quarta-feira, 31 de julho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXV ]

 Rua do Açúcar - (anos 50 do século XX) Foto de autor não identificado (Palácio dos "Condes de Figueiró" depois "Vila Nova de Famalicão" e por último dos "Marqueses de Abrantes", virado para a "Rua de Marvila") in ANTIGA FREGUESIA DOS OLIVAIS
 Rua do Açúcar - (1992/3) Foto de Filipe Jorge (Vista panorâmica de Lisboa na zona Oriental. É visível a "Doca do Poço do Bispo", muito próxima da nossa "RUA DO AÇÚCAR" em toda a sua extensão, mais para o lado de cima a linha ferroviária do Norte e cintura de Lisboa, que na sua primeira curva podemos ver um conjunto de casas abarracadas na (Quinta dos Marqueses de Abrantes), feitas pelos trabalhadores que representavam  a mão-de-obra, dos tempos áureos da Industrialização da Zona Oriental de Lisboa) in LISBOA VISTA DO CÉU
 Rua do Açúcar - (2009) Foto de Jmsbastos (Portal de acesso ao pátio da "Quinta e Palácio dos Marqueses de Abrantes" na "Rua de Marvila") in FLICKR
Rua do Açúcar - (anterior a 2009) Foto de Barragon (Portal de acesso ao pátio do Palácio e Quinta dos "Marqueses de Abrantes", com o reclame da Sociedade Filarmónica 3 de Agosto de 1885) in SKYSCRAPERCITY

(CONTINUAÇÃO) RUA DO AÇÚCAR [ XXV ]

«A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 2 )»

«D. HELENA DE NORONHA» empreendeu grandes obras de beneficiação na Quinta, constando nos inventários feitos por sua morte as avaliações. "(...) no estado em que estão abatidas as malfeitorias que se fizeram nos desmanchos das casas para melhoramento da dita propriedade em 14 000 cruzados, em que entram todas as benfeitorias das vinhas e pomares e tudo o mais que está feito de pedra e cal e madeira, na dita Quinta (...) ( 1 ).  No testamento declarava "(...) tenho nela feito muitas benfeitorias e vou fazendo (...) ( 2 )
«FRANCISCO DE VASCONCELOS», casado com a herdeira da "CASA DE FIGUEIRÓ", de cujo senhorio foi o 1º Conde, em 1637 entrou na posse da «QUINTA DE MARVILA» "com outras pequenas, e diversos foros que se pagam de várias propriedades junto à dita quinta que tudo é a ela anexo (...) ( 3 ). Sucedeu-lhe o sobrinho «D. PEDRO DE LENCASTRE» e seu filho, «D. JOSÉ LUÍS DE LENCASTRE», moradores em SANTOS, que tiveram grande litígio ( 4 ) com a condessa viúva de "FIGUEIRÓ", que instituíra herdeira a Condessa de "CASTELO MELHOR": "pois minha sobrinha é a parente mais chegada que tenho dos VASCONCELOS e é herdeira de minha casa de "FIGUEIRÓ", que tenho de juro e herdade e fora da "Lei Mental", ela entra na 2ª. vida e eu na 1ª., que tenho alvará de duas vidas - e no prazo e quinta de Marvila, onde vivia, com todas suas pertenças - com todos os foros, jardins, quintas e cercas e pomares e tudo o que pertença a este prazo. Da qual tomou posse, e onde viveu, cobrando os foros de 1644-47 e 1654-1660, cobrados nos restantes anos pela Represália
«D. PEDRO DE LENCASTRE», comendador-mor de AVIS, herdara se seu tio o título de «CONDE» e o "MORGADO DO ESPORÃO", no qual a quinta fora integrada. O sucessor "D. JOSÉ", que trocou o título de "CONDE DE FIGUEIRÓ" pelo de "VILA NOVA DE PORTIMÃO", herdado de sua avó materna; "engrossando em rendas a sua grande casa por recaírem nela duas tão ilustres, veio a ser uma das mais ricas do Reino ( 5 ). Não deixou descendência, pelo que se lhe seguiu na titularidade seu irmão, «D. LUÍS», que em 1688 tomou posse. "(...) da quinta de Marvila e suas anexas, como também das benfeitorias que na dita quinta estão feitas, (...) tomou também posse de tudo aquilo em que a senhora Condessa tinha retenção, assim em louça como em tudo (...) ( 6 ), bem como da propriedade situada em XABREGAS chamada o "JARDIM", então nas mãos da Condessa de «CASTELO MELHOR», já falecida.
Por esta altura ter-se-á sugerido a «QUINTA DE MARVILA» como uma das hipóteses para instalação da rainha de Inglaterra, «D. CATARINA DE BRAGANÇA», regressada a LISBOA em 1693.
No ano de 1704, «D. PEDRO DE LENCASTRE», 5º CONDE DE VILA NOVA, sucedeu na Casa, cuja opulência se viu sobremaneira acrescida pela fusão mais tardia com a «CASA DE ABRANTES», originada pelo seu casamento com «D. MARIA SOFIA DE LENCASTRE». Detentor do senhorio de inúmeras vilas, Morgados e Alcaidarias-mores. Porém no ano de 1745 hipoteca a "QUINTA" para pagamentos de várias dívidas.
Em 1752, pelo pai, seu administrador, "MANUEL RAFAEL DE TÁVORA", o CONDE DE VILA NOVA «D. JOSÉ MARIA DE LENCASTRE», então com 10 anos, neto de «D. PEDRO», tomou posse do seu Palácio e Quinta de Marvila e de todos os mais bens do dito MORGADO.
A partir de meados do século XVIII, a Quinta e o Palácio, passaram a estar geralmente arrendados, degradando-se progressivamente o seu estado de conservação.

( 1 ) - IAN/TT, ACA - Morgado do Esporão, Mç. 188, doc. 3843
( 2 ) - Idem   Mç. 194, doc. 4037                                  
( 3 ) -   "       Mç. 191, doc. 3930
( 4 ) -   "       Mç. 192, doc. 3935
( 5 ) - SOUSA, Antº Caetano de, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, LºXI cap. XXI, p, 191
( 6 ) -IAN/TT, ACA - Morgado do Esporão, Mç. 191, doc. 3931.
SIGLAS 
IAN/TT =Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo 
ACA = Arquivo da Casa de Abrantes.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [XXVI]-A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 3 )»
Enviar um comentário