quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XVI]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2007) - Fotógrafo não identificado (CAFÉ GELO já renovado) in FLICKR
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2007) - Fotógrafo não identificado (O Café Gelo) in COMER E BLOGAR ESTÃO NO COMEÇAR

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1961) foto de Artur Goulart (Café Gelo e na esquina a Companhia dos Telefones) in AFML


Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (Início do século XX) Foto de Alberto Carlos Lima (Café Gelo no Rossio) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XVI]
«CAFÉ GELO»
O mais célebre e literário terá sido o «CAFÉ GELO», que, situado no «ROSSIO» nos números 64 e 65, vinha já do século dezanove e funcionava no local onde tivemos uma casa do grupo «ABRACADABRA», mas felizmente voltou a ser o «CAFÉ GELO» com uma decoração mais moderna.
Nos últimos anos da Monarquia, reuniram-se lá (foi sempre frequentado por conspiradores e políticos) os membros da greve «ACADÉMICA DE 1907» e parece terem de lá saído os regícidas de 1908, «MANUEL BUIÇA » e «ALFREDO COSTA» (ver mais aqui e comentários) , em direcção ao Terreiro do Paço, para disparar sobre a família Real. O primeiro, pelo menos, era freguês assíduo.
O «CAFÉ DO GELO» inaugurado em meados do século XIX, inicialmente chamava-se «BOTEQUIM DO GONZAGA», passando depois para «CAFÉ FREITAS» e finalmente para «CAFÉ DO GELO». Só no Século XX nos anos 50 acabou por perder o "do" ficando unicamente a ser chamado «CAFÉ GELO».
Durante a década de 50 sofreu profundas remodelações, a maior até então, tendo ficado no exterior com umas portas envidraçadas.
Foi sensivelmente nesta altura que começou aqui a reunir-se o chamado «GRUPO DO GELO», muitos vindos de outros cafés, mas sempre ligados ao surrealismo, faziam parte nomes como: «MÁRIO CESARINY», «LUÍS PACHECO» (ver mais aqui ) «ERNESTO SAMPAIO», «JOSÉ FORTES», «VIRGÍLIO MARTINHO» entre outros.
Durou esta tertúlia até 1 de Maio de 1962, quando nesse dia se verificaram confrontos no «ROSSIO», entre a polícia de choque e os manifestantes, tratou-se de uma manifestação muito violenta, tendo a polícia utilizado no seu «CARRO DE ÁGUA» um produto chamado «AZUL-DE-METILENO»(1), carregando sobre tudo e todos.
Durante os anos 70 o «CAFÉ GELO» começou a entrar em acelerada decadência, por falta de clientela e acabou por ser vendido, e perder o nome.
Na década de noventa do século passado, o antigo café é transformado num "fast-food" com o nome de «ABRACADABRA».
Em início de 2007 o "fast-food" encerrou e o «CAFÉ GELO» voltou a recuperar o seu velho nome, depois de completamente remodelado.
Moderno, com vidros amplos para o exterior, as paredes são claras, envoltas com lambris em mármore escuro. Com duas entradas uma pelo «ROSSIO» e outra pela «RUA PRIMEIRO DE DEZEMBRO», tendo nas paredes fotografias do café de época antiga.(2)
(1) - Corante e desinfectante extraído da hulha.
(2) - WIKIPÉDIA
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XVII] - O CAFÉ PORTUGAL»

6 comentários:

Presépio no Canal disse...

Já vi que tenho novidade para visitar quando fôr a Lisboa, o que deve acontecer só para o ano...

APS disse...

Estou convicto que quando nos visitar, existirá mais novidades nesta "nossa" Lisboa...

Luisa Moreira disse...

Fiz uma visita guiada aquando do Centenário do Regicídio, a partida foi feita do café Gelo. Foi muito interessante!

APS disse...

Eu gostaria de ter feito essa visita.

Devia ter sido um "bom" momento de história!

Cumpts
APS

Marcia Faria disse...

Lisboa velha cidade, cheia de encanto e beleza,sempre formosa ao sorrir,e ao vestir,sempre airosa!!!

A canção diz tudo,se ela pudesse se olhar em um espelho,veria com orgulho as marcas do passado em meio ao brilho do progressso...

Um abraço, rsrs

APS disse...

Cara Marcia

Lisboa tem (para não exagerar) centenas de canções em seu atributo. Cada uma delas a mais bonita...
Eu gosto desta: Lisboa cidade amiga/ és meu berço de embalar.

Um abraço
APS