domingo, 27 de janeiro de 2008

RUA DO MACHADINHO

Rua do Machadinho, 20 (Actual) Autor desconhecido - Palácio dos Machadinhos fachada principal - imagem da CML
Rua do Machadinho (actual) autor desconhecido - Interior do Palácio dos Machadinhos - imagem da CML

Rua do Machadinho [s.d.] Foto Eduardo Portugal - Palácio dos Machadinhos in AFML


Rua do Machadinho, 20 (1968) Foto Armando Serôdio - Direcção Geral dos Abastecimentos da CML no Palácio dos Machadinhos in AFML



Rua do Machadinho, 20 (1959) Foto Armando Serôdio - Palácio dos Machadinhos ao estilo da época de D. José I in AFML

A RUA DO MACHADINHO (antiga Rua do Arcipreste) pertence à freguesia de SANTOS-O-VELHO, começa na Travessa do Pasteleiro no número 57 e termina na Rua das Trinas no número 22.
Antigamente a rua chamava-se Rua do Arcipreste, mas em finais do século XVIII o povo passou a chamar-lhe Rua do Machadinho, por nela existir o Palácio dos Machadinhos. Esta designação corresponde ao diminutivo de José Machado Pinto, fidalgo e Cavaleiro da Casa Real que nessa rua mandou edificar ou restaurar o referido Palácio e que aí faleceu em 22 de Abril de 1771.
O nome da rua surgiu pela primeira vez em 1805 e manteve-se até hoje. A Rua e o Palácio que lhe deu o nome têm também importância para a história da literatura, dado que o Palácio do Machadinho viria a ser, na segunda metade do século XIX, a morada do poeta e escritor António Feliciano de Castilho (1800-1875). O Palácio corresponde ao número 20 e mantém ainda hoje um ar nobre. Trata-se de uma construção de finais do século XVIII, casa brasonada e de aspecto solarengo, com quintal e muro fazendo esquina com o beco do Machadinho. É o edifício que, na actualidade, se encontra em melhor estado. Nele funcionou a Divisão de Controlo Financeiro o Departamento de Reabilitação e Gestão de Unidades e Projectos, a Direcção Municipal, Conservação e Reabilitação Urbana da Câmara Municipal de Lisboa.
Em 23 de Maio de 2005 a Agência Lusa dava conhecimento que «o Palácio dos Machadinhos, que entretanto vai sofrer obras para eliminação das barreiras arquitectónicas, será então ocupado pelo Departamento de Acção Social da Câmara, que funciona actualmente em várias freguesias». Sendo o objectivo principal unificar todos os serviços de carácter social dispersos pela Capital (1).
Actualmente (2007) está instalado neste Palácio a Direcção Municipal Acção Social, Educação Juventude e Desporto Departamento de Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa.
O resto da Rua tem pequenas casas comerciais de interesse para os residentes: Mercearia, café e clube de vídeo. Para os turistas e curiosos poucos são os atractivos. Ela constitui, como tantas outras em Lisboa, uma pequena «aldeia» dentro da cidade.
(1) - rtp.pt-notícias-index

13 comentários:

guida disse...

venho agradecer quase 2 anos dp de ter deixado estas informações preciosas. moro há cerca de 3 anos na rua vicente borga e gosto muito de conhecer as historias desta minha cidade. mais uma vez: bem-haja
Margarida N.

APS disse...

Cara Guida

Mais vale tarde que nunca, lá diz o ditado.
Poderá, também, ver o que já escrevi sobre a «RUA DA ESPERANÇA», «RUA DAS TRINAS» na sua freguesia de «SANTOS-o-VELHO».
Está ainda para publicação a «RUA JOÃO DA MATA» e a «TRAVESSA DO PÉ-DE FERRO», mas não sei para quando.
Muito agradecido pelo seu comentário e visita.
Volte sempre!
APS

Manuel Paula disse...

Caro APS, relativamente à presença de serviços municipais no referido edifício da Rua dos Machadinhos, conhecido pelo Palácio do Machadinho, acrescento a antiga DSA (Direcção dos Serviços de Abastecimentos da CML),Um serviço Municipal que foi mudando de nome ao longo dos anos. Tratava-se de um serviço que englobava as actividades dos mercados municipais e portanto com muitos técnicos, médicos veterinários. A DSA,também era responsável pelas feiras de Lisboa, taos como a feira da Ladra, das Galinheiras e do relógio, onde os feirantes tiravam as suas licenças etc. Assim como pela fiscalização sanitária de restaurantes, mercados municipais e tudo que se relacionasse com bens alimentares em estabelecimentos fixos e ambulante. Neste último caso a DSA, passava as licenças da venda ambulante de castanhas e gelados que se vendem na cidade de Lisboa.

Enquanto funcionário da CML, estive ligado à DSA(Direcção dos Serviços de Abastecimentos da CML),de 1980 a 2005 mas naquele local até 1989.

Não me ocorre desde quando é que a Direcção Serviços Abastecimento, se encontrava ali naquele local, certo, mas talvez desde década de 50 ou mesmo antes. Fruto de sucessivas restruturações a DSA, posteriormente passou a designar-se por DMAE (Direcção Municipal das Actividades Económicas. Hoje este antigo serviço municipal está penso eu reduzido a uma Divisão.

Certo, certo é que posteriormente por ali já passaram diversos serviços municipais. Hoje, neste momento 2012, encontra-se ali na Rua do Machadinho a Direcção Municipal de Cultura da CML e seus departamentos e divisões e outros serviços que se transferiram de diversos locais da cidade, tais como a DMC(Direcção Municipal de Cultura, que saiu das Portas de Santo Antão; a Divisão de Bibliotecas da Av. da República nº 21 ou seja no edifício aonde se encontra a Livraria Municipal a poucos metros da lustrosa pastelaria Versalhes.

Peço desculpa por toda esta longa informação um pouco anárquica, mas quem sabe possa ter algum interesse. A história é feita de grandes e pequenas coisas.


Grato pela atenção,

Melhores cumprimentos

Manuel Paula

APS disse...

Caro Manuel Paula
Muito agradecido pelo seu depoimento. Estou convencido de que a sua informação irá ser útil.
Concordo com a sua frase; "a história é feita de grandes e pequenas coisas". Assim como "a vida é feita de pequenos nadas", já lá dizia o poeta.
Renovando os meus agradecimentos, despeço-me com amizade.
Com os melhores cumprimentos
APS

Manuel Paula disse...

Caro APS,
Desde já, peço desculpa por estar de novo a ocupar este espaço que é de todos. Trata-se do seguinte, no meu último comentário mencionei que a DSA (Direcção de Serviços de Abastecimentos da CM Lisboa), era responsável além de outras funcionalidades municipais, pelas feiras de Lisboa, nomeadamente da Ladra, das Galinheiras e do Relógio, e, omiti uma feira emblemática da cidade de Lisboa: a Feira da Luz em Carnide, que se realiza todos os anos num só mês, o de Setembro. Fica assim, o reparo.

No entanto, queria passar a seguinte informação que me parece extremamente pertinente do ponto de vista histórico, nomeadamente no que concerne ao bairro da Madragoa. Durante o tempo que exerci funções públicas na DSA no Palácio do Machadinho, no meu contacto com os munícipes, recordo-me de pessoas que ao entrarem nas instalações para tratarem de quaisquer documentos, mormente licenças de venda ambulante ou de mercados municipais, indagavam-me o facto de estarem na sua antiga escola primária, que de certeza presumo que devia de ser "escola da câmara." Parece, que estou a ver, as pessoas entravam e com um semblante nostálgico exclamavam, “Olhe, era a minha escola! Olhe, ali era a professora tal,” e diziam o nome do seu mestre ou mestra.

Do ponto de vista histórico parece-me interessante recordar e também desta forma enfatizar a importância funcional, social e cultural do histórico edifício. Do ponto de vista sociológico, quem tivesse possibilidades talvez um aluno de sociologia ou de antropologia, realizar um estudo junto da população mais antiga do bairro da Madragoa, sobre o Palácio do Machadinho, se for o caso, enquanto escola da sua infância e recanto das suas meninices?

Obrigado pela atenção e desculpe, isto de ser reformado, dá nisto as emoções escapam-nos sem darmos por isso.

Um abraço
Melhores cumprimentos
Manuel Paula

APS disse...

Caro Manuel Paula
Existiu efectivamente neste Palácio do Machadinho uma escola.
Após a CML o ter adquirido no ano de 1948, funcionou neste espaço uma «ESCOLA PRIMÁRIA» e residência de várias famílias.
No ano de 1954 (depois de obras de adaptação), foram instalados os serviços da DSA.
Também em 2009 existiu um projecto de alienação do edifício por parte da CML, para o transformar em "Hotel de Charme", que foi chumbado pela Comissão Municipal da Habitação, tendo-se decidido reformular o projecto para utilização do imóvel.
Este texto não foi incluído na feitura da «RUA DO MACHADINHO» no meu blogue. O primeiro não foi investigado na altura, o segundo apareceu depois da publicação no blogue. Mas fica aqui registado, tal como os depoimentos do amigo «Manuel Paula», que certamente irão contribuir para a valorização de uma futura pesquisa ao «PALÁCIO DO MACHADINHO».
Um abraço
APS

Manuel Paula disse...

Caro APS,
Muito bem!
Já agora, queria-lhe desejar as maiores felicidades para o seu extraordinário trabalho, só ao alcance de pessoas excepcionais…
Até sempre.
Um abraço
Manuel Paula

Anónimo disse...

Eu nasci na Madragôa há 65 anos e, sobre o Palácio dos Machadinhos, têm um armazém em frente, muito me conta.


Silvério

Inês Pedro Borges disse...

Por acaso não sabe de onde vem a toponimia de Pé-de-ferro pois não? ando a pensar nisso a muito tempo, é um nome que salta a vista e fiquei curiosa sobre as suas origens... Por acaso não sabe porque é que a travessa se chama assim?

APS disse...

Cara Inês Pedro Borges
Conforme seu desejo. aqui ficam algumas considerações à TRAVESSA DO PÉ DE FERRO.

Os registos históricos apontam para que o nome deste sítio da antiga Freguesia de SANTOS-o-VELHO, actual freguesia da ESTRELA, venha de um condutor de carros de bois, que em 1565 morava na RUA DO MOCAMBO, no antigo Bairro.
Em 1580 já existia a TRAVESSA DO PÉ DE FERRO, alcunha porque seria conhecido "PEDRO GONÇALVES".
A TRAVESSA começa no BECO DO MACHADINHO,7 e finaliza na RUA DAS TRINAS, 28.
Despeço-me com amizade
Cumprimentos
APS

Anónimo disse...

Muito bem a sua descrição da Trav Pé de Ferro aonde morou e mora grandes amigos da Madragoa - Eu nasci na Rua da Esperança e a minha nasceu na Rua dos Machadinhos nº 34 ou 36? que agora está em remodelação profunda.

Zé Vitorino

Anónimo disse...

Resalvo e queria dizer - minha mãe nasceu na Rua dos Machadinhos nº 34 ou 36? que agora está em remodelação profunda.

Portas e Travessas.sa disse...

A minha querida mãe nasceu na Rua do Machadinho nº36, aonde passo regularmente - ainda no Sabado passado eu passei pelo 36 da rua dos Machadinhos - ainda penso no Euromilhões eu comprava o edificio em construção - a minha querida mãe e eu não a conheci - o meu escritorio mão me deixa esquece-la - ainda, um dia, vou falar na CML - eu sou filho a terra.