quarta-feira, 11 de julho de 2012

AVENIDA D. CARLOS I [ XII ]

 Avenida D. Carlos I - (1935) (Foto Novaes-Benoliel) ("Festas da cidade de 1935", reconstituição de um trecho de "LISBOA ANTIGA" no local do antigo "Convento das Francesinhas") in OLISIPO
 Avenida D. Carlos I - (1935) - (Foto Novaes-Benoliel) (Reconstituição de um trecho de "LISBOA ANTIGA" no local do antigo "Convento das Francesinhas", por ocasião das Festas da Cidade de 1935) in OLISIPO
 Avenida D. Carlos I - (1935) Foto de autor não identificado (As construções do parque temático de "LISBOA ANTIGA" nos terrenos do antigo "Convento das Francesinhas") in LISBOA DESAPARECIDA
 Avenida D. Carlos I - (1935) -(Gustavo Matos Sequeira) - (Um aspecto da reconstituição de "LISBOA ANTIGA" no antigo local do "Convento das Francesinhas") in ARQUIVO NACIONAL TORRE DO TOMBO
Avenida D. Carlos I - (1934) - Foto de autor não identificado (Aspecto depois da demolição do "Conventos das Francesinhas") - in LISBOA DESAPARECIDA


(CONTINUAÇÃO) - AVENIDA D. CARLOS I [ XII ]

«LISBOA ANTIGA»

Foi no local do antigo "CONVENTO DE SANTO CRUCIFIXO" que o povo, bom padrinho, denominou das «FRANCESINHAS», onde se erguia um parque temático denominado «LISBOA ANTIGA».
«GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA», no ano de 1935, com a sua proficiência de arqueólogo e investigador notável, aliado ao culto da história, reconstituiu um parque temático que recreava a vida do lisboeta no século XVIII. Um trecho evocativo do passado, com que deliciou a vista e a alma dos visitantes.
Descrições saborosas da «LISBOA ANTIGA» publicada na "NOVA GAZETA DE LISBOA» em 04.06.1935 e, relatava nos termos seguintes:inaugura-se hoje um trecho da Lisboa do século XVIII". Dizia o programa das "FESTAS DE LISBOA" que a reconstituição de «LISBOA ANTIGA» pretende mostrar aos lisboetas de hoje como era a cidade que o Terramoto de 1755 destruiu em parte, com todo o seu carácter construtivo, um pouco dos seus costumes e alguma coisa da sua feição urbana.
Escolhido o terreno onde outrora assentou o «CONVENTO DAS FRANCESINHAS» e parte da sua cerca, preparado este trecho fisionómico da capital, utilizando-se ainda os restos arquitectónicos da velha casa religiosa, o bairro velho de LISBOA ergueu-se como documento vivo, mostrando os seus recantos e becos, as suas fachadas de ressalto indisciplinados, a sua tortuosa topografia.
Para que a sua reconstituição não resultasse estática, (apenas museu de arquitectura antiga), o comércio aparece com os estabelecimentos típicos. Um mercado, sombra do que foi o "ROSSIO", documenta aos olhos do lisboeta de hoje a mercadoria popular, existem vendedores ambulantes, jogos de rua, um «PÁTIO DAS COMÉDIAS» (onde actuavam vedetas, designadamente como "PALMIRA BASTOS" um outro «PÁTIO DA MADRE ALEIXO» (homenagem de Matos Sequeira, à prestigiosa figura), uma Estalagem, Adegas, Neveiros ( 1 ), Vinhateiros ( 2 ), Botequins ( 3 ) e jogos de todo o género, como existia na Lisboa de 1700.
As Ruas, Becos, Largos, Calçadas, Arcos e Travessas, são iluminadas como antigamente, por lampiões e lanternas de vidro e não faltaram as fontes e os chafarizes da velha LISBOA. O recinto era fechado existindo sete portas, três de  entrada, três de saída e uma de serviço, este trecho da cidade antiga, estava atalaiado pelos restos de uma muralha e por uma torre armada. Esta «LISBOA ANTIGA» ficava encravada entre as ruas "Miguel Lupi" em (1935) «JOÃO DAS REGRAS» (hoje Rua das Francesinhas), a «CALÇADA DA ESTRELA» e as instalações do «PARQUE SANITÁRIO», ocupando cerca de nove mil metros quadrados de terreno e, possivelmente, com mais de meia centena de construções.
Aquela «LISBOA ANTIGA» de «MATOS SEQUEIRA» como uma visão corporizada grata aos nossos sentidos. Pensamos que talvez não se devia ter desmanchado, mas fica a recordação e uma terna saudade.
Ainda nesta LISBOA reconstruída foram filmados os exteriores do filme «BOCAGE», que «LEITÃO DE BARROS» nos presenteou no ano de 1936.

( 1 ) - Indivíduo que vende ou fabrica neve ou sorvetes
( 2 ) - Fabricantes de Vinho
( 3 ) - Casa pública de bebidas; casa de pasto de categoria inferior.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO) - «AVENIDA D. CARLOS I [ XIII ] - O LARGO VITORINO DAMÁSIO»  

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