domingo, 23 de março de 2008

RUA DOS FANQUEIROS [ III ]

Rua dos Fanqueiros - (s.d.) (CESÁRIO VERDE - (1855-1886) in www.vidaslusofonas.pt
Rua dos Fanqueiros, 280 a 284 - (1957) Foto Armando Serôdio in AFML
Rua dos Fanqueiros - (1955) Foto Horácio Novais (Edifício em cujo r/c esteve instalada a loja de ferragens de José Anastácio Verde, pai de CESÁRIO VERDE) in AFML
Rua dos Fanqueiros - (194--) Foto Ferreira Cunha ( Armazéns Azevedo) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa




(CONTINUAÇÃO)
No quarteirão do lado par, logo ao inicio da Rua e fazendo esquina para a Rua de Alfândega, aí esteve instalada durante umas dezenas de anos, a loja de Ferragens de José Anastácio Verde.
Foi um comerciante muito bem sucedido e dono de uma quinta em Linda-a-Pastora (a uns quinze quilómetros da capital). Em 1852 casa com Maria da Piedade dos Santos, o casal vai morar num andar de um prédio na Rua da Padaria, próximo da Sé de Lisboa.
No dia 23 de Fevereiro de 1855 nascia nesse prédio da Rua da Padaria na baixa Pombalina o filho do comerciante da Rua dos Fanqueiros, de seu nome José Joaquim CESÁRIO VERDE.
Em 1857 com apenas dois anos de idade ele e sua família são forçados a refugiarem-se na sua quinta de Linda-a-Pastora por motivo da Peste em Lisboa. No ano 1865 toda a família passa a morar na Rua do Salitre e Cesário conclui a instrução primária e começa os seus estudos de inglês e francês.
Com 18 anos Cesário matriculou-se no curso Superior de Letras, mas não o conclui.
Do poeta restam-nos poucos manuscritos. «O LIVRO DE CESÁRIO VERDE» seria organizado postumamente por um jornalista e crítico literário Silva Pinto, que o conheceu na universidade. No entanto, pela geração modernista, foi considerado o grande mestre. Numa perspectiva estética, Cesário Verde levou a poesia as metodologias associadas ao romance naturalista e realista.
Tendo chegado a dirigir a loja de ferragens de seu pai, faleceu aos trinta e um anos de idade de tuberculose.
Também chegou a trabalhar nesta loja Eduardo Coelho (Fundador do Diário de Notícias) antes de se dedicar exclusivamente às letras e ao jornalismo.
Mais tarde neste local surgiu depois o Banco Burnay, fundado pelo Conde de Burnay e por Ernesto Empis.



Mais acima, do outro lado, fica ainda hoje a Casa dos Panos, da família do mestre olisipógrafo Luís Pastor de Macedo. Anteriormente, em meados do século XIX, a loja terá pertencido aos Pinheiros, antepassados do famoso actor Chaby Pinheiro e de comerciantes que se mantiveram pela Baixa com lojas concorridas.



Houve nesta rua um pouco de tudo: hotéis ( o CORREIA, o MADRID, o SUÍÇO), um célebre Salão de Baile (de APOLO se chamava), da Academia Recreio Artístico e, sobretudo, lojas, muitas lojas, vendendo quanto é preciso para que um sujeito se apresente bem vestido e devidamente agasalhado e composto.
E, no entanto, apesar desta porfia secular de ganhar dinheiro honradamente, sempre os humoristas e gente de tendências mais ou menos "snobes" troçaram da RUA. Gervásio Lobato (escritor humorista), não hesitou em pôr lá a morar o seu Justino Antunes e o seu Conselheiro Torres. Outros troçam de quem «anda vestido como um manequim da Rua dos Fanqueiros». Pois sim, riam-se... A Rua mais pombalina da Baixa lá vai resistindo.
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