quarta-feira, 16 de agosto de 2017

TRAVESSA DOS ALGARVES [ II ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 2 )»
 Travessa dos Algarves - (2014) - Foto de Carlos Gomes  -  (Placa Toponímica  TIPO II a assinalar a "TRAVESSA DOS ALGARVES", na "RUA DA JUNQUEIRA")  in   BLOGUE DE LISBOA
 Travessa dos Algarves - (2014) -Foto de Carlos Gomes  -  ( Entrada da "TRAVESSA DOS ALGARVES" visto da "RUA DA JUNQUEIRA")  in  BLOGUE DE LISBOA
 Travessa dos Algarves - (2015)  -  (Panorâmica mais aproximada da "TRAVESSA DOS ALGARVES", existindo já algumas construções novas)   in   GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves  - (2016)  -  (Entrada para a "TRAVESSA DOS ALGARVES" com frente virada para a "RUA DA JUNQUEIRA")   in   GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves - (anterior a 1910) Foto de Augusto Bobone  -  ( A "GALEOTA REAL PORTUGUESA" nas margens do RIO TEJO)  in   AML 
 Travessa dos Algarves - (1967)  Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo)  -  (A "TRAVESSA DOS ALGARVES" na parte mais para o interior, existindo um prédio para demolir)  in   AML 
Travessa dos Algarves - (1969) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (Nora de Poço existente no pátio de um prédio na "TRAVESSA DOS ALGARVES" na "RUA DA JUNQUEIRA")  in   AML 


(CONTINUAÇÃO)- TRAVESSA DOS ALGARVES [ II ]

«OS REMADORES DAS BALEOTAS REAIS ( 2 )»


Aqui, na JUNQUEIRA embarcavam os "algarvios do escaler de el-Rei", conhecidos por "ALGARVES", que constituíam as equipas de "SUA MAJESTADE", que a partir do Terramoto de 1755 passou a residir na vizinha "CALÇADA DA AJUDA".
Os seus tripulantes, habitualmente de origem Algarvia, viviam numa espécie de "CASA DE MALTA". junto a palheiros e acomodações vizinhas ao Palácio do "MARQUÊS DE ANGEJA".
Os "ALGARVES", também conhecidos como "CATRAIOS", rudes e "tisnados do sol e do sal", constituíam um tipo bem definido na capital. Chamavam-se pessoas da "BEIRA-RIO" oferecendo os seus préstimos e serviços para o transporte de passageiros e carga. 
A "TRAVESSA DOS ALGARVES" terá ainda sido conhecida por outro nome. Assim, na metade do século XVIII, aparece no "livros de óbitos da AJUDA" com a referência de "TELHEIROS DOS ALGARVES". Designação dada  a um "TELHEIRO" que possivelmente por ali existia, sob o qual se abrigavam os "pobres" remadores algarvios, vulgarmente conhecidos por "ALGARVES". Embora apareça outra designação para este topónimo, pelo facto de ali serem guardados  ( na época)  os "BERGANTINS" e as "GALEOTAS REAIS". ( 1 ).
É bastante relevante a determinação da toponímia ao assinalar que existiu neste local, algum movimento de embarcações com características da época. 
Assim podemos detectar um pouco mais para nascente, dois topónimos relacionados com os nomes das embarcações da época neste local, reforçando a veracidade dos factos.
E neste lugar os remadores viviam com suas famílias, todos eles de origem "ALGARVIA", constituindo uma elite e cujo ofício era transmitido de pais para filhos. Assim, desde o século XVIII, os algarvios eram recrutados para servir na ARMADA e no ARSENAL, em virtude das suas características físicas e pela sua habilidade na arte de remar.

- ( 1 ) - GALEOTA REAL - Embarcação movida por grande número de remos, remando a cada um deles um homem e às vezes dois, era destinada, antigamente, ao serviço das pessoas reais em ocasiões de gala.

- GALEOTA - Era primitivamente um pequeno navio ligeiro e rápido, intermédio entre o "FALUCHO" e a "GALERA".  Foi empregada especialmente pelos piratas "barbarescos". Os "HOLANDESES" deram esse mesmo nome as construções de carga 50 a 300 toneladas, de fundo chato e redondas na popa e na proa.  A "enxárcia" compunha-se de um grande mastro, de um "GURUPÉS", à frente, e de um pequeno mastro atrás. Estas GALEOTAS desapareceram em finais do século XVIII.[Fonte LELLO UNIVERSAL]  

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TRAVESSA DOS ALGARVES[ III ]-OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 3 )».

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