sábado, 16 de julho de 2011

CALÇADA DAS LAJES [ III ]

Calçada das Lajes - (200_) Foto de Barragon (Calçada das Lajes, ao fundo o prédio de vários andares construído no sítio dos quintais dos moradores da "Quinta do Coxo". À direita o muro de resguardo da antiga "Quinta do Borda de Água") in PANORAMIO

Calçada das Lajes - (finais dos anos 60 do século xx) Foto de Artur Goulart ((Entrada da "Quinta do Coxo", vendo-se as casas baixas de habitação e os quintais em frente na parte superior. Ao fundo existia uma cocheira, na altura da foto era um depósito de bidons) in AFML

Calçada das Lajes, 57 a 61- (1966) Foto de João H. Goulart (Calçada das Lajes, prédio de esquina com a entrada da "Quinta do Coxo", ao fundo à esquerda os quintais dos inquilinos da quinta) in AFML Calçada das Lajes, 61 -(1966) Foto de João H. Goulart (Calçada das Lajes esquina com a entrada da "Quinta do Coxo") in AFML

Calçada das Lajes - ( 196_?) Foto de Artur Goulart (Muro da "Quinta do Borda de Água" na "Av. D. Afonso III", com a casa da fiscalização encostada . Mais à frente à esquerda os quintais pertencentes aos inquilinos das casas da "Quinta do Coxo") in AFML


(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DAS LAJES [ III ]


«A QUINTA DO COXO»


A «QUINTA DO COXO» em 1868 era assim descrita: "Conta de um assento de casas abarracadas, altas e baixas e à frente destas uma casa de lagariça com arribana e palheiro; no fundo a quinta tem uma casa que serve de ermida com terraço; e o prédio rústico consta de chão para horta, poço com engenho real, tanque e almacega, parreiras, vinhas e um pequeno olival com suas terras de semeadura". A quinta que era foreira às freiras da «ESPERANÇA», pertencia nessa época a «JOAQUIM APOLINÁRIO MOREIRA DE SÁ». Em 1906 pertencia a «FELISBERTO DIAS DE CARVALHO» que nesse mesmo ano comprou o domínio enfitêutico da propriedade às firmas «LIMA MAYER & Filhos» e «BENSAÚDE & Cª.» que o possuíam, também por compra desde 1901 ( 1 ).

As casas que existiam na quinta em 1868, (constituíram nos anos 40 a 60 do século passado) depois de terem sido beneficiadas, a artéria pública denominada imprópria, mas oficialmente «QUINTA DO COXO», com entrada pelo número 61-A da «CALÇADA DAS LAJES».

Numa destas casas de r/c e sótão, com quatro salinhas no piso térreo (incluindo uma cozinha), duas janelas para a frente e porta de postigo, na parte de trás todas as janelas eram de frestas que deitavam para a quinta, morava uma tia minha de nome «MARIANA DO ESPIRITO SANTO SOBREIRA (SUBTIL)», por arrendamento, nas ditas casas, até à chegada do camartelo e dar início à sua demolição pelos anos 70, para nova urbanização. Os moradores destas pequenas casas usufruíam de um quintal (alugado), separado pela rua e na parte de cima, frente às casas, num terreno murado que fazia frente também, para a «Calçada das Lajes». Os quintais, foram os primeiros a ser desocupados para dar lugar ao edifício de muitos andares que se encontra agora na esquina da rua.


Numa grande parte da «QUINTA DO COXO» e numa parcela da «QUINTA DOS APÓSTOLOS» já no «BAIRRO LOPES», foi adquirido um terreno em 1934 pelo «DR. MANUEL VICENTE MOREIRA», onde edificou uma obra, para realizar um «sonho» antigo; o «CENTRO MATERNAL INFANTIL» e «FUNDAÇÃO JÚLIA MOREIRA», dando-lhe o nome de sua mãe falecida há alguns anos. Tempos depois era chamado de «CRECHE JÚLIA MOREIRA». O projecto da construção foi entregue ao arquitecto «CARLOS RAMOS» e a fundação constituída em 17 de Junho de 1936. Tem esta associação a finalidade principal, contribuir para a diminuição da mortalidade e morbilidade infantil e maternal, principalmente nos meios pobres da ZONA ORIENTAL DE LISBOA, pela aplicação sobretudo da medicina profiláctica às mulheres e às crianças. Estas serão protegidas antes, durante e depois do nascimento. Presentemente esta instituição foi modificada e beneficiada nas suas instalações, tendo agora o nome de: «CENTRO DE SAÚDE DE S. JOÃO EXTENSÃO JÚLIA MOREIRA».


( 1 ) - A Quinta está registada na 1ª Conservatória sob o Nº 832 - Ver livro 39, fls. 101 e livro seg.


(CONTINUA) - (PRÓXIMO)-«CALÇADA DAS LAJES [ IV ]- IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS»

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CALÇADA DAS LAJES [ II ]

Calçada das Lajes - (2005) Foto de APS (A "Calçada das Lajes", no lado esquerdo a "Quinta do Coxo", no lado direito o que resta da antiga "Quinta do Borda de Água" e do Posto Fiscal) in ARQUIVO/APS

Calçada das Lajes - (2005) Foto de APS (A Avenida D. Afonso III, foto tirada da Calçada das Lajes, sendo as primeiras construções do lado direito edificadas na antiga "Quinta do Borda de Água") in ARQUIVO/APS


Calçada das Lajes - (1967) - Foto de João H. Goulart (Casa do meu avô, antigo Posto de Fiscalização para controlar as entradas de mercadorias na cidade de Lisboa, foto tirada da entrada da "Quinta do Coxo" in AFML

Calçada das Lajes - (196_) Foto de João H. Goulart ("Quinta do Borda de Água" em ligação com a "Quinta do Manique", visto da Calçada das Lajes) in AFML


Calçada das Lajes - (Anos 60 do Século XX) - (Calçada das Lajes à esquerda a "Quinta do Coxo" em frente a "Quinta dos Apóstolos" e Avenida D. Afonso III, o prédio que se vê ao fundo na "Quinta do Borda de Água" era o Posto Fiscal de uma das entradas em Lisboa (Zona Oriental), antes da abertura da Estrada da Circunvalação) in AFML


Calçada das Lajes - (196_?) Foto de Artur Goulart (Topo do Posto de Fiscalização entre a Avenida D. Afonso III e a Calçada das Lajes) in AFML



(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DAS LAJES [ II ]



«A QUINTA DO BORDA DE ÁGUA»


A «QUINTA DO BORDA DE ÁGUA» estava separada pela antiga «TRAVESSA DO CARGALAXO» (já desaparecida) da «QUINTA DO MANIQUE», junto do «BALUARTE DE SANTA APOLÓNIA». Os terrenos que seguiam para Norte, vinham confrontar com uma casa, (Posto Fiscal) encostada ao muro da recente construída (1852) «ESTRADA DA CIRCUNVALAÇÃO». Tinha esta casa a sua entrada pela «CALÇADA DAS LAJES» e foi construída para servir de POSTO DE FISCALIZAÇÃO, dos chamados «GUARDAS-BARREIRAS», agentes que postados em zonas estratégicas no limite da cidade, tinham por missão controlar a entrada de mercadorias, algumas das quais se sujeitavam ao pagamento de imposto. Estas "BARREIRAS" foram suprimidas definitivamente em 30 de Setembro de 1922, mantendo-se a casa que servia de posto fiscal daquela área.



Este posto de fiscalização foi desactivado e adquirido no primeiro quartel do século xx por, «AGOSTINHO DOS SANTOS SOBREIRA» (meu avô paterno), tinha sido guarda-fiscal nesse posto durante vários anos. Na década de sessenta do século passado, para dar lugar à nova urbanização em curso e do alargamento da «AVENIDA D. AFONSO III», a casa foi vendida à Câmara Municipal de Lisboa e demolida.



Existe um pequeno apontamento de identificação a este posto. Diz-nos «LUÍS PASTOR DE MACEDO» no volume III (3ªEd.) de «LISBOA DE LÉS A LÉS» 1985 - Publicações da Câmara Municipal de Lisboa, página 242. " vê ali, entre a «AVENIDA D.AFONSO III» e a «CALÇADA DAS LAJES» aquela pequena casa, cor-de-rosa velho? Funcionou ali um dos postos fiscais da circunvalação da cidade decretada em 1852" ( 1 ).


( 1 ) - «OS LIMITES DA CIDADE» - A. VIEIRA DA SILVA, em Revista Municipal Nº6 pág. 14.


(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «CALÇADA DAS LAJES [ III ] - A QUINTA DO COXO»

sábado, 9 de julho de 2011

CALÇADA DAS LAJES [ I ]

Calçada das Lajes - (2011) - (Desenho adaptado do Atlas da Carta Topográfica de LISBOA-sob a direcção de FILIPE FOLQUE:1856-1858-plantas Nºs. 22 e 30) - (A "CALÇADA DAS LAJES E SUAS QUINTAS CIRCUNDANTES DO SÉCULO XIX). LEGENDA - 1)CALÇADA DAS LAJES; - 2)QUINTA DO ROMA; - 3)QUINTA DO MANIQUE; - 4)QUINTA DO BORDA DE ÁGUA; - 5)QUINTA DO COXO; - 6)QUINTA DOS APÓSTOLOS; - 7)IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS; - 8)CEMITÉRIO DOS JUDEUS; -9)OS LIMITES DA CIDADE, POSTO FISCAL E CASA DO MEU AVÔ; - 10)BARREIRAS DE LISBOA, POSTO FISCAL DA CIDADE(1852); - 11)BALUARTE DE SANTA APOLÓNIA; - 12)CONVENTO DAS COMENDADEIRAS DE SANTOS-O-NOVO; - 13)PALACETE DO MANIQUE; - 14)PALÁCIO DE D. MIGUEL PEREIRA FORJAZ.
Calçada das Lajes - (2010) (Início da "Calçada das Lajes" à esquerda o "Palácio de D. Miguel Pereira Forjaz", à direita a "nova" ESCOLA PRIMÁRIA) in GOOGLE EARTH

Calçada das Lajes - (2005) Foto de APS (A "Calçada das Lajes" quase no seu final, no lado esquerdo a "QUINTA DO COXO" em frente a "AVENIDA AFONSO III" , antiga ESTRADA DA CIRCUNVALAÇÃO que cortou a "QUINTA DOS APÓSTOLOS"). in ARQUIVO/APS


Calçada das Lajes - (2005) - Foto de APS - (A Calçada das Lajes quem se apresenta pela "Av. Afonso III" de Norte para Sul. No lado direito a antiga "QUINTA DO COXO", no lado esquerdo a "QUINTA DO BORDA D'ÁGUA", quase absorvida pelas novas construções) in ARQUIVO/APS


Calçada das Lajes - (1967) Foto de Augusto de Jesus Fernando - (Calçada das Lajes, vendo-se ao fundo algumas alunas da escola primária. À esquerda antiga porta e muro da "QUINTA DO BORDA D'AGUA". À direita prédio de rendimento na "QUINTA DO COXO") in AFML

Calçada das Lajes -(1967) Foto de H. Goulart (Calçada das Lajes, o antigo edifício da fiscalização - nesta altura ainda propriedade do meu avô -, no lado esquerdo a "QUINTA DO COXO") in AFLM
Calçada das Lajes - 1967 - Foto de Augusto de Jesus Fernandes - (Entrada Sul da Calçada das Lajes, junto à Calçada da Cruz da Pedra) in AFML

Calçada das Lajes - (Década de 50 do século xx) Foto de Eduardo Portugal - Calçada das Lajes ao fundo à direita existia um portão e funcionava lá uma Fábrica de Oleados) in AFML


CALÇADA DAS LAJES [ I ]


«A CALÇADA DAS LAJES E SEU ENVOLVENTE»


A «CALÇADA DAS LAJES» pertence `freguesia de «SÃO JOÃO», começa na «CALÇADA DA CRUZ DA PEDRA» no número 34 e finaliza na «AVENIDA AFONSO III». Desde o século XIX é convergente com a «TRAVESSA DO ALTO VAREJÃO» e o «LARGO DE SANTOS», a partir do século XX veio juntar-se à «CALÇADA DAS LAJES» a «RUA DO FORTE DE SANTA APOLÓNIA» e a «PRAÇA DR. ERNESTO ROMA».


Estando a «CALÇADA DAS LAJES» numa zona onde se situavam várias quintas, o local só passou a integrar a zona urbana da cidade de Lisboa, na segunda metade do século xx, na sequência da construção da «ESTRADA DE CIRCUNVALAÇÃO», (que iria corresponder ao percurso entre a "CRUZ DA PEDRA até ALCÂNTARA") uma das artérias que iniciava esse percurso (na parte Sul da Quinta do Manique) é hoje chamada de «RUA NELSON DE BARROS» seguindo-se a «AVENIDA AFONSO III», passando pelo «ALTO DE S. JOÃO» em direcção à «PRAÇA DO CHILE» etc.


Este topónimo aparece-nos em 1742 ( 1 ), tinha então a categoria de «TRAVESSA» e por vezes de «RUA» ( 2 ), até que a última prevaleceu. «RUA DA LAJE» (aliás das Lajes) era o nome que davam na «PLANTA DA CIDADE DE LISBOA» "para servir a nova organização das Melícias e Ordenanças da cidade" ( 3 ), nome mas no plural e categoria no «NOVO GUIA DO VIAJANTE EM LISBOA», editado em 1853.


A categoria de «CALÇADA» só começava a ser usada pelo ano 1860, conforme se poderá observar na 2ª Edição do «ROTEIRO» de QUEIRÓS VELOSO.


A parte Sul desta calçada é iniciada entre dois palacetes. Do lado poente «PALÁCIO D. MIGUEL PEREIRA FORJAZ), construído no século XVII, do lado nascente o «PALACETE DO VISCONDE DE MANIQUE» do século XIX. (ver Links na parte LEGENDA -Fotos).
A «CALÇADA DAS LAJES» era ladeada de diversas quintas. Tal como estamos a descrever de Sul para Norte, temos no lado direito a «QUINTA DO MANIQUE» seguida da «QUINTA DO BORDA DE ÁGUA». No seu lado esquerdo a «QUINTA DO ROMA» e mais para o final da Calçada, aparece a «QUINTA DO COXO» e fica na sua fronteira a chamada «QUINTA DOS APÓSTOLOS», que acabou por ser absorvida, devido ao plano de urbanização, esta ligava a parte superior da «CALÇADA DAS LAJES» com o «ALTO DE SÃO JOÃO»( onde defronte do cemitério desembocava).


No século XVIII a «CALÇADA DAS LAJES» e seguindo para Norte, tudo se apresentava rústico, estando nesta estagnação durante vários anos, embora tivesse sido uma das mais concorridas passagens, que ligava a zona nordeste da cidade de Lisboa à «CRUZ DA PEDRA», isto antes da construção da «ESTRADA DE CIRCUNVALAÇÃO» no ano de 1852.


( 1 ) - Livro III de Óbitos, fls 225 - Santa Engrácia


( 2 ) - Livro IV de Óbitos, fls, 67V - ano 1749


( 3 ) - Notícias Históricas sobre o levantamento da planta topográfica de Lisboa, A.V.Silva, p31


(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - CALÇADA DAS LAJES [ II ] - QUINTA DO BORDA DE ÁGUA»

quarta-feira, 6 de julho de 2011

RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XV ]

Rua do Cais de Santarém - (2010) Foto de João Pimenta Ferreira - (Antiga Cozinha Económica Nº 5, actual INPI na Rua do Cais de Santarém,15A, depois de obras de renovação) in PANORAMIO
Rua do Cais de Santarém - (2009) - Foto de APS (Edifício do INPI após obras de renovação, antiga Cozinha Económica Nº 5 - RIBEIRA VELHA) in ARQUIVO/APS

Rua do Cais de Santarém - (2010) (Edifício do INPI vista pelo lado Sul e Poente, virado para a Avenida Infante D. Henrique) (Antiga Cozinha Económica Nº 5 - RIBEIRA VELHA) in WIKIPÉDIA
(CONTINUAÇÃO) - RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XV ]

«COZINHA ECONÓMICA Nº 5 ( 2 )»

Nestes locais era garantido, um mínimo de alimentação a muitas famílias operárias, que viviam numa situação onde as condições de vida, trabalho e habitação eram cheias de dificuldades.

A partir do ano de 1918 (Primeira República) estas instituições viriam a ser conhecidas pela «SOPA DO SIDÓNIO». As cozinhas passaram a ser geridas (anos mais tarde) pela «SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA». Sabe-se que existiu no interior da «COZINHA ECONÓMICA Nº 5» um painel de azulejos, do pintor e azulejista «JORGE COLAÇO» marido de «BRANCA DE GONTA COLAÇO», com o retrato da ilustre fundadora das «COZINHAS ECONÓMICAS», a «DUQUESA DE PALMELA».

Na década de oitenta do século XX é adquirido o edifício, que depois de recuperado e alterado na sua estrutura, nela foi instalada uma secção do «INPI - INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL», criado no âmbito do MINISTÉRIO DO COMÉRCIO EXTERNO em 28 de Maio de 1976, através do Decreto-Lei nº 632 por reforma da antiga «REPARTIÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL».

O INPI assume actualmente a forma de «INSTITUTO PÚBLICO AUTÓNOMO», dotado de personalidade jurídica com autonomia administrativa, financeira e património próprio, executando a sua actividade sob a superintendência e tutela do MINISTÉRIO DA JUSTIÇA.

Temos assim reabilitado mais um edifício que certamente se vai enquadrar nesta zona histórica da cidade de Lisboa. [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ADRAGÃO, José Victor - PINTO, Natália - RASQUILHO, Rui - LISBOA - Novos Guias de Portugal -Editorial Presença-1985 - LISBOA

- ARAÚJO, Norberto de - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - Livro I e X - VEGA - 1993 - LISBOA

- CASTILHO, Júlio de - A RIBEIRA DE LISBOA (Digitalizado) - Livro II Capitulo XI pag. 176 a 179

- DIAS, Marina Tavares - LISBOA DESAPARECIDA - Volume 5 - Quimera - 1996 - LISBOA

- GUIA URBANÍSTICO E ARQUITECTÓNICO DE LISBOA - Associação dos Arquitectos Portugueses - 1987 LISBOA

- ILLUSTRAÇÃO PORTUGUESA Nº 28 -II Volume - 03 de Novembro de 1906 - (Os Cidadãos de Tuy)

- LISBOA Revista Municipal Nº 17 - 3º Trimestre de 1986 - Edição da Câmara Municipal de Lisboa

- LISBOA Revista Municipal Nº 22 - 4º Trimestre de 1987 - Edição da Câmara Municipal de Lisboa

- LISBOA RIBEIRINHA - Um projecto do Departamento de Intervenção Urbana da Sociedade Lisboa 94 do Arquivo Municipal - Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa - 1994 - LISBOA

- MACEDO, Luiz Pastor de - LISBOA DE LÉS A LÉS - Volume III - 3ª ed. - 1985 -Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa

- OLIVEIRA, Cristóvão Rodrigues - LISBOA em 1551 - SUMARIO - 1987 Liv. Horizonte - LISBOA

- SILVA, A. Vieira da - A CERCA MOURA DE LISBOA - 3ª Ed. -Publicações Culturais da Câmara Municipal - 1987 - LISBOA

- VIDAL, Angelina - LISBOA ANTIGA E LISBOA MODERNA - 2ª Ed.- Vega - 1994 - LISBOA

- ZUQUETE, Afonso Eduardo Martins - NOBREZAS DE PORTUGAL E DO BRASIL - Editorial Enciclopédia, Lda. - 1960 - LISBOA

INTERNET






- (PRÓXIMO) - «CALÇADA DAS LAJES [ I ] - A CALÇADA DAS LAJES E SEU ENVOLVENTE»












sábado, 2 de julho de 2011

RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XIV ]

Rua do Cais de Santarém - (2009) Foto de APS (Antiga Cozinha Económica Nº 5. actual departamento do I.N.P.I. desde a década de oitenta do século XX, na Rua do Cais de Santarém, 15A) in ARQUIVO/APS

Rua do Cais de Santarém - (1953-06) Foto de Eduardo Portugal (Edifício da Cozinha Económica Nº 5 no lado sul, vista da Avenida Infante D. Henrique) in AFML


Rua do Cais de Santarém - (1953-06) Foto de Eduardo Portugal (Edifício da Cozinha Económica Nº 5, na Rua do Cais de Santarém, 15A à RIBEIRA VELHA) in AFML


Rua do Cais de Santarém - (Século XIX) Foto de autor não identificado (A 3ª Duquesa de Palmela, D. Maria Luísa de Sousa Holstein, na sua juventude) in GENEALL

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XIV ]

«A COZINHA ECONÓMICA Nº 5 ( 1 )»

Na parte Sul da «RUA DO CAIS DE SANTARÉM» mesmo em frente ao «ARCO DE JESUS», existiu um edifício modesto que representava até meados do século passado, uma das «COZINHAS ECONÓMICAS» iniciativa da sua fundadora em 1893 a «DUQUESA DE PALMELA».

Esta «COZINHA ECONÓMICA» foi mandada construir pela «SOCIEDADE PROTECTORA DAS COZINHAS ECONÓMICAS DE LISBOA», sendo inaugurada em 16 de Julho de 1897 com a designação de: «COZINHA ECONÓMICA Nº5» da «RIBEIRA VELHA».

Deve-se a iniciativa desta prestigiosa acção de beneficência a «MARIA LUÍSA DE SOUSA HOLSTEIN» 3ª Duquesa de Palmela, neta do primeiro «DUQUE DE PALMELA».

Nasceu em LISBOA na freguesia dos «MÁRTIRES» a 4 de Agosto de 1841 e faleceu na sua QUINTA DE SINTRA a 2 de Setembro de 1906. Dama de grande cultura, tinha estudado em FRANÇA e conhecia vários países, privava com embaixadores, falando-lhes normalmente na língua deles. Interessada por tudo o que a rodeava, estava sempre bem informada. Daí, podemos afirmar que conhecia bem o que se passava no resto do Mundo e a evolução que a Sociedade portuguesa iria sofrer.

A 8 de Dezembro de 1893 foi inaugurada a primeira «COZINHA ECONÓMICA» na «TRAVESSA DO FORNO» aos «PRAZERES», zona de grande população operária na época.

Depois desta cozinha, outras se lhe seguiram: Em -1894 a Nº 2 nos «ANJOS»; - 1895 a Nº 3 em «ALCÂNTARA»; - 1896 a Nº 4 em «XABREGAS»; - 1897 a Nº 5 na «COZINHA VELHA»; - 1898 a Nº 6 e última na «RUA DE SÃO BENTO».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XV ] - A COZINHA ECONÓMICA Nº 5 ( 2 )»









quarta-feira, 29 de junho de 2011

RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XIII ]

Rua do Cais de Santarém- (2010) Foto de Dias dos Reis (O "Palacete do Chafariz de El-Rei" virado para a "Rua do Cais de Santarém") in DIAS DOS REIS

Rua do Cais de Santarém - (2009) Foto de APS (Uma perspectiva do "CHAFARIZ DE EL-REI" na "Rua do Cais de Santarém") in ARQUIVO/APS


Rua do Cais de Santarém - (2009) Foto de APS (Caravela do escudo de armas da cidade de Lisboa, colocadas nos laterais do "CHAFARIZ DE EL-REI) in ARQUIVO/APS

Rua do Cais de Santarém - (1986) Foto de autor não identificado (Corpo central do "CHAFARIZ DE EL-REI" ostentando as armas do reino sem a coroa) in LISBOA REVISTA MUNICIPAL

Rua do Cais de Santarém - (1907) Foto de Joshua Benoliel ( Já em tempo mais pacifico, inicio do século XX, no "CHAFARIZ DE EL-REI" crianças aguardando a sua vez para encher as suas bilhas) in ILLUSTRAÇÃO PORTUGUESA de 25.03.1907

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XIII ]
«CHAFARIZ DE EL-REI ( 4 )»

As antigas notícias do «CHAFARIZ DE EL-REI» dizem-nos que ele tinha seis bicas de pedra, com bocais de bronze, e à sua frente ficava um pequeno atrío, com 17,6m de comprimento por 8,8m de largura, e cerca de 1,32m inferiormente ao terreno circunjacente, para o qual se descia por duas escadas laterais com 6,16m de largura(1).

Existiram por várias vezes obras no Chafariz, tanto no seu interior como na fachada; existiu em 1699; em 1726 ainda conservava as SEIS BICAS ( 2 ); no 2º quartel do século XVIII houve novas obras, que se concluíram em 1747, tendo-se aumentado para nove o número de bicas (3), e talvez feito o apainelamento da frontaria do corpo inferior, como se conservou pelo menos até 1821 ( 4 ). Foram realizadas outras obras de intervenção nos anos de 1774/75; em 1836 trabalhava-se no apainelamento superior do frontespício, que se continuava em 1859 ( 5 ), tendo-se assentado nesse anos os paineis e vergas, algumas pilastras e uma parte da cimalha ( 6 ), e em 1861 concluía-se o dito apainelamento superior, a platibanda, a colocação dos dez vasos com piteiras de folha de "Flandres" e as oito pirâmides, que ainda lá se encontram ( 7 ).

O frontispício apresenta a fachada em dois planos ou corpos; um inferior, onde estão as bicas, e outro superior, mais recuado, sobre o qual corre um estreito terraço. Toda a obra é de cantaria, em painéis; o do meio do corpo inferior ostenta as «ARMAS DO REINO», sem a coroa (retirada depois do movimento revolucionário de 1910); e dois laterais mostram a «CARAVELA DO ESCUDO DE ARMAS DA CIDADE DE LISBOA». O pátio ou átrio de acesso às bicas, já reduzido a uns 4 metros de largura, foi estreitado para 2 metros (até ao murete do tanque das bicas); o seu comprimento, na cortina quadrada, é igual a 27,6(metros); o número de bicas está actualmente (1939) reduzido a três, com torneiras, alimentadas com água do «ALVIELA».

No local onde existe o depósito de água era uma parte a descoberto e outra abobadado. Tem por cima uma casa apalaçada de que já falámos, com entrada pela «TRAVESSA DE S. JOÃO DA PRAÇA»; no seu cunhal noroeste vê-se uma pedra com a «CARAVELA DO BRASÃO DE LISBOA», idêntica à que está sobre a porta de entrada no recinto; na parte restante da abóbada é mais elevada, e sobre ela existe um prédio, com entrada na «TRAVESSA DO CHAFARIZ DE EL-REI», e que se prolonga por cima da primeira casa. Na parede do recinto da área de água, fronteira à entrada, vê-se gravada a seguinte inscrição: A CONCERVA FOI LIMPA EM 1856 - E EM JANEIRO DE 1875.

Já no século XX o transporte de água para as necessidades domésticas era (naquela época) um dos trabalhos braçais mais ingratos e que ocupava maior número de pessoas. Os que podiam pagar, compravam a água para os gastos aos aguadeiros, geralmente "GALEGOS", que constantemente percorriam as RUAS DE LISBOA, barril às costas, ou se juntavam, formando grupos numerosos, à volta dos chafarizes, nomeadamente do «CHAFARIZ DE EL-REI», à espera de vez. Alternando com os «GALEGOS», na vez de encher o vasilhame, havia sempre muitas mulheres de várias idades, algumas quase crianças, com cântaros de barro, por vezes até dois, um à cabeça e outro debaixo do braço. Eram geralmente criadas das casas da burguesia ou mulheres do bairro, que transportavam a água para o gasto da família.

( 1 ) - In Memórias sobre o chafariz, Bicas, Fontes etc. por J.S. Veloso Andrade, 1851, pag.105.

( 2 ) - Aquilégio Medicinal, por Francisco da Fonseca Henriques, 1726, pag. 58

( 3 ) - Demonstração Histórica, etc., por Fr. A. da Conceição, 1750, pag. 186

( 4 ) - Segundo desenho dessa altura por "Luiz Gonzaga Pereira"

( 5 ) - Annais do Municipio de Lisboa, Nº 31, 1859, pag. 259

( 6 ) - Annais do Municipio de Lisboa, Nº 61, 1859, pag. 504

( 7 ) - Archivo Municipal de Lisboa, Nº 70, 1861, pag. 560

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XIV ] - «COZINHA ECONÓMICA Nº 5».








sábado, 25 de junho de 2011

RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XII ]

Rua do Cais de Santarém - (2009) Foto de APS (Pormenor do "Chafariz de El-Rei" na Rua do Cais de Santarém) in ARQUIVO/APS

Rua do Cais de Santarém - (2010) - Foto de Dias dos Reis (Rua do Cais de Santarém - "Chafariz de El-Rei") in DIAS DOS REIS

Rua do Cais de Santarém - (1906) -Foto de autor não identificado (Aguadeiros enchendo os barris no "Chafariz de El-Rei" no início do século XX) in ILLUSTRAÇÃO PORTUGUESA Nº 28 Rua do Cais de Santarém - (1906) Foto de autor não identificado (Aguadeiros esperando o enchimento dos barris no "Chafariz de El-Rei" em perfeita harmonia) in ILLUSTRAÇÃO PORTUGUESA Nº 28

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO CAIS DE SANTARÉM [ XII ]
«CHAFARIZ DE EL-REI ( 3 )»

Tomou a Câmara posse do prédio no dia 30.06.1542. Sendo este «CHAFARIZ DE EL-REI» o único de abastecimento público bem podemos calcular a romaria constante, e a grandíssima afluência que teria, de todos os pontos de LISBOA. Consequência natural, e porque os que tinham de esperar se zangavam, aquela gente, das baixas camadas sociais, acotovelava-se, derrubava-se, originando grandes conflitos. Com o fim de remediar os perigos quotidianos a Câmara publicou o seguinte: "Constando ao senado que ha homens brancos, negros e mouros, que se vão pôr ás bicas do chafariz d'El-Rei, a vender água a quem a vae buscar, de que se seguem brigas, ferimentos e mortes, faz a sua postura, para repartição das ditas bicas, pela forma seguinte: Na primeira bica, indo da Ribeira para ella, encherão pretos forros e cativos, que forem homens. Logo na segunda poderão encher os mouros das Galés, somente a água que for necessária para as suas aguadas: e logo que encham os seus barris ficará a bica para os negros e mulatos, conforme a declaração atraz.

Na terceira e quarta, que são as do meio, encherão os homens e moços brancos; e na quinta encherão as mulheres pretas, mulatas e índias forras e cativas. E na derradeira bica, da banda de Alfama encherão as mulheres e moças brancas, conforme a declaração das bicas. Sob pena de quem o contrário fizer do que está dito, se fôr pessoa branca e forra, assim homem como mulher pagará 2$000 réis de pena e estará na cadeia três dias sem remissão, de que haverá metade da pena pecuniária quem a accusar, e a outra metade será para a cidade.

A mesma pena terão os ditos brancos, mulatos, índios e pretos forros, que encherem por dinheiro, ou achando-se que encham em qualquer das outras bicas além das que se lhe nomeiam; posto que corra a dita água no chão não poderão encher se não nas declaradas; e os negros e os captivos e os mais escravos e escravas, como forem pessoas captivas, que o contrário fizerem de tudo quanto está dito serão publicamente açoitados, com baraço e pregão, derredor do dito chafariz, sem remissão; conforme a provisão de el-Rei Nosso Senhor, novamente passada. As quaes penas se executarão três dias depois da publicação d'esta postura que se lhes dão para vir primeiro á notícia dos moradores d'esta cidade".

É assaz curioso este documento para se avaliar a situação do povo naquele século XVI, tão opulentado em Portugal pelas grandes descobertas e conquistas, que desde finais do século XV tornavam o nosso país alvo da atenção e inveja de todas as nações em geral e em especial de "VENEZA", que não podia conformar-se com a queda do seu domínio quase absoluto nos mares do Oriente.

Quantas pessoas passam perto do «CHAFARIZ DE EL-REI» sem imaginarem as contendas, as lutas, as mortes a que deu lugar o inconsciente local. Imagine-se a longa procissão de criaturas brancas, pardas, negras, de ambos os sexos, mais ou menos pitorescos nos seus trajes, ou miseráveis em seus andrajos, dia e noite desfilando pela «RUA DA RIBEIRA», sempre à beira TEJO, desafogado de prédios, e com um resguardo de parede onde as águas vinham sussurrar a horas mortas.

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