domingo, 20 de abril de 2008

RUA DO ARSENAL [ II ]

Rua do Arsenal - (2008) Foto de APS (Fachada principal do Arsenal da Marinha de Lisboa)

Rua do Arsenal - (2008) Foto de APS (Final da Rua do Arsenal - o recinto para estacionamento de carros foi em tempos a "Sala do Risco")
Rua do Arsenal - (Século XV-XVI) (Pintor Martins Barata) (Reconstituição da Ribeira de Lisboa) in Revista Municipal da CML
Rua do Arsenal - (1622) (Desenho de Domingos Vieira) (Tercenas representadas na panorâmica de Lisboa, inserta na obra de LAVANHA, Viagem da Católica Real Magestade o rei Filipe II N.S. ao reino de Portugal,Madrid.) in Revista Municipal da CML
Rua do Arsenal - (1294) (Desenho atribuido ao Engº Augusto Vieira da Silva) (Tercenas de D. Dinis) in Revista Municipal da CML


(CONTINUAÇÃO)
RUA DO ARSENAL
«ARSENAL DA MARINHA DE LISBOA»
A zona marginal do TEJO entre a Praça do Município e a Igreja da Conceição Velha chamou-se, no passado a RIBEIRA.
Aqui existiram «TERCENAS» ou «TARACENAS», onde se construiram navios e se guardavam apetrechos maritímos. D. Manuel, quando vivia na Alcáçova do Castelo, vinha com freqência à Ribeira para seguir a construção dos navios, ali se instalando no Paço que mandou edifícar.
Os chamados estaleiros da Ribeira das Naus e os armazéns das armas, de pólvora, de monições, de aprovisionamento e géneros foram, em grande parte, os responsáveis pela epopeia marítima dos portugueses. O terremoto de 1755 destruiu esse importante complexo, mas logo no dia 14 desse mês foi determinada a sua reconstruçãoque, de facto, se iniciou em 1759, com o risco de Eugénio dos Santos.

No início da segunda metade do século XIX, o ARSENAL DA MARINHA começa a adaptar-se à construção de navios de ferro movidos a vapor. Para além de duas carreiras de construção, armazéns e oficinas, o Arsenal dispunha de um "DIQUE", construido em 1792, destinado à reparação de navios. Esta doca seca, a primeira que existiu no país, teve longos períodos de inactividade entre 1807 e 1877, passou então a utilizar uma porta-batel, manteve-se em plena operacionalidade até 1939, data em que, por motivo da abertura da Avenida das Naus, foi atulhada.
Alguns anos antes, em 1936, tinha-se iniciado a transferência do «ARSENAL DA MARINHA» para as «INSTALAÇÕES NAVAIS DO ALFEITE».


Nos edifícios que envolviam o espaço do Arsenal foram instalados, ao longo do tempo, diversas instituições e serviços, dos quais se destacam os seguintes: Observatório Astronómico - criado por D. Maria I em 15 de Março de 1798, serviu para o ensino de astronomia dos alunos das Academias de Guardas-Marinhas e da Marinha. Após as Invansões Francesas, e pelo facto de parte do material ter sido transferido para o Brasil, o observatório passa a ter uma vida atribulada. Em 1824 é traferido para o Real Colégio dos Nobres, que em 1837 passa a Escola Politécnica. Do incêndio que destruiu esta escola em 1843 salvaram-se os instrumentos e livros de registos, perdendo-se a livraria. Em 1845 é integrado na Escola Naval, acabando por ser extinto em 1874.


«SALA DO RISCO»
Situada na aula poente dos edifícios do Arsenal foi, durante muito tempo o maior salão que existiu em Lisboa. (72,26 X 18,70 metros) e manteve as suas caracteristicas até 1916 quando foi destruído por um violento incêndio. Servindo de aquartelamento à Companhia de Guardas-Marinhas, criada em 1782, este espaço também foi designado «CASA DAS FORMAS», por ter servido de armazenamento e traço das formas dos navios que se construíram no Arsenal.
Ali foi instalado em 1796 a aula de construção, desenho e traçamento de formas, dum curso de Construção Naval então existente.


«TERCENAS DE LISBOA»
Outrora eram chamadas de «Taracenas» e designavam, não apenas o local onde se construíam embarcações, mas também os armazéns que, directa ou indirectamente estavam correlacionados com a arumação naval, e, depois, a zona de varadouro das galés.
Torna-se assaz difícil, ou mesmo impossivel, saber o que foi a Ribeira de Lisboa no tempo dos Romanos, dos Godos e dos Mouros. Todavia, estamos certos que ninguém irá pensar que uns e outros se limitassem a apreciar a bela panorâmica do rio, quando qualquer deles já sabiam construir embarcações. E delas, seguramente, teriam necessidades para atravessar o rio (1) e para pescar.

(1)- A via romana de Lisboa para Mérida, que passava por Salácia, começava na margem Sul do Tejo (Moita ou Montijo-antiga Aldeia Galega), o que implicava a travessia do dito rio.
BIBLIOGRAFIA
Anais da Marinha, número especial, Lisboa, Dezembro de 1942
A Nau de Pedra, Coordenação de A. Malheiro do Vale, Lisboa, 1987
LOUREIRO, Carlos Gomes de Amorim, Estaleiros Navais Portugueses, Lisboa, 1960
Revista Municipal, 2ª Série Nº16 (2º Trimestre 1986)

(CONTINUA) - (Próximo - A CAPELA DE S. ROQUE DO ARSENAL DA MARINHA da Irmandade do «Carpinteiros de Machado ou Carpinteiros Navais»)















































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