



(CONTINUAÇÃO)
RUA DA BICA DE DUARTE BELO [ IX ]
«A BICA DE TODOS OS TEMPOS»
Um estudo feito pela antropóloga Drª «GRAÇA DIAS CORDEIRO» no seu livro «UM LUGAR NA CIDADE» retrata o quotidiano, a memória e a representação no «BAIRRO DA BICA».
Nesta livro é mostrada uma visão bastante actual do bairro, relatando também um pouco da sua história.
Nesta livro é mostrada uma visão bastante actual do bairro, relatando também um pouco da sua história.
Uma de entre várias identificações foi a autora conseguir interpretar plenamente a divisão do «BAIRRO DA BICA» em três partes. Como se segue: «BICA DE CIMA»; «BICA DE BAIXO» e «BICA DO LADO DE LÁ DO ELEVADOR».
As três partes do bairro dividem-se de acordo com as três Colectividades existentes. O «VAI-TÚ» representa a (BICA DE CIMA), o «MARÍTIMO» defende a (BICA DE BAIXO) e o «ZIP-ZIP» está afecto à (BICA DO LADO DE LÁ DO ELEVADOR), formam uma espécie de núcleo de cada parte e cada uma delas alberga a sua própria "família", seja pela localização das casas ou pela identificação com os respectivos clubes.
O «GRUPO EXCURSIONISTA VAI-TÚ» fundado em 1948, tem a sua sede na «RUA DA BICA DE DUARTE BELO» no número seis, está inscrita na Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio e teve o seu inicio na taberna do (JOÃO MARIA), na «RUA DOS CORDOEIROS».
O «MARÍTIMO LISBOA CLUBE» fundado em um de Outubro de 1944, também está inscrito na mesma Federação e tem a sua sede na «CALÇADA DA BICA GRANDE» no número trinta e seis cave direito.
A terceira colectividade o «GRUPO DESPORTIVO ZIP-ZIP» fundado em 1974, tem a sua sede na «RUA DOS CORDOEIROS».
E assim estas pessoas vão ganhando raízes afectivas ao lugar e criando ao mesmo tempo pequenas rivalidades com as pessoas dos outros núcleos, o que faz com que a «BICA» pareça uma pequena povoação dividida em três aldeias.
Como curiosidade vamos acrescentar uma história que se conta em tom jocoso, lembrando a existência de um velho portão de ferro ao fundo das escadinhas, que se fechava à noite e assim defendia o «BAIRRO» de estranhos.
É de realçar que foi encontrado em ambos os edifícios setecentistas ao fundo da escadaria, tornejando para a «RUA DE SÃO PAULO», as reentrâncias na pedra onde teria eventualmente encaixado o respectivo portão.
A explicação é um pouco demonstrada por um destes edifícios setecentistas, ter sido um «RECOLHIMENTO DE MULHERES DE NOSSA SENHORA DOS AFLITOS», o que nos leva a pensar sobre a existência de uma pequena horta ou quintal sobre o qual fecharia o referido portão. Este portão poderá reforçar a ideia de que a «BICA», embora não possa ser considerada uma vila ou um pátio, de um ponto de vista estritamente urbanístico, no seu ambiente cultural e vivencial assume claramente um elevado grau de fechamento e protecção em relação ao exterior, bem testemunhado aliás, pela permanência de memórias sobre a origem e manutenção deste mundo à parte.
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Não queríamos finalizar este trabalho sem nos referirmos a uma pessoa que na vida artística, tão bem representou o «BAIRRO DA BICA». Trata-se de «FERNANDO TAVARES FARINHA» (o miúdo da Bica) nascido no «BARREIRO», foi com seus pais para o «BAIRRO DA BICA» com 4 anos. ( ver mais aqui)
Deixo aqui a letra de um fado bastante popular ao tempo, que a voz de «FERNANDO FARINHA» tão bem soube dignificar. «BELOS TEMPOS» letra de «FERNANDO FARINHA» música de «JÚLIO DE SOUSA» (fado Loucura).
Deixo aqui a letra de um fado bastante popular ao tempo, que a voz de «FERNANDO FARINHA» tão bem soube dignificar. «BELOS TEMPOS» letra de «FERNANDO FARINHA» música de «JÚLIO DE SOUSA» (fado Loucura).
BELOS TEMPOS, QUEM ME DERA/ VOLTAR À VELHA UNIDADE/ DO RETIRO DA SEVERA/ TER AINDA, O CARINHO/ DESSE GRANDE COMANDANTE/ QUE SE CHAMOU ARMANDINHO/ VER NOVAMENTE, CANTADORES E CANTADEIRAS/ NAQUELE GRUPO VALENTE/ QUE DEU BRADO NAS FILEIRAS/ E OUVIR TAMBÉM/ALGUÉM CHAMAR NA PARADA/ PELO "MIÚDO DA BICA"/ E EU RESPONDER À CHAMADA.
BIBLIOGRAFIA
- Araújo, Norberto de - Peregrinações em Lisboa, Livro XIII, Lisboa
- Cordeiro, Graça Índias - Um Lugar na Cidade - Pub. Dom Quixote - 1997 - Lisboa
(PRÓXIMO) - «RUA DA MISERICÓRDIA [ I ] - RUA LARGA DE SÃO ROQUE (1)»
4 comentários:
Caro Amigo,
Dou-lhe os meus parabens pelo trabalho sobre a Bica, simplesmente espetacular, a maioria eu não tinha conhecimento. Gostaria apenas de acrescentar que foi nesta freguesia,S. Paulo, que pela primeira vez se praticou Remo em Portugal e foi formado o primeiro clube - 1828, Arrow Club -. Talvez porque era aqui que se fabricavam os remos, daí a Rua e a Travessa dos Remolares.
Caro Carlos Henriques
Obrigado pelas suas palavras.
Quanto ao nome de "REMOLARES" tem lógica a sua observação, uma vez que se refere aos fabricantes de remos.
Um abraço
APS
Natural de Lisboa. Alfacinha de gema adorei a suas informaçôes.
Sou natural da Graça! havera referencias a este bairro? Obrigado pela informaçâo.
Continue e bem haja.
Caro Cruz Urbano
Muito bem vindo a esta blogue e agradeço as suas palavras.
Da Freguesia da GRAÇA já publiquei três artérias.
RUA SENHORA DO MONTE (13.01.2008)
RUA NATÁLIA CORREIA (28.02.2008) e
TRAVESSA DAS MÓNICAS [I] e [II], em
16.04.2008 e 17.04.2008.
Espero que lhe agrade esta informação.
Um abraço
APS
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