quarta-feira, 12 de março de 2008

RUA DE ALCÂNTARA

Rua de Alcântara - (196--) Foto Arnaldo Madureira in AFML
Rua de Alcântara - (1909-08) Foto Joshua Benoliel (Cantina Escolar de Alcântara) in AFML

Rua de Alcântara - (Início do século XX) Foto Joshua Benoliel (Soc. Promotora de Educação Popular) in AFML


Rua de Alcântara - (Início do século XX) Foto Joshua Benoliel in AFML



Rua de Alcântara - (Início do século XX) Foto Eduardo Portugal (Mercado de Alcântara) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa



A RUA DE ALCÂNTARA pertence à freguesia de ALCÂNTARA, fica situada entre a Rua do Prior do Crato e o Largo do Calvário.


É um local privilegiado quanto ao seu enquadramento cultural e histórico. Devemos realçar que o seu nome (Alcântara-sítio) se deve à existência de uma ponte que atravessava a ribeira, chamavam-lhe os Árabes AL-QANTARA que significa (a ponte).
Desemboca a Rua de Alcântara no Largo do Calvário dominado pelo Palácio de Alcântara, fronteiro à Igreja das Flamengas, ao antigo Convento de Nossa Senhora da Quitação, que mereceu a preferência de alguns dos nossos monarcas e princípes (embora de arquitectura algo modesta), segundo os mais críticos. O Palácio Real de Alcântara edificado na área do actual Largo do Calvário, teve projecto do arquitecto régio Teodósio de Frias datado de 1606.
Ocupou o espaço de uma moradia e quinta de João Baptista Realesco, italiano, contratador da pimenta da Índia, que perdeu aqueles bens em favor da coroa, por insolvência de dívidas. Este edifício apenas reviveu depois da Restauração de 1640, quando voltou a ser residência sazonal de D. João IV. Caro à nossa realeza, foi esse palácio escolhido para a "investida e tomada de posse" de D. Afonso VI, a 21 de Junho de 1662.
Também nele procurou refugio a viúva do rei D. Carlos II de Inglaterra, D. Catarina, aquando do seu regresso a Portugal, em 1693.
Foi a morada mais assiduamente procurada por D. Pedro II, que a ocupou, não só durante a sua regência, como ao longo do seu reinado, até 1706, data em que faleceu.
O nefasto terramoto de 1755 deixou esta morada real, (também conhecida por Palácio do Calvário, devido ao Largo em que foi erigido), profundamente danificada. No entanto, depois de reconstruído, regressou à Coroa em 1808, passando a servir a Casa Real, albergando os seus criados e órfãos mais ilustres.
No GUIA DE PORTUGAL editado pela Fundação Calouste Gulbenkian diz-nos que «a rua do Livramento continua-se com a de Alcântara (...) onde está hoje o grande edifício que tem face para o Largo do Calvário e a Rua de Santo António, que era o velho Palácio de Alcântara ou do Calvário. Neste palácio, que foi primitivamente residência particular de um rico italiano, e depois "adquirida" por Filipe II de Espanha, habitaram D. João IV, D. Afonso VI e Pedro II. Foi aí que Afonso VI e Castelo Melhor se reuniram em 1662 para proclamarem revolucionariamente a maioridade do rei».
No Palácio do Calvário casaram D. Pedro II e D. Maria Francisca de Sabóia em 1668, tendo ali morrido esse soberano em 1706. Junto ao Paço de Alcântara ficava a grande Quinta chamada da ninfa, com jardins, hortas, lagos, etc., ocupando a actual Tapada da Ajuda a parte Norte dessa vasta propriedade, mandada plantar pelo Marquês de Pombal para nela o Rei D. José realizar as suas caçadas.
O território da nova freguesia de Alcântara foi destacada da freguesia da Ajuda e deu-lhe o título de S. Pedro em Alcântara, para não confundir com S. Pedro de Alcântara, nome de um Convento no Bairro Alto.


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