quarta-feira, 9 de abril de 2008

RUA DO CARMO [ IV ]

Rua do Carmo - (2008) Foto de APS (O Grandella no lado direito)

Rua do Carmo - (2000) Foto Luís Pavão (Loja de Ana Salazar) in AFML


Rua do Carmo - (1965) Foto Armando Serôdio in AFML

Rua do Carmo - (1963) Foto Armando Serôdio (A Rua do Carmo visto da janela dos armazéns do Chiado) in AFML

Rua do Carmo - (1959) Foto Armando Serôdio (Iluminação de Natal) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa




(CONTINUAÇÃO)

RUA DO CARMO

«ARMAZÉNS GRANDELLA»

Quando, em 1907, abriram ao público os Armazéns Grandella, eles eram simultaneamente um exemplo de Engenharia e Arquitectura de vanguarda, modelo do comércio moderno e um exemplo de «pequeno estado social» ímpar nas relações patrão-empregado nessa época.



Assim se manteve, enquanto foi vivo o seu criador, que veio a falecer na Foz do Arelho, Caldas da Rainha, no dia 21 de Novembro de 1934.

Chegou depois o declínio provocado pela segunda Guerra Mundial, pelo marasmo e, finalmente, pela chegada de novas «modas».



Com muitas transformações ao longo dos anos, os Armazéns Grandella foram perdendo impacto e acabaram de vez com o incêndio do Chiado em 1988.

No Grandella vendia-se de tudo, das mobílias aos tecidos, dos sapatos às loiças. E quem quiser ter uma ideia de como funcionava o Grandella nos anos 40 do século XX, ainda pode recorrer ao filme «O PAI TIRANO» de António Lopes Ribeiro.

Diga-se a título de curiosidade, que Francisco Grandella não se notabilizou só como comerciante progressista. Foi membro activo do Partido Republicano e da Maçonaria e chegou a ser empresário (e certamente dono) do Teatro da Rua dos Condes. Foi ainda um grande inovador nas condições sociais com que beneficiava os seus trabalhadores.

Como já foi dito, «O Grandella» ardeu em 1988, tendo acabado aí os «Grandes Armazéns do Grandella», mas certamente não o edifício.

Recuperado hoje dos graves danos causados na madrugada de 25 de Agosto de 1988, estes Armazéns reabriram em 1996, mas desta vez como local de grandes lojas. De entre outras temos «Sport Zone» e a «Valentim de Carvalho».

A sua fachada na Rua do Carmo conserva o famoso relógio, ladeado das figuras de pedra que representam «A VERDADE» e «O COMÉRCIO».
A porta principal da entrada é ladeada de dois lindos medalhões de pedra com os dizeres: «SEMPRE POR BOM CAMINHO E SEGUE», simbolizando a divisa de Francisco Grandella.


BIBLIOGRAFIA:

Marques, A.H. de Oliveira-Dicionário da Maçonaria Portuguesa, Vol, I - Lisboa -Ed.Delta 1986;

Silva, Joaquim Palminha-Armazéns Grandella. Como nasceram e o que foram,«História»,Lx (Nº112) 1988; Revista «A cidade e os Campos», Lisboa (Nº 10) Abril (1907) (Número comemorativo à inauguração do Grandella); Valdemar, António - Chiado: o peso da memória -Lisboa Edições INAPA 1989;


(CONTINUA) - (Próximo - Luvaria Ulisses e Elevador de Santa Justa)



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