



(CONTINUAÇÃO)
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CALÇADA DOS BARBADINHOS [ III ]
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«A IGREJA DO CONVENTO DOS BARBADINHOS ITALIANOS»
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A «IGREJA DE NOSSA SENHORA DA PORCIÚNCULA» do Convento dos «BARBADINHOS ITALIANOS», sede da antiga freguesia de «SANTA ENGRÁCIA», construída sob os auspícios de «D. JOÃO V» e inaugurada em 1742, a qual se situa na «CALÇADA DOS BARBADINHOS». Representa um dos vários conjuntos conventuais desta «LISBOA ORIENTAL» que tem passado quase despercebida.
A Igreja tem um corpo central com galilé de três arcadas, gradeadas e encimadas por outras tantas janelas iluminantes, sendo a central maior e dois corpos laterais, o da esquerda com torre sineira, e o da direita rebaixado. Sobre a arcada central tem uma pedra com as armas reais contorcidas e, sobrepujando a janela correspondente, um nicho com uma escultura, em pedra , da padroeira.
Dela se fala a propósito quando entramos à direita. Sobre uma mísula, está o «BUSTO-RELICÁRIO» de prata e pedraria de «SANTA ENGRÁCIA» como relíquia, doado à freguesia pela fundadora desta Igreja «INFANTA D. MARIA» (filha do Rei D. Manuel I e de sua terceira esposa, D.LEONOR, irmã de CARLOS V).
Interiormente, e em contraste com a maioria das Igrejas de Lisboa, a de «Nª.Sª. da PORCIÚNCULA» não tem talha dourada. No entanto, constitui um interessante conjunto a merecer uma atenção cuidada, pois revela uma sensibilidade mais italiana no tratamento das riquíssimas madeiras do «BRASIL», sem recurso à cobertura em ouro habitual na talha portuguesa.
Aqui, pelo contrário, o efeito decorativo é conseguido pelo jogo dos embutidos, numa variedade colorida a partir dos vários tons da madeira.
De realçar o «ALTAR-MOR». sobretudo o seu magnifico tabernáculo, peça de grande requinte e qualidade na sua forma de «TEMPLO» e no tratamento escultórico dos relevos que o adornam. Os retábulos, inclusive o do «ALTAR-MOR» são talhados em madeira escura, vendo-se neste uma pintura representando «Nª. Sª. DA CONCEIÇÃO» entre os anjos e as imagens setecentistas de «SANTO ANTÓNIO» e de «SANTA ENGRÁCIA». O sacrário, oferta de «D. JOÃO V», tem a porta chapeada a ouro.
Embora o seu interior constitua um dos mais ricos repositórios das encomendas italianas no período joanino, já o mesmo não se poderá dizer da sua arquitectura, conformada ainda por valores ligados a uma tradição bem arreigada, facto a que não será estranho a sensibilidade estética dominante entre os vários ramos franciscanos, dos quais se contam os «BARBADINHOS».
No entanto, a solidez das cantarias resulta dum efeito que marca todo o conjunto, aproximando-se de um certo gosto comum em PORTUGAL na transição do século XVII para o XVIII, mas que surge um pouco desfasado numa iniciativa régia da construção, quando o espírito do barroco romano se impunha.
Esta igreja foi requisitada pelo GOVERNO CÍVIL DE LISBOA para a freguesia de «SANTA ENGRÁCIA» em 27 de Abril de 1836, merecendo a transferência uma procissão em que não iam andores com as santas imagens, mas só o pálio com o santíssimo Sacramento ( 1 ).
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-( 1 ) - Luís Gonzaga Pereira - MONUMENTOS SACROS DE LISBOA, Lisboa, BNL, 1927, p.80.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«CALÇADA DOS BARBADINHOS [ IV ] - O CONVENTO DOS BARBADINHOS ITALIANOS (1)».
5 comentários:
Uma Santa emigrante.
Aragão devolveu muito mais tarde uma outra Santa, Isabel de Aragão, Raínha de Portugal.
O relógio em fachada é muito recente.
Uma escada em caracol permite de aceder ao campanário. Bela vista sobre o Tejo.
As instalações da igreja, além dum imenso cartório e sacristia à esquerda, comportam uma sala que serviu de sala velatória à direita, frente à sacristia.
Mais ao fundo do lado direito, existem várias pequenas salas e uma grande sala com palco.
Mais perto do claustro, está o domicílio do prior.
Do lado oposto, estão os escuteiros e o alojamento do sacristão.
Aqui já estamos na grande entrada de serviço do lado direito.
O desnível entre o adro da igreja e a Rua do Alviela é importante.
Alguma coisa lá deve estar.
Não existe nenhuma entrada na Rua do Alviela.
Como se terá que fazer para lá entrar ?
Eu nunca fui lá mas já lá foi quem me baptizou.
Ele não me mostrou o caminho. Talvez que ele não me quisesse que eu tivesse medo dentro duma caverna pavorosa.
Cumpts
Caro Agostinho
serve o presente para renovar os meus parabéns por este magnífico espaço, uma verdadeira enciclopédia olissiponense. As fotografias, os textos, o enquadramento histórico, as informações complementares, prefazem, no seu conjunto, um resultado ímpar que a todos enriquce. Muito obrigado por este autêntico "serviço público municipal".
um abraço,
José Luís Espada Feio
Caro Gracioso
Coadjuvando o que eu vou investigando, o amigo por experiência vivida "in loco", vai acrescentando mais elementos à história da Calçada.
Um abraço
APS
Caro José Luís Espada Feio
Fico muito agradecido pelas suas simpáticas palavras.
É muita bondade sua, chamar a este espaço de "serviço público municipal". Não pretendo que assim seja, embora reconheça que são palavras como as suas, que nos dão animo para continuar este trabalho.
Bem-haja!
Um abraço
APS
Caro APS
Confirmo que o que acrescentei foi por experiência vivida lá.
Por si, era um microcosmos com horizontes, mais vastos do que os clubes da vizinhança.
Se, no caso presente, as imagens apresentadas e a descrição me foram familiares, a história não o foi, pelo que agradeço também as suas explicações.
Por isso também partilho da ideia que se trata dum "serviço público municipal".
Um abraço
Gracioso
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