VIADUTO FERROVIÁRIO")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Estrada de Chelas - (1961) Foto de Artur João Goulart -  (ESTRADA DE CHELAS no sentido poente com o  muro de suporte ao último talhão a nascente  danificado. Nos anos cinquenta do século passado, por vezes nem se podia passar devido ao desabamento do referido muro)  in   AML 
Estrada de Chelas - (1998) - Foto de António Sachetti  -  ("ESTRADA DE CHELAS" no sentido para poente. Temos duas fotos com diferença no tempo, mas o muro de suporte ao Cemitério era uma constante, bastava chover muito para ele cair)  in  CAMINHO DO ORIENTE   INSTITUTO-CAMÕES


(INÍCIO) - ESTRADA DE CHELAS [ I ]

«A ESTRADA DE CHELAS E SEU ENQUADRAMENTO»

A «ESTRADA DE CHELAS» pertence à ZONA ORIENTAL DE LISBOA, e partilha três freguesias; a "PENHA DE FRANÇA", "BEATO" e "MARVILA".  Começa na "AVENIDA AFONSO III" (antiga Estrada da Circunvalação), e finaliza junto do "LARGO DE CHELAS".  São-lhe convergentes pelo lado esquerdo o arruamento da "VILA DE S. JOÃO; "RUA DE SOL A CHELAS"; "CALÇADA DO TEIXEIRA" e "CALÇADA DA PICHELEIRA". No lado direito a "TRAVESSA DA AMOROSA", "RUA GUALDIM PAIS"; "CALÇADA DE SANTA CATARINA A CHELAS" e "RUA DE CIMA DE CHELAS".

A "ESTRADA DE CHELAS" ou "ESTRADA DE ACHILES" devo possivelmente o seu nome a "AQUILES" (guerreiro GREGO da ODISSEIA de HOMERO). Segundo a lenda foi o "CONVENTO DE CHELAS" naquele tempo uma Instituição pagã, onde estava refugiado "AQUILES" e eventualmente disfarçado de freira. "ULISSES" vem a LISBOA tentando levá-lo para a guerra de "TRÓIA". Com a finalidade de o identificar, este montou uma banca de venda de armas junto ao "CONVENTO", quando apareceu uma freira a comprar uma espada, assim terá caído  o disfarce de "AQUILES".

Neste "VALE DE CHELAS" uma das referencias centrais desta zona de LISBOA, nomeadamente a "ESTRADA DE CHELAS" é merecedora, pela sua antiga história e património, de um estudo mais detalhado. Hoje dado o contexto  a que nos propusemos, foi restringido, limitando-nos a um pequeno passeio pontuado por alguma informação surgida ao longo desta "PEREGRINAÇÃO".

Sendo o Sítio de CHELAS bastante antigo, prevendo-se até ser do tempo em que os Romanos estiveram nesta Península, parece-nos porém, não existir dúvida de que o mar por aqui fazia esteiro, dando mais tarde, depois de seco, o famoso "VALE DE CHELAS".
Para se poder ter uma ideia mais aproximada da realidade histórica desta zona, convém fazer uma abordagem sucinta do seu esquema viário, começando por tentar esquecer a presença hoje dominante da  "RUA GUALDIM PAIS" (Ver mais aqui...), via central de parte do "VALE DE CHELAS", aberta por Edital de 19 de Junho de 1933, em terrenos consolidados do antigo esteiro fluvial (que vinha de próximo do "CONVENTO DE CHELAS" até ao RIO TEJO).
A "RUA GUALDIM PAIS" ao ser aberta em parte na "QUINTA DA AMOROSA" vai entroncar no seu términos com a antiga "ESTRADA DE CHELAS" próximo da extinta e antiga FABRICA DE MALHAS de "INÁCIO DE MAGALHÃES BASTO & CIA" (também conhecida por FÁBRICA DO MAGALHÃES").
Uma das partes integrantes do antigo "CAMINHO PARA ORIENTE", iniciava-se a seguir à "CALÇADA DA CRUZ DA PEDRA" (Ver mais aqui...) seguindo pela encosta do VALE no sentido de Sul para Norte, até atingir o "CONVENTO DE CHELAS"
Dela saíam algumas azinhagas, entre as quais convirá citar, à direita a da "AMOROSA", depois TRAVESSA, que subia para o "ALTO DOS TOUCINHEIROS" e ligava para "XABREGAS", a "CALÇADA DE SANTA CATARINA A CHELAS" conduzindo directamente em subida acentuada para o planalto, onde hoje podemos encontrar o BAIRRO DA MADRE DE DEUS, ligando à ESTRADA DE MARVILA.
A "RUA DE CIMA DE CHELAS" mais para junto do "CONVENTO" ligava com a "QUINTA DO OURIVES" e "AZINHAGA DA SALGADA". Na encosta oposta, ou seja do lado esquerdo, subindo a "RUA DO SOL A CHELAS"  (hoje bastante modificada) era a ligação com a "RUA MORAIS SOARES"( também ela, a continuação da antiga ESTRADA DA CIRCUNVALAÇÃO).  A "CALÇADA DO TEIXEIRA" junto da "QUINTA DA CONCEIÇÃO", a "CALÇADA DA PICHELEIRA ligava a "ESTRADA DE CHELAS" com a parte alta da "PICHELEIRA"

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«ESTRADA DE CHELAS [ II ]-DA ESTRADA DE CHELAS ÀS QUINTAS DA "AMOROSA" E DO "LAVRADO ( 1 )"».