quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

RUA IVENS

Rua Ivens, 10 - (1968) Foto Armando Serôdio (Palácio dos Condes do Vimioso, onde se instalou a Companhia de Moçambique) in AFML
Rua Ivens - (1965-03) Foto Armando Serôdio (à direita a Casa da Sorte) in AFML

Rua Ivens - (1965-03) Foto Armando Serôdio (Kodak Portuguesa) in AFML


Rua Ivens - (1963) Foto Armando Serôdio (Tabacaria "Estrela Polar") in AFML



Rua Ivens, 37 - (1962) Foto Armando Serôdio (Grémio Literário) in AFML




Rua Ivens, 6 - (1960) Foto Arnaldo Madureira (Administração do 2º Bairro) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa





Rua Ivens - (Início do século XX) Foto Joshua Benoliel (Tabacaria "Estrela Polar" esquina com a Rua Garrett) in AFML




A RUA IVENS (antiga Rua de S. Francisco) pertence à freguesia dos MÁRTIRES, começa no Largo da Academia Nacional das Belas Artes (antigo Largo da Biblioteca Pública) e termina na Rua Garrett no número 33.
Segundo o "ITINERÁRIO LISBONENSE" de 1804, esta Rua chamada então de Rua de São Francisco da Cidade «é a quinta à direita, vindo do Loreto descendo a Rua Garrett, e termina na Rua do Ferragial de Cima» (hoje Rua Victor Cordon).
O nome da rua está ligado ao Convento de São Francisco instalado no Monte Fragoso, fundado em 1217, por Freire Zacarias. Foi a casa mãe da Ordem Franciscana em Portugal. A área ocupada no período áureo era tão grande que se lhe chamava «a cidade de São Francisco».
Sofreu vários incêndios o maior dos quais devido ao terramoto de 1755. Todas as riquezas desapareceram nessa altura, desde a Igreja de três naves até à biblioteca e obras de arte.
A reconstrução lenta da nova planta não estava ainda concluída quando foram extintas as Ordens religiosas.
Seria precisamente devido à sua enorme área que aí se instalou mais tarde a Biblioteca Pública, a Escola de Belas Artes (1836) e posteriormente o Museu de Arte Contemporânea.

Recuando séculos no tempo, encontraríamos no local onde se erguia o Convento de S. Francisco desde 1217 - denominado de Monte Fragoso - o acampamento dos Cruzados ingleses que auxiliavam D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa. Dali se dominava o rio e a Baixa lisboeta.
Este convento foi também um dos palcos das lutas civis entre absolutistas e liberais. Quando a 23 de Junho de 1828 por determinação de D. Miguel, o povo reuniu separado das outras ordens, coube-lhe este espaço de encontro, enquanto a nobreza reunia em S. Roque e o clero na Igreja de Santo António.
Nesta rua no prédio com esquina para a Rua Garrett, existiu durante muitos anos a Tabacaria «Estrela Polar», substituída mais tarde pela «Casa da Sorte».
Esteve também instalado nesse prédio o «Clube Tauromáquico Português», no número 72. Na outra esquina em frente a esta permaneceu muito tempo, uma das melhores casas da especialidade em fotografia a «Kodak Portuguesa).
No século XIX os números 2 a 14 desta rua alfacinha pertenciam à freguesia dos Mártires, enquanto os números 25 a 37 pertenciam já à freguesia de S. Julião. A mesma rua era, por isso, segundo a crença religiosa popular, protegida por dois padroeiros, exercendo cada um as boas graças sobre a sua parte. De resto, esta é uma situação comum nas ruas de Lisboa. Uma mesma rua "reza" a santos diferentes.
O traçado desta rua resultado do plano de urbanização elaborado na sequência do Terramoto de 1755, sendo referida pela primeira vez quando estavam passados 30 anos sobre esse destruidor acontecimento. Inicia-se no Largo da Biblioteca Pública (agora Largo da Academia Nacional das Belas Artes), onde estava implantada a Biblioteca Popular de Lisboa, na qual, para além das obras depositadas por Depósito Legal, se encontra os espólios valiosos legados por grandes vultos da cultura portuguesa.
Neste Largo foi erigido o busto de Visconde de Valmor pelo escultor Teixeira Lopes e pelo arquitecto José Luís Monteiro, a expensas dos professores e alunos da Academia das Belas Artes, tendo sido descerrado em 1904. A rua termina na célebre e poética Rua Garrett, ali ao Chiado, e foi rebaptizada com o nome de Rua Ivens. A bem conhecida Rua Ivens da Rádio Renascença.
Não podíamos deixar de falar de quem foi Roberto Ivens.
Nasceu no ano de 1850, na freguesia de S. Pedro (Ponta Delgada) Ilha de S. Miguel Açores. Filho de pai inglês e mãe portuguesa, assentou praça na Marinha em 1867.
Depois de concluir o curso em 1870, prestou serviços na Índia, em Angola (com apenas 26 anos), chefiou algumas expedições para Sul.
Em 1877 com Hermenegildo Capelo e Alexandre Serpa Pinto, explorou os Territórios entre Angola e Moçambique.
Ao longo de toda a viagem, Roberto Ivens escreve, desenha, faz croquis, levanta cartas topográficas.
No ano de 1885, vai em expedição a Quelimane em Moçambique, cumprindo todos os objectivos definidos pelo Governo. Estas expedições, para além de terem permitido fazer várias determinações geográficas, permitiram também servir para a defesa da presença portuguesa nos territórios explorados e reivindicados os respectivos direitos de soberania (Mapa cor-de-rosa) que a Inglaterra não aceitou e que provocou o ULTIMATO de 1890.
Roberto Ivens veio a falecer na Cruz Quebrada-Dafundo em 28 de Janeiro de 1898.

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