sábado, 11 de outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ X ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 4 )
 Terreiro do Paço - (Dezembro de 1965) Desenho de APS (Um trabalho Charadístico para o grande "TORNEIO CIDADE DE LISBOA" publicado na revista "O CHARADISTA" órgão oficial da "TERTÚLIA EDÍPICA", no ano de 1965) in  ARQUIVO/APS
 Terreiro do Paço - (depois de 1932) Foto de autor não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" na altura ainda sem a ligação à "AVENIDA DAS NAUS". A "Estação Fluvial Sul e Sueste" do Arquitecto Cottinelli Telmo, inaugurada (nas comemorações do regime), em 28 de Maio de 1932) in ENCICLOPÉDIA PELA IMAGEM - LELLO & IRMÃO
 Terreiro do Paço - (1905) Foto de Sousa & Fino,Lda. (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" reconstruída entre 1758 e 1873, segundo o plano pombalino de reedificação de LISBOA, a "PRAÇA DO COMÉRCIO" recebeu a estátua equestre de D. JOSÉ em 6 de Junho de 1775. Em 1873, era concluído o ARCO da RUA AUGUSTA, encerrando-se assim o ciclo de obras iniciadas em 1758. in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-AML-C.M.L.
Terreiro do Paço - (1889) (Aspecto da "PRAÇA DO COMÉRCIO" no topo nascente, já com o Torreão da Alfandega concluído, mas o acesso para Oriente ainda estava vedado)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO - TERREIRO DO PAÇO [ X ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 4 )»

Conta-nos o General COSTA CASCAIS que em Novembro de 1842, para estabelecer os alicerces do "TORREÃO" Ocidental da PRAÇA DO COMÉRCIO, foi necessário cavar, pregar estacas, e estancar muita água. ( 1 )
Assim a tendência que mostra sempre esses alagadiços terrenos "a dar de si", é prova do estado difícil de todo o lado Poente. No entanto a "ortografia" das obras públicas alguma coisa vai conseguindo. 
Um edital de 20 de Agosto de 1833, institui  certas providências policiais que se aplicam aos cais e Praças. A postura Camarária de 13 de Agosto de 1841, mandada vigorar por Edital de 9 de Setembro seguinte, determina um grande melhoramento na Praça, vedando o trânsito de veículos ou cavalgaduras pelos passeios e pelo centro da PRAÇA DO COMERCIO; outra de 24 de Outubro de 1842 proíbe que os arrais e mestres de faluas ( 2 ) e outros barcos grandes do Tejo, amarrem no CAIS DAS COLUNAS, a não ser o tempo indispensável para cargas e descargas.
Em Julho de 1851 oficiou a CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA ao Administrador Geral da ALFANDEGA GRANDE, pedindo-lhe desse ordem para que os homens da companhia braçal não atravessem carregados de fardos o centro da PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 ).
A arborização da PRAÇA DO COMÉRCIO fez-se em 1866 e permaneceu até à segunda década do século XX. Dizem os mais cépticos que foram cortadas porque tapavam a vista das arcadas.
Em frente do TORREÃO Ocidental (do Ministério da Guerra) existia a certas horas do dia o espectáculo de chegadas e partidas dos vapores com destino ao Barreiro e Seixal, levando e trazendo alentejanos, cujos trajos se reconhecem logo. A arcada do mesmo lado tem ainda uma outra função. Primeiro vemos militares, que entram e saem apressadamente do Ministério, ou pretendentes à espera de alguém importante, fazendo a RUA de ante-câmara, até poderem balbuciar duas palavras a Sua Excelência.
Foi em 13 de Maio de 1797, dia de anos do PRÍNCIPE REGENTE D. JOÃO que pela primeira vez se abriu a REAL BIBLIOTECA PÚBLICA DA COROA, criada no ano transacto pela senhora D. MARIA I; data célebre nos anos desta Praça. Ficava no segundo andar, onde funcionou também a DIRECÇÃO-GERAL DOS PRÓPRIOS NACIONAIS. Em 1834 a Biblioteca foi transferida para as instalações do CONVENTO DE SÃO FRANCISCO. 
A Arcada do Ministério do REINO já tem outro aspecto; ali estão estacionadas sempre as carruagens dos altos políticos que vêem procurar instruções, àquele quartel-General da política.
Aos primeiros anos da reconstrução pombalina remonta também a alteração da designação da PRAÇA, o que corresponde igualmente a uma alteração de função e a uma adequação ao contexto sócio-económico da época pombalina.

( 1 ) - Artigo da REVISTA UNIVERSAL LISBONENSE, Tomo II, pag, 95, col. 1
( 2 ) - FALUA - (de faluca), s.f. embarcação de vela, semelhante à fragata, mas mais pequena.
( 3 ) - Sinopse dos principais actos administrativos da Câmara Municipal de Lisboa em 1851, pag. 17.  


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