segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

RUA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Rua do Diário de Notícias - (Actual) Foto de Dias dos Reis in Galeria de Dias dos Reis
Rua do Diário de Notícias - (1960) Foto Armando Madureira (Retiro a "TOCA" de Carlos Ramos) in AFML

Rua Diário de Notícias - (1942) Foto Eduardo Portugal (Jornal DN na antiga Rua dos Calafates-Desenho) in AFML


Rua do Diário de Notícias - (Início do século XX) Foto Alberto Carlos Lima in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa



Rua do Diário de Notícias - (Início do século XX) Foto Alberto Carlos Lima (Moços de fretes jogando à moeda) in AFML




Rua do Diário de Notícias - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado in AFML




A RUA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (antiga Rua dos Calafates) pertence à freguesia da ENCARNAÇÃO, começa na Rua das Salgadeiras no número 10 e termina na Travessa da Cara no número 3.
Com as fainas navais junto ao rio Tejo - Ribeira das Naus, Remolares e Santos - passaram a ocupar, em finais do Século XV e princípios do XVI, os seus trabalhadores.
Muitos Calafates(1) procuraram então morada (pessoas modestas ligadas às lides marítimas), numa das ruas que se abria, ao tempo, por iniciativa dos Andrades, numa herdade que ficava fora das Portas de Santa Catarina e que hoje conhecemos pelo nome mais simples de BAIRRO ALTO. (Lugar de mareantes, de mestres de Naus e Calafates). Dai a designação de «Rua dos Calafates».
Nessa artéria instalou-se - anos mais tarde - uma tipografia (que já existia na primeira metade do século XVIII).
Na casa situada na esquina dos Calafates com via que dava acesso ao Poço da Cidade, foi elaborado o primeiro periódico que em Lisboa foi vendido pelas ruas; chamava-se a "GUARDA AVANÇADA" e foi publicado em 1835, durante alguns meses.
Em 1862 Tomaz Quintino (mais tarde Conde de S. Marçal) adquiriu o estabelecimento e pouco depois, a propriedade do edifício.
Imprimia-se na Casa um Jornal «O CONSERVADOR», de que era redactor Eduardo Coelho, homem culto e também empreendedor. Os dois resolveram fundar um jornal, que se publicaria na própria tipografia: o «DIÁRIO DE NOTÍCIAS». O primeiro número formal desse jornal era publicado do dia 1 de Janeiro de 1865.
Da importância deste diário, de intenção noticiosa e destinada ao grande público, resultaram dois acontecimentos importantes para a cidade de Lisboa: um deles, o aparecimento de ardinas a venderem o novo diário. O outro, acabou com a serrazina monótona dos cegos que enxameavam as Ruas de Lisboa, lamuriando as exíguas folhas de então. Dentro em pouco, Lisboa passava a ser percorrida por dezenas de ardinas que, em correria, soltavam o pregão do novo jornal.
Literáriamente, também o jornal da Rua dos Calafates, subia a um bom nível. Figuras das letras como Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Júlio César Machado e muitos outros passaram a ser colaboradores habituais.
Não espantou, por tudo isso, que em 31 de Dezembro de 1885, quando o jornal completara 21 anos, a vereação lisboeta decidisse, através de edital, que a Rua dos Calafates cessava a sua existência dando lugar à «RUA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS». O dístico lá ficou, mesmo quando o jornal se mudou para as suas novas instalações na Avenida da Liberdade nos anos 40 do século passado.
No dizer de Norberto de Araújo nas suas «Peregrinações em Lisboa» no volume VI «Na esquina da Travessa da Queimada e da Rua dos Calafates - hoje do Diário de Notícias, - fica o velho Restaurante ALFAIA (hoje uma sombra) que teve tradições bairristas de certa nomeada na vida boémia, literária e jornalística, pobre e descuidada de há 20 anos. O ALFAIA vem de 1880, então na posse e administração do cidadão de PONTEVEDRA que lhe deu o nome. (...) No Bairro Alto, das tascas e das casas das iscas, o ALFAIA, agradável para a sua época, embora modesto de aparência».
Também Carlos Ramos teve a sua casa típica «A TOCA» nesta rua do Diário de Notícias.
Nascido no Bairro de Alcântara no ano de 1907, cedo se dedicou à música, primeiro como guitarrista acompanhante, depois como fadista. Tinha uma particularidade na época, acompanhava-se a si próprio à guitarra. Depois de ter cantado em várias casas Típicas, andou pelo Café Luso, neste Bairro, actuou nos palcos em Revistas e nas «Melodias de Sempre» na televisão.
Os seus fados de maior êxitos foram: «Não venhas tarde» e «Canto o Fado».
Fadista que conhecíamos, de trato afável, terminou a sua carreira por motivos de doença, vindo a falecer no ano de 1969.
(1) - Pessoas que calafetam navios - Tapar as fendas de navios com estopa alcatroada.

5 comentários:

Henrique Mendonça disse...

Pena não se ter feito referência que nessa rua, nascia em 1856 Henrique Lopes de Mendonça, autor dos versos "A Portuguesa" nosso Hino Nacional. Henrique Lopes de Mendonça também colaborou no Diário de Noticias.

APS disse...

Caro Henrique Mendonça

Pena minha também não ter conhecimento, pois teria muito gosto na sua divulgação.
Agradeço a informação prestada.

Cumprimentos
APS

Domínio Público PT disse...

Viva,

Não sei se me pode ajudar, mas vi o desenho do antigo edifício do Diário de Notícias, que gostaria de usar num post.
Não encontro a imagem em mais lado nenhum, e não consigo aferir apenas pela informação que dá se posso usá-la.
Na legenda, diz que é uma foto de 1942 de Eduardo Portugal, mas na verdade não se trata de uma foto, mas de um desenho.
A minha dúvida é a data e o autor correspondem ao desenho ou à foto do desenho? Se não corresponderem ao desenho, consegue dar-me alguma pista que me possa levar a perceber a origem do desenho?
Também tentei procurar no AFML (que suponho ser o Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa), mas não encontrei.
Desde já lhe agradeço a ajuda.

APS disse...

Ao
DOMÍNIO PÚBLICO PT

Já lhe respondi por mail e enviei a foto A4464 da (AFML).

Espero ter resolvido parcialmente o seu problema.

Saudações
APS

Domínio Público PT disse...

Caro APS,
Antes demais, peço desculpa por só hoje ter tido a oportunidade de voltar aqui.

Queria também dizer-lhe que não recebi o email - é um email novo, o site também é recente, e tenho receio que eu possa ter escrito mal o email que é dominiopublicopt @ gmail . com (sem os espaços, que coloco aqui apenas por precaução)

Deixe-me, de qualquer forma, agradecer-lhe a ajuda. Bem-haja,