sábado, 29 de novembro de 2014

RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO [ I ]

«A RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO ( 1 )»
 Rua Luís Pastor de Macedo - ( 2014) (A "RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO" inserida na urbanização dos terrenos da antiga "Tobis Portuguesa")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Luís Pastor de Macedo - ( 2007 ) - (Vista Panorâmica da "QUINTA DAS CONCHAS" e a urbanização dos terrenos da "TOBIS PORTUGUESA", onde se insere a "RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO") in GOOGLE EARTH
 Rua Luís Pastor de Macedo - ( 2014 ) - (A RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO" no sentido Nascente, vendo-se no seu lado esquerdo o Estúdio da antiga "TOBIS PORTUGUESA") in GOOGLE EARTH
Rua Luís Pastor de Macedo - (2014) - (Entrada Norte para a "RUA LUÍS DE MACEDO", vindo da "RUA SILVA TAVARES") in GOOGLE EARTH

RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO [ I ]

«A RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO ( 1 )»

A «RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO» pertence *a freguesia do «LUMIAR». Tem início na "RUA SILVA TAVARES" existindo também uma Entrada/Saída pela "AVENIDA MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA" e finaliza novamente na "RUA SILVA TAVARES". Tem no seu lado esquerdo a "RUA TOBIS PORTUGUESA" que lhe é convergente.

Em reunião numa das salas dos Paços do Concelho foi registado na Acta Nº.105 de 26 de Janeiro de 1972 ( 1 ), o pedido feito por Sua Exª. o Presidente sobre a consagração do nome de "LUÍS PASTOR DE MACEDO" na Toponímia de Lisboa. A Comissão foi de parecer que a "RUA-A" do plano de urbanização dos terrenos da TOBIS PORTUGUESA, na QUINTA DAS CONCHAS, incluindo o troço da "RUA-B" que lhe fica paralelo, se denomine - RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO - OLISIPÓGRAFO- (1901-1971).

"LUÍS PASTOR DE MACEDO" nasceu na antiga freguesia da "MADALENA" hoje "SANTA MARIA MAIOR" a 23 de Fevereiro de 1901 e faleceu em 13 de Novembro de 1971.
PASTOR DE MACEDO, de ascendência espanhola, pertencia a uma família de comerciantes. Aliás, a conhecida e velha "CASA DOS PANOS", da "RUA DOS FANQUEIROS", provavelmente continua na posse de familiares seus.
Não foi a comerciar que veio a distinguir-se: desde muito cedo se dedicou a saber quanto pudesse sobre a sua cidade. Ia anotando todos os seus estudos as suas leituras e investigações em pequenos rectângulos de papel, que cortava à medida, aproveitando cadernos, papel almaço, cartolinas, sobretudo folhas quadriculadas, que serviam possivelmente para as contas.
Eram as suas fichas e encheu, durante a vida, muitos milhares delas. De certa forma, este ficheiro foi a obra da sua existência. Afinal, foi destes apontamentos, tirados em todas as circunstâncias, recolhidas na mais vetusta biblioteca ou na pressa de uma anotação obtida em plena rua, que proveio não só a obra vasta que nos deixou, como muitos trabalhos feitos por outros, especialmente sobre a TOPONÍMIA DE LISBOA.
O ficheiro existe: cuidadosamente conservado por familiares do Olisipógrafo, veio a ser entregue ao GABINETE DE ESTUDOS OLISIPONENSES, onde está praticamente quase todo informatizado.
O contacto com milhares de verbetes - enchem as gavetas de dois móveis amplos - é impressionante, quase comovente; o número e a qualidade das informações recolhidas pelo Mestre, é revelador de uma curiosidade insaciável, ligada a um amor muito grande.
O resultado desse trabalho de uma vida ficou expressa em livros e escritos dispersos; salientem-se os estudos sobre a "RUA DAS PEDRAS NEGRAS", o antigo "TERREIRO DO TRIGO", a "BAIXA POMBALINA", a "RUA DAS CANASTRAS", a primeira "RUA DA IMPRENSA", a "IGREJA DA MADALENA", a casa onde nasceu o jornalista e estadista "ANTÓNIO ENES".

( 1 ) - ACTAS - 1943/1974 - COMISSÃO MUNICIPAL DE TOPONÍMIA DE LISBOA - CML - 2000 - LISBOA.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO [ II ]A RUA PASTOR DE MACEDO ( 2 )».

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

CURIOSIDADES SOBRE A "BICA-CAFÉ"

A BICA-CAFÉ
Curiosidades sobre a BICA - (século XX) (Quando apareceu a primeira máquina expresso em Portugal, as pessoas não estavam habituadas ao sabor forte e amargo do café...)    in   DOM TACHO RESTAURANTE

 Curiosidades sobre a BICA - (1908) ( Na "BRASILEIRA" no CHIADO tomava-se café servido à mesa numas cafeteiras pequenas cujo conteúdo era retirado da máquina de café de saco que possuía umas torneiras)   in  CAFÉ MUSEU

Curiosidades sobre a BICA - (1911)  (Rua Garrett, 120 e 122)   Foto de Joshua Benoiel   ("A BRASILEIRA" no CHIADO, casa especializada no café do BRASIL) in   AML 

Curiosidades sobre a BICA - (1979) ( Rua Garrett, 120 e 122-LISBOA) Foto de Neves Águas (A porta de "A BRASILEIRA" no CHIADO com seu aspecto de arte "DECO")  in  AML

«CURIOSIDADES SOBRE A BICA-CAFÉ»

Possivelmente a origem da palavra "BICA" resultará da própria palavra "BICA", em português, é o tubo de saída da água de uma fonte.

Como a Máquina Expresso tem o manípulo de saída do café em forma de uma ou duas "BICAS", ao contrário da "MÁQUINA" de saco ou filtro que possuía apenas torneiras. Em LISBOA, nos melhores cafés, tinham "CAFÉ DE FILTRO" (da torneira), e "CAFÉ EXPRESSO" (da BICA), e assim ficou o termo até hoje.

Uma outra explicação para a designação da "BICA" encontrada no Blogue "MOURA MORTA" da região de COIMBRA, designadamente de VILA NOVA DE POIARES.
"Como sabem o termo "BICA" é um termo que se começou a usar em COIMBRA (zona centro do país) quando o café "A BRASILEIRA" vendeu os primeiros "expressos". Em LISBOA, o público achava esses "expressos" muito amargos. Daí que o pessoal de "A BRASILEIRA" inventou um "SLOGAN" para ajudar nas vendas. "BEBA ISTO COM AÇÚCAR". E pegou. Hoje a palavra foi reduzida às iniciais: "BICA" que ainda hoje o é em COIMBRA. Afinal a "BICA" tem uma razão forte de existir!" (LUÍS FILIPE SANTOS).

No início do século XX o café na "A BRASILEIRA" no CHIADO era servido numa cafeteira grande com cabo de madeira. Como podemos deduzir quando chegava ao último cliente a ser servido o café já estaria frio.
Um cliente ( que habitualmente tratava sempre por "tu" os criados) dizia: "ó ALBINO, vai mas é à "BICA" ( 1 ).  Assim ficou generalizado o termo "BICA".
"BICA" - Nome generalizado em LISBOA e COIMBRA termo que no PORTO, poderá não ser entendido.

- ( 1 ) -voltar a encher a cafeteira na torneira do recipiente onde era feito o café.

Também existem muitos termos para diversos procedimentos das "BICAS", conforme o gosto de cada cliente.

- Uma Bica cheia
- Uma Bica com cheirinho
- Uma Bica curta
- Uma Bica curta em chávena escaldada
- Uma Bica dupla
- Uma Bica italiana
- Uma Bica normal
- Uma Bica normal em chávena não aquecida
- Uma Bica pingada

E eventualmente existirá mais alguma "identificação" que de momento não me ocorre.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Em 19 de Novembro de 1905 a "A BRASILEIRA" no CHIADO, LISBOA, abriu as suas portas ao público, vendendo o genuíno café em grão do BRASIL de MINAS GERAIS, moído à vista do cliente. O seu fundador ADRIANO TELES, vivera durante vários anos no BRASIL, mantendo excelentes contactos que lhe permitiam importar café e outros produtos regularmente. Três anos mais tarde, o sucesso do estabelecimento levou a que se construísse uma "SALA DE CAFÉ". novidade na época e que rapidamente se generalizou, tornando o local obrigatório para a elite lisboeta.

(PRÓXIMO)«RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO [ I ]-A RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO ( 1 )»

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

LARGO DO LIMOEIRO [ III ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 3 )»
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (2006) Foto de APS ( Entrada em túnel para o "PÁTIO DO CARRASCO"   in   ARQUIVO/APS
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (Depois de 2006) (O "PÁTIO DO CARRASCO" um dos seus pitorescos pormenores) (Abre em tamanho grande) in  APONTAMENTOS DE LISBOA
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco -( 2011) ( Placa Toponímica do "PÁTIO DO CARRASCO" em LISBOA) in  ONTEM, EU REPARAVA NO SORRISO DAS VACAS
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (1883) (Uma edição do livro "O ÚLTIMO CARRASCO-LUÍS NEGRO" de LEITE BASTOS)  in  LIVREIRO MONASTICON
Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (1883) (Livro com o título "O ÚLTIMO CARRASCO" "LUIZ NEGRO" de LEITE BASTOS, editada na antiga  oficina Literária na Rua Nova do Almada em LISBOA)  in   PEDRO ALMEIDA VIEIRA


(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO LIMOEIRO [ III ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 3 )»

Numa quarta feira do dia 20 de Agosto de 1873 o "DIÁRIO DE NOTÍCIAS" anunciava na sua primeira página a morte de LUÍS ALVES. Tinha 67 anos e faleceu na CADEIA DO LIMOEIRO -  «"era entre nós o último representante d'esses desgraçados, cuja perversidade e destino fatídico, a sociedade aproveita como instrumento da sua fria e calculada vindicta"» e remata o artigo do jornal. "LUÍS NEGRO" era o nome, "terrivelmente adjectivado, do último Carrasco legal ( 1 )", que marca os derradeiros suspiros da pena de morte em PORTUGAL.
 Negritude manchada, quer do exercício da profissão ou ainda supostamente ligada ao seu «GABÃO PRETO», que insistentemente usava. 
Cento e quarenta e sete anos sobre a data da abolição da pena de morte em PORTUGAL (Lei de 1 de Julho de 1867) representam um pioneirismo incomparável na saga história da luta pelos "DIREITOS HUMANOS". Orgulho português que se deve prioritariamente a um conjunto de deputados oitocentistas verdadeiramente iluminados.
Controversas à parte, certo é que ainda hoje restam marcas da presença do "CARRASCO". Em LISBOA , e imediatamente à frente do "LARGO DO LIMOEIRO", junto à antiga "CADEIA DO LIMOEIRO", encontramos o «PÁTIO DO CARRASCO» estranhamente funesto e degradado.
Para a fama de "LUÍS ALVES", o "NEGRO", "sinistro" funcionário do MINISTÉRIO PÚBLICO, muito terá contribuído o facto do "VISCONDE DE OUGUELA" (CARLOS RAMINHO COUTINHO) o ter entrevistado na prisão do LIMOEIRO e LEITE BASTOS ter escrito um romance histórico e biográfico sobre tal personagem com o título "O ÚLTIMO CARRASCO" e ainda ser referenciado por CAMILO CASTELO BRANCO em "NOITES DE INSÓNIAS".

«JOÃO FERNANDES ANDEIRO» (CONDE DE ANDEIRO), era um fidalgo galego natural de "ANDEIRO" na CORUNHA, que D. FERNANDO, que ambicionava o trono de CASTELA, e invadir a GALIZA, aproveitando as lutas que se seguiram ao assassínio de D. PEDRO I (1369) por um meio-irmão, HENRIQUE, o "BASTARDO".
O "ANDEIRO" refugiou-se em INGLATERRA e o DUQUE DE LENCASTRE, que também pretendia o trono de CASTELA, enviou-o secretamente a PORTUGAL para negociar uma aliança. É então que o fidalgo se apaixona por D. LEONOR TELES, e segundo "FERNÃO LOPES", "foi esta afeição em ambos muito forte". D. FERNANDO cumula-o de riquezas e fá-lo CONDE DE OURÉM.
Morto o REI, o escândalo dos amores da regente do reino e o grave problema da sucessão, acumularam ódios; ANDEIRO é assassinado no «PAÇO DO LIMOEIRO" por D. JOÃO, MESTRE DE AVIS, satisfazendo assim a vontade de alguns nobres e de todo o povo, que viam na real mancebia uma afronta para o rei, e um perigo para a NAÇÃO

- ( 1 ) - CAMILO CASTELO BRANCO in NOITES DE INSÓNIAS

(Para ver mais fotos do "Pátio do Carrasco" pode consultar este blogue amigo:MÁRIO MARZAGÃO ALFACINHA)

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto -Peregrinações em Lisboa-Livro II Ed. VEGA, com o patrocínio da Fundação Cidade de Lisboa - 1992 - LISBOA.
- BASTOS, Francisco Leite - O ÚLTIMO CARRASCO - 1883 - Lisboa
- CASTELO BRANCO, Camilo - NOITES DE INSÓNIA, Liv. Chardron de Lello & Irmãos- PORTO - 1929.
- Dicionário Ilustrado da História de Portugal - Editado por Publicações Alfa - 1986-Impresso em ESTELLA (NAVARRA)-ESPANHA.
- ELEUTÉRIO, Victor L. - O Último Carrasco em Portugal, s.d. (pp. soltas)
- MACEDO, Luís Pastor de - LISBOA DE LÉS A LÉS- Pub. Culturais de CML-Vol. II 2ª. Ed. 1960 - LISBOA.
- MACHADO , Júlio M. - Crónica da Vila Velha de Chaves, Gráfica do Tâmega, CHAVES-1994.
-OUGUELLA, Visconde - O Último Carrasco - Liv. de Antº. Maria Pereira - Lisboa -1897.
- SANTOS, Mª. José M. - A Sombra e a Luz - As prisões do Liberalismo - Edições Afrontamento, PORTO - 1999.

INTERNET
- MÁRIO MARZAGÃO ALFACINHA
- PÁTIO DO CARRASCO
- WIKIPÉDIA 

(PRÓXIMO)«RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO [ I ]-A RUA LUÍS PASTOR DE MACEDO(1)»

sábado, 22 de novembro de 2014

LARGO DO LIMOEIRO [ II ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 2 )»
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (2006) Foto de APS  (O interior do "PÁTIO DO CARRASCO" no ano do Mundial de Futebol, numa tarde de Sol)  in  ARQUIVO/APS
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (1968) Foto de Armando Serôdio (O "PÁTIO DO CARRASCO", uma vista do seu interior) (Abre em tamanho grande)  in  AML
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (Finais do século XIX) (Desenho de Roque Gameiro) (O "PÁTIO DO CARRASCO" desenho do mestre "ROQUE GAMEIRO" estampa Nº 63) in  JCABRAL
Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (s.d.) Foto de Eduardo Portugal (O interior do "PÁTIO DO CARRASCO" vista pelo fotografo Eduardo Portugal) ( Abre em tamanho grande) in  AML

(CONTINUA) - LARGO DO LIMOEIRO [ II ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 2 )»

Possivelmente o "ÚLTIMO CARRASCO PORTUGUÊS" nasceu na freguesia de "CAPELUDOS", CONCELHO de VILA POUCA DE AGUIAR, e DISTRITO de VILA REAL.
"LUÍS NEGRO" levou uma vida atribulada, cheia de equívocos e ódios que a própria história tarda em explicar.
Nascido numa terra onde nunca se conhecera um delinquente, o jovem LUÍS não viria a imaginar um destino tão amargo para a sua alma. Paradoxalmente, foi bem cedo que entrou por caminhos tortuosos, feitos de armadilhas e falácias, que o conduziram inevitavelmente à negritude.
Existia já aos dez anos de idade um rol de peripécias numa fuga para LISBOA. Vende laranjas para sobreviver, mas ao fim de alguns meses volta à sua terra com saudades dos seus parentes. Nesta curto espaço os pais vão da consternação à alegria do regresso do filho pródigo.
No anos de 1822 com 16 anos  alistou-se no REGIMENTO DE CAVALARIA 6. No final da  recruta viu-se envolvido na revolução iniciada pelo general MANUEL DA SILVEIRA dentro de uma conjuntura política marcada pelas guerras liberais.
Com efeito, o jovem soldado LUÍS ALVES, "sem saber porquê encontra-se a servir um exército de realistas" ( 1 ). Combateu no CAMPO GRANDE e na ASSEICEIRA, foi ferido na "BATALHA DE SANTA MARIA DE ALMOSTER", terminando os serviços militares na capitulação da GOLEGÃ.
Finalizada a guerra, volta para a sua terra natal, no entanto um grupo de soldados do REGIMENTO 9 avançou para o capturar. Andou fugido pelos montes, os ódios de quem lutara contra os absolutistas consubstanciavam-se em ciladas, prisões e tentativas de homicídio. A resposta surgia com fugas.
Uma tentativa de embarque para o BRASIL levou para a cadeia de CHAVES.
Depois de intensos interrogatórios acabou por denunciar aquele que o ajudara na última figa. Isto "valeu-lhe" 3 anos de cadeia. 
Conduzido a VILA POUCA DE AGUIAR, instauraram-lhe dezoito processos; "eram inumeráveis os crimes que se lhe imputavam". Confessava duas mortes cometidas em legítima defesa, e não negava os ferimentos feitos nos soldados que o perseguiam das duas fugas da cadeia.
Todavia a infinidade de mentiras e as ameaças das testemunhas de acusação levaram LUÍS ALVES a perder o sangue-frio.  Perante o magistrado, atira-lhe à cara o banco em que estava sentado... momentos depois era CONDENADO À MORTE. Devia morrer na forca. Com a sentença confirmada por instâncias superiores e altos funcionários judiciais, restou-lhe a comutação dessa pena prestando-se a exercer o cargo de executor da ALTA JUSTIÇA CRIMINAL, ou seja o cargo de «CARRASCO».
Não aceitou de bom grado, foi necessário o pranto da sua mulher que definitivamente  convenceu este "EX-DRAGÃO DE CHAVES" ( 2 ).
Dizia ele amargurado: "Em má hora cedi. Deixei-me convencer, dobrei, aceitei a humilhação, o ferrete e a vergonha. Oxalá não o tivesse feito!". A sociedade necessitava de ter, talvez, mais um "CARRASCO"! E quem fala assim... é o último de PORTUGAL

- ( 1 ) - Defensores da Monarquia Absolutista e das pretensões de D. MIGUEL (vulgo antiliberais). Opunham-se aos seguidores da MONARQUIA CONSTITUCIONAL e de D. PEDRO. A assinatura da Paz na Convenção de ÉVORA-MONTE(1834) significou a vitória das forças liberais e, consequentemente, o triunfo da MONARQUIA CONSTITUCIONAL.

- ( 2 ) - Célebre "COMPANHIA DO REGIMENTO Nº 6" caracterizada pela bravura e tenacidade. Adoptaram como insígnia esse animal mitológico.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO LIMOEIRO [ III ]O PÁTIO DO CARRASCO(3)»

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

LARGO DO LIMOEIRO [ I ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 1 )»
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (2006) Foto de APS  (O aspecto interior do "PÁTIO DO CARRASCO", numa tarde de verão)  in  ARQUIVO/APS
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (2014) ( O LARGO DO LIMOEIRO, ao fundo no lado direito, a entrada para o "PÁTIO DO CARRASCO" )  in  GOOGLE EARTH
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (s.d.) Foto de Eduardo Portugal ( O "PÁTIO DO CARRASCO" no "LARGO DO LIMOEIRO")  (Abre em tamanho grande ) in  AML 
Largo do Limoeiro - Pátio  do Carrasco (c. de 1953) Foto de Fernando Martinez Pozal (O Arco visto do interior do "PÁTIO DO CARRASCO")  (Abre em tamanho grande )  in  AML

 LARGO DO LIMOEIRO [ I ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 1 )»

O «PÁTIO DO CARRASCO» situa-se no "LARGO DO LIMOEIRO" junto da "RUA DO LIMOEIRO", na antiga freguesia de "SANTIAGO", actual freguesia de "SANTA MARIA MAIOR".
Consta que este pátio pertencia às cavalariças do antigo Palácio do "CONDE DE ANDEIRO".
Diz-nos "NORBERTO DE ARAÚJO" nas suas "PEREGRINAÇÕES EM LISBOA" que; "é uma das curiosidades cenográficas do sítio, e vem de longa data. Na fachada do PÁTIO, que olha para a RUA, notam-se três janelas do século XVI, de vêrga direita canelada, e distinguem-se nas ombreiras  vestígios do mainel que as bipartia ao alto". São estes os mais antigos elementos do pitoresco recinto muito pequeno chamado de "LARGO DO LIMOEIRO" um pouco degradado.
Conta-nos ainda o mestre "LUÍS PASTOR DE MACEDO" que em 1686 o Pátio se chamava de: "PÁTIO DEFRONTE DO LIMOEIRO" ( 1 ),  em 1682 o  "PÁTIO DO TERREIRO DO LIMOEIRO" ( 2 ), e em 1630 o  "PÁTIO DO LIMOEIRO" ( 3 ) que supomos ser, como os anteriormente citados, o mesmo "PÁTIO DO CARRASCO". E acrescenta: "o nome do PÁTIO indica-nos que seria ali a morada dos carrascos em casa paga pelo REI, ou revela somente a estada temporária de qualquer daqueles executores da justiça".

A entrada para o "PÁTIO DO CARRASCO" é feita por um arco sustentando os andares do prédio. Trata-se de um pedaço de pitoresco (embora triste)  abundante nesta LISBOA, que não deixa de nos oferecer um certo interesse contemplativo.
O seu interior é ladeado por frentes de uma construção ingénua, e remendada de obras, as necessárias para satisfazer as exigências Camarárias. Na sua totalidade aparente, deixa adivinhar a ruína que transmite, das escadas do velho alpendre já desaparecido, ao qual o tempo vai dando uma patina de resignação.
Noutra fase do "PÁTIO DO CARRASCO" - onde entre o Sol e as mulheres cantam e ralham, quase em simultâneo - mora a alegria, que não necessita de muito para nos causar cobiça.
Por altura dos "SANTOS POPULARES" o Pátio é enfeitado com balões e bandeiras de papel de várias cores, os mais novos fazem a "MARCHA" e as raparigas namoradeiras improvisam os bailaricos.
E assim, tudo em família, vão-se divertindo, escondendo o que está menos bem, daquilo que já deviam possuir, mas sempre alegres.

Pertenciam estas casinhas ultimamente a quatro senhorios, cujos nomes não são relevantes.
Tirando o peso do nome que carrega o Pátio, podemos considerar que isto servirá para cenografia teatral ou cinematográfica, porque conserva ainda raízes de vidas tristes dum povo com certa graça duradoura.
Sabe-se que neste PÁTIO provavelmente residiu o último Carrasco português. De nome completo "LUÍS ANTÓNIO ALVES SANTOS (1806-1873), era também conhecido por "LUÍS NEGRO", por usar no exercício da sua profissão o seu "GABÃO" ( 4 ) preto.

- ( 1 ) - Liv. III dos Mitos, fl. 20-V.-S. MARTINHO
- ( 2 ) - Idem fl. 15
- ( 3 ) - Idem Liv. II perdeu-se ou extraviou-se o verbete onde faz referência ao ano exacto.
- ( 4 ) - GABÃO - (do Persa, Kába, manto) s.m. Capote com capuz, mangas e cabeção.  

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO LIMOEIRO[ II ]-O PÁTIO DO CARRASCO ( 2 )»

sábado, 15 de novembro de 2014

RUA LEITÃO DE BARROS [ III ]

«RUA LEITÃO DE BARROS ( 3 )»
 Rua Leitão de Barros - (2014)  (Um troço da "RUA LEITÃO DE BARROS" de Poente para Nascente)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (2010) Foto de André Barragon  (A "RUA LEITÃO DE BARROS" no seu lado a Norte)  in  SKYSCRAPERCITY
 Rua Leitão de Barros - (1940)  (Foto do Guia Oficial da "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" realizada no sítio de BELÉM,  uma ideia de António Ferro coadjuvação de "LEITÃO DE BARROS) in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Leitão de Barros - (1940) Foto de autor não identificado  (Aspecto de alguns PAVILHÕES na "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" em BELÉM, no ano de 1940, mais uma das iniciativas de "LEITÃO DE BARROS")  in  FONTE DO ROSÁRIO
 Rua Leitão de Barros - (10 de Julho de 1940) (Primeira página de "ARQUIVO NACIONAL" dedicado ao "DESFILE DE OITO SÉCULOS DE HISTÓRIA", uma organização de "LEITÃO DE BARROS")  in   RESTOS DE COLECÇÃO
Rua Leitão de Barros - (1936)  ("BOCAGE" um filme histórico realizado por "LEITÃO DE BARROS". No elenco RAUL DE CARVALHO, ANTÓNIO SILVA, JOÃO VILLARET e outros. Destacamos o grande Tenor português "TOMAZ ALCAIDE na interpretação da serenata no Lago "O AMOR É CEGO E VÊ")  (Abre em tamanho grande)  in  CINEMA PORTUGUÊS

(CONTINUAÇÃO)- RUA LEITÃO DE BARROS [ III ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 3 )»

"LEITÃO DE BARROS" "aposta" seguidamente no cinema sonoro, para o qual os estúdios portugueses ainda não dispunham das condições técnicas requeridas. 
Ainda do filme "A SEVERA" (1931) com cenas  exteriores ( por vezes de grande beleza estética) rodadas em PORTUGAL (sem som) e cenas de interiores filmadas em FRANÇA, onde o filme foi sonorizado, teve um enorme êxito comercial. Com "LEITÃO DE BARROS" e outros cineastas foi criado um movimento para a construção dos Estúdios da TOBIS PORTUGUESA EM 1932.
"LEITÃO DE BARROS" realiza ainda "AS PUPILAS DO SENHOR REITOR"(1935), tendo paralelamente realizado o primeiro desfile das MARCHAS POPULARES, O CORTEJO DE VIATURAS, o CORTEJO DA EMBAIXADA DO SÉCULO XVIII, o CORTEJO E TORNEIO MEDIEVAL dos JERÓNIMOS e o CORTEJO HISTÓRICO DAS FESTAS CENTENÁRIAS DE LISBOA.
Em 1936 mais um filme de "LEITÃO DE BARROS" desta vez o «BOCAGE», salientamos a magnifica interpretação do Tenor TOMAZ ALCAIDE na serenata "O AMOR É CEGO E VÊ".
Em 1937 aparece uma combinação de melodrama e comédia e beneficia de uma invulgar energia e interpretação da jovem actriz "MIRITA CASIMIRO" em "MARIA PAPOILA". Segue-se "VARANDA DOS ROUXINÓIS" (1939), A PESCA DO ATUM(1939), documentário rodado no ALGARVE.
Em 1942 rodava na PÓVOA DO VARZIM um dos seus filmes mais sugestivos, "ALA-ARRIBA!", uma história de amor marcada por rivalidades. No ano de 1944 prepara o regresso dos filmes históricos. "INÊS DE CASTRO", uma co-produção entre PORTUGAL e ESPANHA.
No ano de 1946 realiza o filme histórico "CAMÕES", realiza ainda "VENDAVAL MARAVILHOSO" tendo no elenco AMÁLIA RODRIGUES, mas a estreia em PORTUGAL em finais de 1949, revela-se uma autentica decepção.
Os próximos trabalhos de LEITÃO DE BARROS em cinema situar-se-ão no âmbito do documentário, sendo em geral feitos por encomenda: A ÚLTIMA RAINHA DE PORTUGAL(1951), "RELÍQUIAS PORTUGUESAS NO BRASIL"(1959), "COMEMORAÇÕES HENRIQUINAS"(1961), "A PONTE DA ARRÁBIDA" sobre o DOURO, "ESCOLAS DE PORTUGAL"(1962) e "A PONTE SALAZAR" sobre o Rio Tejo de (1966).
No evento da "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" de 23 de Junho de 1940, "LEITÃO DE BARROS" representava a organização como SECRETÁRIO-GERAL e  o ARQUITECTO-CHEFE era o Arqtº. COTTINELLI TELMO. Esta exposição pretendeu demonstrar o poderio político-cultural do então "ESTADO NOVO".
Sobrou-lhe ainda tempo para ser um dos fundadores do grupo "AMIGOS DE LISBOA", em 1936, a par de outros olisipógrafos como: VIEIRA DA SILVA, MATOS SEQUEIRA, NORBERTO DE ARAÚJO, TINOP ou PASTOR DE MACEDO. A outra sua faceta, muito apreciada do grande público, foi a organização de desfiles e grandes cortejos. Pode assim ser considerado o "pai" das MARCHAS POPULARES DE LISBOA, com a sua primeira edição no  ano de 1932, e ainda a alma dos cortejos históricos com que a cidade festejou as suas grandes datas - em 1940, no Centenário da Nacionalidade, e em 1947, quando fez 800 anos de cristã, por exemplo.
Em 1935 foi lhe conferida a distinção de COMENDADOR DA ORDEM MILITAR DE SANTIAGO E ESPADA e em Março de 1941 recebeu a medalha de GRANDE-OFICIAL DA ORDEM MILITAR DE CRISTO.

CURIOSIDADE
Um episódio pitoresco foi presenciado por um guarda Republicana, quando "LEITÃO DE BARROS" fazia umas filmagens, em frente do Palácio da então ASSEMBLEIA NACIONAL, quando ele gritava "-Ó SALAZAR, FECHA A CÂMARA!". A guarda Republicana mostrou-se no mínimo intrigada: quem era aquele senhor que tinha autorização para andar a filmar ali e que, afinal, fazia exigências estranhas ao PRESIDENTE DO CONSELHO.  E, na dúvida, entendeu que o melhor seria averiguar.
A cena foi contada pelo próprio cineasta anos mais tarde, em reunião com um grupo de estudantes e devidamente explicada: "o seu "cameraman" era o excelente "SALAZAR DINIS", que descera do palanque onde se encontrava a tomar imagens e deixara a câmara aberta com a lente virada ao Sol". A frase tão aparentemente subversiva não era mais do que uma recomendação. Difícil terá sido certamente explicar estes factos simples à Guarda. [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA
- Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (20 Volumes)- Secretariado por MAGALHÃES, António Pereira; OLIVEIRA, Manuel Alves, - 1ª Ed. - LISBOA - Editorial Verbo, Vol. 3, 1973, pág 729.
- Jornal A CAPITAL "Os Corvos dos Jornais" - José Leitão de Barros

INTERNET

(PRÓXIMO)«LARGO DO LIMOEIRO [ I ] -O PÁTIO DO CARRASCO (1)»

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

RUA LEITÃO DE BARROS [ II ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 2 )»
 Rua Leitão de Barros - (2014) -(Entrada da "RUA LEITÃO DE BARROS" que liga à "RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES) in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (1940) (Planta da "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" inaugurada em 23 de Junho de 1940 no sítio de BELÉM) in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Leitão de Barros - (1930) (Fotografia de Salazar Dinis) ("LEITÃO DE BARROS" sabe colher o imprevisto e, apesar da ingenuidade de algumas cenas - como o quase afogamento de Maria - pôde dar largas à sua vigorosa cena)   in   MARIA DO MAR
 Rua Leitão de Barros - (1931) - ("A SEVERA" um filme de "LEITÃO DE BARROS", rodado em PORTUGAL e FRANÇA)  in    RESTOS DE COLECÇÃO
Rua Leitão de Barros - (1932) - (Desenho de STUART) (Uma publicação do extinto "DIÁRIO DE LISBOA" que publicava "AS MARCHAS DE LISBOA" na noite de SANTO ANTÓNIO. As MARCHAS DE LISBOA tiveram início no ano de 1931, por iniciativa de "LEITÃO DE BARROS" e o entusiasmo do olisipógrafo "NORBERTO DE ARAÚJO") (Abre em tamanho grande) in  AS MARCHAS DE LISBOA DE NORBERTO DE ARAÚJO


(CONTINUAÇÃO) - RUA LEITÃO DE BARROS [ II ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 2 )»

«LEITÃO DE BARROS» ao falar de si próprio empregando um tom anedótico, condizente com o seu fino sentido de humor. Parecia não se tomar demasiado a sério, um homem que ainda hoje é indefinível, tantas foram as suas facetas em que se distinguiu: professor, jornalista, realizador cinematográfico, pintor, autor teatral, organizador de festejos e dos maiores cortejos que LISBOA já viu.
«LEITÃO DE BARROS» era um homem de sete ofícios, apesar do contributo dado ao jornalismo, não era homem para se ficar por aí.
O TEATRO e o CINEMA, por exemplo, tiveram nele um apaixonado.
Para o primeiro, escreveu várias peças, algumas das quais de êxitos. Lembremos COLÉGIO UNIVERSAL, PRÉMIO NOBEL (escrita em parceria com FERNANDO SANTOS e ALMEIDA AMARAL, sendo representada no TEATRO NACIONAL) e ainda AVÓ LISBOA, de que foram protagonistas PALMIRA BASTOS e VASCO SANTANA.
Expôs ainda várias obras de PINTURA em MUSEUS portugueses, em ESPANHA, no MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE MADRID e ainda no BRASIL.

Mais conhecida ainda ficou a sua participação no CINEMA.
MALMEQUER a MAL DE ESPANHA (1918) foram os seus primeiros filmes. Neles se salientam duas tendências: a evocação histórica dos temas e a crónica anedótica.
Com o documentário NAZARÉ (1930) retoma um tema já explorado em (1923).   "LISBOA CRÓNICA ANEDÓTICA" (1930) em que mistura actores conhecidos como: NASCIMENTO FERNANDES, BEATRIZ COSTA, VASCO SANTANA, ERICO BRAGA, CHABY PINHEIRO, ESTEVÃO AMARANTE, JOSEFINA SILVA, EUGÉNIO SALVADOS, ADELINA ABRANCHES, COSTINHA, ALVES DA CUNHA e outros, todos eles interpretavam personagens típicas de LISBOA.  No mesmo ano eram rodados ainda os filmes NAZARÉ e MARIA DO MAR.
Em "MARIA DO MAR", com colaboração no argumento e assistência de realização de ANTÓNIO LOPES RIBEIRO, é para muitos a obra-prima do cinema "mudo" português, representado nas cinematecas de LONDRES, NOVA IORQUE, MOSCOVO e TÓQUIO. 
Rodado na PRAIA DA NAZARÉ, aborda as dificuldades da vida da comunidade piscatória, narrando a história de amor entre dois jovens cujas famílias haviam cortado relações na sequência  dum naufrágio.  O recurso ao grande plano, o desenho sensual dos corpos em contraste com a fúria dos elementos e a convincente combinação da actuação dos actores profissionais, de amadores e de gente anónima dão a "MARIA DO MAR" uma frescura que permite encontrar no filme elementos dum modernismo que permanece no tempo.  Neste filme deram a sua colaboração os actores: ROSA MARIA, OLIVEIRA MARTINS, ADELINA ABRANCHES e outros, sendo estreada no cinema "SÃO LUÍS" a 20 de Maio de 1930.
A célebre "SEVERA" uma fantasia biográfica da fadista, é um dos filmes "mais português", no sentido de reflectir um dramatismo e até uma auto-comiseração que eventualmente caracterizam a alma portuguesa, para outros terá sido (sem culpa directa de LEITÃO DE BARROS) um repositório de elementos que marcariam de forma pouco positiva certo cinema português; a associação fado e touros, em ambiente melodramático.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA LEITÃO DE BARROS [ III ]-A RUA LEITÃO DE BARROS ( 3 )». 

sábado, 8 de novembro de 2014

RUA LEITÃO DE BARROS [ I ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 1 )»
 Rua Leitão de Barros - (2014) (Um troço da "RUA LEITÃO DE BARROS" de Nascente para Poente, na freguesia de "São Domingos de Benfica")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (2007) ( Vista panorâmica (parcial) da "FREGUESIA DE SÃO DOMINGOS DE BENFICA" onde se insere a "RUA LEITÃO DE BARROS")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (Década de 60 do século XX) (Livro "OS CORVOS" de Leitão de Barros com desenhos de João Abel Manta.  "LISBOA Rainha do Tejo". Crónicas dominicais reunidas  em dois Tomos. ( Abre em tamanho grande ) in  FRENESI LOJOA
 Rua Leitão de Barros - (1930)  ( "LEITÃO DE BARROS" ao comando das operações, para mais um dos seus filmes, supostamente a "MARIA DO MAR")  in   CINEMA SAPO 
Rua Leitão de Barros - (1930) (Cartaz publicitário,  resumo do argumento e ficha técnica do filme "MARIA DO MAR", uma obra fundamental de "LEITÃO DE BARROS")  in  MARIA DO MAR

RUA LEITÃO DE BARROS [ I ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 1 )»

A «RUA LEITÃO DE BARROS» pertence à freguesia de «SÃO DOMINGOS DE BENFICA», começa na "RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES", em frente do número 14 e não tem saída.
Completou este mês 44 anos que, por EDITAL de 4 de Novembro de 1970, publicado no Diário Municipal do dia 7 seguinte, que mandou dar o nome do artista àquele que era o primeiro impasse à RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES.   LISBOA consagra assim um seu filho que muito a enobrecera e a propagandeara.
"LEITÃO DE BARROS" homem irrequieto e talentoso, foi vasta e diferenciada a sua colaboração com os periódicos e, além da escrita,  há a salientar o facto de ter sido um renovador de certos géneros.

«JOSÉ JÚLIO MARQUES LEITÃO DE BARROS» nasceu em LISBOA a 22 de Outubro de 1896, e faleceu também em LISBOA em 29 de Junho de 1967. Frequentou a ESCOLA DE BELAS-ARTES, concluindo o 3º ano de Arquitectura, o que não dispensou de passar também pelas FACULDADES DE CIÊNCIAS e LETRAS e ainda cursar as cadeiras necessárias ao exercício do Magistério secundário. Completo o curso da ESCOLA NORMAL SUPERIOR da UNIVERSIDADE DE LISBOA e realizado o exame de Estado, foi nomeado professor de liceu, cargo que exerceu durante alguns anos, leccionando DESENHO e MATEMÁTICA no "LICEU PASSOS MANUEL", em LISBOA.
Os jornais atraíam-no: começou por colaborador num antigo "CORREIO DA MANHÃ" e na primeira série de "A CAPITAL". Passou depois por uma efémera "IMPRENSA DA MANHÃ" e pela revista "ABC", muito dedicado às questões históricas. 
Mas o seu sentido artístico e o grande poder de crítica não lhe permitiam que ficasse só a escrever crónicas saborosas.
Fundou e dirigiu o semanário "DOMINGO ILUSTRADO" (1925-1927), com o qual lançou entre nós o magazine leve, de actualidades.
Foi seguindo atentamente as transformações dos processos gráficos e não resistiu em seguir para a ALEMANHA onde aprendeu o processo da heliogravura ou (Fotogravura).
Voltando a PORTUGAL, um acordo com a empresa do "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", dava-lhe a hipótese de relançar o "NOTÍCIAS ILUSTRADO" (1928-1935), sob a sua direcção e utilizando os modernos processos. Mais tarde, surgiram dificuldades que o levaram a abandonar esse projecto e a fundar outra revista que teve vida mais dilatada:o famoso "O SÉCULO ILUSTRADO"
A sua última ( e talvez hoje a mais recordada) participação na feitura de jornais passou de novo no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", onde manteve durante anos uma saborosa crónica dominical, intitulada genericamente  "OS CORVOS". Aqui não se limitava a uma visão descrita e típica da sua cidade, antes se "espraiando" em observação e bom humor sobre toda a vida nacional. Muitas dessas crónicas vieram a ser reunidas em dois tomos, com ilustração de "JOÃO ABEL MANTA", constituindo hoje uma preciosidade dos Alfarrabista de LISBOA e não só.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA LEITÃO DE BARROS [ II ] -A RUA LEITÃO DE BARROS (2)».

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XVII ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )
 Terreiro do Paço - (2014) - Foto de MIMG47 (A Estátua de D. JOSÉ I na PRAÇA DO COMÉRCIO, uma obra de MACHADO DE CASTRO, depois da intervenção de limpeza em 2013) in PANORAMIO
 Terreiro do Paço - ( 2013) Foto de Mariline Alvas (Estátua equestre de D. JOSÉ I, na altura de intervenção de limpeza entre finais de 2012 até Agosto de 2013) in CORREIO DA MANHÃ
 Terreiro do Paço - (22.11.2012) Foto de Daniel Rocha (Pormenor da parte superior da Estátua equestre de D. José I, durante a intervenção de limpeza)  in  PÚBLICO
Terreiro do Paço - (2013) (A Estátua Equestre de D. JOSÉ I, na PRAÇA DO COMÉRCIO, devidamente protegida para ser limpa)  in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

(CONTINUAÇÃO) TERREIRO DO PAÇO [ XVII ]

«A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )»

A família Real transportou-se para o seu convencionado esconderijo em pequenas carruagens, enquanto POMBAL tomava lugar num cortejo faustoso onde entravam os magistrados do SENADO DA CIDADE, de que seu filho primogénito era presidente, os representantes dos organismos oficiais do comércio e dos "mesteres" ( 1 ) e uma grande parte da Nobreza. Descendo das carruagens, o cortejo, completado ainda por outros dignitários que o esperavam, estendeu-se pela vasta PRAÇA e, fingindo não ver a família Real, que espreitava a cerimónia de uma janela, dirigiu-se finalmente para o monumento recoberto de ricos panejamentos. Escusado será dizer que foi o MARQUÊS DE POMBAL e o filho que puxaram os cordões para o descobrir. Encontrava-se junto da comitiva JOAQUIM DA CRUZ SOBRAL, a primeira fortuna comercial do reino, TESOUREIRO-MOR, ADMINISTRADOR DA ALFANDEGA, INSPECTOR-GERAL DOS TRABALHOS PÚBLICOS, homem inteiramente dedicado ao MINISTRO DO REINO ( 2 )
A PRAÇA DO COMÉRCIO só ainda tinha metade construída; as alas do lado Norte sem o arco, e metade da ala do lado Ocidental.
As festas duraram três dias (mas já durante quatro dias o povo tinha acompanhado o difícil transporte da estátua, como antegozo da festa). A PRAÇA foi decorada com uma grande TORRE DE MADEIRA, cortejos de oito carros alegóricos, devidamente complicados, ao gosto da decoração teatral do círculo de GIACCOMO AZZOLINI (1721-1791) ( 3 ), fogo de artifício, exercícios militares, iluminações públicas, espectáculos de ópera, um baile e um banquete para o povo, e um outro para a corte, que custou mais de 40 contos de réis.
Para o efeito, um imenso serviço de porcelana decorada com a imagem do monumento tinha sido encomendada na CHINA.

Em finais de 2012 começou uma intervenção de restauro e limpeza na estátua de D. JOSÉ I. O restauro a cargo do "WORLD MUNUMENT FUND" (Organismo Internacional que intervencionou a TORRE DE BELÉM e o MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS) foi orçado em 490 mil euros.
A estátua foi devidamente protegida e montados andaimes a uma altura  mais de 14 metros do solo. O último dos andaimes que cobria o conjunto, composto pelo cavalo e a figura do REI,  colocada sobre um elaborado pedestal em pedra. Diz o coordenador do projecto JOSÉ IBÉRICO NOGUEIRA: "Qualquer metal sofre efeitos da erosão e, neste caso, o vento e a aproximação do mar causam sempre enormes desgastes. O trabalho é de limpeza e de contenção desse processo químico e mecânico". 
Apesar da vista deslumbrante sobre o TEJO, os técnicos ao serviço de WMF pouco se distraem. Paciência, precisão e minúcia, são os instrumentos necessários para que a obra se finalize no tempo previsto, obrigando a muito trabalho manual. Só para se ter uma pálida ideia, há quem se dedique a limpar todo o gradeamento que rodeia o pedestal, com algodões embebidos em álcool e acetona para retirar gorduras.
Um estudo iniciado ao estado da estátua permitiu analisar todas as patologias e o levantamento gráfico, em que se usou uma técnica que cruza feixes de "laser" e cujo resultado é próximo ao de uma radiografia, detectou os problemas que afectam a pedra e o metal e permite ver para dentro do plinto, analisando a estrutura. Um micro jacto de água limpou a pedra e a precisão dos técnicos faz o mesmo ao cavalo do rei.
A liga de que é composta a peça foi também alvo de apurado estudo. "Especulou-se muito sobre a cor original, mas hoje sabe-se que, do ponto de vista químico a liga, que se pensava ser de bronze, estará mais próxima do latão almirantado, usado pela MARINHA em peças polidas, e que tem coloração dourada. É uma liga de cobre, zinco e também chumbo, com alta capacidade de resistência à salinidade".
O restauro esteve a cargo da firma WMF, que financiou com 370 mil euros, a CML com 80 mil Euros e 40 mil de privados. Foram encontradas nesta intervenção 14 tiros de balas marcados na estátua, tendo sido a primeira limpeza da Estátua em 1926. Em 1983, foram retirados do interior do cavalo 3 mil litros de água. 
Notas finais: D. José I não pousou para MACHADO DE CASTRO, o rosto do REI foi desenhado à imagem de um medalhão e as mãos são as do próprio autor do trabalho.
A conclusão da intervenção de limpeza da Estátua Equestre e seu pedestal, ficaram concluídas no mês de Agosto de 2013.

( 1 ) - MESTERES - do Lat. s. m. artes, ofícios, profissões manuais; (Hist.) cada um dos 24 ofícios mecânicos que tinham os seus procuradores na Casa-dos-Vinte-e-Quatro).

( 2 ) - Optámos pela versão publicada por J. RIBEIRO GUIMARÃES (op. cit., II, p. 215) segundo ms. anónimo. No dizer do Jesuíta de quem seguimos, Pombal e Cruz Sobral teriam puxado os cordões. A versão pareceu-nos mais verosímil, uma vez que o filho  do Ministro era o Presidente do Senado da Cidade
.
( 3 ) - Conhecem-se pagamentos feitos aos pintores, decoradores; JOSÉ ANTÓNIO NARCISO, BELCHIOR DOS REIS ANTUNES e DOMINGOS JOSÉ BRUNO e ainda ANTÓNIO JOSÉ PINTO.(Ver E. FREIRE DE OLIVEIRA op. cit. XVII, pp. 496, 498 e 499)

[ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto - Peregrinações em Lisboa-Livro XII-Vega_1992-LISBOA
- CASTILHO, Júlio de -A RIBEIRA DE LISBOA -Imp. Nac.- 1893 - Lisboa
- CHORÃO, João Bigotte - Nossa Lisboa dos Outros - 1ª Ed. CTT - 1999 Lisboa
- COELHO, Antº. Borges - Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista - Caminho-2000-Lisboa
- CONSIGLIERI, Carlos e ABEL, Marília-LISBOA- 750 anos de capital 1ª Ed.-  Dinalivro -2005 - Lisboa.
- Correio da Manhã de 10 de Fevereiro de 2013.
- Dicionário da História de Lisboa- Cood. de Francisco Santana e Eduardo Sucena - Carlos Quintas & Associados-Consultores,Lda- 1994 - Sacavém.
- FRANÇA, José-Augusto - LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO - 3ª Ed. - Bertrand Editor - 1987 - Lisboa.
- HISTÓRIA nº 80 - Outº de 2005 - ANO XXVI (III série) - Lisboa.
- LISBOA Revista Municipal Nº 16 e Nº 17 de 1986 - CML - 1986 LISBOA.
- MOITA, Irisalva - O LIVRO DE LISBOA . Livros Horizonte - 1994 - Lisboa.
- OLHARES DE PEDRA - Editor - João Fragoso Mendes - Global Notícias Publicações-2004-Lisboa.
- PINHEIRO MAGDA - Biografia de LISBOA - Esfera do Livro - 20011 - Lisboa.
- SANTOS, Maria Helena Pinheiro dos - A BAIXA POMBALINA-PASSADO E FUTURO- Livros Horizonte- 2000 - LISBOA.
INTERNET

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