quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O POÇO DO BORRATÉM [IV]

Poço do Borratém, 6 e 7 - (1971) -Fotógrafo não identificado (O Poço do Borratém) in AFML
Poço do Borratém - (195_) Foto de Judah Benolier ( Poço do Borratém, vendo-se o eléctrico em direcção à Rua do Arco Marquês do Alegrete) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

(CONTINUAÇÃO)
O POÇO DO BORRATÉM
«O SÍTIO DO POÇO DO BORRATÉM (2)»
Nos dois terços do Rossio que ficam livres, está situado o Hospital de Todos-os-Santos, vulgarmente chamado de el-Rei, por ter sido el-Rei D. João II quem o mandou construir sendo uma obra sumptuosa.
Foi acabado por el-Rei D. Manuel I que o dotou de muitas rendas e privilégios.
O edifício tinha a forma de Cruz.
Depois do Terramoto o vasto terreno do Hospital Real de Todos-os-Santos, contido entre as quatro largas serventias foi doado a três entidades. Aos padres Camilos, à Misericórdia e ao Hospital de São José.
Nos últimos meses do ano de 1778, o Arquitecto civil e militar da Mesa da Consciência e Ordens, medidor e avaliador oficial, media a mando do Conde de Valadares, escrivão da mesa da Santa Casa da Misericórdia, os terrenos de toda esta "ilha", de que se acharam de posse os religiosos de S. Camilo.
Foi dividida em duas partes desiguais, no sentido leste-oeste, a enorme fatia: o quinhão do Norte com 2/3 da área total coube aos frades; o quinhão do Sul dividiu-se em duas parcelas: a do poente e torneando para a Rua Oriental da Praça da Figueira, foi distribuída à Misericórdia; a do Borratém, foi doada ao Hospital de S. José, que tinha então anexa a Misericórdia, ficando-lhe porém, o «POÇO DO BORRATÉM» de fora, numa reentrância, que era logradoiro público.
Os religiosos de S. Camilo estabeleceram-se na parte que lhes foi concedida, fazendo o seu Templo na Ermida de S. Mateus, que passou a chamar-se também «IGREJA DOS CAMILOS», e que durou até à extinção das ordens religiosas em 1834, ficava mesmo defronte ao actual Beco dos Surradores.
Depois da extinção das Ordens Religiosas, a parte que lhes pertencia foi vendida em vários lotes ao Tesouro Público.
(CONTINUA) - Próximo «O SÍTIO DO POÇO DO BORRATÉM-(3

sábado, 1 de novembro de 2008

O POÇO DO BORRATÉM [ III ]

Poço do Borratém - 2008 - (Vista de satélite do Poço do Borratém e seus envolventes) in http://wikimapia.org/

Poço do Borratém - (Sitio da Praça da Figueira e Poço do Borratém, um pouco mais perceptível - embora sem escala - do percurso da Rua da Betesga até ao Borratém. APS


Poço do Borratém - (Depois de 1755) - Desenho retirado de uma planta da época por Júlio de Castilho) - (Planta do sítio do Poço do Borratém) in Lisboa Antiga-Bairros Orientais Volume III página 131


(CONTINUAÇÃO)
O POÇO DO BORRATÉM
«O SÍTIO DO POÇO DO BORRATÉM»


Após o Terramoto de 1755 grande parte de Lisboa e em especial a zona da baixa ficou bastante destruída.
Com base numa planta topográfica local (elaborada por Júlio de Castilho) vamos tentar explicar como o sítio do Borratém se modificou.
Começou-se por alargar e traçar em linha recta a Rua da Betesga. «BETESGA» era, segundo o Dicionário "Morais", um Beco sem saída, que fazia saco, ou fundo de saco; daí derivar o verbo "embetesgar" (A).

Referente a esta rua existe uma expressão tipicamente lisboeta «METER O ROSSIO NA RUA DA BETESGA» o que significa quando se quer meter algo num espaço onde nunca caberá, pois o Rossio é uma Praça de grandes dimensões e a Betesga uma rua estreita. (Atendendo a que esta rua antes do terramoto era ainda mais estreita).
Esta viela já se encontra nos escritos do século XVI.
Saía do canto sueste do Rossio (como hoje); uma esquina era para o Rossio, a outra para a «PRAÇA DA PALHA»(1), seguia para nascente, tinha à direita o «BECO DA ESTALAGEM»(2), depois uma rua angulosa chamada «POCINHO DENTRE AS HORTAS»(3), à esquerda mais à frente um "BECO"(4), onde funcionava uma "roda dos enjeitados". Sobre a «RODA DOS ENJEITADOS» teremos ocasião de nos debruçar noutro capítulo.
A seguir à Roda continuava a Rua da Betesga o seu caminho tortuoso, espalmava-se num mesquinho terreiro poligonal chamado «LARGO DO MENDANHA»(5), e dava para a «RUA DO BORRATÉM»(6).
A mão do Marquês de Pombal rasgou nas hortas a Rua Oriental da Praça da Figueira, desde a Rua Nova da Palma (hoje Rua D. Duarte), até pouco mais ou menos à antiga roda dos enjeitados; e no sentido poente a levante rasgou a Rua do Amparo que tomou o nome de uma ermida, que o Hospital de Todos-os-Santos possuía sobre o Rossio.
A «RUA DO BORRATÉM», embora um pouco alargada e regularizada, ficou sensivelmente com a mesma directriz e forma que sempre teve.

(A) - Meter em Betesga; encurralar.
(1 a 6) - Podemos acompanhar o percurso da Rua da Betesga (o ponteado é anterior a 1755) do Rossio ao Borratém.

(CONTINUA) - Próximo «O SÍTIO DO POÇO BORRATÉM-(2)»



quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O POÇO DO BORRATÉM [ II ]

Poço do Borratém - (2008) Fotógrafo não identificado (O Beco do Surrador ) in http://urbanusdetalhes.blogspot.com/2008/07/poo-do-borratem.html
Poço do Borratem - ( 1968 ) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo (O Poço do Borratém, no lado esquerdo a direcção à Rua do Arco Marquês de Alegrete) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.

(CONTINUAÇÃO)
O POÇO DO BORRATÉM
«O NOME DE BORRATÉM»
Segundo Júlio de Castilho a origem do nome de «BORRATÉM» no seu livro «Lisboa Antiga Bairros Orientais -1935» acredita sabê-lo de tradição oral confusa, alicerçada muitas vezes em etimologias e trocadilhos.
« Diz pois a tradição oral, conservada por pessoas muito idosas do sítio, segundo em tempo antigo, havia por ali um tanoeiro, que usava servir-se do poço público para usos quotidianos do seu trabalho, e deitava para dentro do poço arcos e aduelas das pipas, para amolecerem. Tudo isso era, muito bom, mas o povo que ia lá buscar, para gastos ou para remédios, a mesma água salutar, via o tanque sempre obstruído, e todo maculado de borra e detritos; por isso murmurava dizendo:
-Tem borra; ou borra tem.
Donde foi dado ao poço a alcunha satírica de "BORRA TEM ou BORRATÉM"».
Não existem meios de discutir como lenda ou não, mas o enigma foi, porém, esclarecido pelo arabista Professor Doutor David Lopes, dizendo: o nome recuava a tempos anteriores à tomada de Lisboa. A palavra provém do árabe "BER" e "ATTEN" o que significa «O Poço da Figueira», que desde tempos remotos serviu aquela zona da cidade.
Na verdade o «POÇO» permanece, e da «FIGUEIRA» perpetua o nome da Praça .
Diz-nos Castilho, que se as tanoarias desapareceram deste sítio, ficaram por muito tempo os «SURRADORES»(1), que deram nome ao Beco. Os «ODREIROS» ainda lá os vemos instalados no vão do último arco do casarão enigmático do lado Oriental da rua (2); não esquecendo outros habitantes da mesma paragem os quais, apesar de quadrúpedes, merecem a sua referência.
A existência de «ARRIARIAS»(3) de aluguer por aqueles sítios é já antiga; era provávelmente uma sucursal, hoje semi-morta da «FEIRA DAS BESTAS», no largo entre o Rossio e S. Domingos.
Nesse tempo, todo o sítio era povoado de cavalos, machos, e burrinhos de aluguer. Dali partiam, antes da «MALA.POSTA» e do Caminho de Ferro, as engraçadas e numerosas cavalgaduras de estudantinas para Coimbra, depois de férias.
(1) - «SURRADOR» Homem que surra ou curte peles, o m.q. SURRADEIRO
(2) - Já lá não existem (1935). Na loja está instalada (2004) uma florista; na sobre loja continua a ocupar (a ogiva do arco) a Companhia da Limpeza de Chaminés "A LISBONENSE", fundada em 1861.
(3) - A profissão ou vida de «ARRIEIRO» representa homem que aluga as bestas de estrada, de cavalgar. (Dicionário de Língua Portuguesa de José Pedro Machado-(1958) - É de notar que em 1868 ainda existiam no local algumas arriarias de aluguer.
(CONTINUA) - Próximo «O SÍTIO DO POÇO DO BORRATÉM»

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O POÇO DO BORRATÉM [ I ]

Poço do Borratém - Desenho de Júlio de Castilho (1871) foto de J. A. Bárcia Publicado no Livro de Lisboa Antiga (Bairros Orientais Volume III - 1935 - CML. Casa do "Largo" do Poço do Borratém conhecida por casa de João das Regras. Vêem-se os dois arcos do pavimento térreo, como ainda existiam em 1871; actualmente (1935) apenas se conserva o do lado direito.
Poço do Borratém - (1951-09) Foto de Eduardo Portugal - (Fachada lateral do Poço Borratém) in AFML.

Poço do Borratém, 5 e 8 - (194_) Foto de António Castelo Branco - (O poço está dentro das portas de ferro forjado) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.

O POÇO DO BORRATÉM
O Poço do Borratém pertence a duas freguesias. À de SANTA JUSTA os números 1 a 18, à freguesia de S.CRISTÓVÃO e S.LOURENÇO os números 19 a 42.
Fica entre as Ruas; da Madalena, dos Condes de Monsanto, (Antiga Betesga), do Arco do Marquês do Alegrete e dos Becos; do Rosendo e dos Surradores.
"OS POÇOS"
Debatendo-se durante largo tempo com água a menos para uma população a mais, Lisboa fez questão de assinalar especialmente alguns locais de onde a recolhia.
Assim certas fontes ficaram na memória popular e deram nome aos sítios onde ficavam - os exemplos vão desde a Azinhaga da Fonte, em Carnide, às Quintas das Fontes, em Benfica ou nos Olivais, passando pela Fonte Velha, no Lumiar.
Também os POÇOS foram ganhando esta competição: pelo que nos é dado conhecer são pelo menos treze ruas (ou sítios) lisboetas que lembram as antigas nascentes das quais dependia a vida em redor. «O POCINHO», em Alfama, «O POÇO», simplesmente, na Ameixoeira, em Telheiras ou em Cabo Ruivo, são as mais singelas. Os outros têm apelidos: «POÇO COBERTO», «POÇO DAS CORTES», «POÇO DE BAIXO», «POÇO DO BISPO», «POÇO DO CHÃO», «POÇO DOS MOUROS», «POÇO DO BORRATÉM» e «POÇO DOS NEGROS».
Temos a referencia de que o «POÇO DOS NEGROS» de onde não saia água e ficava ao fundo da Calçada do Combro surgiu no século XVI, quando D. Manuel I mandou abrir aquele poço para nele serem atirados os escravos negros que morriam em Lisboa.
Não é desse que hoje vamos tratar, mas sim do «POÇO DO BORRATÉM».
Situado na rua do mesmo nome «O POÇO DO BORRATÉM» é um lugar com bastante história
(CONTINUA) - próximo: «O NOME DO BORRATÈM»)

RETORNAR

ESTOU DE VOLTA AO MEU BLOGUE E NÃO QUERO COMEÇAR SEM ANTES AGRADECER A TODOS QUE O VISITARAM DURANTE ESTA LONGA AUSÊNCIA, QUE ME FOI NECESSÁRIA.
FELIZMENTE ENCONTREI MAIS ESTABILIDADE, EFECTIVAMENTE "ELE" FECHOU-ME UMA PORTA, MAS ABRIU-ME UMA GRANDE JANELA.
VOU INICIAR COM O «POÇO DO BORRATÉM» É UM POUCO LONGO, NO ENTANTO CONTO COM A VOSSA PACIÊNCIA.
NÃO VOU SER ESCRAVO DO BLOGUE, ESCREVENDO TODOS OS DIAS COMO FIZ DESDE QUE INICIEI (Dezembro de 2007 a 29 de Maio de 2008) POIS É MUITO CANSATIVO.
ESPERO NÃO DESILUDIR OS ASSÍDUOS VISITANTES (Principalmente os alunos das nossas escolas) E PROMETO SER O MAIS EXACTO POSSÍVEL.
APS

quarta-feira, 28 de maio de 2008

RUA ANTÓNIO VARIAÇÕES

Rua António Variações - (1983) - Fotógrafo não identificado in 13.photobuckt.com/
Rua António Variações - (198-) Fotógrafo não identificado in www.uni-hamburg.de/

Rua António Variações (s/d) Fotógrafo não identificado in boraiprosol.blogs.sapo.pt

Rua António Variações - (198-) Fotógrafo não identificado in dn.sapo.pt2004/11/12/artes


A «RUA ANTÓNIO VARIAÇÕES» pertence à freguesia de SANTA MARIA DOS OLIVAIS. Começa na Rua Carlos Daniel e termina na Rua Mário Viegas.
Por deliberação Camarária de 13 de Maio de 1998 e Edital de 24 de Junho de 1998, foi atribuído o nome de António Variações à rua nesta freguesia, de designação anterior "B" do Bairro dos Retornados, sendo inaugurada em 7 de Maio de 1999.


A 3 de Dezembro de 1944 na Aldeia minhota de Fiscal, situada no Concelho de Amares (BRAGA), viu nascer um dos seus filhos mais famosos, António Joaquim Rodrigues Ribeiro, que é como foi baptizado «ANTÓNIO VARIAÇÕES».
Estudou por aquelas bandas, no mesmo tempo que ajudara o seu pai no trabalho do campo. Já nesses tempos demonstrava grande apetência pela música.
Com apenas 11 anos teve o seu primeiro emprego, em Caldelas, como fabricante de quinquilharias. Um ano depois vem para Lisboa, onde começa a trabalhar num escritório.
Os anos passaram e veio a altura de cumprir o serviço militar. Os tempos eram outros e o seu destino foi Angola. Antes de partir, pede à sua mãe que acenda uma vela a Santo António, figura da sua devoção. Regressa em 1975, mas por pouco tempo. O seu próximo destino é Londres. Um ano depois, mais um rápido retorno... e nova partida; desta feita, para Amesterdão, cidade em que aprende o seu oficio: assim, monta em Lisboa, no Centro Comercial IMAVIZ, o primeiro cabeleireiro Unisexo português.


Em 1978 apresenta uma maqueta à firma Valentim de Carvalho e, uns anos mais tarde, dá-se o encontro com duas pessoas: Júlio Isidro e Luís Vitta. O primeiro abre-lhe as portas da Televisão, o segundo as da rádio.
Em 1982 sai o seu primeiro "single" «POVO QUE LAVAS NA RUA» e «ESTOU ALÉM». E, em pouco mais de um ano, transforma-se num caso de popularidade da música popular Portuguesa. Em 1983, sai o seu primeiro álbum intitulado «ANJO DA GUARDA», com êxito como «É PARA AMANHû ou «O CORPO É QUE PAGA», num estilo que ele próprio define como reunir folclore, rock, blues e fado. Em 1984 grava o seu segundo e último álbum «DAR E RECEBER», no qual se revelou como sucesso a «CANÇÃO DO ENGATE».
O seu primeiro sucesso constitui-se no arrojo de cantar «POVO QUE LAVAS NO RIO», "emblema" de Amália. Temas como «É PARA AMANHû, «O CORPO É QUE PAGA» ou «VISÕES/FRICÇÕES/NOSTRADAMUS» - com a música composta por Victor Rua - ficarão na história da música portuguesa.
Quando lhe punham questões de natureza estética, definia-se de forma vulgar: «Estou entre Braga e Nova Iorque». Morreu a 13 de Junho de 1984, no dia em que Lisboa celebra o Santo de sua devoção


BIBLIOGRAFIA
Gazeta de Lisboa Nº6 de 04/05/2000
CML - Toponímia

(ATÉ BREVE... AMIGOS)



COMUNICADO

VOU ESTAR AUSENTE DESTE MEU RECANTO PORQUE O MEU SENHORIO ME COLOCOU NA RUA, DEPOIS DE ME MOVER UMA ACÇÃO DE DESPEJO EM DESCARADA MÁ FÉ.
NÃO ME ACEITOU A RENDA (1996) EU FUI DEPOSITÁ-LA NA CAIXA GERAL DOS DEPÓSITOS, (A MINHA ADVOGADA NÃO VEZ PROVA DA RECUSA E EU ESTOU NA RUA), APÓS 12 ANOS DE RECUOS E AVANÇOS (POIS GANHEI TRÊS VEZES E PERDI UMA, A ÚLTIMA).
ESTAVA NESTA CASA DESDE 1960 EMBORA JÁ TIVESSE HABITADO NO MESMO PRÉDIO (NOUTRO ANDAR) DESDE 1957. TENHO 71 ANOS SEMPRE PAGUEI A RENDA ATEMPADAMENTE, AGORA VEJO-ME RETIRADO DA CASA DE PERTO DA FAMÍLIA, ALÉM DOS PROBLEMAS PSICOLÓGICOS E MORAIS QUE TUDO ISTO ENVOLVE.
NÃO ME VOU LAMENTAR MAIS, ACEITO A VIDA COMO ELA ME PROPORCIONA, NÃO SEI SE SOU UM "PARVALHÃO" OU UM "CHICO-ESPERTO", UMA COISA TENHO PRESENTE. SOU SÉRIO, O TRIBUNAL DECIDIU (MAL OU BEM NÃO INTERESSA) EU LIMITO-ME A CUMPRIR.
NO DIA 30 DE MAIO DE 2008 SERÁ O MEU ÚLTIMO DIA NESTA MORADA EM SASSOEIROS.
SAUDAÇÕES "BLOGUISTAS"
APS (Agostinho de Paiva Sobreira)