domingo, 20 de janeiro de 2008

Rua Marechal Saldanha

Rua Marechal Saldanha (2005) Foto Rita Castelo Branco in Olhares.com
Rua Marechal Saldanha (entre 1898 e 1908) Fotografo não identificado in AFML

Rua Marechal Saldanha (Início do século XX) foto Joshua Benoliel (esquina da Travessa da Portuguesa) in AFML


Rua Marechal Saldanha (entre 1898 e 1908) Fotografo não identificado in AFML



Rua Marechal Saldanha, 12-14 (1966) Foto João H. Goulart (Esquina da Travessa das Laranjeiras) in AFML




Rua Marechal Saldanha (entre 1898 e 1908) Fotografo não identificado (Rua do Almada à Esquerda) in AFML





Rua Marechal Saldanha (1952) Foto Eduardo Portugal (Rua do Almada à Esquerda) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
A RUA MARECHAL SALDANHA começa na Rua de Santa Catarina no número 1 e termina no Largo do Calhariz no número 19.
É dividida por duas freguesias, cabendo à de SANTA CATARINA os números ímpares e à de SÃO PAULO os números pares.
Antes de 1896 esta rua era chamada de RUA DA CRUZ  DE PAU, por nela ter sido implantada uma cruz de madeira no Alto de Santa Catarina para guiar os navegantes, que se faziam à barra do Tejo.
No início da Rua Marechal Saldanha torneando para a Rua de Santa Catarina, existiu aí um Largo e uma Igreja com o nome de Catarina. Dela nos fala Angelina Vidal no seu livro «Lisboa Antiga e Lisboa Moderna» na página 224 «nem já dela há vestígios. Estava na Rua do Monte de Santa Catarina, outrora denominado Largo de Santa Catarina, exactamente no local onde agora se ostenta um dos mais famosos prédios particulares da capital.
Fora a Igreja edificada em 1557, e muito sofreu com o terramoto de 1755, pelo que foi necessário reconstruí-la. Afinal foi profanada e vendida».
Diz-nos também Norberto de Araújo nas suas "Peregrinações em Lisboa" volume V página 13 sobre o mesmo tema. «Existiu no Alto de Santa Catarina (antigo Monte ou Pico de Belver), exactamente no sítio onde está hoje o palacete, avançado por um pátio defendido por gradeamento, do industrial senhor Alfredo da Silva, uma Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai, fundada em 1557 pela Rainha D. Catarina mulher de D. João III. Esta Igreja deu nome ao Alto de Santa Catarina, e á paróquia que está hoje no antigo Convento dos Paulistas, pois o templo citado - que era da irmandade dos livreiros - muito ferido pelo terramoto, reconstruído, e incendiado em 1835, foi finalmente demolido já em ruínas, entre 1856 e 1862».
Podemos acrescentar que esta D. Catarina Rainha de Portugal, filha de Filipe "o Belo" e de Joana "a Louca", viria a ter grande influencia na história de Portugal, já que, por morte de D. João III, foi regente do reino, dado que seu filho tinha morrido e o neto, o futuro rei D. Sebastião, era ainda muito novo.
Ciosa do seu nome, mandou a rainha edificar uma igreja cujo orago era Santa Catarina, também dita do Monte Sinai.
As ruínas da primitiva igreja e respectivo terreno acabaram por ser vendidos, e adquiridos por José Pedro Colares Pereira, um industrial que ali mandou construir o seu palacete. Foi este vendido tempos depois a outro industrial, Alfredo da Silva o fundador da CUF-Companhia União Fabril, que viria a ser um dos "império" económicos portugueses. Seguiu-se na propriedade D. Manuel de Melo, genro do anterior.
O edifício tem servido depois um pouco para tudo: lá foi, por exemplo, a redacção e serviços do "Jornal Novo", combativo vespertino que foi publicado depois do 25 de Abril de 1974 e teve Artur Portela como primeiro director. Mais tarde, em 1986, funcionou ali a sede da candidatura do Professor Diogo Freitas do Amaral à Presidência da República e ainda uma instituição de carácter político denominado Fundação Século XXI. No número um da Rua Marechal Saldanha veio mais recentemente a Associação Nacional de Farmácias adquirir o imóvel dos "Melos" e dar nova feição ao edifício.
Muito próximo do início desta Rua junto à Rua de Santa Catarina, vamos encontrar o conhecido Miradouro de Santa Catarina com a escultura ao Adamastor - da autoria do escultor Júlio Vaz Júnior - que desde 1927 é o seu "ex-libris". O ditado de sabor popular alfacinha «ficar a ver navios no Alto de Santa Catarina» nasceu no século XIX, no período das invasões francesas aquando do embarque da família Real no Tejo com destino ao Brasil. O povo só pôde assistir lá do Alto de Santa Catarina para testemunhar o acontecimento, ficando entregue aos malefícios do seu invasor.
O Marechal Saldanha de seu nome; João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Daun, nasceu na Golegã em 17 de Novembro de 1790 e faleceu em Londres no dia 21 de Novembro de 1876, foi 1º Conde, 1º Marquês(1) e 1º Duque de Saldanha, e ainda Marechal do Exército Português.
Homem de Estado do tempo da Monarquia constitucional, influenciou de forma substancial o rumo dos acontecimentos do país ao longo de meio século. Foi inúmeras vezes ministro, assumindo designadamente as pastas da Guerra e dos Negócios da Fazenda. Foi também, por quatro vezes, primeiro-ministro de Portugal (em 1835, entre 1846-1849 e 1851-1856 e em 1870). (2)
(1) - Marquês de Saldanha foi um título nobiliárquico criado pela Rainha D. Maria II de Portugal, por decreto de 27 de Maio de 1834, a favor do Marechal João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira Daun, em substituição do título de Conde de Saldanha que lhe havia sido concedido a 14 de Janeiro de 1833. Ao mesmo Marechal Saldanha, foi-lhe concedido o título de cortesia de Duque de Saldanha a 4 de Novembro de 1845.
(2) - Blogue - Pela Transparência - Toponímia e cultura XVII - Placa toponímica da Rua Marechal Saldanha (em Sintra).







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