domingo, 16 de março de 2008

RUA DOS CONDES [ I ]

Rua dos Condes - (2004) Foto Dias dos Reis (ex-Cinema Condes hoje HARD ROCK CAFÉ) in http://www.pbase.com/
Rua dos Condes - (195--) Fotógrafo não identificado (Cinema Condes)

Rua dos Condes - (195--) Foto Salvador Almeida Fernando ( Cinema Condes) in AFML

Rua dos Condes - (Post. 1888) Fotógrafo não identificado (Teatro da Rua dos Condes, após a reconstrução de 1888) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


Rua dos Condes - (C.1902) Foto Paulo Guedes (Antigo Teatro Condes visto da Avenida da Liberdade) in AFML

A RUA DOS CONDES pertence a duas freguesias. À freguesia de SANTA JUSTA todos os números ímpares, à freguesia de SÃO JOSÉ todos os números pares. Começa na Rua das Portas de Santo Antão no número 127 e termina na Praça dos Restauradores no número 46.


( Vamos hoje falar duma rua curta, mas com muita história. Começamos pela identificação do sítio e seguimos o caminho do seu primeiro Teatro, num longo curso de vida).

«AS HERANÇAS»
No século XVI assentava nesta vasta área o Solar e Quinta de Fernão Álvares de Andrade. Do casamento de uma neta de Fernão Álvares com D. Fernando de Menezes, sobrinho neto do 1º Conde de Ericeira - o qual veio a herdar, título e casa -, o Palácio dos Andrades, da Anunciada, passou para os Menezes (ERICEIRAS).


«A POSSÍVEL EXPLICAÇÃO PARA O NOME DA RUA»
Os Condes de «CASTELO MELHOR» antes de 1755, tiveram o seu primeiro Palácio no sítio que hoje vemos limitado pela Rua dos Condes e pela travessa de Santo Antão. A seguir, pela actual Avenida da Liberdade acima até ao Largo da Anunciada, estendia-se outro Palácio, o dos «CONDES DA ERICEIRA». E, onde temos hoje o Ateneu Comercial de Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão, ficava a morada dos «CONDES DE POVOLIDE».
Natural, portanto, que toda aquela zona ficasse conhecida pelo sítio «dos Condes» e que a rua viesse a tomar o mesmo nome.


«O TEATRO QUE VIROU DEPOIS CINEMA»
Os Condes da Ericeira eram donos da maior parte do sítio onde existe hoje a Rua dos Condes até ao Largo da Anunciada.
Já nessa época, se representava por ali: no Pátio das Hortas dos Condes, iam à cena funções de maior êxito na época, veio porém, o terramoto - e nem os Palácios resistiram.
O Solar dos fidalgos ericeirenses foi destruído pelo terramoto de 1755. Logo no ano seguinte, pensou-se edificar numa parte do terreno um teatro.
O Arquitecto italiano Petronio Manzoni encarregou-se do projecto, foi ali surgindo o chamado Teatro da Rua dos Condes, que começou a funcionar em 1765. As gravuras da época mostram-nos um edifício relativamente baixo, pelo que custa a entender como lá cabiam várias ordens de camarotes.
Era uma casa de grandes ambições: lá se cantou ópera durante dezenas de anos.
Um episódio ficou nos anais da pequena história dos escândalos lisboetas - a célebre cantora italiana ZAMPERINI, que aliando uma bela voz à sua bonita figura, era também muito comunicativa e amiga de convívios: alguns elegantes da época perderam-se de amores pela «diva da Rua dos Condes».
O Marquês de Pombal ia fechando os olhos, até saber que um dos mais entusiasmados seguidores daquele "rouxinol Transalpino" era o seu próprio filho, que ia delapidando a fortuna da família. Claro está que a esta cantora que tantos escândalos amorosos provocara, o Marquês de Pombal, viu-se obrigado a expulsá-la do país.
Em 1782, era tal a importância do Teatro dos Condes, que passou a ter categoria de Teatro Nacional. A Administração era comum ao Teatro de São Carlos. A vida literária e teatral portuguesa passava forçosamente por ali.
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