sábado, 6 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ VII ]

Rua de Xabregas - (2009) - Foto de Dias dos Reis (Convento de S. Francisco de Xabregas) in DIAS DOS REIS
Rua de Xabregas - (2009) - (LEGENDA: - A - Antigo Convento de São Francisco - B - Palácio de OLHÃO - C - Antiga fábrica de Fiação e Tecidos (vulgo) Fábrica das Varandas) in WIKIMAPIA

Rua de Xabregas - (1998 ?) - Fotógrafo não identificado - (Convento de Santa Maria de Jesus, Convento de S. Francisco, Convento de Xabregas, Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, Companhia dos Tabacos Lisbonense, Companhia dos Tabacos de Portugal, Companhia Portuguesa de Tabacos e em 1980 é instalada a Companhia do Teatro Ibérico). in FACULDADE DE ARQUITECTURA DA UTL


Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (Rua de Xabregas no lado direito o antigo Convento de S. Francisco, ao fundo o Viaduto de Xabregas e o "Edifício Concorde" implantado no "Baluarte de Santa Apolónia") ARQUIVO/APS.



Rua de Xabregas, 52 a 60 - ( 1970?) Foto de João H. Goulart (Antigo Convento de S. Francisco na Rua de Xabregas, hoje uma dependência da MEDIATECA de FORMAÇÃO PROFISSIONAL) in AFML.
(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ VII ]
«CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS (2)»
Foi desde sempre o «CONVENTO DE XABREGAS» lugar escolhido por gente ilustre para sepultura. Logo a Condessa de «ATOUGUIA» fundadora deste Convento, reservou para si e seus descendentes a capela-mor.
Ali repousavam, pois, tanto o Vice-Rei da Índia, «D. LUÍS DE ATAÍDE», Conde de Atouguia como a Condessa «D. FILIPA DE VILHENA», figura mítica da Restauração.
Outro ilustre sepultado foi «TRISTÃO DA CUNHA», o da Embaixada ao Papa, e vizinho nas suas casas de Xabregas (Palácio Olhão). E muitos outros aqui jazeram, entre eles «D. JOÃO GALVÃO» Arcebispo de Braga e seu irmão «DUARTE GALVÃO», cronista-mor e o primeiro embaixador a «PRESTE JOÃO».
Nada ficou de tanto trabalho e tanta canseira. As velhas paredes de «D. Guiomar», readornadas pelas gerações sucessivas, ruíram como um castelo de cartas com o terramoto de 1755. Mas os frades não esmoreceram e a casa renasceu das cinzas muito maior e imponente. Alargaram-na, viraram a Nova Igreja ao rio e ladearam-na de dois vastos corpos simétricos.
Inicia-se a sua reconstrução no ano de 1766 por determinação do «MARQUÊS DE POMBAL».
Na sequência da extinção das «ORDENS RELIGIOSAS» em 1834, a Igreja é profanada e por isso, são instaladas nas dependências conventuais algumas Corporações do Exército. Designadamente: O «REGIMENTO DE INFANTARIA Nº1», o «BATALHÃO NAVAL DE ARTÍFICES ENGENHEIROS», que em 1839 é transferido para «ALCÂNTARA».
No ano de 1838 são arrendadas estas dependências do Convento à «COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS LISBONENSE» (foi a primeira fábrica a instalar-se neste espaço).
Um violento incêndio em 12 de Janeiro de 1844 destroi grande parte do antigo Convento salvando-se a Igreja. Reconstruído o Convento no ano seguinte e por ordem Governamental, em 1845 é instalada a «COMPANHIA DOS TABACOS LISBONENSE».
Em 1891 o edifício passa a ser propriedade da «COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL».
"Em 1917 a maior empresa da Industria transformadora portuguesa era a «COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL», empregando 3 316 trabalhadores e explorando 4 fábricas em duas cidades diferentes. Também por essa altura, eram menos de 10 as empresas com uma população operária superior a mil trabalhadores"(1)
No ano de 1927 passou a chamar-se «COMPANHIA PORTUGUESA DE TABACOS» que laborou até finais dos anos 50 do século XX.
Realizaram-se obras nos anos de 1929 e 1932 dando continuidade ao processo de transformação do primitivo edifício numa unidade Industrial.
A actual fisionomia do edifício resulta do restauro integral sofrido pós-terramoto de 1755, caracterizando-se por uma fachada rectangular, de grandes dimensões, com Igreja ao centro. A fachada da Igreja é marcada por elegante trabalho de cantaria e rematado por um frontão contra curvado apresentando as armas reais.
Em 1980 na Igreja do antigo Convento (Nº 54) foi instalada a «COMPANHIA DO TEATRO IBÉRICO», que comemora este ano trinta anos de existência.
Presentemente encontra-se ali a funcionar neste antigo Convento no número 52, sob a alçada do «MINISTÉRIO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE SOCIAL» o «IEFP-INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL»
(1) - (Pedro Neves - ISEG/UTL) (Propriedade e Gestão nas grandes Empresas num pequeno país: Portugal, 1850-1917) - Comunicação apresentada no XXII Encontro da Associação Portuguesa de História Economia e Social em Aveiro, 15 e 16 de Novembro de 2002).
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ VIII ] - O FRADINHO DE XABREGAS».

10 comentários:

Presépio no Canal disse...

Caro APS,

Obrigada pelos mails que me enviou. Gostei muito, sobretudo do mapa etno-musical. :-)
Gostei muito deste post :-) Na zona de Xabregas, gosto muito da Igreja da Madre de Deus e do Convento (aquela cozinha...) onde funciona o Museu do Azulejo.

Bom fds:-)

Ricardo Moreira disse...

Aquele "Edifício Concorde" é, de facto, de uma "beleza" indiscritível e só ultrapassada pela do "Edifício Triângulo Dourado" (ou "Triângulo de Ouro"?) que deverá estar quase a aparecer nesta História da Rua de Xabregas!
A foto que está datada de 2006 é, com toda a certeza, anterior a 1998, ano em que a Rua de Xabregas foi reconstruída, sendo então desmantelada a linha do eléctrico.

APS disse...

Caro Ricardo Moreira

É natural e compreensível que depois de tanta pesquisa e trabalho, alguma coisa corra menos bem.

Do "Edifício Triângulo Dourado" ou "Triângulo de Ouro" nem arrisco falar dele. Mas vou escrever sim da "FÁBRICA DAS VARANDAS" que existiu no mesmo local.
Um abraço
APS

APS disse...

Cara Amiga (Presépio no Canal)

É sempre um prazer te-la como visita!
Não tem que agradecer os "mails". Por vezes são tão bonitos que tenho necessidade que outros os vejam, antes de serem apagados.

Ainda não falei da Igreja da Madre de Deus e do Museu do Azulejo, mas prometo que o farei. Quando terminar a Rua de Xabregas vamos viajar para outras paragens.

Cumprimentos
APS

BETA disse...

Está excelente este blog! ;)

APS disse...

Cara Beta

Bem-vinda a este Blogue e muito agradecido pelas suas palavras.

Cumpts
APS

Anónimo disse...

APS, como posso aceder ao seu email, gostaria de o conctactar. Estou a desenvolver a Tese sobre Lisboa e gostaria de o contacta-lo. Onde está disponível o seu e-mail. Obrigada, I.B.

APS disse...

Cara I.B.
Penso que não vai ser difícil.
Deve abrir o blogue e seguir até ao final do mesmo. Ali encontrará -ACERCA DE MIM (com foto do autor) deve clicar no - MEU PERFIL COMPLETO- vai aparecer a página onde se encontra colocado o e-mail e outras informações.
Despeço-me com amizade
APS

Lisete disse...

Caro APS, foi com muito agrado que descobri o seu blog. Nasci em Ajuda em 1955, mas a partir dos 5 anos fui viver para Xabregas. O meu falecido pai foi trabalhar para a Casa Pia como canalizador e como tal, tinhamos direito a habitação no Páteo do Azilo D. Maria Pia, no Largo Marquez de Niza. Depois da reforma fomos viver para a Vila Flamiano e por lá fiquei até casar (a mãe e irmãos solteiros ainda lá vivem). Foi por acaso que aqui vim parar, e nem imagina a satisfação que senti por poder ficar a saber de tantas coisas que desconhecia sobre Xabregas. Fiquei muito, muito feliz e vou enviar o link para o meu irmão poder ler, pois tenho a certeza que ele vai apreciar imenso. Parabéns por este trabalho fantástico. Vou acompanhar o seu blog. Abraço

APS disse...

Cara Lisete

Em primeiro lugar quero agradecer as gentis palavras que teve para com este Blogue.
Gostei de saber que viveu no "meu sítio", do qual tenho bastantes recordações.
A sua permanência começou em 1955, eu sai no ano de 1957 inicialmente com rumo a PAÇO DE ARCOS.
Meus pais ficaram em Xabregas, minha mãe faleceu em 1984 e meu pai em 1992, depois dessa data já os laços familiares não estavam presentes no sítio, mas sim a afectividade da minha juventude e amizades antigas que se vão dissipando no tempo. Sempre que vou ao Cemitério do Alto de São João, procuro passar pelo meu antigo sítio.
Gostaria de lhe enumerar algumas pessoas que comigo conviveram, mas não o faço aqui publicamente pois acho que merecem a sua privacidade. Se tiver um MAIL, pode comunicar comigo através do Blogue na indicação "ACERCA DE MIM" e encontra no final da última página do Blogue com a palavra E-MAIL (é só clicar).

A minha primeira publicação sobre RUAS DE LISBOA (retirando as introduções) foi efectivamente o «LARGO MARQUÊS DE NISA" em 04 de Janeiro de 2008, e existe lá uma pequena referência ao (PÁTIO DO ASILO). Quanto à "VILA FLAMIANO" tenho muita coisa já preparada, mas ainda não arranjei espaço, talvez para 2015.
Já escrevi sobre: Av. AFONSO III 05.01.2008 - CALÇADA DA CRUZ DA PEDRA(15 publicações) de 11.03.2009 a 21.04.2009 - RUA GUALDIM PAIS (8 publicações) de 24.04.2009 a 17.05.2009 - RUA DE XABREGAS (19 publicações) de 13.02.2010 a 17.04.2010 - CALÇADA DAS LAJES (9 publicações) de 07.07.2011 a 10.08.2011 - RUA DO AÇÚCAR (27 publicações) de 08.05.2013 a 07.08.2013 - ALAMEDA D. AFONSO HENRIQUES (9 publicações) de 09.11.2013 a 07.12.2013 - RUA DO GRILO (20 publicações) de 08.01.2014 a 15.03.2014 - para o próximo ano está previsto (12 publicações) da RUA DO BEATO.
Da sua freguesia de nascimento ou seja "FREGUESIA DA AJUDA" ainda só publiquei a RUA ALIANÇA OPERÁRIA.
Espero que volte a contactar-me com mais notícias do sítio das minhas "RAÍZES", que se vai transformando ano a ano e começa a estar na moda (como no século XIX) ir ao BEATO passear.
Aproveito para lhe desejar um SANTO e FELIZ NATAL, um bom ANO NOVO, extensivo a toda a sua família.
Cumprimentos
APS-Agostinho Paiva Sobreira

PS- Tinha uma 2.ª ou 3.ª prima chamada «ADELINA» (a sua mãe talvez conheça)(também era conhecida pela cinquenta) morava no prédio antes da Taberna do "MORENO" igualmente demolido, só resta o prédio da "FERNANDA" onde antigamente existia um arco com passagem para o "BECO DA HORTA DAS CANAS".