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segunda-feira, 3 de março de 2008

RUA GARRETT [ IV ]

Rua Garrett - (Finais do século XX) Fotógrafo não identificado (Antigo local do Café MARRARE e CHIADO, nesta altura instalações da Companhia de Seguros Império) in http://www.omarrare.verj.br/

Rua Garrett - (1912) Foto Joshua Benoliel (Costureiras descendo a Rua Garrett frente às montras de "O Último Figurino") in AFML

Rua Garrett, 54 a 64 - Autor não identificado (desenho) (Café MARRARE do Polimento-século XIX) in AFML

Rua Garrett, 20-26 - (1966) Foto Garcia Nunes ( O Último Figurino) in AFML


Rua Garrett, 8 a 18 - (1966) Foto Garcia Nunes (Antiga Casa José Alexandre) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa



Rua Garrett - (195-) Fotógrafo não identificado (Início da Rua Garrett, lado direito a Casa José Alexandre) in AFML









(Continuando a falar desta rua, hoje no lado direito de quem sobe)



Nos números 8 a 18 existiu em tempos uma loja que pelo brilho cintilante das suas montras, éramos atraídos ao magnifico recheio da «ANTIGA CASA JOSÉ ALEXANDRE».

A casa José Alexandre, que ainda em 1840 «vendia hortaliças e flores em caixinhas», foi sempre ampliando o seu comércio.

Em 1833 inicia o negócio de ferragens nos números 10 e 12, João José Alexandre de Oliveira. Mais tarde, José Vicente de Oliveira tomou o número 8; e, em 1901 José Alexandre Brás de Carvalho melhorou a casa com a tomada das restantes portas, que davam para a Calçada do Sacramento, números 2 e 4.

Em Outubro de 1957, com o arrendamento do 1º andar, fica ligado directamente ao piso inferior, tomando as instalações amplitude chique e atraente, de linhas modernas.



Mais à frente, atravessando para o quarteirão seguinte, nos números 20 a 26, vamos encontrar uma das casas de melhor bom gosto e apresentação, que o fundador, António Gonçalves Marques, nomeou com justeza de; «O ÚLTIMO FIGURINO».

No ano de 1910 compreendia apenas os números 20 a 24, anos mais tarde ocupa a loja seguinte, tomando também a sobre-loja e andares superiores.



Nos números 28 e 30 ficava «A POMPADOUR», com os seus espartilhos, cintas e "soutiens".


A «CHAPELARIA DA MODA» estava nos números 32 e 34 desta rua, foi fornecedora da Casa Real. A sociedade desse tempo era bem diferente da nossa época. Ninguém saia à rua sem um chapéu na cabeça, a vida assim exigia tanto ao sexo masculino como ao feminino. Cada hora, cada cerimónia, exigiam a sua "toilette", o seu modelo de chapéu.

A fundação desta chapelaria data de 1885 e deve-se a Francisco António da Costa Braga, sendo seus continuadores Tavares Basto & Costa. Em 1939 por escritura pública foi substituída pela firma Gagean, Lda.



No número 42 existiu a «CASA ORION» sapataria desde 1926 pertencente a Benigno Linhares, Lda.

Mais à frente no número 46 esteve instalada a «LEITARIA GARRETT», veio depois da Relojoaria de Pereira & Miranda; tendo sucedido à "loja de carteiras" de Manuel P. Mendonça.


MARQUÊS DE NIZA

No número 56 no 2º andar desta rua, habitou no século XIX o «MARQUÊS DE NIZA», uma das curiosas figuras do velho Chiado.

Habitou o andar nobre, entre 1868 e 1871, depois de deixar a sua habitação no Largo da Abegoaria, paredes meias com aquela em que viveu Rafael Bordalo Pinheiro, num prédio revestido a azulejos decorativos.

Foi também nesta casa que o marquês hospedou o general Prim, exilado de Espanha, por motivos políticos.

O Marquês de Niza, neto de Vasco da Gama, foi um fidalgo de rara elegância, intelectual de alta capacidade e diplomata distinto, aliado a essas qualidades a de boémio turbulento e incorrigível, que o tornou uma figura lendária de Lisboa.

(D. Domingos Vasco Francisco Xavier Pio Teles da Gama Castro e Noronha Ataíde Silveira e Sousa), 9º Marquês de Niza,14º Conde da Vidigueira, 9º Conde de Unhão, 12º Almirante do mar das Índias, senhor das vilas, comendas e alcaidarias-mores da sua casa, par do Reino, comendador da Ordem de Cristo, adido de legação honorário. Em 11 de Março de 1873, com a idade de 56 anos, faleceu este estranho aristocrata. (Tinha um Palácio e um Largo em Xabregas do qual já falei).



MARRARE

Paramos finalmente no prédio do "Marrare" que teve os números 54 a 64 desta rua.

Todo o prédio tem história, mas ficamos agora pelo rés-do-chão, onde tiveram sede dois cafés famosos, cada um em sua época.

O primeiro foi o café do «MARRARE DO POLIMENTO» nome do negociante italiano António Marrare, que veio para Lisboa como copeiro do Marquês de Niza. Estabelecera-se primeiro no Largo de S. Carlos.

Em Janeiro de 1820 a «Gazeta de Lisboa» dá-nos conhecimento da abertura desta casa «António Marrare transfere a sua loja de vinhos engarrafados que tem no Largo de S. Carlos, no número 4, para a Rua das Portas de Santa Catarina ao Chiado (hoje rua Garrett), números 33 a qual abre hoje, 2 do corrente, com todas as qualidades de vinhos etc....».

É incontestável e incontestado, que o café «MARRARE» do Polimento foi considerado o primeiro café de Lisboa de Oitocentos, e como tal designado, porque a armação era de madeira polida e as paredes também forradas do mesmo material.

Diz uma tese que toda a casa estava forrada de madeira polida, daí vir o nome de "Polimento". Defendem outros que o "polimento" vinha da gente "polida" que a frequentava - políticos, literatos, artistas...

Com o enaltecer dos seus serviços aliados à simpatia do seu ambiente, servia o magnifico café genuíno «MOKA», e bebidas das melhores marcas.

O frontispício do café «MARRARE» tornou-se bem conhecido por uma gravura do tempo, (a qual inserimos também neste trabalho a sua reprodução) e onde se lê nas suas duas tabuletas:

«VINHOS SUPERIORES ENGARRAFADOS. CAFÉ - LICORES E OUTROS OBJECTOS. BILHAR - »

(CONTINUA)

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

PRAÇA DE ITÁLIA [ III ]

«OS ITALIANOS EM LISBOA, NOS SÉCULOS XVIII,  XIX E XX»
 Praça de Itália - (2009) - Foto de APS  -   ("CAFÉ MARTINHO DA ARCADA" visto da "Praça do Comércio", esquina para a "RUA DA PRATA" -antiga "RUA BELA DA RAINHA")  in  ARQUIVO/APS
 Praça de Itália - (2009)  -  Foto gentilmente cedida pelo amigo RAFAEL SANTOS - (A Esplanada do "CAFÉ NICOLA" na "PRAÇA D. PEDRO IV" -vulgo ROSSIO)  in  DIÁRIO DO TRIPULANTE
 Praça de Itália  - (Século XX)  -  ("PASTELARIA FERRARI" casa fundada em 1846 pelo Genovês "HILÁRIO FERRARI" na "RUA NOVA DO ALMADA", 93 em LISBOA )  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  COISAS DE ANTIGAMENTE
 Praça de Itália - (Século XX)  -  (Interior da "PASTELARIA FERRARI" na "RUA NOVA DO ALMADA, 91 e 93)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Praça da Itália - (196_) -  Foto de Artur Goulart  -  (O "CAFÉ CHIADO" na "RUA GARRETT" nos anos sessenta do século XX)  in   AML
 Praça de Itália - (Século XIX)  -  (O "CAFÉ MARRARE do POLIMENTO" do século XIX, na Rua Garrett, 54 a 64)   in     AML
Praça de Itália  - (2016)  -  (Um dos lados da "PRAÇA DE ITÁLIA" no ALTO DO RESTELO em LISBOA )   in   GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO)- PRAÇA DE ITÁLIA [ III ]

«OS ITALIANOS EM LISBOA NOS SÉCULOS XVIII, XIX E XX»

Mas a lista de presenças italiana, nos aspectos artísticos, seria infindável. Os PINTORES, ESCULTORES, ARQUITECTOS, MÚSICOS, CANTORES italianos que por cá passaram e deixaram obra, bem como as influências que recebemos na ARTE e na LITERATURA ( a começar logo nos clássicos encantados como o "dolce stil nuovo" ou "DOCE ESTILO NOVO") não são quantificáveis. Menos complexo será por certo, recordar algumas figuras que oriundas de ITÁLIA, acabaram por se tornar populares e fazer parte indispensável do nosso dia-a-dia. Até na linguagem: sempre usamos o termo "GAFORINA" quando nos referimos a alguém que possua uma cabeleira longa, crespa, não muito bem penteada. Poucos se lembrarão de que na origem da palavra está uma célebre cantora italiana que fez algumas temporadas no Teatro de SÃO CARLOS: era "GAFFORINI" de seu nome e usava uma cabeleira que fez história e deixou vocábulo novo.
Um dos bons hábitos que os italianos nos trouxeram foi o de beber café em ambiente de conversa e Tertúlia. Quer dizer: nós fomos a ÁFRICA e ao BRASIL buscar o café, mas foram os italianos quem dele fez um requinte. Ora, a começar pelo mais antigo café existente em LISBOA,  o "MARTINHO DA ARCADA"( ver mais aqui...), a influência italiana é visível nessas casas. O "MARTINHO", antes de o ser, foi, em 1784, a "CASA DE CAFÉ ITALIANA", sendo propriedade de "DOMENICO MIGNANI".  Derivou depois para "CASA DA NEVE" (GELADOS)  e foi mais tarde  adquirido  pelo  português "MARTINHO",  ( BARTOLOMEU RODRIGUES) em 1845.
Em pleno "ROSSIO", conserva o seu nome o "NICOLA" ( ver mais aqui...), estabelecimento de outro do mesmo nome, que remonta ao tempo do BOCAGE.  "O apelido NICOLA aparece ligado ao comércio da cidade desde meados do século XVIII ( 1 ) "NICOLAU" era, pois, o italiano proprietário do BOTEQUIM, não existindo sobre ele grandes notícias. O cronista lisboeta TINOP fala-nos de dois NICOLA conhecidos em LISBOA, um dos quais fabricante de velas de cebo. Seriam parentes o homem das velas e o Botequim?

Mais pormenores se conhecem sobre "ANTÓNIO MARRARE", o italiano que verdadeiramente veio revolucionar a vida de café em LISBOA. Esta homem de iniciativas foi empresário do TEATRO DE SÃO CARLOS e acabou por ir fundando vários botequins pela cidade. O mais célebre foi sem dúvida o "MARRARE DO POLIMENTO"(ver mais aqui..., situado a meio da que hoje chamamos de RUA GARRETT, no local onde foi, já no século XX, o "CAFÉ CHIADO" depois COMPANHIA DE SEGUROS IMPÉRIO do (Grupo CUF) (nacionalizada em 1975 e reprivatizada em 1992) regressando o edifício ao grupo MELLO, de JOSÉ MANUEL DE MELO.

Existiu outro "MARRARE" no "ARCO DO BANDEIRA", outro em S. CARLOS... Um sobrinho do primeiro proprietário, JOSÉ MARRARE, chegou ainda a tomar conta dos estabelecimentos do tio.
Até ao incêndio do CHIADO, em 1988, na zona do CHIADO, para o lado da "RUA NOVA DO ALMADA", tinha lugar de relevo a "PASTELARIA FERRARI". Esta casa começou com o Genovês "HILÁRIO FERRARI", conserveiro, que se estabeleceu ali ao "PRÍNCIPE REAL", e cujo filho, "MATIAS FERRARI", continuou a obra do pai e acabou por se estabelecer na já referida RUA em 1864.  O Italiano "BALTRESQUI", por sua vez, foi doceiro de fama, teve loja na actual RUA GARRETT e também na "RUA DO OURO".  E por aqui ficaríamos em evocações aromáticas, sem nos chegar o tempo para lembrar os pioneiros dos sorvetes,  estabelecidos em casas que tiveram nomes que não disfarçam a origem dos proprietários: "VENEZIANA", "ITALIANA", "LUCA", "SANTINI"...   De ITÁLIA veio a ARTE... em facetas várias. [ FINAL ]

- ( 1 ) - Livro "OS CAFÉS DE LISBOA" de MARINA TAVARES DIAS, página 22

BIBLIOGRAFIA

- As NOVAS RUAS DE LISBOA 102 topónimos ( 1998/2001) - Cood. Paula Machado e Teresa Sancha Pereira- CML - Comissão Municipal de Toponímia - 2002 - LISBOA.
- Dicionário da História de Lisboa - Direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena - 1994 - LISBOA.
- O CARMO E A TRINDADE de Gustavo de Matos Sequeira- CML - Vol. III 2ª Ed. -1967 - LISBOA.
- OS CAFÉS DE LISBOA - Mariana Tavares Dias - Quimera - 1999  - LISBOA.
- PEREGRINAÇÕES EM LISBOA de Norberto de Araújo - Liv. XII -1993 - LISBOA

(PRÓXIMO)«RUA BARATA SALGUEIRO [ I ] A RUA BARATA SALGUEIRO ( 1 )»

terça-feira, 4 de março de 2008

RUA GARRETT [ V ]

Rua Garrett - (195--) Fotógrafo não identificado ( A Rua Garrett numa manhã de Domingo, vista do meio para cima)
Rua Garrett, 58 e 60 - (196--) Foto Artur Goulart (Café Chiado) in AFML

Rua Garrett, 70 e72 - (Início do século XX) Foto Joshua Benoliel (Pastelaria Marques e Bazar Suisso) in AFML

Rua Garrett, 58 e 60 - (Início do século XX) Foto Joshua Benoliel (PICCADILLY - Alfaiataria, Camisaria e Chapelaria) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
Rua Garrett - (Finais do século XIX) Fotógrafo não identificado ( Postal Ilustrado da Rua Garrett)


(Continuando a falar do lado direito, vamos subir mais um pouco)

A «ALFAIATARIA PICCADILLY», de Vitorino Ferreira & Almeida, Lda., com confecções para homens, esteve desde o início do século XX instalada no prédio do café «MARRARE», antecedendo alguns anos ao «CAFÉ CHIADO).
Deixou o imóvel em 1919 para se instalar nos números 69 e 71 desta rua.


«CAFÉ CHIADO»
Decorria o ano de 1925, depois de inevitáveis obras de reconstrução do imóvel, no embelezamento dos célebres vãos de portas, nos números 58 e 60, com outro sistema de arquitectura, e lá dentro uma nova marcenaria, começaram uma nova época, para acolher outro público de características diferentes. Surgiu o saudoso «CAFÉ CHIADO» representado oficialmente por Café Chiado, Limitada. Foi também paraíso de estudantes do ensino médio e superior que, a troco de uma "bica", podiam estudar, durante largas horas, ler gratuitamente o jornal da casa (todos os jornais de Lisboa circulavam entre mesas, presos nas respectivas réguas), conviver com gente das Artes e das Letras.
Neste café (nos finais dos anos 50 e até ao seu encerramento, também tivemos os nossos encontros semanais da "TERTÚLIA EDÍPICA PORTUGUESA"), que dentro do ano de 1963, acentuou a sua decadência e, a 27 de Novembro desse ano foram encerradas definitivamente as portas do estabelecimento.
Os seus frequentadores, nomes como:Gomes Ferreira, Augusto Abelaira, Alves Redol, Fernando Namora, Rogério de Freitas, às vezes José Cardoso Pires e muitos outros, todos tiveram então de mudar de "café".


«GRUPO AMIGOS DE LISBOA»
No número 62 segundo andar, estava aí instalado o «GRUPO AMIGOS DE LISBOA» em 1940. Foi neste andar que a prestigiosa associação viveu uma parte da sua existência e realizou grande número de conferências e exposições.
Por intimação do senhorio o grupo teve que abandonar esta casa, que foi tomada pela Companhia de Seguros Império, já habitante do primeiro andar.
A Associação foi transferida em 26 de Junho de 1953 para o Largo Trindade Coelho número 9 primeiro andar.
O «GRUPO AMIGOS DE LISBOA», instituição cultural de estudos e propaganda olisiponense fundada em 1936, esteve também instalada no Convento da Mitra na Rua do Açúcar ao Beato, presentemente encontra-se no número 58 da Rua Portugal Durão.
(CONTINUA)


quarta-feira, 5 de março de 2008

RUA GARRETT [ VI ]

Rua Garrett - (s.d.) Autor não identificado (Retrato de J.B. de Almeida Garrett - Litografia) in Sociedade Martins Sarmento
Rua Garrett - (2007) Fotografo não identificado (Casa Havaneza e A Brasileira) in Olhares.com

Rua Garrett, 120 e 122 - (1979) Foto Neves Águas (Porta da Brasileira do Chiado) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


Rua Garrett, 120 e 122 - (1911) Foto Joshua Benoliel (A Brasileira -Casa especial de café do Brasil) in AFML

Rua Garrett - (2007) Fotografo não identificado (Livraria Sá da Costa e Hotel Borges) in http://www.hotelborges.com/

Rua Garrett, 100 e 102 - (2005) Foto Cristina Garcia (Livraria Sé da Costa) in cristinagarcia.no.sapo.pt

Rua Garrett - (1913) Foto Alberto Carlos Lima (Interior da Livraria Sá da Costa na época) in almanaquerepublicano


(E assim chegamos ao final da Rua Garrett)
A seguir ao «Marrare» esteve nesta rua a «SAPATARIA LOURENÇO», também citada por Eça de Queiroz. A «CASA BÉNARD» nos números 82 a 86 , sucessora de Elias Benard, vinha dos números 110 e 112, sob a firma Casa Benard, Lda.. A inauguração, efectuou-se em 31 de Outubro de 1942, continuando-se a dedicar ao comércio da venda de brinquedos e fatinhos para crianças. Segue-se a «CASA GARCEZ» no número 88, dedicada à venda de máquinas e outro material fotográfico, deve a sua existência, principalmente a Arnaldo Garcês Rodrigues, que se associou com o irmão Joaquim Cruces Alvarêz em 1923.
A «FARMÁCIA DURÃO» nos números 90 e 92, foi lugar não só de tratar de feridas físicas como políticas. Esta farmácia, lugar de conspiração e propaganda republicana, foi grande centro de conversa, em que o Dr. Brito Camacho pontificara.
Este estabelecimento possui antecedentes muito remotos. Rodrigo Augusto de Carvalho teve como sucessor J. P. Rodrigues que, em 1882, na publicidade a que dava curso, punha em relevo, entre outros, o «pó da viscondessa», «remédios para a solitária», «xarope peitoral», «creme virginal», «emplastro contra a dor ciática», «laranjada-purgante» e outras especialidades.
Quase sempre tudo que temos escrito normalmente remonta ao passado. Congratulamo-nos agora saber que a «FARMÁCIA DURÃO» ainda funciona.


LIVRARIA SÁ DA COSTA
A «LIVRARIA SÁ DA COSTA»nesta rua nos números 100 a 102,com esquina para a Rua de Serpa Pinto, ainda se mantém como livraria.
No século passado foi uma editora de prestígio e sucesso literário. Destacamos nomeadamente a sua famosa «colecção de clássicos Sá da Costa» com espectaculares obras sobre a historiografia portuguesa. Destacamos uma para exemplo: «DECADAS DE DIOGO DO COUTO» com prefácio e notas de António Boto, Volume I , um dos seus clássicos editados em 1947, e impresso numa casa que recordo com bastante saudade o "JORNAL DO COMÉRCIO".

O «HOTEL BORGES» está instalado no número 108 desta Rua. Situado na zona mais nobre da cidade, este estabelecimento vem do século XIX e representa uma classe hoteleira, com instalações confortáveis ao estilo do clássico antigo. Classificado como imóvel de interesse público desde 1997, ladeado pelos carismáticos estabelecimentos comerciais como seja «A BRASILEIRA» e a «LIVRARIA SÁ DA COSTA».


A BRASILEIRA
«A BRASILEIRA DO CHIADO» fundada em 19 de Novembro de 1905, por Adriano Teles. Acompanhou quase todo o século XX, esta casa que continua a ter os números 120 e 122 (da Rua Garrett), muito embora já se encontre um pouco no Largo do Chiado.
Inicialmente a«A BRASILEIRA» dedicava-se só à venda de café (moído à vista do cliente) genuíno do Brasil, de Minas Gerais
Em 1908 realizou-se obras da autoria do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior e sofre uma completa transformação, para se adaptar a uma sala de café com todos os modernos requisitos de comodidade e de elegância, destinada às pessoas que não quisessem aproveitar da vantagem da distribuição gratuita de chávenas de café. Ali poderão tomá-lo nas melhores condições de conforto.
A Brasileira é um misto de «academia e de assembleia popular». Reúne numerosa clientela de feição heterogénea. Monárquicos e republicanos, liberais e conservadores, burgueses e aristocratas, endinheirados e pelintras. Actores, artistas, jornalistas ou escritores, são seus assíduos frequentadores.
Nos anos 20 do século passado torna-se o centro onde se reúnem as tertúlias lisboetas, destacando-se o grupo do Orfeu, composto de Almada Negreiros, Luís Montalvor, Fernando Pessoa, José Pacheco e outros, teve na Brasileira o seu ponto nevrálgico.
Também o espírito de «A BRASILEIRA» foi evocado nos teatros de revista, e de uma delas, ao ritmo alegre cantarolava um artista popular.
MENINO TOMA CAFÉ, - SE QUERES CURAR A CANSEIRA, - MAS SE HÁ TANTO CAFÉ, - O MELHOR É O DA BRASILEIRA!
Em 1970, encerra novamente para obras que lhe acrescentam um balcão corrido, substituem os velhos quadros por outras telas, que eram já um mito da cidade, os jornais falavam, ao dar a notícia. Desde então, ficou assumido pelos lisboetas, estar atento a este tesouro que a cidade não pode deixar morrer.
A escultura colocada nos anos 80 do século passado junto à Brasileira é um logótipo do Chiado, da autoria de Lagoa Henriques, que pretende representar Fernando Pessoa.


ALMEIDA GARRETT
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde visconde Almeida Garrett, nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1799, faleceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1854.
É provavelmente o escritor português mais completo de todo o século XIX porquanto nos deixou obras primas no teatro e na poesia, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.
Foi um escritor dramaturgo, romântico, orador, par do Reino, ministro e secretário de Estado.
Grande impulsionador do Teatro Português, uma das maiores figuras do romantismo. A ele se deve a proposta de edificação do Teatro Nacional D. Maria II no Rossio, e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
(Eis chegado o fim da narrativa sobre esta rua)


sábado, 20 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ V ]

«RUA ALEXANDRE HERCULANO ( 2 )»
 Rua Alexandre Herculano - ( 2008)  -  (A estátua de "ALEXANDRE HERCULANO" na "AVENIDA DA LIBERDADE", frente à sua RUA, inaugurada em 27 de Maio de 1950  in ARQUIVO/RUAS DE LISBOA COM ALGUMA HISTÓRIA
 Rua Alexandre Herculano - (2016) Foto de Sérgio Dias  -  (A "RUA ALEXANDRE HERCULANO" com edifícios de 1822,  honrados com prémios VALMOR de 1903 e 1911, obra de VENTURA TERRA)   in    TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Alexandre Herculano - (2016) Foto de Sérgio Dias   -  (Mapa de LISBOA onde se pode ver a "RUA ALEXANDRE HERCULANO" no cruzamento da "AVENIDA DA LIBERDADE")  in  TOPONÍMIA DE LISBOA
Rua Alexandre Herculano - (19--) Foto de Paulo Guedes   -   (A "ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL PORTUGUESA" na RUA ALEXANDRE HERCULANO, no inicio do século XX)  [ABRE EM TAMANHO GRANDE]   in    AML 


(CONTINUAÇÃO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ V ]

«RUA ALEXANDRE HERCULANO ( 2 )»

Nas memórias de "ANTÓNIO RODRIGUES GIL", diz-nos que "ALEXANDRE HERCULANO" nasceu no "PÁTIO DO GIL" na "RUA DE SÃO BENTO", por altura da colocação de uma lápide em 26 de Abril de 1910 (ainda se mantém por lá), para assinalar que aqui residiu também o Arquitecto MANUEL CAETANO DE SOUSA, irmão da AVÓ MATERNA  de HERCULANO.

Em 1831 "ALEXANDRE" envolve-se na revolta de "4 DE INFANTARIA", escapando à matança dos insurrectos que a liquidou, e vê-se obrigado a fugir para INGLATERRA. A sua situação como emigrado é de um soldado desconhecido, quando GARRETT já se tornara uma personalidade.
Regressou a PORTUGAL como soldado da expedição de DOM PEDRO, e tomou parte em combates e acções militares. Mas já então colabora em trabalhos de reforma cultural relacionados com a revolução. 
Organiza a BIBLIOTECA PÚBLICA DO PORTO com fundos retirados das bibliotecas "monástica ou Miguelista", incluindo a um irmão de GARRETT.
A REVOLUÇÃO DE SETEMBRO de 1839, trouxe  o moço escritor para a notoriedade; demitiu-se como protesto, do seu lugar de Bibliotecário, e em LISBOA, para onde veio, publicou contra os novos Governantes, um folheto a "VOZ DO PROFETA", no estilo das "PAROLES D'UM CROYANT" de LAMENNAIS, pouco antes traduzida por "A. FELICIANO DE CASTILHO".
Depois, em 1851, o escritor associado ao "MARQUÊS DE NISA", aparece como fundador do Jornal "O PAÍS" e o "PORTUGUÊS"(1853) periódicos de carisma político que se destinava a fazer oposição a "RODRIGUES DA FONSECA".
"ALEXANDRE HERCULANO", a partir de 1839 passou a dirigir as BIBLIOTECAS:  das "NECESSIDADES" e da "AJUDA", nomeado pelo "REI DOM FERNANDO II". E paralelamente começa a escrever; "O PÁROCO DE ALDEIA" e a poesia "A HARPA DO CRENTE", foi publicando algumas das suas obras  de que destacamos os dois volumes de "LENDAS E NARRATIVAS" (entre 1839  e 1844) o romance "EURICO O PRESBÍTERO"(1842), "O BOBO" (publicado inicialmente em "PANORAMA" em 1843 e editado postumamente em volume no ano de 1878) e a sua «HISTÓRIA DE PORTUGAL» (1846-1853) (Nos anos 50 do século XX tivemos na "aula de Português e História", alguns  destes livros)."ALEXANDRE HERCULANO" ainda introduziu em PORTUGAL a HISTORIOGRAFIA CIENTIFICA. "O MONGE DE CISTER" (1848) e "HISTÓRIA DA ORIGEM E ESTABELECIMENTO DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL"(1854-1859).
Em 1867 casa com "DONA MARIANA MEIRA" e retirou-se para a sua quinta em "VALE DE LOBOS" (AZOIA DE BAIXO-SANTARÉM)


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISMO (5.ª SÉRIE) [ VI ]RUA BARBOSA COLÉN».

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ X ]

«RUA BRITO CAMACHO ( 2 )»
 Rua Brito Camacho - (2015) -  (Uma vista do início da "RUA BRITO CAMACHO" na parte SUL) in GOOGLE EARTH
 Rua Brito Camacho - (2015) - (Panorama mais aproximado do sítio onde se encontra a "RUA BRITO CAMACHO" na freguesia do "LUMIAR") in  GOOGLE EARTH 
 Rua Brito Camacho - (2015) - (Um troço da "RUA BRITO CAMACHO" vista de Norte para Sul)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Brito Camacho - (2015) - (Aspecto de "RUA BRITO CAMACHO" na freguesia do "LUMIAR") in GOOGLE EARTH
Rua Brito Camacho - (2015) - ( A parte Norte da "RUA BRITO CAMACHO") in GOOGLE EARTH 


(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ X ]

«RUA BRITO CAMACHO ( 2 )»

«BRITO CAMACHO» assinava os editoriais e era ainda geralmente o autor das secções "AO DE LEVE" e "ECOS", feitas de pequenas notas que, pela sua ironia e vivacidade, depressa se transformaram em leituras obrigatórias.
Tinha colaboradores de grande envergadura, como "BASÍLIO TELES", "AUGUSTO DE VASCONCELOS", " DUARTE  LEITE" e outros.
Entretanto, o jornalista foi eleito deputado pelo circulo de BEJA. Ele e o jornal "A LUTA" travaram combate em múltiplas campanhas, como o caso dos adiantamentos à CASA REAL, a questão dos TABACOS e o problema dos AÇUCARES.
Claro que, sendo como era, "A LUTA" e "CAMACHO" tiveram inimigos. Conta-se, por exemplo, que um movimento de jovens se reuniu numa agremiação que tinha a sua sede num prédio de uma rua próxima do CHIADO e se evidenciou como ferozmente "ANTI-CAMACHISTA". Em artigos na imprensa ou em comunicados, tentavam apoucar o jornalista e político. Acontecia, porém, que, no prédio onde o referido grupo se reunia, existia, num andar mais alto, um bordel mais ou menos reconhecido. Assim, ao fazerem notar a "CAMACHO" que "os garotos se andavam a meter com ele", logo a resposta explodiu: "Andam, andam... Ainda me obrigam a subir a escada e a fazer queixa às mãezinhas deles...".  

Proclamada a REPÚBLICA, "BRITO CAMACHO" fez parte do GOVERNO PROVISÓRIO", com a pasta do "FOMENTO" ( 1 ).
Fundou seguidamente o "PARTIDO REPUBLICANO UNIONISTA". Mais tarde, já nos anos vinte, foi alto-Comissário em Moçambique, ocasião em que deixou a Direcção efectiva do diário "A LUTA".
 Durante a primeira "GRANDE GUERRA" (1914-1918), manteve-se um tanto afastado do "GOVERNO DE UNIÃO SAGRADA", já que defendia que a intervenção de PORTUGAL no conflito deveria processar-se somente nas COLÓNIAS e não em FRANÇA ( 2 ).

Nos últimos anos de vida era frequentador do "CAFÉ CHIADO", aberto no local onde fora o "MARRARE" na "RUA GARRETT. Já então privado de tribuna parlamentar e jornalista, lá distribuía os seus ditos de espírito.

- ( 1 ) -"BRITO CAMACHO" como membro do Governo foi um dos mentores, conjuntamente com "JOAQUIM TEÓFILO DE BRAGA", "ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA", "AFONSO COSTA", "JOSÉ RELVAS", "ANTÓNIO XAVIER CORREIA BARRETO", "AMARO DE AZEVEDO GOMES" e "BERNARDINO MACHADO", que subscreveram  a "LEI DA SEPARAÇÃO DA IGREJA DO ESTADO", em 20 de Abril de 1911.
- (  ) - Na sequência da "REVOLUÇÃO DE 28 de Maio de 1926", "BRITO CAMACHO" foi obrigado a abandonar a actividade política, retirando-se para a vida privada.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS-3ª.SÉRIE [ XI ] - RUA CÂNDIDO DE FIGUEIREDO».