sábado, 4 de outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ VIII ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 2 )
 Terreiro do Paço - (1760) (Planta da "BAIXA POMBALINA" - Plano Nº 5 apresentado por EUGÉNIO DOS SANTOS e CARLOS MARDEL ao concurso da reconstrução da cidade de LISBOA após o terramoto de 1755) in ORDEM DOS ENGENHEIROS 
 Terreiro do Paço - (Século XVIII)  (Evolução urbana de LISBOA entre 1718-1756 na Baixa Pombalina)  in   A BAIXA POMBALINA - PASSADO E FUTURO
 Terreiro do Paço - (Lisboa no século XIX) (A "BAIXA POMBALINA" nomeadamente a "PRAÇA DO COMÉRCIO" no século XIX. A Torre localizada a Oeste da Praça só ficou concluída por volta de 1840,(muito embora a sua balaustrada só terá sido colocada em finais da década de sessenta do mesmo século) in  A BAIXA POMBALINA - PASSADO E FUTURO
 Terreiro do Paço - (Século XIX) (Espólio de Eduardo Portugal) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" vista do rio Tejo, vendo-se algumas embarcações para banhos, junto da muralha que protege a Praça)  in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA - C.M.L.
Terreiro do Paço - (1879) (Levantamento topográfico de Francisco e César Goullard: planta Nº 51 referente à PRAÇA DO COMÉRCIO. A estação do Sul, ainda se encontrava junto da Torre Poente) (Abre em tamanho grande) in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA - C.M.L.


(CONTINUA) TERREIRO DO PAÇO [ VIII ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 2 )»

A construção de Praças foi uma paixão do século XVIII. LISBOA, por via do Terramoto de 1755, também sentiu essa paixão, e de tal modo que a nossa PRAÇA DO COMÉRCIO, continuadora  do antigo TERREIRO DO PAÇO, é hoje considerada uma das obras de referencia desta época. Atendeu-se na cronologia da época, das mais significativas praças edificadas nos século XVII e XVIII: 1668/1674, PALÁCIO DE VERSALHES, Louis le Vau e Jules Hardouin - Mansart. - 1699, PRAÇA VANDÔME, PARIS, plano de Jules Hardouin - Mansart e de Boffrand - 1748, O PLANO DE PARIS, de Pierre Patté (1723-1814); - 1755, as três Praças de  NANCY, iniciadas em 1752, com planos de Hérè de Corney; - 1756, PRAÇA DO COMÉRCIO, LISBOA, plano de Eugénio dos Santos e Carlos Mardel.
Os 6 planos mandados fazer por POMBAL imediatamente a seguir ao Terramoto de 1755, segundo a "DISSERTAÇÃO" de MANUEL DA MAIA, entregue em 4 de Dezembro, foram divididos por igual número de arquitectos ou grupos de Arquitectos que previam diferentemente a integração de um novo espaço urbano que substituísse o velho e destruído "TERREIRO DO PAÇO", em conjugação com os diferentes traçados urbanos visualizados nas diferentes propostas: - PLANO 1, de GUALTER DA FONSECA e PINHEIRO DA CUNHA não indica uma solução concreta para o espaço do TERREIRO DO PAÇO; - PLANO 2, dos irmãos POPPE, conservava a forma do antigo TERREIRO DO PAÇO; - PLANO 3, de EUGÉNIO DOS SANTOS e de A.C. ANDREAS, propõe uma praça aberta ao Rio com uma dimensão maior do que aquela que conhecemos hoje; - PLANO 4, de GUALTER DA FONSECA, imagina uma praça aberta ao rio, mas com dimensões inferiores da que conhecemos; - PLANO 5, de EUGÉNIO DOS SANTOS e CARLOS MARDEL, a praça que conhecemos hoje; PLANO 6, de ELIAS SEBASTIÃO POPPE, uma enorme praça rectangular paralela, mas não totalmente aberta ao rio, e contendo no seu terço poente uma futura catedral de LISBOA
Se o que estava em causa era apenas o plano da Praça, talvez esta sexta proposta fosse a mais imaginativa. Mas na verdade, o problema a resolver era bem mais vasto e complexo e, na globalidade das seis propostas, a mais coerente com a cultura da época e com o propósito de arrancar com as bases para a construção de uma cidade existente há séculos, era sem dúvida alguma a de EUGÉNIO DOS SANTOS e CARLOS MARDEL, a única que também fazia propostas concretas para a área da cidade compreendida entre a BAIXA e o BAIRRO ALTO - a área envolvente do actual CHIADO.
Curiosa é a atitude de todos os projectistas, nas suas propostas, em conservarem o espaço dos estaleiros da RIBEIRA DAS NAUS, que apenas vem a ser completamente soterrado nos anos 40 do século XX, com a ligação da PRAÇA DO COMÉRCIO, (foram realizadas alterações substanciais de modo aprazíveis para o cidadão, em Julho de 2014, na nova RIBEIRA DAS NAUS. - ver mais em PÚBLICO) às novas vias ribeirinhas denominadas "AVENIDA DO INFANTE DOM HENRIQUE" e AVENIDA DA RIBEIRA DAS NAUS.
MANUEL DA MAIA, na sua DISSERTAÇÃO, abordava ainda mais outra hipótese, a de optar por uma cidade inteiramente nova em BELÉM, local pouco povoado, com boa exposição e relevos suaves, onde os edifícios aí existentes se tinham comportado bem em relação à ruína que grassara na concentração de LISBOA de então. Contudo, esta hipótese não foi contemplada pelo MARQUES DE POMBAL e não passou para além da sugestão.
É ainda no século XVI - XVII, a 06.06.1775, dia do aniversário do rei que é inaugurada a estátua de D. JOSÉ I (que falaremos mais em pormenor noutro capitulo), que vem a morrer dois anos depois.

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