terça-feira, 13 de maio de 2008

PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA [ V ]

Praça Duque da Terceira - (194-) Foto antiga da colecção de E. Moitas in www.flickr.com/photos
Praça Duque da Terceira - (Post. 1928) foto de Judah Benoliel (Panorâmica do sítio dos Remolares) in AFML

Praça Duque da Terceira - (1892) Fotógrafo não identificado (A Praça e o Hotel Central à direita) in AFML


(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA
«OS ATERROS DO PORTO DE LISBOA»
Os prédios, sobretudo os das faces laterais, podem-se considerar os mais puros exemplos do edifício pombalino.
Com três andares, sendo o primeiro com janelas de sacada e o último quase ligado ao beirado dum telhado amplo, com janelas recuadas, os edifícios respeitam integralmente os planos aprovados pelo Marquês.
No eixo da ligação entre o porto e a cidade alta, e desfrutando na época de uma magnifica vista sobre a barra do Tejo, o «Largo dos Remolares» torna-se, a partir dos finais do século XVII, e sobretudo no século XIX, num dos lugares mais à moda na vida citadina lisboeta.

Na sua preocupação de aformoseamento das Praças e Largos lisboetas, a Câmara inaugura em 1877 a Estátua do Duque da Terceira e, a par do Rossio, o pavimento também recebe um calcetamento de elaborado desenho, hoje perdido.
Os progressivos aterros para a construção do Porto de Lisboa, nos finais do século XIX e princípios do século XX, diluem a pouco e pouco a situação privilegiada sobre as margens do Tejo de que a Praça desfrutava.
Nos terrenos conquistados ao Tejo, a construção do edifício da Administração do Porto de Lisboa, em 1906/7, e mais tarde a Estação de Caminhos de Ferro, vão anular, por outro lado, a antiga unidade estética do conjunto.
Embora com um projecto de inegável qualidade, assinado pelo arquitecto Pardal Monteiro, a Estação os edifícios em frente e a Avenida 24 de Julho retiram o carácter de privacidade e abertura ao Tejo de que a Praça gozava com o seu projecto pombalino.


(CONTINUA) - (Próximo - «O DUQUE DA TERCEIRA»


segunda-feira, 12 de maio de 2008

PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA [ IV ]

Praça Duque da Terceira - (2008) Foto de APS ( Á direita início da Rua do Alecrim, em frente a Rua dos Remolares)
Praça Duque da Terceira - (2005) Foto de APS ( A Praça na actualidade)

Praça Duque da Terceira - (2005) Foto de APS (Desnivelamento da Rua da Rua do Alecrim)

Praça Duque da Terceira - (2004) Foto de Dias dos Reis (Rua de São Paulo - Viaduto de desnivelamento para a Rua do Alecrim) in http://www.pbase.com//

Praça Duque da Terceira - (2003) Foto de Dias dos Reis (Rua Nova do Carvalho - Viaduto de desnivelamento para a Rua do Alecrim) in http://www.pbase.com/


(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA
«DESNIVELAMENTO DA RUA DO ALECRIM»
Após o terramoto as vivências do lugar não parecem modificar-se, o plano Pombalino constituiu-se como uma radical alteração ao traçado urbano anterior, com uma solução urbanística de crucial importância ao nível da cidade.
Até ao terramoto a Rua do Alecrim, que descia do Loreto e das Portas de Santa Catarina, terminava antes de chegar às margens do Tejo.
Impedia-lhe a continuação um morro escarpado que descia quase a pique na zona ribeirinha. O mesmo acontecia tanto a poente como a nascente da cidade, dificultando uma ampla ligação do porto com a "CIDADE ALTA".
O plano urbanístico Pombalino resolve a forte inclinação da vertente, prolongando a Rua do Alecrim numa espécie de ponte em dois grandes arcos sobre a Rua de S. Paulo e da Rua Nova do Carvalho.
A concretização do projecto mereceu especial atenção por parte do todo poderoso primeiro ministro, que encarregou o seu irmão Paulo de Carvalho e Meneses da administração das obras da Praça, a par de outras obras de primeira importância para a cidade, como os Paços do Concelho, Depósito Público e Cais da Ribeira.


Nesta política tanto o marquês como o seu irmão e ainda outros familiares, caso do Morgado de Oliveira, constroem a seu custo grandes edifícios na zona.O nome da Rua Nova do Carvalho é a memória toponímica do irmão do marquês que foi presidente do Senado da Câmara e Inquisidor-mor.
Rigorosamente no eixo da Rua do Alecrim, a Praça dos Remolares abre-se ao Tejo em forma de trapézio com dois grandes edifícios a contornarem a entrada, e outros dois a conformarem os lados. Embora relativamente de pequenas proporções, a Praça não deixa de ter uma forte unidade e claro valor urbanístico, que perdeu em parte com o aterro do Porto de Lisboa e a sua extensão sobre o Tejo.


(CONTINUA) (Próximo - OS ATERROS DO PORTO DE LISBOA)






domingo, 11 de maio de 2008

PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA [ III ]

Praça Duque da Terceira - (2008) Foto de APS (Estátua ao Duque da Terceira)
Praça Duque da Terceira, 16 e 17 - (Início do século XX) Foto de Joshua Benoliel (Restaurante Café ROYAL) in AFML
Praça Duque da Terceira - (1949) foto de Mário Novais (Antiga Praça dos Remolares) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Praça Duque da Terceira - (1913?) Fotógrafo não identificado (Estátua do Duque e Grand Hotel Central à direita) in A Capital

Praça Duque da Terceira - (19--) Fotógrafo não identificado (Vista para a zona Ribeirinha) in AFML



(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA
«ZONA PORTUÁRIA»
«CATA-QUE-FARÁS» e «REMOLARES» como local central da zona portuária lisboeta, era natural que fosse também o sítio privilegiado de Lisboa para as mais famosas hospedarias, casas de pasto e tabacarias. Já outro estrangeiro, agora francês, autor da Descrição de Lisboa em 1730, refere-se a Remolares escrevendo: « as boas hospedarias, quase todas francesas, inglesas e holandesas são caríssimas. Na melhor, que é francesa, situada à beira do Tejo, num pequeno largo chamado Remolares, levam 6 francos por dia».
O emaranhado de Ruas estreitas, juntas às margens do Tejo, lugar de marinheiros e gente das mais variadas nacionalidades e origens, era natural que o lugar fosse conhecido também por seus maus costumes.


Aqui as memórias são mais vagas e as referências subentendidas.
No século XVI Baltazar Teles fala de vários frequentadores do bairro de marinheiros, marítimos e outros. Quem seria os outros? Em 1668 o príncipe regente D. Pedro mandou tapar os becos da zona a fim de evitar que por ali se praticassem descaminhos de direitos. Já no século XIX a Câmara Municipal de Lisboa vê-se obrigada a tomar providências pois a falta de pudor transbordava a lugares de prestigio como o Terreiro do Paço, onde «mulheres das últimas classes pouco afeitas ao feio do pudor, e rapazes em completo estado de nudez, iam banhar-se em pleno dia no cais».


(CONTINUA) - (Próximo - O DESNIVELAMENTO DA RUA DO ALECRIM)

sábado, 10 de maio de 2008

PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA [ II ]

Praça Duque da Terceira - (1877) - Fotógrafo não identificado (Ano da inauguração da estátua - já mostra um pouco do aterro para a Avenida 24 de Julho) in AFML
Praça Duque da Terceira - (Post. 1873) Fotógrafo não identificado (Praça já com a estátua do Militar) in AFML

Praça Duque da Terceira - (1867) Fotógrafo não identificado ((Inicio do Aterro da Av. 24 de Julho, a Praça ainda sem a estátua mas arborizada e com calçada à portuguesa) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


Praça Duque da Terceira - (Início do século XX) Autor não identificado (Monumento ao Duque da Terceira)


(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA
«CATA-QUE-FARÁS»
O «BAIRRO DOS REMOLARES», cuja feição urbana remonta ao início do século XVI, era completamente diferente do que é hoje: um conjunto de estreitas ruas mais ou menos paralelas e orientadas perpendicularmente ao rio Tejo, entre o que foi o grande Palácio dos Corte Real e o Largo de S. Paulo.
Os quarteirões construídos na antiquíssima praia de «CATA-QUE-FARÁS», directamente sobre areais formados pelo assoreamento do Tejo, constituíam-se como um prolongamento do porto de Lisboa e da então recente Ribeira das Naus.
As propriedades da coroa que ficavam fora das muralhas da cidade são doadas por D. Manuel I a grandes armadores e comerciantes, muitas vezes estrangeiros, principalmente financiadores das suas expedições marítimas e suporte dum império que se alargava pelas "Áfricas", "Américas" e "Índias".


Bairro do século XVI, «CATA-QUE-FARÁS», tornou-se rapidamente num local privilegiado das gentes ligadas às fainas do mar e ao comércio Marítimo.
No livro de Lançamento (...) «da cidade de Lisboa de 1565 aqui vemos morarem, além de ricos comerciantes portugueses, italianos, flamengos, ingleses e franceses, capitães de naus, pilotos de carreira, a par de pequenos artífices e marinheiros».
No século XVI «CATA-QUE-FARÁS», ainda na primeira metade do século XVII «REMOLARES», «CAIS DO SODRÉ» depois do terramoto, «PRAÇA DO DUQUE DA TERCEIRA» entre 1845 e 1849. A zona será durante séculos, o lugar de quem chega e parte, o ponto de habitual reunião de estrangeiros e marítimos, maraus, moços de saco e outros, segundo o cronista Baltazar Teles.
Muito mais tarde, em 1862 um oficial inglês autor de uma descrição de Lisboa, escreve «o sítio do Cais do Sodré é um lugar de encontro ao fim da tarde dos mercadores de todas as nações, judeus, turcos e cristãos ali se vêm em chusma a falar de negócios».



(CONTINUA) - (Próximo - (Zona portuária)




sexta-feira, 9 de maio de 2008

PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA [ I ]

Praça Duque da Terceira - (século XIX) Fotógrafo não identificado ( O Rio próximo à Praça) in A Capital
Praça Duque da Terceira - (1888) Fotógrafo não identificado (Praça dos Remolares e Grand Hotel Central) in AFML

Praça Duque da Terceira - (187-) Fotógrafo não identificado (Relógio de Sol na Praça dos Remolares) in AFML


Praça Duque da Terceira - (Desenho de Nogueira da Silva - gravura de madeira de Coelho) (Praça dos Remolares) Foto de Eduardo Portugal(1944) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

A PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA pertence à freguesia de S. Paulo. Fica entre a Avenida 24 de Julho, Largo do Cais do Sodré, Rua do Alecrim, Rua Bernardino Costa, Rua do Cais do Sodré (hoje algumas vezes designada por Avenida da Ribeira das Naus) e Rua dos Remolares.


O Povo dá a toda aquela área entre a Praça Duque da Terceira e a beira Tejo, a denominação de Cais do Sodré.
Na realidade este sítio era chamado de «REMOLARES» e só em finais do século XIX é atribuído o nome a esta Praça depois de aterros ali efectuados.
Hoje podemos separar exactamente a «PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA» do «CAIS DO SODRÉ», porque como artéria ela é representada entre o Largo do Corpo Santo e termina na Praça Duque da Terceira.
Já nos referimos noutra altura ao «CAIS DO SODRÉ». hoje vamos ocupar-nos da área envolvente à Praça.
Em memória ao Duque da Terceira, que nas guerras liberais comandou as tropas constitucionais, tem uma estátua, obra do escultor José Simões de Almeida, sendo o risco da autoria de José António Gaspar, colocada no centro da Praça entre 1872 e 1877.
A seguir ao terramoto de 1755, a zona foi reconstruída com novo desenho urbano, os «SODRÉS» habitaram esta área largos anos num grande edifício pombalino do lado nascente da Praça, que na época era referenciada como a nova praça pombalina por «PRAÇA DOS REMOLARES».
Esta toponímia resulta directamente dum largo que tinha existido aí e que pela sua centralidade e importância no século XVII passou a referenciar também a área como Bairro dos Remolares.
A palavra «REMOLARES» está ligada à construção e reparo das Caravelas, na época dos Descobrimentos.
«REMOLARES» significara no século XVI os carpinteiros especializados na construção ou manufacturarão de apetrechos navais, designadamente de «remos».
Sabe-se que esta Praça foi empedrada em 1849, embora já houvesse ideia para aquele local desde o imediato pós-terramoto. Ao centro da pracinha existiu, até 1872, um «RELÓGIO DE SOL», assente sobre um pedestal. Chamava-lhe o eterno humorista lisboeta, «O MERIDIANO DOS REMOLARES», numa alusão à função do relógio e ao sítio vizinho dos Remolares, que ainda conserva o nome.

(CONTINUA)





quinta-feira, 8 de maio de 2008

PRAÇA DO PRÍNCIPE REAL [ VI ]

Praça do Príncipe Real, 26 - (2000) Fotógrafo não identificado (Palacete José Ribeiro da Cunha) in www.kwayneheil.com
Praça do Príncipe Real, 21-23 - (1965) Foto de Armando Serôdio (Palacete dos Anjos no lado nascente da Praça) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Praça do Príncipe Real - (1960) Foto de Arnaldo Madureira (Palacete dos Anjos ) in AFML




(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DO PRÍNCIPE REAL
«PALÁCIOS CIRCUNDANTES»
Em redor do Largo alinham-se Palacetes da segunda metade oitocentista. Erigidos por brasileiros ricos e nobres, alguns animaram famosos salões da monarquia constitucional e da República. No tempo acolheram empresas variadas e organismos oficiais.
Entra a Rua da Escola Politécnica e a D. Pedro V erguem-se prédios construídos para arrendamento alguns da primeira metade de oitocentos, enobrecidos por alguns Palacetes.
«PALACETE RIBEIRO DA CUNHA»
O Palacete com o número 26 da Praça do Príncipe Real, fazendo esquina para a Calçada do Patriarcal, tem projecto assinado pelo Arquitecto «HENRIQUE CARLOS AFONSO» e deu entrada na Câmara Municipal no ano de 1877.
O seu proprietário «RIBEIRO DA CUNHA» prospero negociante de tabaco, escolheu para o seu palacete um estilo neo-árabe, devendo-se mais à cenografia do que à arquitectura tradicional portuguesa daquela época.
Como nota curiosa, transcrevemos um registo publicado em 1913 na revista «Ocidente» que nos relata: «este edifício era uma cópia ou imitada de um edifício de «MANAUS» (Brasil), o que terá verosimilhança na origem brasileira dos capitais do construtor»
Mais tarde o Palacete é vendido a outro grande e famoso capitalista lisboeta, «ERNESTO SEIXAS» (o dito "SEIXAS DO ROSSIO"), que volta a fazer obras, mas de pouca relevância. As obras de Ernesto concentram-se mais no Jardim e Estufa em 1912, e um pavilhão para carruagens em 1916.
O edifício conhece outro dono, outro capitalista de fortuna Colonial «MANUEL CAROÇO», e pelo casamento de sua filha, vai parar à posse do médico «LOPO DE CARVALHO».
Sem mostrar grandes alterações, o Palacete «RIBEIRO DA CUNHA», chega até nós como Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, permanecendo o último andar habitado pelos seus proprietários.
Depois de vários anos fechado, consta-se que vai ali nascer um Hotel de luxo.


«PALACETE DOS ANJOS»
Este Palacete situado também na Praça do Príncipe Real no número, 21 a 23 com aspecto bastante sólido, encontra-se já próximo da entrada da Rua da Escola Politécnica.
O capitalista bem sucedido, «POLICARPO FERREIRA DOS ANJOS», foi o seu primeiro proprietário.
As obras de construção foram dirigidas por «G. CINATTI», é de salientar que foi mais sobre o interior que este arquitecto decorador, terá dedicado a sua intervenção.
Data de 1762 que esta casa é referenciada na documentação de «CASA-NOBRE» e no primeiro livro da Décima afirma habitada por um tenente-General «MANUEL GOMES DE CARVALHO E SILVA».
Em 1818, habitavam a casa os Marqueses de Penalva «D. FERNANDO TELES DA SILVA e D. EUGÉNIA DE AGUILAR».
Entre os anos de 1912 e 1917 foi «LEGAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS», e depois sede da «ESCOLA SUPERIOR COLONIAL» (depois INSTITUTO) e, finalmente, uma dependência do «BANCO DE PORTUGAL».


BIBLIOGRAFIA
Dicionário da História de Lisboa - Direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena.
França, José-Augusto - A Sétima Colina-Lisboa-1994;Lisboa Pombalina e o Iluminismo-Lisboa-1987 e Monte Olivete - Minha Aldeia-Lisboa-2001.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

PRAÇA DO PRÍNCIPE REAL [ V ]

Praça do Príncipe Real - (s/d) Fotógrafo não identificado (D. Pedro V - o príncipe Real que deu o nome a este Largo) in democracia-real.blogspot.com
Praça do Príncipe Real - (ant. 1895) Foto de Francesco Rochini ( Praça na parte Sul) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
Praça do Príncipe Real - (Actual) Fotógrafo não identificado (Praça e Jardim visto de cima) in http://luminescencias.blogspot.com/


Praça do Príncipe Real - (Início do século XX) Fotógrafo não identificado (Jardim e Cedro) in A Capital (Lisboa de outros tempos)


(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DO PRÍNCIPE REAL
«A PRAÇA, JARDIM E O CEDRO)
Em meados do século XIX ali se fazia o mercado dos porcos e entre 1856 e 1868 abrigou a antiga feira das Amoreiras.
O Governo resolveu limpar o terreno e entregá-lo definitivamente à Câmara, incumbindo-a de concretizar uma nova Praça.
Em finais dos anos 60 começou o alinhamento da praça: primeiro uns bancos e, finalmente em 1869, por iniciativa do vereador Dr. Luís de Almeida e Albuquerque (antigo Director do "Jornal do Comércio e das Colónias), com a implantação de "estilo Inglês", obra do jardineiro João Francisco da Silva, estava criado o jardim.
Em breve começava a ser plantado e era dado ao espaço o nome de Príncipe Real, homenageando o filho mais velho de D.Maria II e de D. Fernando de Sax-Caburgo-Gota o príncipe real D.Pedro, depois Rei D. Pedro V de Portugal que, curiosamente, tem dois topónimos contíguos que lhe são dedicados: esta Praça e a Rua com o seu nome que segue para S. Pedro de Alcântara.
A República modificou, obviamente a designação: entre 1910 e 1949 a Praça do Príncipe Real chamou-se «PRAÇA DO RIO DE JANEIRO». Tudo voltou ao que tinha sido, com a mudança do nome da «Cidade Maravilhosa» para a Avenida, na freguesia de S. João de Brito (Avenidas Novas).
Na Praça foi implantado um pequeno jardim em homenagem a França Borges, ilustre jornalista Republicano, fundador do jornal «O MUNDO», (jornal que também teve uma rua - actual Rua da Misericórdia) este monumento-memória é obra de Maximiano Alves.
«O CEDRO»
O jardim é hoje convidativo. O seu «ex-libris» é sem dúvida a magnifica árvore que está logo à entrada «O CEDRO», com um diâmetro mais ou menos de 20 metros fica no lado da Rua D. Pedro V. Os seus ramos deram sombra a gerações e sob ele se formaram tertúlias e nasceram iniciativas.
O outro emblema do Jardim é o conjunto formado pelo belo lago e pelo reservatório de água que lhe fica anexo. Construído entre 1860 e 1864, faz hoje parte do «MUSEU DA ÁGUA» da EPAL, e nele se tem realizado diversas actividades culturais.
(CONTINUA) - (Próximo - «PALACETES CIRCUNDANTES»