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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

RUA DA HORTA SECA

Rua da Horta Seca 24-43 (Casa da Imprensa) foto de João H. Goulart sem data in Arquivo Fotográfico da CML
Rua da Horta Seca -Palácio do "Manteigueiro" sede da MOBIL OIL Portuguesa foto de Armando Serôdio ano de 1968 in Arquivo Fotográfico da CML

Rua da Horta Seca foto de João H. Goulart (1969) in Arquivo Fotográfico da CML


Rua da Horta Seca - Palácio Condeixa foto de Joshua Benoliel (1912) in Arquivo Fotográfico da CML



Jardim do Palácio do "Manteigueiro" no tempo da MOBIL OIL (1964)

A Rua da Horta Seca pertence à freguesia da ENCARNAÇÃO, começa no Largo de Camões número 16 e termina na Rua das Chagas no número 22. Esta rua de curioso nome que virá do facto de ali terem existido terras de cultivo, como atesta aliás a vizinha Travessa do Sequeiro.
Diz Mestre Júlio de Castilho: «a próxima rua da Horta Seca ainda tem relação com Vasco de Pina, essa horta sequiosa e árida, tão vizinha do sequeiro que deu nome à travessa, era do vedor dos pinhais de Leiria (Vasco de Pina) e como tal é mencionada nas confrontações de um chão ali pelos sítios do actual Largo do Barão de Quintela».(1)
Esclarecemos agora que este Vasco de Pina tinha casado com Isabel de Andrade, filha de Bartolomeu de Andrade, proprietário das herdades do Poço do Chapuz e da Boa Vista, (veja-se Rua do Ataíde - Lisboa de Lés a Lés Volume I, páginas 234 e 235), as quais passaram depois da morte para a posse de seu genro que à casa dos Atouguias continuou pagando o foro imposto naquelas herdades.(2)
Vasco de Pina faleceu em 1530 e tal, e assim temos que a horta originária do nome da rua de que estamos tratando, vicejaria já ali no primeiro quartel do século XVI.
Quando teria secado a horta? Não se sabe, mas com certeza depois de entrada da segunda metade do século, visto Cristóvão Rodrigues de Oliveira (1551 a 1554) apontar na freguesia de Nossa Senhora do Loreto (Encarnação) a RUA da ORTA (3) sem por sombras nos deixar indícios a respeito da beleza da hortaliça que ali crescia. Mas em 1583, segundo nos diz G. de B.(4), apoiado num estudo do senhor Dr. António Baião, parece que a horta tinha secado. Nos registos paroquiais, essa "horta seca" vemo-la em 1621.
Entre a rua direita do Loreto e a Rua da Horta Seca e com frente para as Portas de Santa Catarina (actual Largo de Camões), existiram uns prédios modestos, que após o Terramoto de 1755 os seus estragos eram consideráveis e, talvez por isso, seus proprietários os abandonassem. Neste lugar, tinha também o Duque de Lafões um paradeiro(5). Chamava-se aquele sítio «os casebres do Loreto» que, por edital do Governador Civil de Lisboa de 12 de Outubro de 1860, determina que seriam deitados a baixo, criando assim um novo espaço. Esse Largo ultimamente formado pela demolição dos antigos prédios em ruínas compreendidas entre o Largo das Duas Igrejas, as Ruas Largas de S. Roque e do Loreto, a Travessa dos Gatos e a Rua da Horta Seca, seria designado com o nome de Praça Luís de Camões.
Diz-nos ainda Norberto de Araújo na sua Peregrinação em Lisboa: «desafrontou-se então o que viria a ser o "CAMÕES", durante a obra até 1863. Terraplenado o chão, vencida por uma cortina a dificuldade do desnível, empedrada a área da praça, começou a preparar-se o levantamento do monumento a Luís Vaz de Camões, inaugurado em 1867»
Nesta Rua da Horta Seca no número 20 um imponente edifício, inaugurado em 1954, instala a Casa da Imprensa (Associação Mutualista), que oferece aos seus associados benefícios materiais na doença, no desemprego e pensões a viúvas e órfãos dos jornalistas associados.
«A origem da Casa da Imprensa remonta à fundação da Associação de Classe dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, em 1905, que, aquando da sua fundação, foi dotada de um Cofre de Beneficência e Pensões para os seus associados. Em 1924, a Associação da Classe transformou-se em Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa e no ano seguinte, em 23 de Maio de 1925, por alvará do Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, o COFRE (adquiriu autonomia e transformou-se em Associação de Socorros Mútuos), sob a designação de Caixa de Previdência do Sindicato dos Profissionais da Imprensa Diária.
No dia 26 de Janeiro de 1926 era inaugurada a sede Social da Caixa de Previdência na Rua do Loreto. Mais tarde estuda-se a possibilidade da construção de um novo edifício sede. A inauguração da Sede prevista para o mês de Maio de 1954, só viria a realizar-se em 8 de Dezembro desse ano. »(6)
Na Rua da Horta Seca, Domingos Mendes Dias «O Manteigueiro» em 1787 mandou erguer uma luxuosa moradia. Nascido em Montalegre, Trás-os-Montes, cedo veio para a Capital. Exerceu várias profissões, todas de fraca remuneração, como aguadeiro e de marçano. Constitui, pois, mistério a forma como arranjou grossa fortuna. Há quem diga que aproveitou bem a desgraça do Terramoto. No século XVIII o transmontano já se intitulava comerciante e seu negócio mais conhecido era o das manteigas. Encomendou o projecto da moradia ao Arquitecto Real , Manuel Caetano de Sousa, autor do projecto da Biblioteca de Mafra, da Igreja da Encarnação (no Chiado), da capela da Bemposta e outras obras. Pediu ao Morgado de Vilar de Perdizes, António Pereira Coutinho, se o deixava tratá-lo por primo e lhe legaria o Palácio que estava a fazer em Lisboa.
Cumpriu-se o acordo e a família Pereira Coutinho instalou-se no Palácio do «Manteigueiro» logo após a sua morte (provocada por assaltantes que o apunhalaram). Em 1804 o Palácio era alugado ao Conde de Caparica, D. Francisco Silveira e Castro. Passou também pela morada o Marquês de LILLE, representante da França já no tempo de Napoleão III. Um dos habitantes célebres da residência foi o inglês João FLETCHER, negociante de vinhos e tinha armazéns no Ginjal.
Foi sede da Assembleia Lisbonense, uma verdadeira Academia,da qual faziam parte o Conde de Ferrobo, Silva Carvalho, Rodrigo da Fonseca e outros. Moraram também os Condes da Torre e o Visconde de Condeixa que depois adquiriu o imóvel. Nos primeiros anos do Século XX esteve na Rua da Horta Seca o Embaixador do Brasil, Costa Mota. Em 1910 após a República foi morada do Presidente Açoriano Dr. Manuel de Arriaga e sua família durante alguns meses.
A casa do «Manteigueiro», então ainda dos Condeixas, foi alugada e depois vendida à VACUUM OIL CAMPANY, uma empresa ligada aos petróleos que, após várias transformações, deu lugar à MOBIL OIL PORTUGUESA, S.A.R.L. que em finais do século XX se associou à BP.
Já depois da MOBIL estar instalada na Rua Castilho e deixar este Palácio, foi morada também e sede do Ministério da Indústria, sector hoje incorporado no Ministério da Economia e da Inovação proprietária do edifício ainda bonito, onde é possível encontrar uma escadaria de bom porte, e se podem admirar pinturas de Pedro Alexandrino.
(1) - Bairro Alto Volume I, página 212 - 2º Edição
(2) - Papeis pertencentes aos prazos de Vila Nova da Andrade, etc. - Arquivo da Misericórdia
(3) - SUMÁRIO
(4) - Lisboa de Lés a Lés (Luís Pastor de Macedo) Volume III página 191
(5) - Casas arruinadas, Edifícios velhos
(6) - Os Jornalistas Portugueses 1933-1974 de Rosa Maria Sobreira



quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

RUA DA EMENDA

Rua da Emenda - (início do século XX) Foto Alberto Carlos Lima (Rua da Emenda esquina com a Rua do Loreto - Chapelaria Salão Ravasco e Alfaiataria A. Couto) in AFML
Rua da Emenda - (Actual) Fotografo não identificado

Rua da Emenda, 46 a 50 - (s.d.) Fotografo não identificado (Partido Socialista) in AFML


Rua da Emenda, - (s.d.) Foto Eduardo Portugal in AFML



Rua da Emenda - (1935) Foto Eduardo Portugal (Início da rua obras de pavimentação) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


A RUA DA EMENDA pertence à freguesia da ENCARNAÇÃO. Começa na Rua do Ataíde no número 14-A e termina na Rua do Loreto no número 36.
A Rua da Emenda, anteriormente denominada de «Rua das Parreiras» no seu percurso entre a Rua do Ataíde e a Horta Seca, o restante tinha o nome de Travessa do Meio ou do Mel, lugar compeendido entre a Rua da Horta Seca e a Rua do Loreto.
Nesta rua residiu o Dr. Gustavo Soromenho excelente Advogado e militante do Partido Socialista onde veio a falecer no ano de 2000, aos 93 anos de idade.
Esta rua é atravessada pela Rua da Horta Seca, onde foi edificado numa das suas esquinas, em meados do século XVIII, um palácio com o sugestivo nome do «Manteigueiro», nome pelo qual era conhecido o seu fundador.
É servida pelo elevador da "Bica", cujo trajecto tem início na Rua de São Paulo e termina no Largo do Calhariz, constituindo uma curiosa e pitoresca viagem pela Lisboa antiga.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

RUA DO LORETO [ I ]

 Rua do Loreto - (2012) - (O prédio da "Rua do Loreto" onde se instalou o "SALÃO IDEAL" actualmente o "CINE PARAÍSO") in GOOGLE EARTH
 Rua do Loreto - (2012) - (Panorama da "Rua do Loreto" junto da "Praça Luís de Camões") in GOOGLE EARTH
 Rua do Loreto - (2012) - (O início da "Rua do Loreto" virada para a "Praça Luís de Camões") in GOOGLE EARTH
Rua do Loreto - (início do séc. XX) Foto de Alberto Costa Lima ( A "Rua do Loreto" esquina para a "Rua da Emenda"(antiga Travessa do Mel), no 1º andar o "Alfaiate Couto") in AFML


RUA DO LORETO [ I ] 

«A "RUA DO LORETO" E SEUS ANCESTRAIS»

A «RUA DO LORETO» pertence à freguesia da «ENCARNAÇÃO».
Tem o seu início na «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES» e termina no «LARGO DO CALHARIZ».
Representava esta artéria o início do caminho que ia das "PORTAS DE SANTA CATARINA" (hoje "LARGO DO CHIADO") a "SANTOS" e "ALCÂNTARA". Com o terramoto de 1755 e a demolição dos "CASEBRES DO LORETO", as chamadas também "Ruínas do Palácio dos Marialvas" e antes da construção da «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES», esta via chegava pelo nascente até à «RUA LARGA DE SÃO ROQUE» (hoje RUA DA MISERICÓRDIA).
Existiram várias denominações para esta rua, quem nos conta é "LUIZ PASTOR DE MACEDO" no seu livro "LISBOA DE LÉS A LÉS", ao dizer-nos que já nas "Estatísticas de 1552", de "BRANDÃO" este nome vem mencionado como "RUA DO LORETO". No entanto, em 1565 os sacadores da derrama designavam-na por: "rua direita que vai do Loreto pª. a Calçada do Congro" ( 1 ). O cura da "SÉ", em 1605 designava por: "rua direita fora da porta de Santa Catarina" ( 2 ), e os registos paroquiais da freguesia da "ENCARNAÇÃO" dão-lhe geralmente a denominação simples de "RUA DIREITA", algumas vezes, poucas, a de "RUA DIREITA DO LORETO" e só por acaso «RUA DO LORETO», a não ser em grande parte do século XIX e XX, em que tanto uma como outra das últimas designações citadas, foram as únicas utilizadas. Depois do Terramoto de 1755, ainda lhe atribuíram o nome de "RUA LARGA DO LORETO"( 3 ).
Muito antes do Terramoto, no extremo ocidental da «RUA DO LORETO» e esquinando para a "RUA DAS CHAGAS", levantava-se um grande grande edifício que chegava até à «RUA DA HORTA SECA» onde tinha a serventia principal. Era a «CASA PIA DAS CONVERTIDAS DA CIDADE DE LISBOA» ou «RECOLHIMENTO DE NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE DAS CONVERTIDAS», títulos que por si só, dizem o fim moral para o que aquela casa fora fundada.
Diz-nos ainda o olisipógrafo "Luiz Pastor de Macedo" que enquanto estiveram no "LORETO" as convertidas, deram o seu nome a parte da actual «RUA DAS CHAGAS», para onde caía uma das fachadas do edifício do recolhimento. Essa "Rua das Convertidas" que se estendia entre a "Rua da Horta Seca" e a "Rua do Loreto" é citada em 1712 por "Carvalho da Costa" ( 4 ).
Sabe-se que logo a seguir, a oriente do edifício das "Convertidas", existia, antes do Terramoto de 1755, as casas dos "CORDES", sensivelmente onde hoje estão os prédios com os números 41 a 55. A família "CORDES" é proveniente da nobreza Flamenga. O apelido foi introduzido em Portugal no reinado de «D. FILIPE III», através de "João Baptista de Cordes», que se fixou em Lisboa, tendo exercido o cargo de Tesoureiro do Fisco Real. Só no século XIX aparece o apelido que hoje é mais comum identificar, na pessoa do  general: «JOÃO JOSÉ SINEL DE CORDES»(1867-1930).

( 1 ) - Livro do Lançamento, etc., fl, 344-v.

( 2 ) - Reg. da Freg. da Sé, Vol. II, pág. 362.

( 3 ) - Por exemplo: Liv. VI de óbitos, fl. 176 -Encarnação-ano 1790.

( 4 ) - Corogr., Vol. III, pág. 341.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DO LORETO [ II ]-O CENTENÁRIO CINEMA DO LORETO ( 1 )»   

sábado, 1 de dezembro de 2012

RUA DO LORETO [ II ]

 Rua do Loreto - (2007) Foto de Alfa Sierra (O eléctrico da Carris Nº 28, na "RUA DO LORETO", ao fundo a "Igreja Nª. Srª. do Loreto") in PANORAMIO
 Rua do Loreto - (2007) Foto de Alfa Sierra (A "Rua da Horta Seca" no lado esquerdo o Edifício da "Casa da Imprensa", segue-se as portas do cinema que só eram abertas depois do filme acabar, para escoamento dos espectadores do "Salão Ideal" hoje "Cine Paraíso") in PANORAMIO
 Rua do Loreto - (1912?) - (Planta da Plateia do "Salão Ideal" na "Rua do Loreto 15-17) in LIVRO OS MAIS ANTIGOS CINEMAS DE LISBOA
 Rua do Loreto - (1912?) - (Planta do Balcão do "Salão Ideal" na "Rua do Loreto" in LIVRO OS MAIS ANTIGOS CINEMAS DE LISBOA
Rua do Loreto - (1961) Foto de Armando Madureira (O "Salão Ideal" na "Rua do Loreto" nos anos sessenta do século passado) in AFML     
Rua do Loreto - (1910) - (A "Empresa Cinematographica IDEAL" em 1910 era uma distribuidora em Portugal e estava ligada ao "Salão Ideal") in RESTOS DE COLECÇÃO

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO LORETO [ II ]

«O CENTENÁRIO CINEMA DO LORETO ( 1 )»

Ao citarmos a «RUA DO LORETO» vamos dedicar-nos essencialmente ao único cinema que existe nesta artéria.
Um cinema de LISBOA, o mais antigo em funcionamento, atravessou várias vicissitudes, passou do mudo para o sonoro, caiu também na passagem de filmes pornográficos, tendo enveredado na última década pelo campo dos ciclos cinematográficos.
Dizem os preceitos cristãos que o arrependimento sincero nunca é tardio e que o bom caminho pode ser tomado em qualquer altura... 
Nesta "velha" sala hoje arranjada para o «CINE PARAÍSO», que já teve o nome de «CAMÕES» e «SALÃO IDEAL», sem nunca deixar de ser, na gíria mais alfacinha, o cinema do "LORETO".
Diz-nos «LUIS PASTOR DE MACEDO» que o prédio com os números 13 a 19 teve em 1860 os números 23 a 25. Em 1863 era seu proprietário o «DR. JOAQUIM PEDRO SEABRA JÚNIOR», casado com "D. LUÍSA PETRONILHA GOMES SEABRA", que nesse mesmo ano, por escritura de 11 de Novembro o vendeu a «ANTÓNIO JOÃO QUINTAS», casado com "D. CARLOTA MARIA LEAL QUINTÃO". a descrição do prédio então feita, reza assim: "consta de lojas, 1º e 2º andar, e águas furtadas, e tem no fundo um quintal com seu poço, e um subterrâneo com uma loja e uma casa para cima, e uma barraca de madeira, tendo o mesmo quintal frente para a RUA DA HORTA SECA, para onde tem parede levantada até à altura do primeiro andar, com seis vãos de portas, com os números 12, 14, 16, 18, 20 e 22" ( 1 ).
Desde 1924 pertence à "CAIXA DE PREVIDÊNCIA DE PROFISSIONAIS DA IMPRENSA DE LISBOA" (hoje "CASA DA IMPRENSA"), que ocupa a sobre loja.
A entrada para o «SALÃO IDEAL» faz-se pelos números 15 e 17 e a casa de espectáculos é no antigo quintal do prédio (que já nos referimos), que comunica para a "Rua da Horta Seca" por seis portas, e se abrem para facilitar a saída dos espectadores quando termina a sessão animatográfica. (hoje cinematográfica).
O cinema, como o entendemos, chegou a LISBOA em Junho de 1896 e as primeiras exibições tiveram lugar no «REAL COLISEU», situado na "Rua da Palma", no local onde hoje temos a "Garagem Lis". À manivela, é LISBOA uma das primeiras cidades da Europa a conhecer o prodígio. Em breve, a nova arte conquistava adeptos em grande número, levando a que várias salas quisessem experimentar as máquinas que transmitiam imagens em movimento. Assim sucedeu com o Coliseu dos Recreios ou o Teatro D. Amélia (actual "São Luis").
Mas, logo em 1904, houve a ideia de construir de raiz uma casa dedicada ao cinema. «JOÃO FERREIRA CORREIA» - um dos fotógrafos que viria a ser nome indissociável da  história do cinema em Portugal, tendo fundado a «PORTUGÁLIA FILME», produtora de várias obras - lembrou-se de tal edificação ao descobrir um recinto abandonado na «RUA DO LORETO». Associou às suas ideias «D. NUNO ALMADA» e ambos foram a França onde adquiriram às casas "PATHÉ" e "GAUMONT" a aparelhagem de que careciam. Mandaram fazer as obras necessárias no espaço correspondente ao rés-do-chão e cave do prédio e deram-lhe o nome de «SALÃO IDEAL».

( 1 ) - Testamento, maço VI, processo 216- Arquivo de Santa Casa da Misericórdia.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DO LORETO [ III ] - O CENTENÁRIO CINEMA DO LORETO ( 2 )».

domingo, 24 de maio de 2009

PRAÇA LUÍS DE CAMÕES [ II ]

Praça Luís de Camões - (2008) Foto de APS (A Praça vista entre a Rua das Gaveas e a Rua da Misericórdia) Arquivo/APS
Praça Luís de Camões - (s/d) - Fotógrafo não identificado ( O Largo de Camões, talvez no primeiro quartel do século XX) in Jornal «A CAPITAL»

Praça Luís de Camões - (19__) Fotógrafo não identificado (Praça e Monumento a Camões) in AFML


Praça Luís de Camões - (19__) foto de Paulo Guedes (A Praça no início do século XX) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA LUÍS DE CAMÕES [ II ]
«A PRAÇA »
Era designado por «Largo do Loreto» a parte de fora da(s) «PORTA(S) DE SANTA CATARINA», lugar construído na Cêrca de D. Fernando entre 1373 e 1375.
A parte de dentro das «PORTAS» foi conhecida por duas designações: «LARGO DA CORDOARIA DE DENTRO» devido à existência da Rua da Cordoaria (que ficava junto à face nascente da Igreja da Encarnação); e por «LARGO DAS CAVALARIAS», designação atribuída em virtude da vizinhança das Cocheiras de Casa de Bragança.
Em 1707, as portas (ou porta) de SANTA CATARINA seriam demolidas.
Com a construção da Igreja da Encarnação (inaugurada em 1708) e a Igreja do Loreto (ou dos Italianos) este Largo foi também conhecido durante longos anos pelo nome de «LARGO DAS DUAS IGREJAS», (hoje Largo do Chiado) fronteiro ao «LARGO DE CAMÕES».
Existia neste local um grande quarteirão de prédios, que compreendia entre a Rua do Conde, e chegava à esquina do Loreto. A Rua Direita do Loreto, a Rua da Horta Seca e a Rua dos Gatos, troço de ligação entre estas duas últimas, onde nesse espaço frontal para a Praça, no topo do quarteirão de hoje, encontramos o Consulado do Brasil e tem na esquina com a Rua da Horta Seca uma estação dos CTT.
A Praça Luís de Camões foi construída sobre o chão terraplanado (num quarteirão onde foram as casas e Palácio seiscentista, arruinados pelo Terramoto) o solo corrigido, empedrada a área da Praça, começa a prepara-se o levantamento do Monumento.
A Praça teve o seu encanto, pelas Tílias que nela foram plantadas e pela quantidade de pássaros que ali se acolhiam e faziam tremenda chilreada (1).
Mestre Abel Manta pintou, em diferentes épocas, a Praça Luís de Camões, dela fazendo algumas das suas mais conhecidas a apreciadas obras.
Ao olharmos o Largo no seu enfiamento do Chiado, achamos-lhe uma graça alfacinha ingénua, e uma ponta de beleza. O seu pitoresco de outrora dos «QUIOSQUES DE CAPILÉ» (ouvi dizer que vão voltar) às barracas de venda de presentes na época de NATAL, o Natal do Sinaleiro, sempre junto a este Largo.
Na Praça Luís de Camões com esquina para a Rua do Norte, nos finais dos anos 50 principio dos anos 60 do século passado, estava instalada a firma «GENERAL ELECTRIC PORTUGUESA». Existiu também, nesta rua com entrada pelo número três de 1907 a 1923 o jornal «A CAPITAL», fundado por um grupo de jornalistas.
(1) - Chamados «Os pardais do Camões», que em revoadas chegavam dos campos, num espectáculo bem curioso de uma ternura de cidade romântica.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES III - (O LARGO DE CAMÕES)»




quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

RUA DAS CHAGAS

Rua das Chagas - (vendo-se à esquerda, depois do carro o Palacete das Chagas ou Palácio Viana - Foto de Eduardo Portugal no ano de 1950 in Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa
Rua das Chagas - (ao fundo a Igreja das Chagas de Cristo) Foto de Eduardo Portugal [s.d.] in Arquivo Fotográfico da CML

Rua das Chagas - Igreja das Chagas de Cristo- foto Mário Novais (1949) in Arquivo Fotográfico da CML


Rua das Chagas, 7-15 - Instituto Comercial de Lisboa - foto de Fernando de Jesus Matias ano 1959 in AFCML

A Rua das Chagas, começa na Travessa do Cabral e Rua do Ataíde e termina no Largo do Calhariz. É servida por duas freguesias: a de SÃO PAULO com todos os números ímpares sendo os pares do 2 a 8, a da ENCARNAÇÃO do número 10 em diante.


Situada numa zona típica de Lisboa, começa na chamada encosta das Chagas. Como ponto de referencia tem a Igreja das Chagas, fundada no ano de 1542 por pilotos e mestres da carreira das Índias.
Segundo a lenda (ao que parece, sem fundamento) terá sido nesta Igreja numa sexta-feira de cinzas de 1542, que Camões viu pela primeira vez Natércia, dama da Corte por quem se enamorou.

Tinha esta Igreja uma torre alta no flanco e um aspecto imponente. O terramoto de 1755 destruiu-a por completo, sendo depois reedificada como hoje se apresenta, mais pobre, mas alegre.
Outrora, o adro desta Igreja foi um esplêndido miradouro de Lisboa, estando actualmente cercado de edifícios. Antigamente este adro das Chagas era tão frequentado como é hoje o Jardim (miradouro) da vizinha Santa Catarina mas um prédio, embora não muito alto, roubou o maior encanto ao sítio.

Diz-nos Júlio Castilho na sua obra "Lisboa Antiga (Bairro Alto) Volume II, página 237: «Em 1898, se não me engano, consentiu a Câmara, por motivos decerto muito transcendentes, mas que ficam desconhecidos, um roubo artístico a um dos mais belos miradouros de Lisboa: permitir a elevação de um grande prédio do Pátio do Pimenta, por forma que interceptou a vista por sueste.
Não creio que andasse bem, nem o proprietário pedindo a licença, nem a Câmara concedendo-a. Ao interesse financeiro de um influente político o senhor Conselheiro José Dias Ferreira, submeteram-se considerações de ordem mais nobre: os direitos do Belo». A vereação que concedeu a licença praticou o sacrilégio, lá diz o autor de " Lisboa Antiga" «Enfim se o público perdeu uma parte do espectáculo o inquilino do dito proprietário ganhou-o».

A Rua das Chagas vem desde a Igreja reconstruída após o terramoto, com caracteristícas diferentes das anteriores, até ao Largo do Calhariz ficando-lhe fronteiro o Palácio do Calhariz (hoje C.G.D.).
Prédios altos ladeiam aquela artéria, outrora sossegado retiro, com seus declives que vão dar à Bica. Numa das suas esquinas existe um Palácio com alguma história, ali residiu o notável artista (na época), que foi o Marquês da Foz cujo Palácio dos Restauradores bem demonstram o seu gosto e valor. Era descendente da família do general liberal Gil Guedes que foi companheiro de D. Pedro. Seu filho, o Conde da Foz, falecido em 1944, nunca renegou as ideias dos antepassados e era uma personalidade por todos os títulos, digna de apreço.

Desde 1918 que funcionam no (Palácio Viana ou Palacete das Chagas) as aulas do Instituto Comercial de Lisboa, que anteriormente faziam parte do Instituto Industrial e Comercial no Conde Barão. A secção Industrial foi transferida para a Rua de Buenos Aires.(1)

Também na Rua das Chagas, no número 16, rés-do-chão, residiu Dona Carlota de Serpa Pinto, ilustre escritora que sob o pseudónimo de «Clarinha» publicou verdadeiras obras-primas epistolares. Filha do pioneiro de África, Visconde de Serpa Pinto, cujo nome ficou universalmente conhecido depois da travessia do continente africano.
Na mesma Rua do prédio que tem o número 35, esteve instalado durante vários anos o Clube dos Cem à Hora. Também no número 9 existiu a "Photografia Fillon" de Henrique Nunes, fotógrafo de suas Majestades e Altezas. Nasceu em 1820 e faleceu em 1895. Foi editor da série «Monumentos Nacionais»(1868).(2)

Foi na Rua das Chagas no número 20 rés-do-chão e primeiro andar esquerdo, esquina para a Rua da Horta Seca, que esteve instalado durante largos anos (até à sua transferência para a Rua Castilho, nos anos 70 do século passado) o MOBIL CLUBE, S.C.R.L.. Clube ligado à Mobil Oil Portuguesa, S.A.R.L. que além de um bom refeitório, cantina, bar, sala de leitura e de jogos, prestava todo o apoio aos empregados da "família" MOBIL, tanto na parte de lazer como económico e financeiro.

(1) - Lisboa de Ontem e de Hoje - Rocha Martins - ENP 1945 páginas 82 e 83
(2) - Lisboa Desaparecida Nº 7 - Marina Tavares Dias página 53




quarta-feira, 20 de maio de 2009

PRAÇA LUÍS DE CAMÕES [ I ]

Praça Luís de Camões - (2006) Foto de Luca Galuzzi (Lucag) (Praça Luís de Camões e seu monumento) in commons.wikimedia
Praça Luís de Camões - (2008) - Foto de APS (Monumento a Camões e parte da Praça, ao fundo o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa) Arquivo/APS

Praça Luís de Camões - (2009) - (Imagem de satélite do Largo de Camões e envolventes) in WIKIMAPIA


Praça Luís de Camões - (s/d) - Desenho de Júlio Castilho - (Casebres do Loreto à direita a Rua Direita do Loreto) in www.skyscrapercity.com/
PRAÇA LUÍS DE CAMÕES
«O SÍTIO DOS CASEBRES DO LORETO»
A Praça Luís de Camões pertence à freguesia da «ENCARNAÇÃO». Fica entre o Largo do Chiado, Rua do Alecrim, Rua da Misericórdia, Rua do Loreto, Rua do Norte, Rua das Gaveas, Rua da Horta Seca e Rua das Flores.
O local onde iria nascer a Praça Luís de Camões e seu espaço envolvente mais a Norte, era ainda no século XV, um autentico ermo, como naturalmente acontecia em todos os locais extra-muros.
Toda aquela extensão de terreno reduzida a campos com terras de semeadura, oliveiras, hortas dispersas aqui e ali com uns telhados de campo, até que a família dos «ANDRADES» juntos aquele espaço (quase o Bairro Alto de Hoje) numa única propriedade.
Mais tarde a herdade foi dividida em parcelas aforados, e começou assim a construção de casas e palácios, levando ao crescimento do Bairro Alto.
Com a edificação da Igreja de São Roque no século XVI, começaram a afluir pessoas e inicia-se a construção no local.
O Palácio setecentista dos Condes de Cantanhede, depois Marqueses de Marialva, onde brilhou a Nobreza de Portugal em sumptuosas festas, não era de grande beleza arquitectónica, mais valendo pelos pormenores e pelo recheio do que pela aparência.
Ficava na confluência da Rua Larga de São Roque (hoje Rua da Misericórdia) e da Rua Direita do Conde (hoje Rua do Alecrim), olhando para as Portas de Santa Catarina (actual Largo do Chiado). A fachada com portal nobre e três varandas rasgadas no primeiro andar, além de três frestas e uma trapeira. Os cunhais eram sólidos, três vezes brasonados o da esquina para a Rua Direita do Loreto.
Existiram neste local uns prédios modestos que após o Terramoto de 1755 os seus estragos eram tão consideráveis,que talvez por isso, os seus proprietários os abandonaram.
Aos escombros do Palácio e de mais umas casas pobres entretanto construídas, passou o povo a chamar os «CASEBRES DO LORETO». Só em 1859, mais de um século depois do sismo, se efectuou a limpeza do sítio e por edital do Governador Civil de Lisboa de 12 de Outubro de 1860, determinara que seriam deitados a baixo.
Estava assim criado um novo espaço com os contornos como hoje se apresenta.
Como dizia o Mestra Norberto de Araújo: «desafrontou-se então o que viria a ser o "CAMÕES", durante a obra até 1863».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES [II] - (A PRAÇA)»

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO [ II ]

«O LARGO DA ABEGOARIA ( 2 )»
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - ( 2014 ) - ( O "LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO" visto de Sul para Norte. O a loja com o toldo à direita é o antigo "REI DAS MEIAS")  in   GOOGLE EARTH
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - (2005)  - ("Álbum das Glórias" de Rafael Bordalo Pinheiro, edição comemorativa do centenário de sua morte 1905-2005)  in  OLX
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - (entre 1955 e 1970) Foto de Artur Pastor -  (O Largo Rafael Bordalo Pinheiro)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)    in   AML 
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - (1902) - (Estados dos corpos e das almas no presente Verão de 1902 - in "A Paródia" 1902 de R.B.P. - Legenda: À Sombra dos Imortais Princípios - As duas soberanias) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in   QUADROGIZ
Largo Rafael Bordalo Pinheiro - ( 1880 ) Litografia colorida  -  (LOPES TROVÃO do "ALBUM DAS GLÓRIAS" de Rafael Bordalo Pinheiro)  in    WIKIPÉDIA

(CONTINUAÇÃO)- LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO [ II ] 

«O LARGO DA ABEGOARIA ( 2 )»

Que existiu aqui uma "ABEGOARIA", existiu! Mas qual e onde? A possível extensão do vocabulário, de abrigo de bois e vacas, para abrigadoiro de gado cavalar e muar, poderia explicar a sinonímia atribuindo-a às cavalariças e oficinas  de SEGES cujos proprietários, em geral, faziam com a venda e compra de carros, o negócio das indispensáveis cavalgaduras. Porém está aqui a solução...  No ano de 1856 o "LARGO DA ABEGOARIA" tal como em 1776, era uma das praças destinadas para venda de hortaliças, pelo EDITAL de 24 de JULHO.
Em 1857 passou a ser «PRAÇA» das «SEGES» de aluguer, que até aí estacionavam na "RUA DO TESOURO VELHO" (actual Rua António Maria Cardoso). Outro EDITAL de 14 de Dezembro de 1863, confirmou a "PRAÇA", e o "LARGO" foi então, também destinado para a venda de leite.
Com o EDITAL de 11 de Março de 1867, voltou a manter a «PRAÇA», limitando-a, porém, só para seis trens, depois de ter estado, provisoriamente, no "LARGO DO PICADEIRO"(hoje na antiga freguesia dos MÁRTIRES), e para onde voltou.
Em 1869 regressa novamente para a «ABEGOARIA»; mudou-se a seguir para a "RUA DA HORTA SECA, tornou novamente para aqui, anichando-se seis trens em 1870 no lado Poente do LARGO e doze na "TRAVESSA NOVA DO CARMO" ( 1 ).  Depois acabou a «PRAÇA», acabaram os trens, acabou tudo, só ficou o "LARGO DA ABEGOARIA", ornado depois com uma placa central,  e a seguir, nem a «ABEGOARIA» ficou, passou para "LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO" em 1915.

Na esquina do antigo "LARGO DA ABEGOARIA" esquina com a "TRAVESSA DA TRINDADE" (antiga TRAVESSA DAS POSTAS DE SANTA CATARINA") existiu no século XIX, um salão de espectáculos, concertos e bailes, inaugurado em 26 de Dezembro de 1857. Chamava-se "O CAFÉ CONCERTO", de uma Empresa que se constituiu com o capital de 40 contos de réis, em acções de 50 mil réis.
Neste "CAFÉ CONCERTO" incluía-se um botequim como termo obrigatório da jornada "citérica" dos frequentadores. Numa das noites deu-se um desacato (referido por TINOP), na "LISBOA DE OUTROS TEMPOS" Volume 2.º, OS CAFÉS - páginas 266-267.
Duas mulheres (damas dessa época) ao tentar forçar a entrada, terão agredido o oficial da guarda e acabaram por serem presas. O "CAFÉ CONCERTO" não começava muito bem. No entanto iam-se realizando vários espectáculos, alguns com extraordinários artistas da época, como o actor "TABORDA".
Na época de 1864-65 realizaram-se aqui concertos, por uma orquestra francesa dirigida pelo maestro "EMÍLIO BUILLON" ( 2 ).


- ( 1 ) - ARCHIVO MUNICIPAL de 1863, pág. 1657; idem 1867, página 3052; Idem de 1869, pág. 5 ; Idem de 1869, pág. 385; Idem de 1870, pág. 545.

- ( 2 ) - "A CARTEIRA DO ARTISTA", de SOUSA BASTOS, pág. 43.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO [ III ] O LARGO DA ABEGOARIA E AS CONFERENCIAS DO CASINO LISBONENSE ( 1 )».

sábado, 31 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ X ]

 Largo do Carmo - (2001) Foto de Teresa Vale  (Fachada lateral esquerda (NO) do "PALÁCIO VALADARES" no LARGO DO CARMO)  in  SIPA
 Largo do Carmo - (2001) Foto de Teresa Vale  ( Vista geral da fachada posterior do PALÁCIO VALADARES) in  SIPA 
 Largo do Carmo - (2013) (Aspecto de uma sala do PALÁCIO VALADARES, depois da última intervenção de obras, no antigo "CLUBE DO CARMO de 1835")  in  NCREP
Largo do Carmo - (2013) - (Foto da última intervenção na cobertura  no PALÁCIO VALADARES, antiga ESCOLA SECUNDÁRIA VEIGA BEIRÃO, no LARGO DO CARMO)  in  NCREP

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO CARMO [ X ]

«O PALÁCIO VALADARES ( 3 )»

No PALÁCIO VALADARES numa parte do edifício instala-se uma fábrica de arame cujo proprietário é  JERÓNIMO PEREIRA DE LOUREIRO, aí permaneceu até 1817. No ano de 1819 o PALÁCIO é arrendado pelo seu proprietário a um grupo de clubistas, denominado "ASSEMBLEIA PORTUGUESA", que efectuaram obras de adaptação com vista à utilização de parte do edifício para festas e bailes. Em 28 de Dezembro de 1819 realiza-se o 1º baile do clube. A 13 de Maio de 1820, anos de D. JOÃO VI, realizou-se uma sessão de música clássica e dança e uma maravilhosa ceia ( 1 ).
A 20 de Janeiro de 1822 é dada uma festa neste clube, instalado no antigo PALÁCIO VALADARES que contou com a presença do rei D. JOÃO VI e dos infantes D. ISABEL MARIA, D. MIGUEL e D. SEBASTIÃO.
Em 28 de Novembro de 1826 estiveram presentes 400 convidados neste baile - entre os mais destacados - os oficiais ingleses BERESFORD e CASTELLANE. Três anos depois a ASSEMBLEIA PORTUGUESA muda-se para o PALÁCIO do "MANTEIGUEIRO" ali na RUA DA HORTA SECA ao CAMÕES, onde permaneceu até 1832. 
Em 1835 foi criada e instalada neste edifício do PALÁCIO o "CLUB LISBONENSE" também chamado pelo "CLUBE DO CARMO", realizando-se para o efeito nova campanha de obras.
No período de 1836 a 1850 residiram na sobreloja do PALÁCIO os primeiros CONDES DE PARATY (irmão e cunhado do 1º MARQUÊS DE TORRES NOVAS). De 1838 a 1842 celebraram-se neste Palácio boas festas com grande sucesso, como atestam as memórias do MARQUÊS DE FRONTEIRA, que era um dos Directores do "CLUB LISBONENSE".
No início de 1850 instala-se na sobreloja do Palácio um COLÉGIO FEMININO, do qual era directora D. EUSÉBIA GERTRUDES GUIMARÃES, aí permaneceu até 1869.
Em 1870 instala-se também na sobreloja o COLÉGIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO, que no ano seguinte passa a designar-se COLÉGIO MILHEIRO, sendo directora JOHANE STEPHAN. No ano de 1974 o colégio passa a chamar-se COLÉGIO ALEMÃO e permanece naquela parte do PALÁCIO até 1882.
Ainda no ano de 1880 extingue-se o CLUB LISBONENSE e o andar nobre do PALÁCIO é arrendado em 1881 à DIRECÇÃO GERAL DOS CORREIOS, TELÉGRAFOS e FARÓIS, que permaneceram neste local durante seis anos. Em 1888 todo o edifício é arrendado a JOÃO PEDRO TAVARES TRIGUEIROS (Director da COMPANHIA DOS CAMINHOS DE FERRO DO SUL E SUESTE) por quatro anos.
No início de 1892 funciona no antigo PALÁCIO VALADARES o LICEU NACIONAL (que tinha vindo do PALÁCIO DA REGALEIRA, a S. DOMINGOS), que passa a ser conhecido como LICEU DO CARMO, que depois de ter sido um liceu feminino, passou a chamar-se de ALMEIDA GARRETT, nome que se conservou até 1926.
Nesse ano, pensou-se que uma escola feminina devia ter o nome de uma mulher, tendo sido escolhida para "padrona" a escritora MARIA AMÁLIA VAZ DE CARVALHO. (Era tempo, porém, de nascer outro edifício de raiz, e num terreno da RUA RODRIGO DA FONSECA nasceu em 1932, aquela que seria durante longos anos, o mais conhecido liceu feminino da Capital, nascido no CARMO).
No ano de 1906 os descendentes do 9º CONDE DE VALADARES e da 4ª MARQUESA DE VAGOS (que tinham, pelo casamento, reunido as duas casas), efectuaram partilhas de bens, entre os quais se conta o PALÁCIO, que vai à praça, sendo adquirido por 41.300$00, pelo negociante BALTASAR RODRIGUES CASTANHEIRA (a carta de arrematação data de 10.01.1907).
Em Outubro de 1941 instala-se no imóvel a ESCOLA COMERCIAL VEIGA BEIRÃO. 
No início de 1950 o edifício era pertença dos três netos de BALTASAR R. CASTANHEIRA, Pedro, Rafael e Carlos Castanheira Viana, encontrava-se então maioritariamente ocupado pela ESCOLA VEIGA BEIRÃO, enquanto que numa das sobrelojas se instalara a JUNTA DE FREGUESIA DO SACRAMENTO e nas restantes lojas e sobrelojas alguns estabelecimentos comerciais.
Este PALÁCIO VALADARES que em meados do século XIX foi sede da ASSEMBLEIA PORTUGUESA, seguiu-se o CLUB LISBONENSE que se manteve longas décadas. Na última década do século XIX funcionou o LICEU NACIONAL que passou a ser conhecido como LICEU DO CARMO, que depois passou a chamar-se ALMEIDA GARRETT até 1926.
Chamou-se MARIA AMÁLIA VAZ DE CARVALHO até aproximadamente ao ano de 1932, seguiu-se a ESCOLA COMERCIAL VEIGA BEIRÃO e a última a ocupar este antigo palácio foi a ESCOLA E.B. 2. 3, FERNÃO LOPES, que em 2004 passou para a RUA DAS CHAGAS, 28.

( 1 ) - Gazeta de LISBOA, de 16 de Maio de 1820.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ XI ]-A CAPELA DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO(1)»

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

RUA DA HORTA SECA

Jardim do Palácio Condeixa já na posse do Ministério da Economia e Inovação século XXI