terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

RUA DE SÃO JOSÉ

Rua de São José - (Actual) Autor não identificado (Edifício principal dos CTT) in Junta de Freguesia de S. José
Rua de São José - (1909) Foto Joshua Benoliel (Palácio onde mais tarde se instalará os CTT) in AFML

Rua de São José - (Actual) Autor não identificado (Os três edifícios dos CTT) in Junta de Freguesia de S. José


Rua de São José - (Actual) Autor não identificado (Ascensor do Lavra)



Rua de São José - (Actual) Autor não identificado (Igreja de S. José dos Carpinteiros-arquitectura barroca) in Junta de Freguesia de S.José


A RUA DE SÃO JOSÉ pertence à freguesia de SÃO JOSÉ, tem inicio no Largo da Anunciada no número 20 e termina na Rua de Santa Marta no número 2.


«A Rua de S. José é a continuação da Rua da Anunciada, vindo do Rossio e termina na Rua de Santa Marta», esclarecia o ITINERÁRIO LISBONENSE em 1804.
Nessa mesma rua erguia-se a Igreja de S. José dos Carpinteiros, chamados no século XVI, S. José entre hortas. Sede de confraria dos artífices de madeira, ostentava o testemunho da reconstrução efectuada após o terramoto - uma inscrição e uma data (1757). A Caetano Tomas se ficou a dever a obra de restauro da freguesia Igreja, mandada construir em 1545 e tomada paroquia, em 1567, pelo Cardeal D. Henrique.
No interior foram colocados uns magníficos azulejos representando o nascimento de Jesus.
Continuando a percorrer a rua em direcção ao Rossio, encontra-se o Largo da Anunciada. Erguia-se ali desde 1539 o Convento da Anunciada das religiosas dominicanas.
Fora edificado no local onde existia o Convento dos Frades Agostinhos Descalços de Santo Antão.
Segundo Norberto de Araújo, o Convento da Anunciada "muito ligado à nobreza", fora dos mais importantes de Lisboa "pela austeridade de que gozava fama e pelo bom-nome das suas religiosas, algumas delas escritoras e artistas". O terramoto arruinou o Convento, as religiosas mudaram-se para Santa Joana. No local foi construída a Igreja Paroquial de S. José.
Do lado esquerdo, subia a calçada do Lavre aberta por Manuel Lopes Lavre. Ali viria a ser colocado em 1884 o ascensor do Lavre, da responsabilidade de Raul de Mesnier.
Á esquina norte da Calçada está o Palácio que pertenceu no século XVI ao Desembargador Damião Aguiar Ribeiro, antigo vereador da Câmara de Lisboa e colaborador no novo código filipino (1595). No século XVIII este edifício passou para a posse da família Lavre ou Lavra.
A ascensão social e económica desta família começou com Manuel Lopes de Lavre, em 1712 deputado da Junta e Alfândega do Tabaco e com seu irmão André Lopes Lavre, secretário do Conselho Ultramarino.
D. Pedro II viria a beneficiar os dois irmãos com várias honras, o que, aliado a casamento aprazados, contribuiu para o prestígio dos Lavre. Sinal da opulência recentemente adquirida, terá sido a compra do imóvel para a morada da família. Como consequência, a rampa até então denominada Damião Aguiar passou a chamar-se Calçada do Lavre, em memória de quem a beneficiara.
ASCENSOR DO LAVRA
Em 3 de Junho de 1882 foi fundado a Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa a qual, segundo os seus próprios estatutos, se propunha (...) a construção e exploração de Ascensores Mecânicos, ou planos inclinados, movidos por tracção mecânica (...).
O primeiro a ver a luz do dia foi o da Calçada do Lavra, com uma inclinação média de 22,9%, estabelecendo ligação entre o Largo da Anunciada e a Travessa do Forno do Torel.
Em meados de Abril de 1884 já as obras da sua construção tinham terminado.
Inaugurado no dia 19 de Abril de 1884 após vistoria camarária presidida pelo Engenheiro Ressano Garcia.
Em 1914 são iniciadas obras de electrificação, tendo sido assegurado o fornecimento de energia através da Central Eléctrica de Santos, propriedade da Carris.
Em Dezembro de 1915 o ascensor do Lavra retomou o serviço. No dia 15 de Dezembro de 1926, por dissolução da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, passou a ser propriedade da Companhia Carris.
Tendo comemorado um século de existência em 1984, o ascensor da Calçada do Lavra detém o privilégio de ser o 1º transporte que Lisboa viu defrontando com êxito uma das suas encostas mais íngremes e encontra-se, desde Fevereiro de 2002, classificado como Monumento Nacional.
A construção em 1764 de dois edifícios (para residência e panificação) do comerciante italiano Tomás Monjiardino.
(Cerca de 1720-1802), em terrenos aforados por Joaquim Miguel Lopes de Lavre a norte do seu Palácio. Em 1785 Joaquim de Lavre adquire toda a propriedade do edifício. Após o seu falecimento em 1796 e sem descendentes, seus herdeiros em 1880 colocam à venda ambos os edifícios, sendo o conjunto adquirido pelo comendador Manuel José de Silva Franco, que nele executa obras de transformação.
O edifício é arrendado, sucessivamente, a altos funcionários do Estado, à Embaixada de Espanha e à Intendência Geral da Polícia.
Depois do falecimento do comendador Silva Franco em 1815, o edifício é partilhado pelos seus filhos, que aí habitam. No ano de 1831 é comprado em haste pública pelo desembargador José António da Silva Pedrosa que realiza importantes restauros. Em 1860 na sequência de penhora do edifício (dois) é adquirido pelo africanista José Oliveira de Sousa Leal, morgado de Alfeizerão (cerca de 1821-1881), que arrenda para funcionamento do Liceu Central. Tendo o Liceu sido transferido por volta de 1885-1886, o proprietário da altura António de Oliveira de Sousa Leal procedeu a importantes abras de alterações interiores e exteriores.
No ano de 1912 são arrendados todos os edifícios à Administração Geral dos Correios e Telégrafos que ainda lá permanece.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO [ I I ]

Rua das Portas de Santo Antão - (Actual) Fotógrafo não identificado (Palácio dos Almadas ou da Independência) in http://www.adfa.org.pt/
Rua das Portas de Santo Antão - (Actual) Fotógrafo não identificado (Igreja S. Luís dos Franceses-no Beco de S. Luís da Pena,34) in viajar.clix.pt -tesouros

Rua das Portas de Santo Antão - (Actual) Fotógrafo não identificado (Fachada da Igreja S. Luís dos Franceses - no Beco de S. Luís da Pena,34) in http://www.geocites.com/


Rua das Portas de Santo Antão, 58 - (Actual) Fotógrafo não identificado (Casa do Alentejo interior) in thelondonyears.wordpress.com



Rua das Portas de Santo Antão, 58 - (Actual) Fotógrafo não identificado (Casa do Alentejo interior) in http://www.dkimages.com/




Rua das Portas de Santo Antão - (Actual) Fotógrafo não identificado (Fachada do Teatro Politeama)



RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO ( I I )

Continuando a falar sobre esta Rua, hoje começo pelo Teatro.
TEATRO POLITEAMA
O Teatro foi construído com projecto de Miguel Ventura Terra. A primeira pedra foi lançada em 12 de Maio de 1912 e a inauguração a 6 de Dezembro de 1913 com a opereta "Valsa de Amor".
Este Teatro está localizado na Rua das Portas de Santo Antão, actualmente é dirigido pelo encenador FILIPE LA FÉRIA.
SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA
Nesta Rua no número 100 encontramos a Sociedade de Geografia de Lisboa, sendo uma Sociedade Cientifica criada em Lisboa a 10 de Novembro de 1875 com o objectivo de em Portugal «promover o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas».
A partir de Dezembro de 1876 iniciou a publicação do Boletim da Soc. de Geografia de Lisboa, que ainda subsiste.
CASA DO ALENTEJO
Miguel Pais do Amaral, senhor de Mangualde descendente de famílias ilustres, titulares dos títulos de Condes de Anadia e dos Viscondes de Alverca, edificou nos finais do século XVII, o seu Palácio nesta rua no número 58. Ainda hoje é conhecido como a casa do Alentejo morada ilustre do Palácio Alverca.
Em 1917, um grupo de capitalistas da praça lisboeta arrendou o prédio, com excepção das lojas. Foram feitas obras radicais, para ali poder nascer um clube de recreio e de jogo, ao nível do que de melhor havia pela Europa, chamou-se-lhe «MAJESTIC CLUB».
Datam dessa época as partes mais notáveis do edifício. É o caso do famoso pátio interior de influencia árabe, com risco do Arquitecto Silva Júnior. As mesmas reminiscências mouriscas ficaram patentes nas varandas interiores, na escadaria e nas galerias.
A sala de Baile (estilo Luís XVI), foi toda decorada no tecto e nas paredes por Benvindo Cela e pinturas de Domingos Costa ornaram a sala contígua. Na sala de jogo podíamos ver bons azulejos de Jorge Colaço, neles figurando cenas de «Os Lusíadas»e também de feiras de várias regiões.
O Majestic mudou de nome em pouco tempo: passou a ser «MONUMENTAL». Ali se reuniam famílias e gente endinheirada dos "loucos anos 20 do século passado".
Comenta o mestre Luís Pastor de Macedo que ninguém imaginaria, naquelas «noites lilases» ou «noites azuis» tão elegantes, quando se dançavam tangos «Rosas» ou «Verdes» num dos mais chiques clubes alfacinhas, que ali tinha sido o «CURRAL VELHO» - no qual até tinham chafurdado porcos.
Os clubes passaram, a dada altura, por graves crises.
Houve assaltos levados a cabo por associações secretas, à maneira dos grandes filmes da época, de armas em punho a exigir "contos de Reis" e a deixar os elegantes frequentadores em pânico.
O Palácio manteve-se encerrado por uns três a quatro anos. Apareceu então o Grémio do Alentejo disposto ao arrendamento do imóvel para instalação da sua sede e ponto de encontro privilegiado dos Alentejanos em Lisboa.
Ao Grémio sucedeu a Casa do Alentejo com finalidades semelhantes.
Esta instituição não só se mantém naquele local como até promoveu obras profundas ao edifício.
As magnificas salas da Casa do Alentejo foram aproveitadas para reuniões, conferencias, banquetes, consertos, bailes... (Este é sem dúvida um Alentejo que todo o alfacinha conhece).
No ano de 2006 existiu um manifesto para a criação de um movimento pela recuperação da Casa do Alentejo, apresentado pelos seus órgãos Directivos. Estamos certos de que a voz da razão prevalecerá e tudo se vai resolver como merecem.
IGREJA DE SÃO LUÍS DOS FRANCESES
Este templo de uma certa simplicidade, construída entre 1552 e 1622, apresenta na sua fachada as armas dos Bourbons com escudo e flor de lis. Junto à Igreja se edificaram também o hospital e colégio da comunidade francesa de Lisboa.
A Igreja sofreu muito com o terramoto de 1755, encontrando-se hoje bastante modificada. No seu interior tem altares de mármore italiano e pinturas da autoria de Simão Rodrigues, do século XVIII, relativas à vida de São Luís.
PALÁCIO DOS ALMADAS OU DA INDEPENDÊNCIA
Implantado em terrenos com declive, fica na esquina desta Rua com entrada principal pelo Largo de São Domingos.
Construção de 1467, tendo sido ampliando em 1509, e reedificado no século XVIII.
Foi seu primeiro proprietário D.Fernando de Almada, Capitão-Mor de Portugal e sua mulher, D. Constança de Noronha, que adquirem a propriedade ao fidalgo Nuno de Barbosa. As casas «partem com muro de trás (MURALHA FERNANDINA) e com chão do conselho (RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO) e com Rossio (LARGO DE S.DOMINGOS) e mais confrontações».
Chamam-lhe o Palácio da Independência, por nele ter decorrido as reuniões dos conjurados da Restauração de 1640.
Com o terramoto de 1755 o Palácio pouco sofreu, sendo aproveitado para receber alguns doentes do Hospital de Todos-os-Santos que lhe ficava perto. Em 1756 muda-se para lá o Depósito Público, e dois anos depois, o Senado e o Tribunal da Relação.
A família dos Almadas abandona definitivamente o palácio em 1833, que lhe é confiscado por ter sido considerado rebelde o Conde de Almada, partidário do Rei D. Miguel.
Em 1834 viveu neste Palácio Almeida Garrett, sendo um ano depois o Palácio restituído aos seus proprietários.
No ano 1939, o Palácio é adquirido por subscrição pública feita pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal (nome que tomara a comissão 1º de Dezembro em 1927).
Foi da Mocidade Portuguesa até 1974, que com agitação resultante da mudança de regime, o Palácio foi invadido. Extinta a Mocidade Portuguesa, o edifício foi quase na sua totalidade, ocupado pela Associação dos Deficientes das Forças Armadas. A Sociedade de História focou então reduzida a quatro salas. Em 1983, por decisão governamental, foi determinado que o Palácio fosse cedido, na sua totalidade, à Sociedade Histórica.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO [ I ]

Rua das Portas de Santo Antão - (2007) Fotógrafo não identificado in http://www.colombo.bz-events/
Rua das Portas de Santo Antão (Actual) Fotógrafo não identificado (Entrada do Coliseu em dia de festa) in anossavoz.com

Rua das Portas de Santo Antão - (Actual) Fotógrafo não identificado in http://www.ebi-vasco-gama.rctc.pt/ lisboa cultural


Rua das Portas de Santo Antão - (actual) Foto Luis Villas (Cervejaria SOLMAR) in Rio abaixo.blogspot.pt



Rua das Portas de Santo Antão - (19--) Foto Paulo Guedes (Ateneu Comercial de Lisboa-Portal) in AFML




Rua das Portas de Santo Antão - (2000) Fotógrafo não identificado (Pátio do Tronco) in http://www.geocites.com/





Rua das Portas de Santo Antão - (2006) Fotógrafo não identificado (Túnel do Pátio da Cadeia do Tronco) in Junta de Freguesia de S. José






Rua das Portas de Santo Antão - (2000) Fotografo não identificado ( Arco do Túnel do Pátio da Prisão do Tronco) in http://www.geocites.com/





A RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO pertence a três freguesias. À freguesia de SANTA JUSTA do número 1 a 127 e do número 2 a 74, à freguesia da PENA os números 76 a 110, à freguesia de S.JOSÉ os restantes números pares e ímpares. Começa no Largo de São Domingos no número 10 e termina no Largo da Anunciada no número 1.
Se existem ruas em Lisboa onde as mudanças de nomes foram quase uma constante, esta será uma delas.
A Rua começou inicialmente por se chamar RUA DE SANTO ANTÃO, seguiu-se RUA DA PORTA DE SANTO ANTÃO (desde meados do século XVI) e RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO, ou RUA DIREITA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO, desde 1646.
Em edital de 1 de Setembro de 1859 determinou que se passasse a denominar simplesmente RUA DE SANTO ANTÃO. Este nome foi novamente substituído pelo edital camarário de 7 de Agosto de 1911.
A República mandou retirar das placas toponímicas a tradicional RUA DE SANTO ANTÃO e substitui-la por RUA EUGÉNIO DOS SANTOS. Mas as Portas de Santo Antão tinham força secular, pelo que vieram a recuperar (nos anos 60 do século passado) o seu nome.
Em desespero de causa, o arquitecto foi então parar a uma ruazinha junto ao Parque Eduardo VII, artéria que é simples elo de ligação, sem que nada a distinga ou lhe confira personalidade.
Eugénio dos Santos (e Carvalho), que teve o seu nome nos dísticos da antiga Rua de Santo Antão, nasceu em Aljubarrota, em Março de 1711, faleceu em Lisboa na Rua da Rosa das Partilhas, em 5 de Agosto de 1760. Foi executor e inspector de todas as Reais obras de Arquitectura da Corte. Foi ele que levantou a planta da nova cidade de Lisboa, depois do Terramoto de 1755 e fez o projecto da estátua equestre de El-Rei D. José I.
As portas que deram o nome à Rua abriam-se na Muralha Fernandina, a qual atravessava a rua, pouco mais ou menos, no sítio em que nela desemboca a Travessa do Forno. Dos Jardins do Palácio dos Condes de Almada, que chagam até à mesma muralha, via-se uma grande parte dela.
Segundo ensina nos seus estudos o mestre Pastor de Macedo, em meados do século XV, ou talvez antes, existiu próximo desta porta um CURRAL onde «se matava gado vacun», o qual em 1464 era designado por CURRAL VELHO, e muito mais perto das portas, havia um chão reservado para SALGAMENTO dos coiros dos animais mortos no dito curral.
O CURRAL VELHO de 1464 era o mesmo onde antes se 1557 tinham estado porcos. A sua localização exacta é-nos comunicada por um auto de medição do terreno feito naquele ano de 1557.
A respeito da porta, sabemos que no princípio do século XVI já tinha desaparecido a primitiva e que outra se estava a fazer. Isto segundo uma carta que El-Rei D.Manuel, estando em Vila Franca, mandou aos vereadores de Lisboa, com data de 25 de Setembro de 1509, mostrando o seu total desacordo com a maneira como estavam fazendo a nova porta.
Estas Portas que El-Rei mandara pôr, foram retiradas em 1727 para que com maior desafogo se pudesse fazer entrada pública em Lisboa.
As portas eram chapeadas de ferro e delas, colocadas nos seus lugares, ainda se lembrava o padre Baptista de Castro quando escrevia o seu utilíssimo Mapa de Portugal.
Delas também nos fala frei Apolinário da Conceição, dando-nos algumas notícias de interesse: «Havia por cima - diz-nos ele - numa porta a Imagem de Nª. Srª. da Conceição, e na outra a de Santo Antão, de que tomava o nome». (Não sabemos ao certo se corresponde à verdade).
Fizeram a sua entrada pública em Lisboa, utilizando estas portas, o arcebispo D. Rodrigo da Cunha em 1636, e o 1º Patriarca de Lisboa D. Tomás de Almeida, em 1717.
A RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO é fértil em acontecimentos históricos e casas com história. Seria muito extenso uma abordagem a todo o seu conteúdo, por isso, não estranhem se não falar de algumas casas, Palácios ou outras. Para assinalar o que demais se podia dizer, aqui fica uma lista de quem noutros tempos deu luz e cor a esta rua.
O Grande Hotel Francfort, Casa Liquidadora, Armazéns Leal, Casa dos Condes da Ponte, Palácio dos Marqueses de Rio Maior, Secretaria e sala de troféus do SLB. Esta Rua nos anos 10 a 20 do século passado também era conhecida pela rua «dos Clubes Nocturnos». Nomeadamente:Arcádia, Bristol clube, O Majestic, Monumental clube e o Palace Clube, era uma rua divertida e cheia de história.
Vamos falar de algumas casas e locais que fazem parte da história desta rua. No entanto temos de seguir um critério e, para isso, começamos de Norte para Sul.
CADEIA MUNICIPAL DO TRONCO
Com entrada pela rua das Portas de Santo Antão existe o Pátio do Tronco. Neste Pátio existiu no século XVI a Cadeia Municipal do Tronco.
Diz-nos a história que, com 28 anos de idade, em 15 de Junho de 1552 dia do Corpo de Deus, Luís de Camões passeava entre o Rossio e as Portas de Santo Antão. Tinha regressado um ano antes de Ceuta, onde num combate com os Mouros perdera uma vista. Em dado momento repara numa briga e reconhece que nela estavam dois amigos seus; não hesitou em envolver-se na desordem, ferindo com um golpe de espada na nuca um criado do Paço, de nome Gonçalo Borges.
Camões foi preso e levado para a Cadeia do Tronco de Lisboa, onde permanece largos meses (apesar de perdoado pelo ofendido) foi libertado em 24 de Março de 1553 por carta régia do dia 7 desse mês. A carta dizia «Mancebo pobre que me vai este ano servir à ÍNDIA». Assim apesar do perdão real, foi forçado a seguir como soldado raso para a Índia, o homem o génio que escreveu a grande obra épica de "OS LUSÍADAS".
Pela passagem do nosso poeta por esta prisão, o túnel que dá acesso ao Pátio do Tronco está assinalada por um painel de azulejos de Leonel Moura, inaugurado em 1992.
O Pátio que pertenceu à prisão serve hoje para estacionamento de carros.
ATENEU COMERCIAL DE LISBOA
O Ateneu, situado na Rua das Portas de Santo Antão no número 110 no Palácio Povolide, foi fundado por um grupo de empregados do Comércio a 10 de Janeiro de 1880, na Comemoração dos 300 anos sobre a morte de Camões. Este centro de caráter cultural (com Escola Comercial actividades físicas e desportivas), surgiu com o intuito de proporcionar aso seus associados um local de convívio e de luta pela conquista de algumas regalias por parte dos comerciantes da capital.
Estando a decorrer um audacioso projecto "200% polémico" que poderá "marcar a cidade para os próximos mil anos" foi o desafio lançado pelo seu presidente, ao arquitecto Rogério Brito.
O Projecto tem uma área de intervenção de cerca de 15 mil metros quadrados, delimitada pela Rua das Portas de Santo Antão, Calçada do Lavra, Rua Joaquina e Coliseu dos Recreios.
Em aspectos gerais trata-se de "fechar" as Ruas para as transformar numa espécie de Galerias Victor Emanuel, um dos principais cartões de visita da cidade italiana de Milão.
Assim se conclui que volta novamente a esta Rua das Portas de Santo Antão, que já teve "Portas" para entrar na cidade, desta vez terá "Portas" para resguardar um determinado percurso da sua artéria.
SOLMAR
Entre o Ateneu e o Coliseu dos Recreios temos a cervejaria mais famosa desta rua no número 106 a 108. rata-se pois da emblemática "SOLMAR", com a sua grande variedade de mariscos que costumam estar à vista dos clientes dentro de grandes aquários
Esta cervejaria tem um estatuto invejável entre as suas congéneres pela decoração do seu interior típico dos anos 50 do século passado.
COLISEU DOS RECREIOS
O Coliseu abriu as suas portas em 14 de Agosto de 1890.Começou com uma ópera Cómica, o "Bocacio", de Supé, pela Companhia Italiana Carracciolo, com 64 artistas. E praticamente nunca mais parou... Os mais diversos géneros de espectáculo passaram por aquela casa.
O Circo foi o rei, chegando a haver temporadas em que três e quatro companhias se seguiam.
A sua pista serviu para tudo: corridas de patins, Boxe, luta livre, até touradas...
Retirada a pista e colocadas a plateia, o Coliseu pode funcionar como Teatro (a revista, por exemplo, teve ali grandes épocas), como Cinema, sala de Concertos, de Ópera, de Bailado. Serviu também para comícios e congressos.
Mais modernamente, um orgulho natural de qualquer artista (cantor, por exemplo) é dar o seu espectáculo no Coliseu e encher a casa.
O grade êxito do Coliseu ficou a dever-se, em grande parte, à tempera dos seus primeiros empresários.
Começou por António dos Santos, um homem que vinha do Real Coliseu (de Rua da Palma) e tinha o arrojo e o entusiasmo no sangue. Seguiu-se o carismático Ricardo Covões, empresário que levou aquela casa aos seus tempos de maior glória e que, para além da direcção, ainda colaborava na redacção de peças e revistas ali representadas.
Entre 1959 e 1981 os espectáculos líricos passaram a ser organizados com o S. Carlos, oferecendo possibilidade de ouvir algumas das grandes vozes que vinham a Lisboa por preços acessíveis.
Para não tornar esta lista muito extensa, destacamos apenas alguns artistas (líricos) que tiveram o privilégio de passar por esta casa: Tito Schipa, Alfredo Kraus, Antonietta Stella, Carlo Bergonzi, Elene Sulictis, Tito Gobi e o nosso português Tomás Alcaide.
(Continua uma segunda parte desta Rua)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

RUA AZEDO GNECO

Rua Azedo Gneco - (1968) Foto João H. Goulart in AFML
Rua Azedo Gneco, 23 a 53 - (196--) Foto H. Goulart in AFML

Rua Azedo Gneco - (1966) Foto Augusto Jesus Fernandes (esquina com a Rua Infantaria 16) in AFML


Rua Azedo Gneco - [ s.d.] Foto Artur Goulart in AFML



Rua Azedo Gneco - (195--) Foto Fernando Martins Pozart in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa



A RUA AZEDO GNECO pertence à freguesia de SANTO CONDESTÁVEL, começa na Rua Saraiva de Carvalho no número 328 e termina na Rua Pereira e Sousa no número 45.
Esta rua foi baptizada em Junho de 1926, antes era a Rua número 3 do Bairro em construção junto da Rua Correia Teles.
Eudóxio César Azedo Gneco nasceu a 21 de Junho de 1849 e é um dos fundadores do Partido Socialista, juntamente com José Fontana. Aliás, desde muito cedo que revelou grande interesse pela Política.
Em 1865 trabalhava como operário gravador na Casa da Moeda, ao mesmo tempo que frequentava as reuniões de várias sociedades secretas. Cerca de cinco anos depois junta-se à Maçonaria.
Em 1871, integra o Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, fundado em 1852. Mais tarde - em 1872 - este organismo daria lugar à Fraternidade Operária.
Fervoroso entusiasta das doutrinas republicanas, estabelece contactos com a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e, em 1873, é eleito Secretário-Geral da Associação Socialista em 18 de Março, que era a secção lisboeta da AIT.
Em 1875 dá-se a ruptura: abandona de vez os ideais republicanos e tem uma grande contribuição na fundação do PS, então denominado como «Partido Operário Socialista Português». Mas, no interior do próprio partido existia várias facções: Azedo Gneco toma partido pela vertente mais marxista, contrariando as outras três tendências presentes: Anarquismo, Republicanismo e o chamado «Possibilismo dentro do Socialismo», em 1896 participa no Congresso Internacional como delegado português.
As divergências internas dão origem à sua saída e consequentemente formação do Partido Socialista Português. Pouco tempo depois dá-se uma nova cisão - os tempos políticos eram então de um conturbado debate - e surge a Aliança Republicana Socialista. Só em 1907 é possível uma reunificação.
Nessa época muitos são os que criticam Azedo Gneco como elemento próximo de alguns governantes e figuras destacadas da monarquia. A sua imagem pública entra em "queda livre", levando-o a optar por um afastamento da política entre 1908 e 1910.
Homem das letras e da palavra, distinguiu-se como jornalista e conferencista, tendo mesmo dado corpo a algumas polémicas relevantes.
«Colaborador assíduo de A Vanguarda, O País e O Século, contribuiu também para fundar o jornal Socialista O Protesto (1875) e o Protesto Operário, de que foi director, além de A Folha do Povo, sendo autor da maioria da propaganda socialista vinda a lume no seu tempo. Organizou o Congresso Nacional Operário (1893) e o Congresso Anticatólico (1895)(1).
O ambiente era de grande descrença, quer nas ideias republicanas, quer nas socialistas. O que levava os trabalhadores a aderirem em massa aos ideais do Anarco-Sindicalismo, doutrina que conheceu os seus tempos áureos durante a I República (1910-1926), bem como nos primeiros do Estado Novo, instaurado nesse mesmo ano.
Azedo Gneco mostra-se desgostoso com tudo isto, vindo a falecer em 29 de Junho de 1911. O seu túmulo, obra conseguida através de uma subscrição pública, encontra-se no Cemitério dos Prazeres, junto ao seu camarada José Fontana.(2)
A Rua que assegura a memória do seu nome fica no Bairro de Campo de Ourique.
(1) - Nova Enciclopédia Larousse
(2) - Gazeta de Lisboa Nº 9 (25.05.2000) página 8

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

RUA ÁUREA (vulgo RUA DO OURO)

Rua do Ouro - (2007) Foto de "RUCA" in Olhares.com

Rua do Ouro - (2007) Foto da Galeria de Dias dos Reis

Rua do Ouro - (2007) Autor não identificado in Panorama-Dreamaster.blogspot.com


Rua do Ouro - (2005) Foto de APS



Rua do Ouro - (1930) Autor não identificado in Nettwerk




Rua do Ouro - (Início do século XX) - Autor não identificado



A RUA ÁUREA (Vulgarmente chamada de RUA do OURO) pertence à freguesia de SÃO NICOLAU, começa na Praça do Comércio no número 11 e finaliza na Praça de D. Pedro IV (Rossio).
Esta rua liga a Praça do Comércio (Terreiro do Paço), à Praça de D. Pedro IV (vulgo Rossio). É uma das mais belas vias da arquitectura civil pombalina, roubada em parte ao Rio Tejo, sendo os seus prédios assentes em estacaria de madeira conservada pelo caudal do rio que lhe inunda o subsolo.
A Rua do Ouro (oficialmente Rua Áurea) é uma rua nobre e sempre a fervilhar de amostragens do que de melhor e de pior a urbe produz.
Tal como se conhece hoje é fruto de Lisboa pós terramoto; parte do seu traçado, no entanto, já existia no século XV com o nome de RUA DOS OURIVES DO OURO, e foi aberta sobre um antigo esteio do Tejo já reduzido a imundo caneiro e que D. João II mandou parcialmente tapar.
Depois do Terramoto, a rua foi rasgada e integrada no todo simétrico a que chamamos a Baixa Pombalina. Em decreto de 1760, determinava-se que a Rua albergasse os ourives da cidade e que as lojas que sobrassem fossem entregues a relojoeiros e volanteiros.
Desde sempre a Rua do Ouro é local de movimento comercial e vida citadina.
Mas nem só de ourives vivia a Rua do Ouro. Pelos anúncios da GAZETA DE LISBOA dessa altura, sabemos que livreiros, casas de pasto, hospedarias e outras, honraram a movimentada artéria. No antigo número 119 pertencente à Congregação do Espírito Santo anuncia-se a inauguração de uma nova casa de pasto de Narciso Fernandes que para além de refeições diárias... «quem quiser comprar na dita casa um quarto de galinha ou qualquer outra coisa, por pequena que seja para arranjo na sua casa, também ali se venderá».
Já falámos de comércio, não podemos esquecer a história financeira da cidade que passa em grande parte por esta rua. O "OURO" sempre foi o aval do dinheiro; não estranhamos, pois, esta união.
Na Rua do Ouro, espalham-se os estabelecimentos onde o dinheiro é, de facto a mola real, na preferência sempre manifestada por esta rua.
O Banco de Portugal nascera em 1846, da fusão do Banco de Lisboa (1822) com a Companhia Confiança Nacional (1844), tendo como seu primeiro presidente o Conde de Porto Covo da Bandeira.
Após um incêndio que destruiu as suas instalações no edifício da Câmara Municipal, transferiu-se para a esquina da Rua do Ouro com a do Comércio. Em 1868 compraram um edifício no local que ainda hoje ocupam e em 1870 o Banco já aí funcionava. Não cessaram, no entanto, de comprar as propriedades contíguas em todas as direcções, incluindo a Igreja de S. Julião, até possuir todo o quarteirão e atingir a importância que nos é familiar.
Outros Bancos nasceram e morreram. As histórias de falências e fusões enriquecem a memória financeira da Rua do Ouro.
Um edifício muito belo, feito para o BANCO LISBOA & AÇORES, situado no lado par da Rua, risco do Arquitecto Ventura Lino, com quatro colunas de mármore, duas cabeças de Leão e ainda podemos admirar três magnificas varandas. Este Banco, criado em 1875, foi para aquele local em 1907.
A Casa José Henrique Totta, ligou-se na Rua do Ouro com o Banco Lisboa & Açores, desapareceu "Lisboa" do nome; ficou Totta & Açores. Hoje só o nome Totta perpetua, muito embora ligado ao Santander. (Banco Santander & Totta, SA).
Ainda nesta Rua, só para citar alguns, existiram vários letreiros de Bancos: Banco da Agricultura, Banco do Alentejo, Banco Raposo de Magalhães, Pinto de Magalhães, tudo desapareceu absorvidos pelas fusões, dos novos nomes dominadores.
Contaremos só mais uma "história", a do "Monte Pio dos Empregados Públicos" actual Montepio (que no ano de 2005 completou 165 anos de actividade), é uma das Instituições de Crédito mais antiga, e de começo bem modesto: um grupo de funcionários públicos decidiu fundar em 1840, numa pequena parte do prédio que hoje ocupa, uma instituição de poupança e crédito destinada à protecção da classe, sem suspeitarem que estava predestinada a tornar-se num dos mais importantes pilares financeiros do Portugal novecentista.
Á noite a rua desertifica-se, mas com o raiar do dia volta a ser o sítio privilegiado para sentir e medir o pulsar do coração da cidade. O encanto da Rua do Ouro residia, como reside, para além do seu enquadramento, no sabor humano feito e desfeito todos os dias.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

PRAÇA DA ALEGRIA

Praça da Alegria - (Actual) Autor desconhecido (Cabaré Maxime - Um Moulin Rouge à Portuguesa) in Junta de Freguesia da S. José
Praça da Alegria - (Actual) Fotografo não identificado (Chafariz da Mãe de Água à Praça da Alegria) in Junta de Freguesia de S. José

Praça da Alegria - (1968) Foto Armando Serôdio (Edifício datado dos finais do século XVIII) in AFML


Praça da Alegria - (1943) Foto Eduardo Portugal (Jardim Alfredo Keil) in AFML



Praça da Alegria - [s.d.] Foto Augusto de Jesus Fernandes (Restaurante Típico Márcia Condessa) in AFML




Praça da Alegria - [s.d.] Foto Augusto de Jesus Fernandes (Bombeiros Voluntários) in AFML





Praça da Alegria - [s.d.] Foto Eduardo Portugal (Lisboa Velha -gravura) in AFML




A PRAÇA DA ALEGRIA pertence à freguesia de SÃO JOSÉ, fica entre a Avenida da Liberdade, Rua da Glória, Travessa da Alegria e Travessa do Salitre.



A Praça da Alegria, local lisboeta ainda hoje pitoresco, constitui o "remate" de um conjunto de ruas, travessas, calçadas e pequenos jardins que serpenteiam encosta abaixo em direcção à Avenida, de geometria perfeita que dá pelo nome de Liberdade, com a qual contrastam.
Antes de esta ter sido rasgada, existia a Praça da Alegria de Cima e a Praça da Alegria de Baixo. Em tempos que já lá vão, a denominação que a identificava era a de Cotovia de Baixo.
Deu guarida à Feira da Ladra. Ali existia, para matar a sede aos seus utentes, o Chafariz da Cotovia que, após a demolição do Passeio Público, foi mudado para a Cotovia, nome pelo qual o vulgo conhece e pequeno largo próximo.
O Chafariz da Mãe de Água, junto à Praça da Alegria, antigamente dedicado à água, é hoje um espaço para venda de vinhos. A ENOTECA, situada no Chafariz, dá a escolher de entre mais de 200 qualidades de vinhos, tanto portugueses como oriundos do resto do Mundo.
Nesta Praça no número 58 encontramos o MAXIME que, nas décadas de 50 e 60 do século passado, era uma das casas de espectáculos mais bem frequentadas de Lisboa, um "Cabaret" de luxo que recebeu, durante a sua época áurea, a alta sociedade.
Estrearam-se profissionalmente nesta casa em 1952, com o espectáculo «Sol da Meia-Noite» uma produção de José Viana, os artistas Tony de Matos e Raul Solnado.
Durante várias noites actuaram, também, Simone de Oliveira e Max.
Com a revolução de Abril de 1974, o místico "Cabaret Maxime" sofre algumas mutações e a sua degradação, ano após ano, foi inevitável, tornando-se mais tarde numa casa de alterne, ligado ao submundo da prostituição.
Em Janeiro de 2006, a casa histórica da Praça da Alegria é reabilitada, para ocupar um lugar de destaque na agenda dos noctívagos de Lisboa(1).
(1) - Junta de Freguesia de São José

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

RUA DA FÉ

Rua da Fé - [s.d.] Foto Eduardo Portugal in AFML
Rua da Fé - (1943-06) Foto Eduardo Portugal (Casa onde nasceu Rafael Bordalo Pinheiro) in AFML

Rua da Fé - [s.d.] Foto Ferreira da Cunha (Casa da Comarca de Arganil) in AFML


Rua da Fé, 13 a 17 - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado - in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


A RUA DA FÉ pertence à freguesia de SÃO JOSÉ, começa na Rua do Telhal no número 8-D e termina na Rua de São José no número 100.
A Rua da Fé, fica situada na encosta da colina sobranceira à Avenida da Liberdade, em direcção ao Campo dos Mártires da Pátria, vulgo Campo de Santana. Perto da Rua da Fé existe a Calçada do Lavre que lhe é paralela e que empresta à nossa capital uma das características mais peculiares, pois o elevador com o seu nome, com paragem na esquina da Rua das Pretas, faz parte do conjunto de elevadores que servem as sete colinas, que oferecem ao Tejo um belo e aconchegante anfiteatro. A cidade antiga (a urbe naquilo que tem de típico e pitoresco) é a Lisboa que marca a História.
Na cidade das estreitas ruelas enfeitadas pelos velhos candeeiros em suspenso, coloridas pelo verde carregado das plantas abundantes que se esgueiram por entre gradeamentos em torno de varandas. A arte do azulejo em pujança tão nossa, tão portuguesa!
Tudo isto se pode observar no Bairro de São José e tudo isto está ao nosso dispor na própria Rua da Fé que dele faz parte. Ali o conjunto dos números ímpares está coxo, amputado do número 25 e doutros mais. Entretanto os números 23-29 identificam acessos do edifício onde hoje está instalada a casa da Comarca de Arganil e o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos. É um dos edifícios mais característicos da rua pelos azulejos que revestem, com beleza, a fachada.
À esquina, na Rua de S. José, mantém-se erguida, embora já com grande dificuldade, a velha Igreja de São José dos Carpinteiros (cujo orago deu o nome à presente Rua). Antiquíssima, com uma fachada datada de 1757,altura em que teve de ser reconstruída em consequência dos estragos do grande terramoto de dois anos antes.
Todas as informações no são fornecidas pelas inscrições existentes num dos painéis expostos no frontispício, num de cada lado do portal. No outro lado pode ser-se que «Na era de 1537 se principiou a Confraria do Sñor São José, que foi a primeira do reino e na era de 1546 a 7 de Abril se tirou São José de Santa Justa para casa».
Rafael Bordalo Pinheiro autor da figura popular do "Zé Povinho", que se veio a tornar num símbolo do povo português, nasceu na Rua da Fé no número 47 em 1846.
Para assinalar o facto do nascimento nesta rua, existe uma lápide, de iniciativa camarária, embora verdade seja dita que a casa se encontra profundamente degradada.