sexta-feira, 11 de abril de 2008

RUA DO CARMO [ VI ]

Rua do Carmo - Desenho de Luís Filipe Martins (Convento do Espírito Santo da Pedreira-1674) in Baltazar Matos Caeiro
Rua do Carmo - (2005) (Fotógrafo não identificado) (Antigos Armazéns do Chiado actual Centro Comercial CHIADO) in http://revelarlx.cm-lisboa,pt/

Rua do Carmo - (1912) (Postal Ilustrado editado pelos Grandes Armazéns do Chiado)

Rua do Carmo - (s.d.) Foto Fado Alexandrino (Joalharia Carmo) in contadordeviagens.blogspot.com

Rua do Carmo, 55-57 - (Início do século XX) Foto Joshua Benoliel (Florista Jardim do Chiado) in AFML



(CONTINUAÇÃO)
RUA DO CARMO
«GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO»
O Convento do Espírito Santo da Pedreira, foi mandado construir no sítio onde hoje estão instalados os Grandes Armazéns do Chiado, no cruzamento da Rua Garrett com a Rua do Carmo e Rua Nova do Almada, assenta sobre uma pedreira que descia até à baixa lisboeta.
Mandado edificar em 1514 pelo padre Bartolomeu do Quental, que institui nesse local a Congregação do Oratório de S. Filipe de Nery (provenientes de Itália no século XIII).


Em 1674, recolheram finalmente a esta casa os religiosos de S. Filipe de Nery, que tiveram - pelas características do terreno - de a ampliar para as traseiras, no sítio chamado do «Crucifixo» e abrir grandes e profundos alicerces para defesa do edifício.
Com o terramoto de 1755 foi totalmente destruído, que depois com a derrocada perderam-se as relíquias inestimáveis e os religiosos tiveram de passar para o Convento das Necessidades provisoriamente.
Após a extinção das Ordens Religiosas em 1834, este Convento foi vendido, tendo sofrido várias transformações tanto arquitectónicas, como de inquilinos ou proprietários.


Não podemos ignorar que o grande centro de compras de Lisboa era, nos finais do século XIX o CHIADO.
Não é pois, de espantar, que assim como o Grandella procurou fixar-se nas imediações, os primeiros Armazéns do Chiado tenham nascido no antigo edifício do Convento do Espírito Santo da Pedreira (da Ordem do Oratório de S. Filipe Nery) e que depois se transformara no Palácio Barcelinhos.
No ano de 1894 em 20 de Novembro, nascia assim os primeiros Armazéns do Chiado, instalados numa parte do Palácio dos Barcelinhos; onde já não vivia o Barão de Barcelinhos e primeiro Visconde Ouguela, Carlos Ramiro Coutinho, e sua esposa D. Rita Soares de Oliveira que em primeiras núpcias, fora casada com o célebre Manuel dos "Contos", primeiro Barão de Barcelinhos de seu nome Manuel José de Oliveira (1774-1847).


Deve-se à Companhia dos Grandes Armazéns do Chiado, a iniciativa de levar para este local o sonho de Paris. Dispondo de um capital social de 100 contos de réis, era dirigida por LUÍS BONNEVILLE e ALEXANDRE ROUX, sendo seu primeiro empregado ÉMILE PHILIPOT.
Apresentava-se esta firma com a divisa «BIEN FAIRE ET LAISSER DIRE» e, segundo a sua própria propaganda, tinha as seguintes secções: sedas e lãs para vestidos; confecção de roupas por modistas francesas; mercador e alfaiataria (Coupeurs Français); fazendas brancas de lã e algodão; chapéus para senhoras feitos por modista de Paris; retrosaria com fornecimentos completos para modistas; camisaria e rouparia; ourivesaria e joalharia, perfumaria e artigos para "toilette"; luvaria, gravataria e sapataria; roupas brancas para senhoras e criança; chapéus para homens e artigos de viagem; louças, vidros e cristais. Como logo se vê da linguagem e, até dos próprios nomes dos gerentes e do primeiro empregado, a nova COMPANHIA não só apostava no CHIADO como centro mundano de Lisboa, como queria trazer para a cidade «a moda de fim do século parisiense».

(CONTINUA)



2 comentários:

Inácio disse...

Lembro-me vagamente de ter lido algures que uma família judaica, de imigrantes de Marrocos ou Gibraltar, chegados em princípios ou meados do século XIX tinha habitado nesta casa, e até lá tinha a funcionar uma sinagoga particular.
Qualquer informação sobre o nome dessa família teria interesse para mim.
Obrigado
Inácio Steinhardt
inacio@steinhardts.com

APS disse...

Caro Inácio
Lamento não lhe ter conseguido arranjar a informação desejada.
Neste «PALÁCIO BARCELINHOS» existiram vários hotéis. "Hotel de l'Europe", "Hotel dos Embaixadores", "Hotel Gibraltar" e o "Hotel Universal", isto em várias épocas. No entanto como refere que a família tinha vindo de "Gibraltar", é muito possível se tenham instalado no "Hotel Gibraltar" que, na data de 1874, funcionava neste edifício num andar nobre sobre a "Rua Nova do Almada".
Obrigado pela visita, despeço-me com amizade,
APS