quarta-feira, 21 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ IX ]

«A CASA DAS ONZE PORTAS ( 2 )»

 Rua da Escola Politécnica - (2008) Foto de autor não identificado (Parte da fachada do prédio conhecido pela "CASA DAS ONZE PORTAS", na RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA . No piso térreo a FARMÁCIA ALBANO)  in  JUNTA DE FREGUESIA DE SANTO ANTÓNIO
 Rua da Escola Politécnica - (entre 1890 e 1948) Foto de José Artur Leitão Bárcia - (A "CASA DAS TESOURAS" de JOSÉ CLEMENTE nos números; 51,51-A, 53 e 55 na "CASA DAS ONZE PORTAS", construção de 1858, local para habitação e comércio, num luxo desusado na época, em imóveis de rendimento na RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA)  (Abre em tamanho grande) in  AML  
 Rua da Escola Politécnica - (1922) Foto de Alfredo Galhardo (A "CASA DAS ONZE PORTAS" na Rua da Escola Politécnica, onde está instalada a "CASA DAS TESOURAS") in  RESTOS DE COLECÇÃO

Rua da Escola Politécnica - (1909) (A "CASA DAS TESOURAS" de JOSÉ CLEMENTE, instalada no edifício "CASA DE ONZE PORTAS" fazendo propaganda das suas actividades no jornal MUNDO) in DIAS QUE VOAM


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ IX ]

«A CASA DAS ONZE PORTAS ( 2 )»

As onze portas que deram nome ao prédio ( e popularmente o notabilizaram) contam dez para a "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" e a décima primeira virada para a "RUA DO MONTE OLIVETE". Servem elas lojas variadas no tempo, com requinte e elegância.
São decorações dignas de casas de habitação de luxo, algumas já restauradas em 2000, e conheceram inquilinos famosos, como o romancista e historiador "REBELO DA SILVA", fiel discípulo de ALEXANDRE HERCULANO, ali falecido em 1871, no 2.º andar, vizinho de uma 2ª VISCONDESSA, viúva de PORTOCARREIRO, ele JUIZ DO SUPREMO com fidalguia materna de nome.

O prédio teve, nos princípios do século, com duas portas transbordando para o prédio do lado esquerdo, as instalações da "CASA DAS TESOURAS" de JOSÉ CLEMENTE, nos números 51, 51-A, 53 e 55, vendendo fatos e sobretudos feitos (será possivelmente o antecessor do mais tarde aparecido "O PRONTO-A-VESTIR") e especializado na confecção de "GIBÕES DE AVEIRO ( largamente reclamados nos jornais  e magazines dos anos 10 e 20 do século passado, em pitorescos anúncios ilustrados).

Além da "CASA DAS TESOURAS" existiu um antiquário. Em Maio de 1935 o estabelecimento foi destruído por um violento incêndio; com a mesma designação abriu em seguida uma loja de móveis, que permaneceu até aos anos 50 do século passado.

As outras duas portas ( do prédio do lado) receberam a leitaria "CAMÉLIA D' OURO", a funcionar em meados dos anos 30, e uma década mais tarde a "CONFEITARIA CAMÉLIA", à qual sucedeu a casa de pasto " BRIOSA ", com infeliz alteração da fachada ( em 1957 ), única no conjunto dos dois prédios.
Os primeiros e segundos andares dos números 55 e 56 foram no passado ocupados pelos serviços da "DIRECÇÃO DE JUSTIÇA E DISCIPLINA DO ESTADO MAIOR DO EXÉRCITO" hoje com nova designação de "ESTADO MAIOR DO EXERCITO-DIRECÇÃO DE JUSTIÇA E DISCIPLINA", instalado na TRAVESSA DE SANTO ANTÓNIO, 21 (LISBOA).

A neoclássica "CASA DAS ONZE PORTAS", a par do prédio vizinho ( N.ºs  49 - 53), mais modesto, que segue o mesmo desenho, de vão repetido nos seus quatro andares, também ele atribuível a "PIERRE-JOSEPH PÉZERAT"(1801-1872) e construído na mesma altura, formam um conjunto urbano de qualidade que é testemunho de uma ideia de construir e habitar a cidade, "MODERNA" e "regenerada", que só encontrará sucessores já nos anos 80, com a AVENIDA DA LIBERDADE.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ X ]-O PALÁCIO PALMELA ( 1 )».

sábado, 17 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ VIII ]

«A CASA DAS ONZE PORTAS ( 1 )»
 Rua da Escola Politécnica - (1993) foto de Pedro Bebiano Braga - (A "CASA DAS ONZE PORTAS" edificada em 1856 na "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" esquina com a "RUA DO MONTE OLIVETE")  in  A SÉTIMA COLINA
 Rua da Escola Politécnica - (entre 1898 e 1907) Foto de autor não identificado - (A "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA) a outra esquina da "Rua de São Marçal) ( Abre em tamanho grande) in AFM
 Rua da Escola Politécnica - (Início do século XX) - Anúncio da "CASA DAS TESOURAS", instalada na "CASA DE ONZE PORTAS" na "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA". Vendendo fatos e sobretudos feitos, e ainda especializada em GABÕES DE AVEIRO , largamente publicados em jornais e revistas da época, num estilo bastante pitoresco de anúncio ilustrado. Esta casa poderá ser o antecessor do chamado "pronto-a-vestir") in MONTE OLIVETE
Rua da Escola Politécnica - (1858)  - (Planta do alçado do prédio dito "CASA DAS ONZE PORTAS", que popularmente o notabilizaram, na Rua da Escola Politécnica. O desenho será possivelmente de Pierre Joseph Pézerat)  in  MONTE OLIVETE


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ VIII ]

«A CASA DAS ONZE PORTAS ( 1 )»

No outro lado da RUA, mesmo em frente da "ESCOLA POLITÉCNICA", foi edificado em 1858, esta casa de aluguer, para habitação e comércio, num luxo desusado na época, em imóveis de rendimento. Sendo notícia de jornal, pela sua "exótica arquitectura" de onze portas para a "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" do número 55 a 65, por isso, ficando designada (PELA CASA DAS ONZE PORTAS) e sendo visitada e apreciada, fez-se a propósito dela, o "chiste", hoje de difícil entendimento, " a romana da hospedaria tinha só sete e fugiu ao marido"...
O risco deste imóvel é atribuído ao arquitecto francês "PIERRE JOSEPH PÉZERAT" (1801-1872), encarregue, na época, dos trabalhos de construção da "ESCOLA" em frente, onde era também professor de desenho desde 1853. "PÉZERAT", de formação parisiense viera para PORTUGAL (em 1840) a convite do Município de LISBOA, depois de ter sido um dos arquitectos particulares do Imperador "D. PEDRO I, no BRASIL (1825-1831), e ter estado na ARGÉLIA (até 1838), nomeado pela Ministério da Guerra Francês.
Também autor do famoso edifício dos "BANHOS DE SÃO PAULO"(Ver Praça de S. Paulo [IV]-31 de Março de 2008), vinha a falecer cego e em situação de grandes dificuldades, em 1872.

O edifício é sóbrio, de gosto neoclássico, com dez vãos abertos, na fachada principal, em arco de volta perfeita, que se repetem no primeiro e segundo andares, sendo o terceiro amansardado. As pilastras dividindo a fenestração impõem um ritmo que a varanda corrida (segundo andar) unifica, conferindo um belo equilíbrio à fachada coroada por vasos de pedra. Um pavilhão-terraço com harmoniosa dupla escadaria (infelizmente desaparecida em 1940), ornamentada também com vasos, dava para um pátio, na fachada posterior.
O seu interior doméstico, da casa geminada, apresenta perfeita simetria dos lados esquerdo e direito, desenvolvendo-se a partir de uma bem desenhada escadaria, ao centro, com grade de ferro. No átrio, joga-se com mármores de cores diferentes, nos losangos do pavimento e nos três arcos, posteriormente fechados pelo guarda-vento de vidro, pintado a ouro, e caixilho de madeira (1880).
As divisões apresentam bons trabalhos em estuque, de várias campanhas decorativas (algumas impostas por incêndio), em abundantes motivos geométricos e vegetalistas, e, ainda, com medalhões de cestos fruteiros e de cabeças enfeitadas.
No entanto, as pinturas sobre estuque, de duas salas contíguas (primeiro andar) e da caixa do saguão, fechado em vidro para iluminar a escadaria, são o que resta da maior qualidade decorativa; pinturas em "trompe l'oeil" imitando baixo relevo, com gramática vegetalista e exóticas cabeças, e naturalista "bouquets" de flores em alegre policromia, nos cantos da sala, conferem-lhe um luxo de palacete. Porém datar-se das décadas de setenta ou oitenta  do século XIX e, talvez sido realizadas pelo pintor francês "PIERRE BORDES", que executou decorações semelhantes nos "PAÇOS DO CONCELHO", que então se terminavam.
Oito portas comerciais, quatro de cada lado das duas da entrada doméstica, na fachada principal, e uma outra, na fachada sobre a "RUA DO MONTE OLIVETE", albergam lojas. A "FARMÁCIA ALBANO" (nos números 57 e 59) é a mais interessante, pois conserva o seu cuidado interior, de final de oitocentos, forrado por altos armários com emblemáticos estuques de palmeira e cobra de "Esculápio" e um "achinesado" candeeiro a gás, montado a partir de uma taça de porcelana "mandarim de figura".


EFEMÉRIDES

Faz hoje 162 anos, que pela primeira vez foi publicado na Imprensa Diária o "JORNAL DO COMÉRCIO" (17 de Outubro de 1883).

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ IX ]-A CASA DAS ONZE PORTAS ( 2 )».

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ VII ]

«O JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA»
 Rua da Escola Politécnica - (2012) Foto de autor não identificado ( Uma das entradas para o JARDIM BOTÂNICO" na "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" em LISBOA) in JUNTA DE FREGUESIA DE SANTO ANTÓNIO
 Rua da Escola Politécnica - (2001) Foto de Pedro Soares (Uma rua no interior do "JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA". Começou a ser plantado no ano de 1873 por iniciativa do "4º CONDE DE FICALHO" e "ANDRADE CORVO") in  MONTE OLIVETE
 Rua da Escola Politécnica - ( ant. 1945) Foto dos Estúdios de Mário Novais - ("JARDIM BOTÂNICO" da ESCOLA POLITÉCNICA, podemos ver ao fundo o observatório Meteorológico Infante D. Luís e pormenores da estufa) (Abre em tamanho grande)  in  AML
 Rua da Escola Politécnica - (depois de 1926) Foto de Fernando Manuel de Jesus Martins ( Monumento ao DR. BERNARDINO ANTÓNIO GOMES(pai) (1768-1823), inaugurada em 1926 no JARDIM BOTÂNICO da Escola Politécnica de LISBOA. Médico e Botânico, criou em Portugal o primeiro  Instituto de Vacinação do qual foi seu Director.  in   AML 
 Rua da Escola Politécnica - (1912) Foto de Joshua Benoliel ( Um pormenor do JARDIM BOTÂNICO da ESCOLA POLITÉCNICA DE LISBOA)  (Abre em tamanho grande )  in  AML 
Rua da Escola Politécnica - ( 19__) Foto de Paulo Guedes - ( A ESTUFA do JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA, na RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA) (Abre em tamanho grande)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ VII ]

«O JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA»


O «JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA» é um Jardim científico, projectado em meados do século XIX, e começado a plantar em 1873, por iniciativa dos professores: "4.º CONDE DE FICALHO - Francisco Manuel de Melo Breyner (1837-1903) e "JOÃO DE ANDRADE CORVO" (1824-1890), com sentido de modernidade  e rara generosidade orçamental, para servir o ensino e a investigação da Botânica na ESCOLA POLITÉCNICA
Com a sua inauguração ao público no ano de 1878 (com aproximadamente 137 anos) a ESCOLA e o JARDIM BOTÂNICO são, ainda hoje, um símbolo dos novos rumos de progresso social e científico que a revolução liberal trouxe para PORTUGAL.
O JARDIM conheceu desde sua origem merecida fama. Do novo "Belvedere" ( 1 ) no MONTE OLIVETE, enriquecido com milhares de espécies exóticas, podia o visitante, especialmente estrangeiro, deleitar-se com o soberbo panorama de outras colinas debruçadas sobre o rio. A enorme diversidade de plantas, vindas dos quatro cantos do Mundo em que havia territórios sob soberania portuguesa, patenteava, ao turista, a importância da grande potência Colonial que Portugal então representava, embora fosse, na EUROPA, uma nação pequena e marginal.
A excelente qualidade do projecto, bem ajustado ao sítio e ao ameno clima de LISBOA, cedo foi comprovado. Acabadas as plantações, segundo o elegante desenho das veredas, canteiros e socalcos, atravessados por Lagos e Cascatas, as jovens plantas rapidamente prosperaram, ocupando todo o espaço e deixando logo adivinhar como, com o tempo, a cidade viria a ganhar o seu mais aprazível espaço verde e o de maior interesse cénico e botânico. Em pleno coração de LISBOA e em forte contraste com o seu bulício, as cores e as sombras, os cheiros e os sons do JARDIM BOTÂNICO dão recolhimento e deleite. E, tratando-se de um JARDIM BOTÂNICO, outras funções desempenhava o JARDIM, que não apenas as de lazer e recreio passivo.
As colecções sistemáticas servem vários ramos da investigação botânica, demonstram junto do público e das escolas a grande diversidade de formas vegetais e múltiplos processos ecológicos, ao mesmo tempo que representam um meio importante e efectivo na conservação de plantas ameaçadas de extinção.
Na norma do que hoje acontece na generalidade dos JARDINS BOTÂNICOS, também, desenvolve, em permanência, activos programas de educação ambiental.
Algumas colecções merecem menção especial. A notável diversidade de palmeiras, vindas de todos os continentes, confere inesperado cunho tropical a diversas localizações do JARDIM. As "CICADÁCEAS" são um dos "ex-libris" do JARDIM . Autênticos fósseis vivos, representam floras antigas, que na maioria se extinguiram. Hoje são todas de grande raridade, havendo certas espécies que só em JARDINS BOTÂNICOS se conservam.
O JARDIM é particularmente rico em espécies tropicais originárias da NOVA ZELÂNDIA, AUSTRÁLIA, JAPÃO e AMÉRICA DO SUL, o que atesta a amenidade do clima em LISBOA e as peculiaridades dos micro climas do JARDIM.
O JARDIM BOTÂNICO DE LISBOA faz hoje parte da UNIVERSIDADE DE LISBOA(JBUL).

( 1 ) - BELVEDERE- Um complexo Jardim de BELVEDERE, em VIANA, AUSTRIA, também chamado "PALÁCIO-JARDIM". Noutro contexto,  pode-se atribuir a "qualquer estrutura construída com o objectivo de se poder usufruir da vista".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ VIII ]-A CASA DAS ONZE PORTAS ( 1 )».

sábado, 10 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ VI ]

«A ESCOLA POLITÉCNICA ( 2 )»
 Rua da Escola politécnica - (2001) Foto de Pedro Soares - (Frontaria da "ESCOLA POLITÉCNICA" com suas colunas "Jónicas" recuperadas das ruínas da "Igreja de S. Francisco da Cidade" que existia no antigo "LARGO DA BIBLIOTECA", hoje "LARGO DA ACADEMIA NACIONAL DE BELAS ARTES")  in  MONTE OLIVETE 
 Rua da Escola Politécnica - ( 2001 ) Foto de Pedro Soares (Vista aérea da "ESCOLA POLITÉCNICA" na Rua da Escola Politécnica, imóvel que é possivelmente testemunho da obra de "PÉZERAT")  in  MONTE OLIVETE
 Rua da Escola Politécnica - (1933) Foto de FOTOVOO - (A severa fachada neoclássica da "ESCOLA POLITÉCNICA" de vinte e um vãos é animada por pilastras e, ao centro, por um pórtico monumental)  in  SÉTIMA COLINA
 Rua da Escola Politécnica - (c. 1937) Foto de Judah Benoliel - (Edifício da "ESCOLA POLITÉCNICA", na "Rua da Escola Politécnica")  (Abre em tamanho grande) in  AML 
Rua da Escola Politécnica - (entre 1900 e 1945) Foto de José Artur Leitão Bária  ("CASA DO NOVICIADO DA COTOVIA"- Construída na Quinta do Monte Olivete, no sítio da COTOVIA, à "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA". Esta casa foi concluída em 1616, pelo Arquitecto BALTAZAR ÁLVARES, entrou em funcionamento em 1619. Aqui se formaram quase todos os Jesuítas desta província até à expulsão  em 1759. Em 1761 o Marquês de Pombal aproveitou o espaço para ali instalar o COLÉGIO DOS NOBRES. Em 1843 este local sofreu um grande incêndio) in  AML


(CONTINUAÇÃO)-RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ VI ]

«A ESCOLA POLITÉCNICA ( 2 )»

Sendo coadjuvado por um jovem e brilhante desenhador "JOÃO PEDRO MONTEIRO", de quem, à falta de arquivos documentais que se conheçam, se afirmou ( o professor de Desenho da Escola, A. RESSANO GARCIA, em 1937) "se dever certamente a linha geral do edifício". Mas "J.P.MONTEIRO" faleceu em 1853, data em que foi nomeado, sempre para a cadeira de Desenho, o engenheiro francês "PIERRE-JOSEPH PÉZERAT", que já em 1870, grandes serviços de responsabilidade prestou à CÂMARA MUNICIPAL da Capital, sendo uma figura incontornável da sua história urbanística.
A ele parece possível atribuir a forma definitiva do edifício da POLITÉCNICA, por similitude de gosto com outras obras suas: "último arquitecto neo-clássico de LISBOA", como lhe chamavam.

O pórtico monumental do edifício, utilizando, sobre altas bases, ao nível do embasamento de cantaria de toda a fachada, duas colunas Jónicas recuperadas das ruínas da IGREJA DE SÃO FRANCISCO DA CIDADE" (no antigo LARGO DA BIBLIOTECA PÚBLICA), sobre elas, e as pilastras que a delimitam, pousando uma arquitrave discretamente trabalhada e, sobre um frontão as armas reais, em "bronze", enobrecem, no tímpano o todo ao alto de uma escadaria depois de encurtada, por necessidades do trânsito.
São elementos de estilo que, tal como o movimento dos corpos da fachada, levemente salientes sobre a cornija contínua, os das extremidades, de três janelas, e os ricos portões laterais, dourados, à francesa (alargados depois do incêndio de 1978) definem bem a personalidade do arquitecto final da vasta obra, monumento principal da "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA", e emblema da cidade.
Nesta ESCOLA se formaram e leccionaram muitos nomes conhecidos, mais pela sua carreira política do que pela sua actividade cientifica, na segunda metade do século XIX.
Com o advento da REPÚBLICA esta instituição é substituída pela FACULDADE DE CIÊNCIAS, quando na reconstituição da UNIVERSIDADE DE LISBOA ( 1911 ).
Imóvel que é testemunho da obra de "PÉZERAT" (embora o projecto esteja infelizmente perdido), hoje a "ESCOLA POLITÉCNICA" recém-classificada como -  PATRIMÓNIO DE INTERESSE PÚBLICO - alberga os "MUSEUS DE HISTÓRIA NATURAL, DE CIÊNCIA E MINERALÓGICO E GEOLÓGICO", perpetuando a tradição cultural e pedagógica no local.
Sofreu um violento incêndio na noite de 18 de Março de 1978, que destruiu parte da ala Sul, com grandes perdas das colecções do MUSEU BOCAGE e da MINERALOGIA, embora não tivesse afectado as fachadas.
Resumindo: Foi um estabelecimento de ensino pré-universitário fundado em LISBOA em 1761, e voltado para a educação inicial dos jovens aristocratas portugueses. Foi extinto em 1837, uma vez que os seus objectivos não podiam subsistir no enquadramento criado pela implantação do regime liberal em PORTUGAL. As instalações e equipamento foram concedidos à então criada "ESCOLA POLITÉCNICA DE LISBOA", transformada, em 1911, na FACULDADE DE CIÊNCIAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA (desde 1985 localizado na CIDADE UNIVERSITÁRIA).

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA[ VII ]-O JARDIM BOTÂNICO»

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ V ]

«A ESCOLA POLITÉCNICA ( 1 )»
 Rua da Escola Politécnica - (2001)? Foto de Pedro Soares -  (A "ESCOLA POLITÉCNICA" na rua com o mesmo nome e portão de acesso ao "Jardim Botânico")  in  MONTE OLIVETE
 Rua da Escola Politécnica - (2007) - (Panorâmica da "ESCOLA POLITÉCNICA" e "JARDIM BOTÂNICO" )  in  GOOGLE EARTH
 Rua da Escola Politécnica - (finais do século XX) Foto de FOTOVOO - Panorâmica da "ESCOLA POLITÉCNICA" e o Sítio da COTOVIA, no antigo "NOVICIADO DA COMPANHIA DE JESUS" e "COLÉGIO REAL DOS NOBRES" )  in   SÉTIMA COLINA
 Rua da Escola Politécnica - (1993) - Foto de FOTOVOO - (Pórtico Monumental da "ESCOLA POLITÉCNICA". As suas obras de construção arrastaram-se até 1878, segundo planos de J. F. da SILVA e COSTA, general Engenheiro e Presidente da Junta Administrativa da Escola) in SÉTIMA COLINA
 Rua da Escola Politécnica - ( 190_) Foto de Joshua Benoliel - (A "ESCOLA POLITÉCNICA" e entrada no lado esquerdo para o Jardim Botânico)  ( Abre em tamanho grande ) in   AML 
Rua da Escola Politécnica - (início do século XIX) Desenho de autor não identificado - ( O antigo "COLÉGIO DOS NOBRES" extinto para dar lugar à "ESCOLA POLITÉCNICA" em 1837 já no liberalismo)  in  SÉTIMA COLINA

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ V ]

«A ESCOLA POLITÉCNICA ( 1 )»

Este edifício da "ESCOLA POLITÉCNICA" tal como se encontra, que deu nome à RUA, é de meados de oitocentos.
Os terrenos terão pertencido a "FERNÃO TELES DE MENESES", ex- governador da ÍNDIA e governador do ALGARVE, e de sua mulher, D. MARIA DE NORONHA que fizeram doação em 1597 aos Padres da COMPANHIA DE JESUS, da sua QUINTA DO MONTE OLIVETE do sítio da COTOVIA, para a nova casa do "NOVICIADO DA COMPANHIA DE JESUS".
Foi lançada a primeira pedra para a construção do edifício do "NOVICIADO", em 26 de Abril de 1603. A casa estava construída em 1616 com o risco de "BALTAZAR ÁLVARES", embora só fosse ocupada pelos noviços, no ano de 1619.
Relativamente pequena esta "CASA DO NOVICIADO", embora possuísse uma cerca bastante grande que se estendia ao RATO e ainda para o SALITRE.
No ano de 1759 a "COMPANHIA DE JESUS" foi extinta e expulsa do REINO, deixando o "NOVICIADO DA COTOVIA", vindo a instalar-se nestas casas o "REAL COLÉGIO DOS NOBRES", fundado por carta régia, em 7 de Março de 1761.  Inaugurado em 19 de Março de 1766 pelo REI D. JOSÉ, família real e CARDEAL SALDANHA.
A criação deste COLÉGIO é um monumento importante na evolução do ensino em PORTUGAL, fruto do Iluminismo setecentista, apoiado pela política do despotismo esclarecido do MARQUÊS DE POMBAL.
Entretanto, porém, o edifício, que tinha sido bastante afectado pelo Terramoto de 1755, é reparado poucos anos depois, tendo como arquitecto CARLOS MARDEL. A fachada ficou, então, composta pela Igreja, ao centro, dois corpos com as entradas alpendradas, ambos ladeados por outros dois, mais altos "fazendo torre", e rematados, todos, por um telhado tipo mansarda, de risco MARDELIANO.
O casarão que hoje se vê, com espaços desocupados por via de novas instalações da FACULDADE DA CIDADE UNIVERSITÁRIA, (mas abrigando, já em 1990 um intermitente teatro e salas de exposição), tem vista possível em salas de circunstância, decoradas ao gosto ecléctico dos anos 70-80 do século passado, com a nobreza inerente à função cívica do  novo edifício. As técnicas da arquitectura do ferro intervieram nele, com novas possibilidades de suporte de largas coberturas, e circulação de varandins, mas a massa da cantaria guarda uma feição antiga, algo conventual que lhe fora própria aos ensinos sucessivos, religiosos o primeiro, de abertura laica o segundo, no projecto de POMBAL, militar o que se lhe seguiu, à maneira francesa; assim contornando em 1837 ( e até 1859) a oposição do monopólio docente de COIMBRA à criação, em LISBOA, de um INSTITUTO DE CIÊNCIAS FÍSICAS E MATEMÁTICAS, na sequência de reformas liberais em 1835.

O edifício que se alinha na RUA que tomou o seu nome em 1859 tem um passado variadamente polémico que corresponde, ponto a ponto, à evolução da mentalidade nacional no domínio da educação, com a intervenção definitiva de HERCULANO, num "parecer" célebre, em 1840. Ele que foi ao ponto de defender, em 43, na ilustre "REVISTA UNIVERSAL LISBONENSE", que a verba recolhida para o Monumento de D. PEDRO IV fosse (mais bem) empregada na construção da ESCOLA, e de uma BIBLIOTECA PÚBLICA.
As sucessivas arquitecturas (ou os sucessivos arquitectos) do edifício simbolizam as passagens agenciadas. A construção actual tem discutível autoria, nela tendo intervindo o presidente da JUNTA ADMINISTRATIVA DA ESCOLA à altura do incêndio em 1843, o General Engenheiro SILVA COSTA e, professor de desenho da Escola, o espanhol LUÍS MURIEL, já nomeado em 1840, e que tinha encargo oficial de desenhar os projectos necessários às construções.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ V ] - A ESCOLA POLITÉCNICA ( 2 )». 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

5 DE OUTUBRO DE 1910

«VIVA A REPÚBLICA E A DEMOCRACIA!»



5 de Outubro de 1910 - Data comemorativa do 105.º aniversário  da implantação da REPÚBLICA  em  PORTUGAL. [Foto WIKIPÉDIA]

(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ V ]-A ESCOLA POLITÉCNICA ( 1 )»

sábado, 3 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ IV ]

«O PALACETE CASTILHO»
 Rua da Escola Politécnica - (2013) Foto de autor não identificado (Fachada do "PALACETE CASTILHO" na "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA") in  JUNTA DE FREGUESIA DE SANTO ANTÓNIO 
 Rua da Escola Politécnica - (2013) - (O "PALACETE CASTILHO" terceiro prédio na direita, na "Rua da Escola Politécnica")  in  GOOGLE EARTH 
 Rua da Escola Politécnica - ( 2001 ) Foto de Pedro Soares - ( "PALACETE CASTILHO"; existem notícias deste Palacete desde 1728, então propriedade de um tal "Pereira da Azambuja" Cavaleiro da "ORDEM DE CRISTO") in  MONTE OLIVETE
Rua da Escola Politécnica - ( 1993 ) - Foto de FOTOVOO - ("PALACETE CASTILHO" na "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" é considerado uma das mais antigas casas nobres na "COTOVIA") in A SÉTIMA COLINA

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ IV ]

«O PALACETE CASTILHO»

O "PALACETE CASTILHO" na RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA do número 38 a 48, será provavelmente um dos mais antigos edifícios e casa-nobre da RUA, onde estiveram instalados vários nobres, instituições de Ensino e Lojas de Marca.
Esta magnifica RUA, trata-se de um antigo troço que foi a "RUA DIREITA DO PATRIARCAL" dita "QUEIMADA", ainda no Atlas de FILIPE FOLQUE de 1858, como anos antes, era chamada de "RUA NOVA ou "DIREITA DA COTOVIA" e da "FÁBRICA DAS SEDAS".
Esta antiguidade do PALACETE é manifestada num pormenor da fachada que, se olhada com atenção, a distingue das restantes suas vizinhas. É muito acentuada a separação entre as janelas, demonstrando um apego à exaltação do muro base como elemento caracterizador de uma prática arquitectónica, tão manifestamente desenvolvida pelo gosto "chão" seiscentista. Gosto que se prolongou por vezes bem dentro do século XVIII, sobretudo acarinhado pelas camadas médias da fidalguia, quer urbana quer de província. 

Do possível construtor, não existe nenhum documento, embora o primeiro nome que chegou como morador nesta casa, viveu nesse tempo e integrava-se nesse característico grupo social intermédio. Chamou-se ele "JOÃO PEREIRA DA COSTA AZAMBUJA", Cavaleiro da ORDEM DE CRISTO, e é citado como aqui residente em 1728.
Em 1738, habitava-a, por aluguer, a família do CAPITÃO-MOR (de onde, não consta) "JOSÉ ANTÓNIO DE CASTILHO, cujos filhos esposaram uma menina LOUSÃ e um irmão dela, vizinhos como sabemos. Daí que os CONDES DA LOUSÃ acabarem por lá se instalar ou viver, e viessem a herdar a propriedade, em 1870, o VISCONDE DE ARNEIRO, titular desse ano, advogado, deputado, e apreciado compositor musical.

Actualmente, a fachada compõe-se de quatro pisos. O último, uma espécie de mansarda elevada, meio-escondido pela balaustrada, é recente o acrescento talvez de 1980.
Quanto aos restantes, os dois primeiros, rés-do-chão e andar nobre de sacadas, são os primitivos. O acrescento de um piso de janelas de peito, espécie de mezzanino, deverá ser mais tardio, possivelmente simultâneo do ressalto de duas pilastras em reboco, à altura da fachada, que suportam um frontão triangular, também ele em reboco e que traz um interessante ao neo-clássico, enganador quanto à sua datação imediata.
Estas alterações deverão ter sido iniciativa da família "CASTILHO", que aqui morou até meados do século XIX. Ocupou a casa desde 1753, aqui residindo sem interrupção vários membros da família e outros colaterais, como os irmãos do CONDE DA LOUSA, um deles casado com a dona da casa. Aqui morou, assim, D. LOURENÇO DE LENCANTRE, mais tarde BISPO DE ELVAS e personagem da sátira "Hissope", de CRUZ E SILVA.
Os próprios CONDES DA LOUSÃ também aqui viveram já no século XIX, como herdeiros de sua tia, pois os CASTILHOS tinham adquirido em 1810 a propriedade da casa, até então alugada. Aliás, a presença desta família foi mantida no local. pelo baptismo da rua fronteira que, por muito tempo, se chamou "RUA NOVA DO CASTILHO, hoje RUA DE SÃO MARÇAL. É a permanente ligação a esta família que nos leva assim identificar este edifício.

Posteriormente a casa teve muitos outros inquilinos, sendo mais tarde dividida em apartamentos autónomos, tornando-se um vulgar prédio de habitação. Só recentemente, com a instalação da "UNIVERSIDADE INTERNACIONAL", a velha Mansão da COTOVIA, voltou a encontrar a unidade com que a construíram e acrescentaram os seus diversos proprietários. 
Este PALACETE nos anos 40 do século passado era a "SECRETARIA GERAL DA UNIVERSIDADE DE LISBOA". Em 1999 foi adaptada luxuosamente a lojas de objectos de decoração de marca internacional "EMPÓRIO ARMANI", e em outros espécies de enobrecimento comercial da artéria.  No número 42 desta RUA, vamos encontrar o "ENTRE TANTO", é um "indoor market" que ocupa uma parte do PALACETE CASTILHO. A apresentação é um labirinto de descobertas; começamos a subir uma escada muito estreita e de repente damos de "caras" com uma loja de livros, ou um salão de beleza.
Seguindo o "caminho" do "PALÁCIO RIBEIRO DA CUNHA" actual "EMBAIXADA", outros edifícios desta rua também receberam esse "banho" de lojas, capitaneado por um BANCO DE INVESTIMENTOS, alguns com a mesma proposta de uso, outros para virarem moradias de luxo.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ V ] -A  ESCOLA POLITÉCNICA (1)»