quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

RUA DE XABREGAS [ II ]

Rua de Xabregas - (1989) - (Foto de APS) (Zona de Xabregas viaduto ferroviário, "Largo de Xabregas", em segundo plano o Palácio dos Marqueses de Nisa e Igreja da Madre de Deus) ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (2006) (Foto de Filipe Jorge) (O sítio de Xabregas visto de cima, nomeadamente os seus antigos Palácios e Conventos) in LISBOA VISTA DO CÉU

Rua de Xabregas - (2006) (Foto de Filipe Jorge) (Panoranica da Rua de Xabregas e Rua da Manutenção) in LISBOA VISTA DO CÉU


Rua de Xabregas - (1859) - (Óleo sobre tela de J. Pedroso) (Vista da zona de Xabregas, tendo em primeiro plano a «FABRICA DE TABACOS DE XABREGAS», no antigo Convento de São Francisco, e vendo-se em segundo plano o «PALÁCIO DOS MARQUESES DE NISA» in «ALFACINHAS» Os lisboetas do passado e do presente de ALBERTO SOUZA.
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ II ]
«O INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO EM XABREGAS»
«XABREGAS» vai conhecer uma mutação no seu tecido económico e social, depois da fixação do «CAMINHO-DE-FERRO» neste local, tendo essa viragem contribuído para a sua transformação, podendo mesmo chamar-se de uma «REVOLUÇÃO INDUSTRIAL».
Para este cenário, são vários os factos que se conjugaram. A aproximação do rio, os amplos espaços existentes na zona, permitindo a implantação de complexos fabris, o reordenamento das instalações portuárias, a extinção das Ordens Religiosas, e não menos importante a construção da via ferroviária, que transforma este sítio no principal centro industrial de «LISBOA».
«XABREGAS» era um pólo fabril constituído num espaço relativamente pequeno, sendo o número de quatro fábricas de relevante valor.
A «FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (vulgo)-FÁBRICA SAMARITANA», instalada no «BECO DOS TOUCINHEIROS», também conhecida por «FÁBRICA DO BLAK».
A «FÁBRICA DE MOAGEM A VAPOR ALIANÇA» antecessora da «NOVA COMPANHIA NACIONAL DE MOAGEM» que ficava na «RUA DE XABREGAS» perto do «VIADUTO FERROVIÁRIO», em 1947 foi destruída totalmente por um violento incêndio.
A terceira e bastante importante foi a «FÁBRICA DO TABACO LISBONENSE» que em 1927 se chamava de «COMPANHIA PORTUGUESA DE TABACOS», instalada no antigo «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS».
A quarta era a «FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL» vulgarmente chamada pela «FÁBRICA DAS VARANDAS», situada no início da «RUA DE XABREGAS». Nesta fábrica existia um enorme janelão em ferro e vidraça, que hoje se encontra colocado a servir de portal num Centro Comercial, nos terrenos que foram pertença da «FÁBRICA DAS VARANDAS».
No que diz respeito à «INDUSTRIA DO TABACO» é necessário ter presente não só a duração do seu fabrico na «FÁBRICA DE XABREGAS», como a população operária que mobilizava na sua manipulação, bem como a série de armazéns que foram construídos em terrenos conquistados ao Tejo.
O avanço das obras do «PORTO DE LISBOA», a Oriente, foi a causa da sucessiva alteração desta orla, levando mesmo ao desaparecimento de um numeroso areal que os populares (naquela época), chamavam de «PRAIA DA MARABANA», transformado hoje num cais para contentores.
A dado momento, essas praias contrariaram o desenvolvimento Industrial e houve necessidade de fazê-las desaparecer. Os interesses Industriais e Comerciais vieram uniformizar essa linha da margem fluvial e, por outro lado, conquistar mais terrenos ao TEJO.
Com a «INDUSTRIALIZAÇÃO EM XABREGAS» nada ficou como antes. Foi a época de trocar a paisagem serena e límpida do Rio e das paisagens campestres, pelos toques das sirenes das fábricas misturados com os silvos dos comboios, e das chaminés de tijolo, algumas delas já desaparecidas.
Sinais do tempo, que, por vezes não se compadecem com a perfeita conjugação da natureza e os novos conhecimentos tecnológicos adquiridos pelo homem.
(CONTINUA)-(PRÓXIMO)- «RUA DE XABREGAS [ III ] - A FREGUESIA DO BEATO»



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