sábado, 5 de agosto de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XIX ]

«A TABAQUEIRA  ( 1 )»
 Rua Alfredo da Silva - (Em actividade de 1927 a 1963, na Zona Oriental de Lisboa)  -  Fachada principal de "A TABAQUEIRA" no Poço do Bispo/Braço de Prata, no LARGO DO TABACO" , antigo espaço do "CAIS DO TOTA")  in  CAMINHO DO ORIENTE
 Rua Alfredo da Silva - ( depois de 1927)  -  (A TABAQUEIRA" lança-se no mercado com uma agressiva campanha publicitária)  in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva -  (1928)  -  (Fábrica fundada por "ALFREDO DA SILVA",  "A TABAQUEIRA" produziu várias marcas, esta talvez fosse a primeira mais popular na época)  in  FOFOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (Décadas de 30 a 50 do século XX)  - (Frente do maço "DEFINITIVOS" fabricado pela "A TABAQUEIRA" na zona Oriental de Lisboa)   in  GARFADAS ON LINE
 Rua Alfredo da Silva - (Décadas de 30 a 50 do século XX)  -  (Verso do Maço de cigarros "DEFINITIVOS" fabricado pela "A TABAQUEIRA" que funcionou na Zona Oriental de LISBOA de 1927 a 1963, passou para ALBARRAQUE em 1963 e acabou em 1976 - Mais uma das Fábricas fundadas pelo Industrial "ALFREDO DA SILVA")   in  GARFADAS ON LINE
Rua Alfredo da Silva - ( 1987)  -  (Planta Aerofotogramétrica 7/8 Escala 1:2000 - Maio de 1963 - actualizada em 1987, da "A TABAQUEIRA" do Poço do Bispo)  in  CAMINHO DO ORIENTE

(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XIX ]

«A TABAQUEIRA ( 1 )»

«A TABAQUEIRA» do "POÇO DO BISPO" como era designada na época da sua fundação, ou de "BRAÇO DE PRATA" como geralmente hoje é conhecida, surgiu numa conjuntura assaz favorável da história da Industria do TABACO em PORTUGAL.
Entre os anos de 1891 e 1926, tinha vigorado o monopólio legal do ESTADO no contrato de TABACO, que esteve entregue à COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL em XABREGAS.
Problemas políticos, financeiros e sociais relacionados com o encerramento das fábricas desta COMPANHIA em 30 de ABRIL de 1926 - curiosamente ligado com o movimento militar do 28 de Maio desse ano  -  motivaram uma mudança de atitude do ESTADO face a tão importante negócio financeiro.
A publicação do "Decreto-Lei nº. 13587 de 11 de Maio de 1927", estabelecia as bases para o regime dos TABACOS, que determinava a liberdade de fabrico, importação e venda.
Esta era uma das Industrias que "ALFREDO DA SILVA" cobiçava,  e nesse mesmo ano após uma luta feroz, o ESTADO aceitou a existência da sua "TABAQUEIRA".

As condições estavam criadas, mas faltou algum tempo para o arrojo da iniciativa. Em primeiro lugar, a COMPANHIA UNIÃO FABRIL - CUF envolveu-se numa polémica Ministerial com a recém "COMPANHIA PORTUGUESA DE TABACOS", fundada também em 1927, ou seja, uma nova versão da antiga "COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL" e principal subscritora das acções da nova. Apesar de não evitar as concessões do ESTADO, "ALFREDO DA SILVA" orgulhava-se de ter contribuído para o término do "MONOPÓLIO" do TABACO (21 de Junho de 1927). A derrota da proposta da CUF levou o Industrial, no entanto, a criar uma nova empresa "A TABAQUEIRA" com capitais da "SOCIEDADE GERAL DE COMÉRCIO, INDUSTRIA E TRANSPORTES, Lda. e da CASA BANCÁRIA "JOSÉ HENRIQUES TOTTA, LDA", ambas integradas no grupo CUF.
A nova Empresa registou a marca com a sigla  "Para Bem Servir" e organizou o negócio tendo como ponto de partida a Unidade Industrial do "POÇO DO BISPO".
Abria-se assim o mercado mas a porta era estreita: caberiam só dois concorrentes. Com uma concessão por 30 anos, "ALFREDO DA SILVA" era um deles, ao que parece tentando ainda entrar no capital da outra empresa.
Durante anos "ALFREDO DA SILVA" terá estabelecido um "plafond" de dividendos aos accionistas de 7% ao ano, como forma de garantir uma homogeneidade empresarial, independente. Lançou conceitos modernizados de concorrência com a COMPANHIA rival,
muito ligada aos interesses do ESTADO.
O crescimento da EMPRESA e as opções económicas implementadas vieram orientar o futuro de  "A TABAQUEIRA", durante a II GUERRA MUNDIAL.  O empresário "MANUEL DE MELO", continuador de "ALFREDO DA SILVA", integrava o GRUPO DA COMPANHIA UNIÃO FABRIL- CUF, depois da morte de "ALFREDO DA SILVA" em 1942.
Do ponto de vista fabril, os empresários de "A TABAQUEIRA" , conscientes da evolução do sector a nível internacional, investem numa completa e total mecanização de produção, cujos efeitos se materializaram na diminuição do custo do TABACO nas lojas de venda. 


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XX ] -A TABAQUEIRA ( 2 )». 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XVIII ]

«PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA" ( 2 )»
 Rua Alfredo da Silva - (1975) - Foto de João Carvalho  -  (Palacete onde viveu "ALFREDO DA SILVA" e desde 1996 pertence à ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS FARMÁCIAS, onde funciona o "MUSEU DA FARMÁCIA")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in     WIKIPÉDIA 
 Rua Alfredo da Silva - (24.01.2017) - Foto de Maria de Lourdes  -  (Vista do Palacete do "ALTO DE SANTA CATARINA" com esquina para a "RUA MARECHAL SALDANHA" (antiga RUA DA CRUZ DE PAU), instalações desde 1996 da Associação  Nacional das Farmácias e seu "MUSEU DA FARMÁCIA")    in    AÇOR
 Rua Alfredo da Silva - (Entre 1898 e 1908) Foto de Machado & Sousa  -  (Palacete do Industrial "ALFREDO DA SILVA" no "ALTO DE SANTA CATARINA", com o pormenor de dois candeeiros de iluminação pública, suportada por estátua de bronze - possivelmente uma CARIÁTIDE)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML
Rua Alfredo da Silva - (1921)  -  (Foto do Industrial "ALFREDO DA SILVA" com 50 anos de idade, marcava decisivamente a filosofia e o percurso do Grupo CUF)    in   HISTÓRIA DO GRUPO


(CONTINUAÇÃO)-RUA ALFREDO DA SILVA [ XVIII ]

«PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA" ( 2 )»


O PALACETE, cuja fachada surge dividida em três panos separados por duas pilastras de cantaria e delimitados lateralmente por cunhais, também de cantaria, desenvolve-se em piso térreo e andar nobre separado por cornija, caracterizados por vão de janelas de peito aberto a um ritmo regular, o qual é interrompido pelos dois portões centrais de arco de volta perfeita no piso térreo.
A rematar o edifício temos uma cornija saliente, coroada por balaustrada, interrompida, no pano central da fachada, por frontão triangular por óculo iluminante. O jardim, local onde se erguia a antiga "IGREJA DE SANTA CATARINA", encontra-se vedado por um muro com gradeamento em ferro, no interior do qual se evidenciam altos candeeiros de bronze fundido com cariátides ( A ).

Nesta PALACETE "ALFREDO DA SILVA" e sua mulher coabitaram com a filha e genro e os netos ( tendo entretanto nascido outro rapaz, "JOSÉ MANUEL", e uma menina). "ALFREDO DA SILVA" gostava deste PALACETE da capital que lhe permitia olhar das janelas "as águas tranquilas do RIO TEJO, ver o porto e os navios ancorados". Seguiu-se na  propriedade "D. MANUEL DE MELO", genro do Industrial.

O edifício tem servido depois um pouco para tudo: lá foi, por exemplo, a redacção e serviços do "JORNAL NOVO", combativo vespertino que foi publicado depois do 25 de Abril de 1974 e teve "ARTUR PORTELA" como seu primeiro Director. 
Em 1986, funcionou ali a sede da candidatura do Professor FREITAS DO AMARAL à PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA e ainda uma fundação de carácter político. Para o Nº. 1 da "RUA MARECHAL SALDANHA" (antiga RUA DA CRUZ DE PAU") veio a "ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS FARMÁCIAS" que adquire o imóvel dos "MELOS" e dá nova feição ao espaço.  Em 1996 é inaugurado o "MUSEU DA FARMÁCIA".
Existe um caso curioso na Toponímia destes sítios de bairros hoje distintos: O "ALTO DE SANTA CATARINA" e a desaparecida IGREJA desta invocação ficavam na "HERDADE DE SANTA CATARINA". Mas "SANTA CATARINA" "HERDADE", não tinha nada que ver com SANTA CATARINA "IGREJA" e "MONTE"; a primeira é mais antiga, e as origens são diversas.
Antiga freguesia de "SANTA CATARINA" hoje freguesia da "MISERICÓRDIA". O quarteirão é composto de quatro arruamentos. Parte frontal, virado a SUL - Actual "RUA DE SANTA CATARINA" (antiga "Rua do Monte de Santa Catarina" ou "LARGO DE SANTA CATARINA"; A NORTE  - Actual "RUA DR. LUÍS DE ALMEIDA E ALBUQUERQUE" ( 1 ) (antiga "RUA DE BELVER" ( 2 ) , (anteriormente "RUA DO LAMBAZ" ( 3 ); a NASCENTE - Actual "RUA MARECHAL SALDANHA" (antiga "RUA DA CRUZ DE PAU) (4 ); a POENTE - Actual "TRAVESSA DE SANTA CATARINA", (antiga "Travessa do Cemitério" por ali se situar um cemitério anexo à Igreja).

- ( A ) - CARIÁTIDE - Estátua feminina que serve de suporte arquitectónico vertical.
- ( 1 ) - RUA DR. LUÍS DE ALMEIDA E ALBUQUERQUE -antigo Director do "JORNAL DO COMÉRCIO" e jornal que existiu nesta artéria entre 1853-1983, (era considerado o jornal mais antigo do país).
- ( 2 ) - BELVER - Provavelmente com origem no nome daquele Monte.
- ( 3 ) - LAMBAZ - Era a "Alcunha" que tinha "D. DIOGO DE SOUSA" na Corte, no tempo de D. João III.
- ( 4 ) - CRUZ DE PAU - Por nela ter sido implantada uma CRUZ DE MADEIRA no ALTO DE SANTA CATARINA para guiar os navegantes, que se faziam à barra do TEJO.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XIX ]-A TABAQUEIRA ( 1 )»

sábado, 29 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XVII ]

«PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA" ( 1 )»
 Rua Alfredo da Silva - ( 1996)  -  (O "PALACETE DE SANTA CATARINA" mandado construir em 1862 por José Pedro Colares Pereira, foi depois comprado pelo INDUSTRIAL "ALFREDO DA SILVA" em finais do século XIX. Pertence actualmente à Associação Nacional de Farmácias, onde funciona o "MUSEU DA FARMÁCIA")  in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - ( 191_) - Foto de Joshua Benoliel  -  (Palácio do Industrial "ALFREDO DA SILVA" no ALTO DE SANTA CATARINA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Rua Alfredo da Silva - (1856-1858) Filipe Folque -  (Panorâmica da CARTA Nº. 49 de FILIPE FOLQUE vendo-se o enquadramento da IGREJA DE SANTA CATARINA)  in  ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
Rua Alfredo da Silva - ( 2013 )  -  (Portão do Palacete de Santa Catarina onde residiu o Industrial "ALFREDO DA SILVA")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   PORTUGAL 


(CONTINUAÇÃO) -RUA ALFREDO DA SILVA [ XVII ]

«PALACETE NO ALTO DE SANTA CATARINA ( 1 )»


Embora "ALFREDO DA SILVA" tivesse três esplêndidas residências; uma no MONTE ESTORIL mandada construir de raiz ao gosto da época (cerca de 1920), a de VERÃO na VILA DE SINTRA (onde faleceu) e o PALACETE datado do século XIX no "ALTO DE SANTA CATARINA" de que lhe iremos revelar alguma história.
Teve o seu início este lugar numa pequena "ERMIDA DE SANTA CATARINA", a quem o povo de LISBOA fazia devotas romagens e a "RAINHA DONA CATARINA", mulher do REI "DOM JOÃO III", pela grande devoção que teve a esta SANTA, lhe erigiu em 1557, no mesmo sítio a «IGREJA DE SANTA CATARINA DO MONTE SINAI".
Esta IGREJA passou a dar o nome ao "ALTO DE SANTA CATARINA" e à própria PARÓQUIA, (encontrando-se desde 1835, no antigo "CONVENTO DOS PAULISTAS" na "CALÇADA DO COMBRO"). Antes de  "ALTO DE SANTA CATARINA" era conhecido pelo "MONTE" ou "PICO DE BELVER".  
Neste ALTO se descobre a parte do TEJO até à barra de LISBOA e uma grande parte do OCEANO ATLÂNTICO, avistando-se juntamente as nobres vilas de : ALDEIA GALEGA (hoje  MONTIJO),  PALMELA, BARREIRO e ALMADA, com os lugares do SEIXAL, ARRENTELA, CACILHAS, PORTO BRANDÃO e TRAFARIA, formando este dilatado mapa, uma das mais deliciosas vistas, bastante frequentado por nacionais e estrangeiros. 
A IGREJA era de três naves, elevadas em colunas, magnificas na grandeza e primorosa no ornato, à qual,  deu o CABIDO DE LISBOA, o título de "PARÓQUIA" e a dita RAINHA a doou aos "LIVREIROS DA CIDADE", unidos em Irmandade da mesma SANTA.

Com o terramoto de 1755 a IGREJA ficou bastante danificada; toda a parte da Capela-Mor, Cruzeiro; Naves, Torre e frontispício ruíram, só o corpo da IGREJA ficou ileso, mas foi necessário ser arrasado para nele se fazer uma "IGREJA BARRACAL", das  maiores que teve LISBOA (na época) e seria das mais excelentes e primorosas da corte.  Destruída por um incêndio em 1835, foi finalmente demolida já totalmente em ruínas, entre 1856 e 1862.
As ruínas da IGREJA e respectivo terreno acabaram por ser vendidos, e adquiridos por "JOSÉ PEDRO COLARES PEREIRA" um industrial, proprietário da "METALÚRGICA VULCANO E COLARES", que ali mandou construir o seu PALACETE.
Foi este vendido no final do século XIX, a outro grande INDUSTRIAL, "ALFREDO DA SILVA" o  homem da "CUF-COMPANHIA UNIÃO FABRIL"


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XVIII ]-PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA ( 2 )»

quarta-feira, 26 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XVI ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 4 )»
 Rua Alfredo da Silva - (1941)   - (Postado em 09.07.2007-G.CUF)  -  (Quadro a óleo da figura do Industrial "ALFREDO DA SILVA" pintado pelo artista HENRIQUE MEDINA)  in  O GRUPO CUF 
 Rua Alfredo da Silva - ( 1908 )  -  (O "BAIRRO OPERÁRIO" da CUF no BARREIRO ou "BAIRRO DE SANTA BARBARA" ou ainda o "BAIRRO VELHO")  in  ALFREDO DA SILVA A  CUF  E O BARREIRO
 Rua Alfredo da Silva  - (1911)  - (Interior da Sala de Espectáculos e Ginásio da CUF, junto do Bairro Operário)   in    RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Alfredo da Silva - (18.01.1942) Foto de Luís Ferreira da Luz  -  (O Refeitório da CUF no BARREIRO)  in  ALFREDO DA SILVA A  CUF  E O BARREIRO
 Rua Alfredo da Silva - ( 2011)  -  (Panorâmica do BAIRRO OPERÁRIO da CUF, já com as casas ocupadas pelo pequeno comércio) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in O GRUPO CUF 
 Rua Alfredo da Silva - (2011 )  - ( Um pormenor do "BAIRRO OPERÁRIO" da CUF do BARREIRO  a sua "RUA LIEBIG")   in  O GRUPO CUF
 Rua Alfredo da Silva - (2011)  -  (Mais um pormenor do Bairro Operário da CUF do BARREIRO, já com algumas casas dos antigos operários transformadas em escritórios e outras actividades. Ao fundo a Papelaria Universal. A "RUA GAY-LUSSAC" - nome de um químico francês, que foi um dos primeiros a formular a "Lei dos Gases")   in   O GRUPO CUF
Rua Alfredo da Silva - (2011)  -  (Edifício da antiga CRECHE DA CUF no BARREIRO em estado de abandono, na "RUA LIEBIG)    in   O GRUPO CUF


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XVI ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 4 )»

Localizado dentro da COMPLEXO FABRIL DA C.U.F., no antigo "ALTO DE SANTA BARBARA" ( 1 ) e na vetusta «QUINTA DO ABREU» ( 2 ) no BARREIRO, o "BAIRRO OPERÁRIO" foi das primeiras preocupações da Administração da COMPANHIA, surgindo logo, aquando do arranque das primeiras fábricas em 1908. Destinado a parte do pessoal das instalações fabris, era composto maioritariamente de casas de piso térreo de formato igual, de grande simplicidade dando ao local um aspecto de continuidade e sequência arquitectónica. Continuidade apenas interrompida pelos "CHALETS" do "DIRECTOR DAS FÁBRICAS" e para o pessoal superior, hoje já bastante alterados, da sua tipologia inicial. Para servir tal massa populacional, foram edificados vários serviços, tais como: BALNEÁRIO, DISPENSA, FARMÁCIA, POSTO MÉDICO, PADARIA, SERVIÇOS DE INCÊNDIO, ESCOLA PRIMÁRIA, O CINEMA GINÁSIO e a SEDE DA LIGA DE INSTRUÇÃO E RECREIO DA CUF, mais tarde "GRUPO DESPORTIVO DA CUF".

Em 1909 era preciso ser-se um empresário «Progressista» para se construir BAIRROS destinados aos seus operários.  Dezanove empresas dispunham desta novidade. A CUF ocupava o "terceiro lugar", com 92 CASAS, seguido já de perto a "COMPANHIA DA FÁBRICA DE ALGODÃO DE XABREGAS" com 106 e a "COMPANHIA LISBONENSE DE ESTAMPARIA E TINTURARIA DE ALGODÕES" com 111.
 Novas habitações serão construídas pela CUF posteriormente, acompanhando o ritmo de crescimento da COMPANHIA, mas ao que parece, a intensidade da afluência de trabalhadores ao BARREIRO não impediu que a "VILA" (hoje CIDADE) vivesse numa constante falta de casas. 
Segundo a administração o "BAIRRO OPERÁRIO" servia para aproximar o funcionário ao local de trabalho, vantagem a que se juntavam as rendas baixas e as casas higiénicas. Mas atenção: era exigido que as habitações fossem asseadas. Os ocupantes todas as semanas eram visitados por fiscais. É que o modelo paternalista procurava em todas as frentes moralizar; a concessão de benefícios era o instrumento valioso desta «CRUZADA».

Infelizmente a parcela mais antiga deste "BAIRRO OPERÁRIO" que se prolonga a SUL para além da antiga sede do "GRUPO DESPORTIVO DA CUF" já desapareceu há muito, quer por exigências de modernização fabril, quer por exigência de tráfego rodoviário. Era nesse local , que se poderiam encontrar os topónimos mais curiosos de "RUAS", ligadas aos produtos da CUF: "RUA DA JUTA", "RUA DOS ÓLEOS", "TRAVESSA DA PIRITE", "AVENIDA DOS SUPER-FOSFATOS" e havia até, uma "RUA DO DINHEIRO", toponímia certamente já esquecida por muitos barreirenses. Apenas sobrou uma, a "RUA DO ÁCIDO SULFÚRICO" que ainda persiste. 
A "RUA LIEBIG" nome de um grande químico do século XIX, cujas experiências permitiram o desenvolvimento dos fertilizantes, Sabões, explosivos e alimentos desidratados. Como professor, foi também um impulsionador dos modernos LABORATÓRIOS DE QUÍMICA. RUA essencialmente composta por casas de habitação, sendo que no seu final se encontra uma casa verde, em estado de abandono, onde funcionou a "CRECHE DA CUF" [FONTE: O GRUPO CUF - Ricardo Ferreira -14.01.2011].

- ( 1 ) - Nestes terrenos existiu no século XVII uma Ermida, cuja invocação era "SANTA BARBARA" e, por esse facto, durante muitos anos assim foi chamado [Fonte: cm-barreiro].

- ( 2 ) - Revista "UM OLHAR SOBRE O BARREIRO" Nº. 1 II SÉRIE JUNHO de 1989.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XVII ]- PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA ( 1 ) ».

sábado, 22 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XV ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 3 )
 Rua Alfredo da Silva -(07.11.2014)  -  ("ALFREDO DA SILVA -"1871.1942"-150 ANOS no D,N,- Foi um Industrial ímpar em Portugal fundador da CUF, tendo criado um Império que empregava milhares de pessoas)   in   DIÁRIO DE NOTÍCIAS 
 Rua Alfredo da Silva - (1919) -  (Reportagem da "ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA" sobre o atentado falhado contra "ALFREDO DA SILVA", em Novembro de 1919 no "ALTO DE SANTA CATARINA" em LISBOA)   in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva -  ( 1953 )  -  (ANÚNCIO da frota de barcos da "SOCIEDADE GERAL DE COMÉRCIO,  INDUSTRIA E TRANSPORTES - SG", nos anos 50 do séc. XX. Sua tonelagem, além das carreiras que fornecia de LISBOA para:)  in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Alfredo da Silva - (Década de 60/70 do século XX)  -  (Vista aérea do complexo Industrial da CUF no BARREIRO  ainda no seu apogeu)  in   AMIZADE DE INFÂNCIA -FACEBOOK
 Rua Alfredo da Silva - (Década de 60 início de 70 do séc, XX)  - (Vista aérea do Complexo da CUF, para Norte dos Silos, ao fundo a FISIPE e o LAVRADIO com a sua praia, na lado esquerdo ainda se pode ver um pouco a Ilha do Rato) in  AMIZADE DE INFÂNCIA-FACEBOOK
 Rua Alfredo da Silva -  ( 1963 )   -   (Aspecto nocturno da Sede Administrativa da C.U.F. nos anos sessenta do século passado, na Avenida 24 de Julho)  in  DA FÁBRICA QUE SE DESVANECE À BAÍA DO TEJO
Rua Alfredo da Silva - (1961) - Foto de Armando Serôdio  -  (Edifício Sede da CUF visto do lado nascente, na Avenida 24 de Julho em LISBOA)   in    AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XV ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 3 )»


A crise do país em 1919, tempos de instabilidade política, "ALFREDO DA SILVA" sofre um atentado.
Uma reportagem fotográfica da "ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA" sobre o atentado falhado contra "ALFREDO DA SILVA" em Novembro de 1919, junto a sua casa no ALTO DE SANTA CATARINA, um dos vários em que tentaram liquidá-lo.

Diz assim a publicação: "O senhor "ALFREDO DA SILVA", o conhecido Industrial que LISBOA tão bem conhece, foi ultimamente vítima de um atentado que só o não vitimou por um acaso providencial. "ARTUR PINHO" com outros que se evadiram esperaram aquele senhor quando ele, à saída do seu Palacete do "ALTO DE SANTA CATARINA", onde se deu o incidente, ia para se meter no automóvel, e alvejaram-no à pistola e à bomba.  A pistola não se disparou por se ter encravado, mas os estilhaços da bomba deixaram ferido o "chauffer"  "RAÚL DE SOUSA", que está  no hospital onde foi fotografado para a "ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA".
O estucador "ARTUR PINHO" também está bastante ferido, como a nossa gravura mostra, por o povo o ter agredido, escapando ele com dificuldade às iras populares, devido à intervenção da polícia.  Geralmente os populares não são bolchevistas nem compreendem o crime como um ideal".

Ainda nesse ano a crise do país não obrigaria  "ALFREDO DA SILVA" a "arrepiar-caminho". Este dado é fundamental e relevante. A concentração vertical e horizontal da empresa dá então passos largos.  Em 1919, cria a primeira empresa associada, a "SOCIEDADE GERAL DO COMÉRCIO, INDUSTRIA E TRANSPORTES, LDA." (que ficará na história apenas conhecida por «SOCIEDADE GERAL» ou "SG", mais tarde servirá ainda para representar uma das mais conhecidas marcas de tabaco português o "SG"), com um capital social fixado em 2 000 contos-ouro. E no seu estatuto pode ler-se:  "É objectivo da sociedade o exercício de qualquer comércio, à excepção do bancário.  Em especial é seu objectivo contribuir para o capital ou aumento de quaisquer empresas industriais ou de transportes". A «SOCIEDADE GERAL» inicia desde logo actividade na área do COMÉRCIO COLONIAL.  Desde o arranque do BARREIRO, em 1908, o grupo começou a interessar-se mais de perto pela actividade COLONIAL e por todos os ramos de comércio de produtos subtropicais.

Chegou então o tempo e a oportunidade de "ALFREDO DA SILVA" entrar no Mundo bancário; quando em Março de 1921 é modificada a constituição e elevada o capital da "CASA HENRIQUE TOTTA & Cª.", que passa a denominar-se «JOSÉ HENRIQUE TOTTA, LDA".  Neste aumento de capital participa a SOCIEDADE GERAL, com uma quota de Cinco Mil e Cinquenta contos. A C.U.F. tinha iniciado mais uma actividade, a bancária. Este processo de integração de capitais Industriais  e bancários tinha porém uma característica: não subordinar a Industria à Banca.
Ainda em Agosto de 1921 a sede da C.U.F. é transferida da "AVENIDA  24 DE JULHO" para a "RUA DO COMÉRCIO".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XVI ]-A CUF NO BARREIRO ( 4 )»

quarta-feira, 19 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XIV ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 2 )»
 Rua Alfredo da Silva - ( 1930 )  -  ( Até o  "ZÉ POVINHO" já anda de "charrete" puxada a cavalos, depois de ter usados os nossos ADUBOS)  in   FOTOBIOGREFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1907)  -  (Início da construção do grande armazém fabril, que resultaria no complexo Industrial no BARREIRO)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1909)  -  (O desenvolvimento das obras, enquanto avança o projecto e se adquirem os alvarás para as fábricas)  in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1916)  -  ("ALFREDO DA SILVA" -à direita- com o Embaixador "BIRCH", numa visita às instalações da fábrica da CUF no BARREIRO)  in  UM OLHAR SOBRE O BARREIRO
 Rua Alfredo da Silva - ( 1932) -  (Vista parcial, tirada de avião, à fábrica e porto fluvial da CUF no BARREIRO que, com menos de três décadas, sob a constante direcção do seu principal impulsionador "ALFREDO DA SILVA") in    RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Alfredo da Silva - (1983)  -  (Uma fotografia do Centro Informático da CUF/QUIMIGAL no BARREIRO, computador UNIVAK 90/30)   in  RESTOS DE COLECÇÃO
Rua Alfredo da Silva  - ( Século XX)  -  (Cinzeiro uma oferta do grupo CUF aos seus clientes)  in   ARQUIVO/APS


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XIV ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 2 )»

Nesse sentido, ele estuda o problema e enceta os trabalhos preliminares para a sua concretização do que tem em mente. Percorre o ALENTEJO, numa tentativa para encontrar o melhor local para edificação do que pretende. Hesita entre CASA BRANCA e VILA NOVA DE BARONIA, chegando mesmo a adquirir alguns terrenos nesta última localidade, já que a falta de água que ali se fazia sentir, logo o obriga a por a hipótese de parte. Contudo, surge nova ideia: O BARREIRO.  Na certeza de ter ali encontrado o locar ideal, logo entra em negociações na compra de uma faixa de terreno pertencente à firma "BENSAÚDE & Cª." (uma antiga fábrica de cortiça), era perfeito para a futura expansão da Empresa, além de uma ligação com o CAMINHO DE FERRO, existindo ainda um "CAIS ACOSTÁVEL", o que equivale a dizer que reunia dois factores que o tornavam muito valioso.
Ultimadas as negociações e assinada a escritura de compra, "ALFREDO DA SILVA" com o intuito de se documentar perfeitamente sobre as técnicas mais evoluídas, parte para a ALEMANHA em visita ao que, na altura, existia de mais aperfeiçoado em matéria de fabrico de  óleos.  De passagem por PARIS, entra em contacto com o Engenheiro francês "A. L. STINVILLE" que viria, depois, a ser o principal orientador das obras a realizar.
Essas obras de uma grandeza ímpar até então no País, são orçadas em 500 Contos de réis, importância que embora elevadíssima para a época, ainda acabaria por ser largamente excedida, ultrapassando os MIL CONTOS DE RÉIS.
O trabalho árduo a que, depois se procede durante cerca de dois anos, torna possível que, no dia 2 de Dezembro de 1909, "ALFREDO DA SILVA" e alguns dos seus mais directos colaboradores, tais como o secretário "AARÃO ANAHORY", o médico "DR. COSTA", VICTOR BELO, os engenheiros "PALLET" e "LACOMBE", o Engº. agrónomo "AMANDO DE SEABRA", "JOÃO SILVA", "ÁLVARO MIRANDA", o francês "DEBROU", encarregado dos carpinteiros, e outros, recebam, no BARREIRO, os accionistas a fim de que todos assistam à inauguração da OBRA.

No entanto, em 19 de Setembro de 1908 é inaugurada a sua primeira unidade fabril no BARREIRO, a "FÁBRICA DE EXTRACÇÃO DE ÓLEO DE BAGAÇO DE AZEITONA" (destinada ao fabrico de sabões) e um pequeno conjunto de unidades fabris que visavam fundamentalmente produções aplicáveis na agricultura: FABRICA DE ENXOFRE (moídos e sublimados) na produção de insecticidas, uma "FÁBRICA DE ADUBOS" (Super-fosfatos), obtido do fabrico do ácido Sulfúrico, a partir da "USTULAÇÃO" ( 1 ) das "PIRITES" ( 2 ).
A breve trecho, este veio fundamentar por reacção com o sal, a produção de sulfatos de cobre e de sódio e também de ácido clorídrico.
Em menos de 10 anos, com o início de ramos industriais coadjuvantes, tratamentos então rudimentar, das cinzas do minério (entre 1911 e 1916), tecelagem e fiação de fibras africanas com que se obtêm sacos para o armazenamento de adubos, estavam lançadas as bases da empresa que viria a ser o primeiro complexo português com nível europeu.

A partir de 1930 apta-se pela concentração fabril no BARREIRO dentro da região de LISBOA; é nessa data que se conclui uma nova ponte-cais que permite a acostagem de vapores com 1 500 Toneladas; é em 1933 que se transfere a "FÁBRICA DE TAPETES DO RATO" e em 1934 que se instala a de "FARINHA E DE ÓLEO DE AMENDOIM", de produção destinada às fábricas de conserva de SETÚBAL e do ALGARVE. 

( 1 ) - USTULAÇÃO - Acto ou efeito de "USTULAR"; Calcinação.   - USTULAR -v. tr. -Secar ao fogo; queimar levemente;queimar um sulfureto metálico, em presença do ar, para obter o anidrido sulfuroso e um óxido do metal.

( 2 ) PIRITES (do Lat pyrites ou pyríte «Grego pyr, pyrós, fogo) - s.f.- Sulfureto metálico, que se encontra no estado natural. Quim. - Combinação de enxofre e de um metal que se encontra no estado natural. PIRITE DE COBRE, sin. de CALCOPIRITE. PIRITE BRANCA, sin. de MARCASSITE. Existe em Portugal.

Com a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, voltou a intensificar-se no séc. XIX a exploração mineira, tendo funcionado largas dezenas de minas que exploravam principalmente "PIRITES".
Sendo a faixa PIRITOSA IBÉRICA que constitui uma vasta área geográfica do Sul da Península Ibérica na designação "ZONA SUL PORTUGUESA". Tem cerca de 250 km de comprimento e 30 a 50 km de largura, desenvolvendo-se desde "ALCÁCER DO SAL" (PORTUGAL) a NOROESTE, até "SEVILHA" (ESPANHA), a SUDESTE. Sendo a mais importante e mais antiga a "MINA DE ALJUSTREL" cuja actividade mineira é anterior aos ROMANOS.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA[ XV ]-A CUF NO BARREIRO ( 3 )»

sábado, 15 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XIII ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 1 ) 
 Rua Alfredo da Silva - ( 1971 )  -  (Vista aérea do complexo da C.U.F. no BARREIRO, uma obra pensada por ALFREDO DA SILVA)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Alfredo da Silva - ( 1907)  - (Construção do complexo Industrial da CUF do Barreiro. O empreendimento deve-se à persistência de ALFREDO DA SILVA, que escolheu a VILA (hoje CIDADE), fez uma opção decisiva para o progresso da margem Sul)  in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva -  (1908)  -  (Uma das fases de construção da Fábrica de Adubos da CUF no BARREIRO)  in  UM OLHAR SOBRE O BARREIRO
 Rua Alfredo da Silva - (ant. 1909)  -  (Assentamento de linhas Férreas para servir as fábricas da Companhia na CUF do BARREIRO)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (01.01.1901)  -  Retrato de HENRIQUE BURNAY 1838-1909, par do Reino, empresário, Banqueiro e Industrial português, possuía inicialmente em LISBOA, a "COMPANHIA UNIÃO FABRIL)   in  WIKIPÉDIA
 Rua Alfredo da Silva - (1927) -  (Companhia de Adubos da CUF. Um cartaz para cada ano, mostrando o agricultor "ZÉ POVINHO" cada vez mais prospero)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
Rua Alfredo da Silva  - (1931)  - (E assim vão prosperando com a campanha de Adubos dos "PHOSPHATOS" da CUF)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XIII ]

«A  C. U. F. NO BARREIRO ( 1 ) »


A "ALIANÇA FABRIL" e a "UNIÃO FABRIL", duas companhias congéneres e rivais, tinham alguns accionistas em comum, a começar pelo próprio "1.º CONDE DE BURNAY - HENRIQUE BURNAY " (1838-1909), que "ALFREDO DA SILVA terá conhecido na CARRIS.
A "UNIÃO FABRIL", fundada em 1865, tinha as suas fábricas em ALCÂNTARA e os escritórios na RUA DA ALFANDEGA. Dedicava-se ao fabrico e venda de produtos similares aos produzidos pela "ALIANÇA FABRIL".

Depois da fusão entre a "COMPANHIA ALIANÇA FABRIL" e a "COMPANHIA UNIÃO FABRIL" em 1898, como resultado surge uma "C.U.F."  mais reforçada, passando "ALFREDO DA SILVA" a ser o Administrador Gerente da nova empresa.

Em poucos anos a "C.U.F."  impor-se-à como uma referência no âmbito do programa produtivo nacional. A história e a laboriosa construção do grupo económico a que deu origem surge como o cumprimento dos desígnios de uma lógica concebida, interpretada e executada pelo seu criador.
A C.U.F. continuou a sua actividade dentro dos mesmos produtos ( velas, óleos, adubos...), enfrentando algumas dificuldades, até colocadas pela concorrência, mas beneficiando da pauta proteccionista de 1892, que lhe permitiu um período auspicioso. "ALFREDO DA SILVA" prossegue a sua cruzada; melhora as instalações da fábrica de sabão das FONTAÍNHAS, abre uma Agência em TOMAR para venda de ADUBOS. No final do ano de 1902 apresenta ao Conselho de Administração um projecto e a respectiva planta de um apeadeiro ou Estação de Caminho de Ferro dentro da fábrica das FONTAÍNHAS, que será concretizado em 1903. São-lhe atribuídos alguns galardões, diplomas de honra e medalhas de ouro. Crescem a importância e o respeito pelo INDUSTRIAL que se vai impondo nas diversas esferas da  SOCIEDADE PORTUGUESA; não apenas pelo seu dinamismo e actuação na C.U.F., como participando na vida pública; intervindo no que se refere a matérias económicas junto dos poderes públicos através da sua representação junto da CÂMARA DOS DEPUTADOS e encontros com o "MINISTRO DA FAZENDA" ou participando na actividade da ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL PORTUGUESA.  "ALFREDO DA SILVA" não hesita em acompanhar "JOÃO FRANCO", que em 1901 tinha provocado uma cisão dentro do PARTIDO REGENERADOR, dando origem ao PARTIDO REGENERADOR-LIBERAL. 
"JOÃO FRANCO" é chamado para o GOVERNO e contava já com o apoio de ALFREDO DA SILVA entre outros notáveis. ALFREDO DA SILVA foi eleito deputado "FRANQUISTA". Sabe-se que  "JOÃO FRANCO" em 1907, começa a governar em DITADURA, num ambiente de profundo isolamento e crescente contestação, cai em profundo desamor do povo. Na história, como se sabe, conduz-nos ao regicídio de DOM CARLOS I, a 1 de Fevereiro de 1908. "JOÃO FRANCO" sai da cena política e o homem da C.U.F. vê chegar ao fim esta experiência política em que se envolvera.

Finalmente é tomada a decisão de instalar a C.U.F. no BARREIRO, por volta de 1907, tinha a CUF então já mais de quarenta anos de existência, limitada às suas velhas instalações fabris de LISBOA (com as Fábricas SOL e UNIÃO) e a de ALFERRAREDE; mas a visão de "ALFREDO DA SILVA" fê-lo antever a conveniência da criação, também, de uma instalação na margem esquerda do TEJO, donde pudesse difundir, para o SUL do País, a sua produção de ADUBOS.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XIV ]-A CUF NO BARREIRO (2)»