quarta-feira, 6 de setembro de 2017

RUA BARATA SALGUEIRO [ II ]

«A RUA BARATA SALGUEIRO ( 2 )»
 Rua Barata Salgueiro - (2012)  -  Foto de Manuel V. Botelho -  (Sede da Sociedade Nacional de Belas Artes na RUA BARATA SALGUEIRO, 36.  Época das últimas obras (2005) e remodelação da S.N.B.A.)   in   WIKIPÉDIA
 Rua Barata Salgueiro  -  (2012) - Foto de Manuel V. Botelho  -  (A parte lateral do edifício da S.N.B.A. na RUA MOUZINHO DA SILVEIRA)    in    WIKIPÉDIA 
 Rua Barata Salgueiro  -  (2016)  -   (Vista Panorâmica do antigo "BAIRRO BARATA SALGUEIRO" de 1882)   in   GOOGLE EARTH
 Rua Barata Salgueiro  -  (2016)  -  (Cruzamento da "RUA CASTILHO" junto da "RUA BARATA SALGUEIRO" , passando o cruzamento à direita, temos o S.N.B.A.) in  GOOGLE EARTH
 Rua Barata Salgueiro - (1907) -  (Vista da "RUA BARATA SALGUEIRO"  da "AVENIDA DA LIBERDADE". No lado esquerdo o Palacete de "Cipriano José Caleia" na direita o "Palácio de Barata Salgueiro" depois o "BES" hoje NOVO BANCO)  in  A CAPITAL 
 Rua Barata Salgueiro -  (2000)  -  Foto Luís Pavão  -  (A Cinemateca e a antiga Companhia de Seguros Metrópole, S.A, na Rua Barata Salgueiro, 41 um projecto do Arqº. Henrique Lami Tavares Chico)   in   AML 
Rua Barata Salgueiro - ( 1907 ) - Suplemento do Anuário da Soc. dos Arquitectos Portugueses  -  (Palacete do dr. Adrião Antão BARATA SALGUEIRO, risco do Arquitecto Alfredo d'Assunção Machado, demolido no início da década de 70, hoje o espaço do NOVO BANCO)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    HEMEROTECA DIGITAL  

(CONTINUAÇÃO) - RUA BARATA SALGUEIRO [ II ]

«A RUA BARATA SALGUEIRO ( 2 )»

Por extensão, ao bairro circundante durante longo tempo chamou-se de "BAIRRO BARATA SALGUEIRO".
Datam, aliás, da mesma época, (1882) as designações das artérias desse mesmo "BAIRRO":  "ALEXANDRE HERCULANO";  "JÚLIO DE CASTILHO"; "BARATA SALGUEIRO"; "PASSOS MANUEL" (sendo este último logo substituído em 1884 pelo nome de "ROSA ARAÚJO", mudando para a freguesia de ARROIOS.
Foi este BAIRRO um sítio de moda e ainda hoje constitui local de grande prestígio. Ali foram surgindo palacetes particulares, alguns de certo gabarito e: "sólidos prédios de rendimento mas nenhuma edificação digna de relevo, encontramos nesta área do "BAIRRO DE BARATA SALGUEIRO". Isto dizia o mestre "NORBERTO DE ARAÚJO" em 1937 no seu livro XIV "PEREGRINAÇÕES EM LISBOA" página 41. 
No entanto, será justo, porém, fazer referência a algumas modificações surgidas ao longo de alguns anos na "RUA BARATA SALGUEIRO".
Começamos por uma instituição que tem a sua sede exactamente nesta RUA . Fundada há 116 anos, a "SOCIEDADE NACIONAL DE BELAS ARTES", tem como principal objectivo "promover e auxiliar o progresso da ARTE em todas as manifestações". Ganhou justo prestígio e, para além da formação prestada a muitos artistas, nos seus salões tiveram lugar muitas das grandes exposições de "ARTES PLÁSTICAS" realizadas em LISBOA, por onde passaram os maiores nomes da pintura e da escultura portuguesa. 

A sua formação resultou da fusão de duas ASSOCIAÇÕES DE ARTISTAS, a "SOCIEDADE PROMOTORA" (1860) e o "GRÉMIO ARTÍSTICO" (1890, este descendente do "GRUPO LEÃO".  Sendo o seu  primeiro Presidente o pintor "JOSÉ MALHOA".  [Fonte WIKIPÉDIA].

O Edifício da S.N.B.A. tem o risco do "ARQUITECTO ÁLVARO MACHADO", e data do início do século XX, mantendo a sua identidade intacta face à proliferação de imóveis recentemente construídos nesta área.Trata-se de um valioso exemplar do "ecletismo"(1) arquitectónico português, cuja expressão neo-romântica, apesar de simplificada, faz, referência aso "vários revivalismos" que pontuam o panorama arquitectónico do século XIX. 
O edifício da B.N.B.A. conta com uma área de implantação de 1 328,14 metros quadrados, integrando uma zona especial de "Protecção Conjunta" aos imóveis classificados na AVENIDA DA LIBERDADE e área envolvente. Embora esteja classificada como imóvel de interesse municipal.

- ( 1 ) - ECLETISMO . Sistema filosófico formado de elementos colhidos em diversos sistemas; Liberdade ou hábito de preferir o que se julga melhor em Ciência ou ARTE, Literatura ou Política, sem que se siga exclusivamente sistema algum. [ Fonte: DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA de JOSÉ PEDRO MACHADO - SOCIEDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA - VOLUME II  - 1960  - pág. 1142].

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA BARATA SALGUEIRO [ III ] A RUA BARATA SALGUEIRO ( 3 )».

sábado, 2 de setembro de 2017

RUA BARATA SALGUEIRO [ I ]

«A RUA BARATA SALGUEIRO ( 1 )»
 Rua Barata Salgueiro - (191_) - Foto de Joshua Benoliel  -  (Palacete de "BARATA SALGUEIRO" possivelmente no espaço onde hoje se encontra o "NOVO BANCO"-antigo BES-) ( ABRE EM TAMANHO GRANDE )  in    AML 
 Rua Barata Salgueiro -  ( 2016 )  -  ( Panorâmica da FREGUESIA de "SANTO ANTÓNIO" onde está inserida a "RUA BARATA SALGUEIRO")    in    GOOGLE EARTH
 Rua Barata Salgueiro -  (1880)  -   (LISBOA PROJECTO DE REABILITAÇÃO - Em 1880, concluía-se um acordo com ANTÓNIO ANTÃO BARATA SALGUEIRO que, libertando terrenos entre a RUA DO SALITRE e a "AVENIDA" ia permitir a urbanização de um novo bairro, depois chamado de "BARATA SALGUEIRO")   in    SKYSCRAPERCITY
 Rua Barata Salgueiro - (191_) foto de Alberto Carlos Lima  -  (A Rua Barata Salgueiro vista por entre arvoredo)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 
 Rua Barata Salgueiro - (1939-12) Foto de Eduardo Portugal  -  (A "RUA BARATA SALGUEIRO" na parte nascente junto à "RUA DE SANTA MARTA" )   in    AML   
 Rua Barata Salgueiro - (1964-07) Foto de Artur João Goulart  -  (RUA BARATA SALGUEIRO esquina com a "AVENIDA DA LIBERDADE. Palacete construído em 1890, pertenceu a Cipriano José Caleia. É possível que na época em que a imagem foi tirada ali funcionasse a Direcção Geral da Aeronáutica Civil. Mais tarde a "BIBLIOTECA do ARQUIVO HISTÓRICO DO MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS")  in   AML 
Rua Barata Salgueiro -  (2016)  -  (Um troço da "RUA BARATA SALGUEIRO" próximo da "AVENIDA DA LIBERDADE" no lado esquerdo ao fundo as antigas instalações do "BES" hoje NOVO BANCO)   in  GOOGLE EARTH

INÍCIO - RUA BARATA SALGUEIRO [ I ]

«A RUA BARATA SALGUEIRO ( 1 )»

A «RUA BARATA SALGUEIRO» pertencia a duas freguesias; "CORAÇÃO DE JESUS" e "SÃO MAMEDE". Hoje, com a REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a pertencer à freguesia de «SANTO ANTÓNIO». Começa na "RUA DE SANTA MARTA", 29-C e finaliza na "RUA RODRIGUES DA FONSECA" no número 2, que na época tomava a direcção à antiga "AZINHAGA DO VALE PEREIRO".
A «RUA BARATA SALGUEIRO» é atravessada pelas ruas: CASTILHO; RODRIGUES SAMPAIO e AVENIDA DA LIBERDADE, sendo-lhe convergente a RUA MOUZINHO DA SILVEIRA.
Em 6 de Maio de 1882 numa sessão Extraordinária da C.M.L., por decisão unânime, foi atribuída a esta artéria, perpendicular à "AVENIDA DA LIBERDADE" o topónimo "RUA BARATA SALGUEIRO".

Com a abertura da "AVENIDA DA LIBERDADE" (ver mais em...) podemos garantir que foi um grande passo no desenvolvimento de LISBOA, no sentido interior NORTE.
LISBOA, nascida à beira-TEJO e na COLINA DO CASTELO, a cidade tinha progredido para OCIDENTE e ORIENTE, sem nunca se afastar muito do litoral.  O rasgar uma "AVENIDA" larga, foi como que um convite a que novos aglomerados populacionais fossem surgindo, novos arruamentos tomassem forma, nascessem novos BAIRROS.
O limite (que logo na época foi discutido) da nova artéria foi fixado na "ROTUNDA" ou "PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL" (ver mais em...).  mas daí se irradiava para os locais que rapidamente foram habitados; para as "PICOAS", tomando o caminho que é hoje a "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO" e dando a possibilidade às chamadas "AVENIDAS NOVAS"; para o antigo "VALE PEREIRO", onde surgiria o "BAIRRO BARATA SALGUEIRO" e para Oriente apareceria o "BAIRRO CAMÕES".
Acontecia que entre o sítio de SÃO MAMEDE e a nascente da "AVENIDA DA LIBERDADE", situavam-se terrenos rústicos numa superfície extensa a que costumavam chamar o "VALE PEREIRO".  Esses terrenos foram sendo sucessivamente emparcelados e aforados. A grande parte destas propriedades (rústicas) foi parar às mãos do Advogado e Capitalista «ANTÓNIO ANTÃO BARATA SALGUEIRO», natural de "OLEIROS", onde nasceu em 1814, tendo falecido em LISBOA a 06.05.1895.
Estudou direito em COIMBRA onde se formou e veio exercer a advocacia para LISBOA, tendo granjeado razoável fortuna.  Quando o então Presidente da C.M.L. se chamava "JOSÉ GREGÓRIO DA ROSA ARAÚJO" (ver mais aqui...). se propôs construir a "AVENIDA DA LIBERDADE", entrou em conversações com "BARATA SALGUEIRO". Este compreendeu o alcance da nova artéria e do que poderia fazer-se à sua volta.
Desta forma o proprietário dos terrenos acabou por ceder gratuitamente muitos dos seus terrenos e fazer preços muito acessíveis noutros casos.
Numa espécie de recompensa, a edilidade (chefiada ainda na época por "ROSA ARAÚJO") atribuiu o nome do benemérito à rua onde tinha a sua residência apalaçada. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA BARATA SALGUEIRO [ II ] - A RUA BARATA SALGUEIRO ( 2)».

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

PRAÇA DE ITÁLIA [ III ]

«OS ITALIANOS EM LISBOA, NOS SÉCULOS XVIII,  XIX E XX»
 Praça de Itália - (2009) - Foto de APS  -   ("CAFÉ MARTINHO DA ARCADA" visto da "Praça do Comércio", esquina para a "RUA DA PRATA" -antiga "RUA BELA DA RAINHA")  in  ARQUIVO/APS
 Praça de Itália - (2009)  -  Foto gentilmente cedida pelo amigo RAFAEL SANTOS - (A Esplanada do "CAFÉ NICOLA" na "PRAÇA D. PEDRO IV" -vulgo ROSSIO)  in  DIÁRIO DO TRIPULANTE
 Praça de Itália  - (Século XX)  -  ("PASTELARIA FERRARI" casa fundada em 1846 pelo Genovês "HILÁRIO FERRARI" na "RUA NOVA DO ALMADA", 93 em LISBOA )  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  COISAS DE ANTIGAMENTE
 Praça de Itália - (Século XX)  -  (Interior da "PASTELARIA FERRARI" na "RUA NOVA DO ALMADA, 91 e 93)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Praça da Itália - (196_) -  Foto de Artur Goulart  -  (O "CAFÉ CHIADO" na "RUA GARRETT" nos anos sessenta do século XX)  in   AML
 Praça de Itália - (Século XIX)  -  (O "CAFÉ MARRARE do POLIMENTO" do século XIX, na Rua Garrett, 54 a 64)   in     AML
Praça de Itália  - (2016)  -  (Um dos lados da "PRAÇA DE ITÁLIA" no ALTO DO RESTELO em LISBOA )   in   GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO)- PRAÇA DE ITÁLIA [ III ]

«OS ITALIANOS EM LISBOA NOS SÉCULOS XVIII, XIX E XX»

Mas a lista de presenças italiana, nos aspectos artísticos, seria infindável. Os PINTORES, ESCULTORES, ARQUITECTOS, MÚSICOS, CANTORES italianos que por cá passaram e deixaram obra, bem como as influências que recebemos na ARTE e na LITERATURA ( a começar logo nos clássicos encantados como o "dolce stil nuovo" ou "DOCE ESTILO NOVO") não são quantificáveis. Menos complexo será por certo, recordar algumas figuras que oriundas de ITÁLIA, acabaram por se tornar populares e fazer parte indispensável do nosso dia-a-dia. Até na linguagem: sempre usamos o termo "GAFORINA" quando nos referimos a alguém que possua uma cabeleira longa, crespa, não muito bem penteada. Poucos se lembrarão de que na origem da palavra está uma célebre cantora italiana que fez algumas temporadas no Teatro de SÃO CARLOS: era "GAFFORINI" de seu nome e usava uma cabeleira que fez história e deixou vocábulo novo.
Um dos bons hábitos que os italianos nos trouxeram foi o de beber café em ambiente de conversa e Tertúlia. Quer dizer: nós fomos a ÁFRICA e ao BRASIL buscar o café, mas foram os italianos quem dele fez um requinte. Ora, a começar pelo mais antigo café existente em LISBOA,  o "MARTINHO DA ARCADA"( ver mais aqui...), a influência italiana é visível nessas casas. O "MARTINHO", antes de o ser, foi, em 1784, a "CASA DE CAFÉ ITALIANA", sendo propriedade de "DOMENICO MIGNANI".  Derivou depois para "CASA DA NEVE" (GELADOS)  e foi mais tarde  adquirido  pelo  português "MARTINHO",  ( BARTOLOMEU RODRIGUES) em 1845.
Em pleno "ROSSIO", conserva o seu nome o "NICOLA" ( ver mais aqui...), estabelecimento de outro do mesmo nome, que remonta ao tempo do BOCAGE.  "O apelido NICOLA aparece ligado ao comércio da cidade desde meados do século XVIII ( 1 ) "NICOLAU" era, pois, o italiano proprietário do BOTEQUIM, não existindo sobre ele grandes notícias. O cronista lisboeta TINOP fala-nos de dois NICOLA conhecidos em LISBOA, um dos quais fabricante de velas de cebo. Seriam parentes o homem das velas e o Botequim?

Mais pormenores se conhecem sobre "ANTÓNIO MARRARE", o italiano que verdadeiramente veio revolucionar a vida de café em LISBOA. Esta homem de iniciativas foi empresário do TEATRO DE SÃO CARLOS e acabou por ir fundando vários botequins pela cidade. O mais célebre foi sem dúvida o "MARRARE DO POLIMENTO"(ver mais aqui..., situado a meio da que hoje chamamos de RUA GARRETT, no local onde foi, já no século XX, o "CAFÉ CHIADO" depois COMPANHIA DE SEGUROS IMPÉRIO do (Grupo CUF) (nacionalizada em 1975 e reprivatizada em 1992) regressando o edifício ao grupo MELLO, de JOSÉ MANUEL DE MELO.

Existiu outro "MARRARE" no "ARCO DO BANDEIRA", outro em S. CARLOS... Um sobrinho do primeiro proprietário, JOSÉ MARRARE, chegou ainda a tomar conta dos estabelecimentos do tio.
Até ao incêndio do CHIADO, em 1988, na zona do CHIADO, para o lado da "RUA NOVA DO ALMADA", tinha lugar de relevo a "PASTELARIA FERRARI". Esta casa começou com o Genovês "HILÁRIO FERRARI", conserveiro, que se estabeleceu ali ao "PRÍNCIPE REAL", e cujo filho, "MATIAS FERRARI", continuou a obra do pai e acabou por se estabelecer na já referida RUA em 1864.  O Italiano "BALTRESQUI", por sua vez, foi doceiro de fama, teve loja na actual RUA GARRETT e também na "RUA DO OURO".  E por aqui ficaríamos em evocações aromáticas, sem nos chegar o tempo para lembrar os pioneiros dos sorvetes,  estabelecidos em casas que tiveram nomes que não disfarçam a origem dos proprietários: "VENEZIANA", "ITALIANA", "LUCA", "SANTINI"...   De ITÁLIA veio a ARTE... em facetas várias. [ FINAL ]

- ( 1 ) - Livro "OS CAFÉS DE LISBOA" de MARINA TAVARES DIAS, página 22

BIBLIOGRAFIA

- As NOVAS RUAS DE LISBOA 102 topónimos ( 1998/2001) - Cood. Paula Machado e Teresa Sancha Pereira- CML - Comissão Municipal de Toponímia - 2002 - LISBOA.
- Dicionário da História de Lisboa - Direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena - 1994 - LISBOA.
- O CARMO E A TRINDADE de Gustavo de Matos Sequeira- CML - Vol. III 2ª Ed. -1967 - LISBOA.
- OS CAFÉS DE LISBOA - Mariana Tavares Dias - Quimera - 1999  - LISBOA.
- PEREGRINAÇÕES EM LISBOA de Norberto de Araújo - Liv. XII -1993 - LISBOA

(PRÓXIMO)«RUA BARATA SALGUEIRO [ I ] A RUA BARATA SALGUEIRO ( 1 )»

sábado, 26 de agosto de 2017

PRAÇA DA ITÁLIA [ II ]

«AS SANTAS TROCAS ENTRE ROMA E LISBOA»
 Praça da Itália - (2013)  -  (A "IGREJA DE Nª. SENHORA DO LORETO" ou "IGREJA DOS ITALIANOS" no LARGO DO CHIADO, recuperada depois de 1755, segundo projecto de JOAQUIM ANTÓNIO DOS REIS ZUZARTE, depois substituído por JOSÉ DA COSTA E SILVA) in   CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Praça de Itália -  ( 2016)   - (Panorâmica mais aproximada da "Praça de Itália" com a Capelinha de São Jerónimo bem visível)   in   GOOGLE EARTH
 Praça de Itália  -  ( 2016 )   -  (A "PRAÇA DE ITÁLIA", no lado esquerdo a escadaria que dá acesso à "CAPELA DE SÃO JERÓNIMO")    in    GOOGLE EARTH
 Praça de Itália  -  (2016)  -  ( A "PRAÇA DE ITÁLIA" quase na sua totalidade no ALTO DO RESTELO)   in   GOOGLE EARTH
 Praça de Itália - (Século XVII)  -  (Os Santos Mártires- VERÍSSIMO e sua irmãs MÁXIMA e JÚLIA. Podem ser vistos neste belo conjunto dos três Santos, apresentados em trajes de romeiros, exposta ao culto na Igreja do extinto MOSTEIRO de SANTOS-o-VELHO em Lisboa)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  HEROÍNAS DA CRISTANDADE
Praça da Itália -  (1968) - Foto de João Nunes  -  ("IGREJA DO LORETO" no antigo "LARGO DAS DUAS IGREJAS" hoje "LARGO DO CHIADO")    in     AML


(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DE ITÁLIA  [ II )

«AS SANTAS TROCAS ENTRE ROMA E LISBOA»

A "ITÁLIA" o país em forma de "bota", fica no SUL DA EUROPA, banhada pelo MAR ADRIÁTICO a Oriente  o MAR JÓNIO  a Sudeste; a Noroeste o MAR DA LIGÚRIA, a Sudoeste o MAR TIRREU e a SUL o MAR MEDITERRÂNEO.
Podemos dizer que a "ITÁLIA" é o berço de escritores como: VIRGÍLIO, DANTE, PETRARCA e BOCACCIO. Na música os italianos estão enriquecidos com os compositores clássicos e mundialmente conhecidos do grande público como: VIVALDI, SCARLATTI, VERDI e ROSSINI.  Mas é na arte que ITÁLIA se notabiliza, através dos PINTORES RENASCENTISTAS como: MIGUEL ANGELO, LEONARDO DA VINCI, BOTTICELLI e RAFAEL.
Nas gastronomia é também famosa, quem não conhece a famosa em todo o mundo a "PIZZA" ou o "ESPARGUETE".
Ainda das "SANTAS TROCAS" dizemos que não terá obviamente a mesma projecção, mas é justo dizer que os primeiros MÁRTIRES ditos de LISBOA nasceram, afinal, em território que hoje é italiano.

Eram três jovens irmãos - VERÍSSIMO,  MÁXIMA  e JÚLIA  -  filhos de um senador, e vieram no principio do século IV da nossa era para LISBOA, então "OLISIPO", e aqui divulgaram o cristianismo. 
Não escaparam, porém, às perseguições ordenadas pelo "IMPERADOR DIOCLECIANO" e acabaram por morrer martirizados à beira do nosso rio TEJO. Terão constituído a primeira prenda de ITÁLIA a LISBOA.

A propósito de "SANTO ANTÓNIO" e da presença ITALIANA em LISBOA, não pode, porém, deixar de fazer-se uma referencia a uma das mais antigas IGREJAS DE LISBOA, há muito dedicada a "NOSSA SENHORA DO LORETO" e edificada no "LARGO DO CHIADO" esquina para a "RUA DA MISERICÓRDIA".
Foi em 1518 que a COMUNIDADE ITALIANA DE LISBOA solicitou que lhe fosse dado um "chão" para erguer uma IGREJA. Foi atendida e o novo templo começou a funcionar em pleno 11 anos mais tarde. No entanto, já no século XV, por ali existir uma ermida dedicada a "SANTO ANTÓNIO". 
Um incêndio destruiu a IGREJA em 1651. Mas a COMUNIDADE ITALIANA não se deixou abater e procedeu à reconstrução, concluída em 1676, com uma  belíssima sacristia construída entre 1703 e 1706 e que, milagrosamente veio a escapar ao terramoto de 1755. O mesmo não aconteceu com o resto do templo, que veio a ser reerguido de novo. O interior, de uma só nave, contém, como seria timbre de uma IGREJA  "dos ITALIANOS", múltiplas manifestações de arte; um "SÃO FRANCISCO DE PAULA", pintado por "LAMBRUZZI"; uma "SENHORA DO CARMO", obra de "ROSSI"; uma "DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO", quadro de "TAGLIAFICO", e tantos mais.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«PRAÇA DE ITÁLIA [ III ] OS ITALIANOS EM LISBOA NOS SÉCULOS XIX E XX». 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

PRAÇA DE ITÁLIA [ I ]

«A PRAÇA DE ITÁLIA NO ALTO DO RESTELO»
 Praça de Itália - (2015)  -  (Panorâmica mais aproximada da "PRAÇA DE ITÁLIA" no Alto do Restelo)  in   GOOGLE EARTH
 Praça de Itália - (2015)  -  (Panorâmica parcial da freguesia de "BELÉM" onde se insere a "PRAÇA DE ITÁLIA"  in  GOOGLE EARTH
 Praça de Itália -  (2000) - Foto de Alexandra C.  -  ("Capelinha de São Jerónimo" muito perto da PRAÇA DE ITÁLIA, foi construída em 1514, nos terrenos da cerca dos Monges Jerónimos do  "Mosteiro de Santa Maria de Belém", classificado como Monumento Nacional )  in   MAPIO 
 Praça de Itália -  ( 2016 )  -  ( Uma parte da "PRAÇA DE ITÁLIA", no local uma placa Toponímica do Tipo IV)   in  GOOGLE EARTH
 Praça de Itália - (2016)  -  (A "PRAÇA DE ITÁLIA" com a capelinha de São Jerónimo em fundo)  in  GOOGLE EARTH
Praça de Itália -  Século XVIII - Pintura de Stephan Kessler -   (Santo António de Lisboa ou Santo António de Pádua. Nasceu em Lisboa a 15.08.1191 e faleceu em Pádua (Itália) em 13.06.1231) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    WIKIPÉDIA


- INÍCIO - PRAÇA DE ITÁLIA [ I ]

«A PRAÇA DE ITÁLIA NO ALTO DO RESTELO»

A «PRAÇA DE ITÁLIA» pertencia à freguesia de "SÃO FRANCISCO XAVIER" hoje pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a designar-se freguesia de «BELÉM». Por deliberação Camarária de 29.08.2001 e EDITAL de 11 de Setembro de 2011 foi-lhe atribuído o topónimo de "PRAÇA DE ITÁLIA" ao anterior arruamento com início na "RUA PÊRO DA COVILHÃ".
O "Largo" junto à histórica CAPELINHA DOS JERÓNIMOS,  numa zona privilegiada e nobre no ALTO DO RESTELO, veio dar o nome ao espaço que era anónimo que passou ser ali a «PRAÇA DE ITÁLIA» ( 1 ).
A inauguração desta Praça é pretexto para um desfilar de recordações e ligações entre italianos e lisboetas.
Embora se trate de um topónimo que não suscitaria grande debate fosse qual fosse a ocasião, consagra amizades e relações velhas que vem sempre a propósito.

Na verdade, a ITÁLIA, por si mesma ou através da antiga "ROMA" ou ainda de muitas das suas regiões e cidades, tem tido presença constante na vida de LISBOA. A similitude entre dois povos são algumas; ambos latinos, ambos imaginativos, ambos adaptáveis a condições adversas e à emigração, ambas um tanto exagerados ao desfilarem as próprias qualidades...   As diferenças começam quando nos víramos, por exemplo, para a monumentalidade, esmagadora e difundida no país transalpino, serena, quase doméstica, aconchegadinha entre nós.

Um tanto à força, LISBOA - através de um visionário  -  entendeu a dada altura que uma das suas semelhanças com ROMA estava nas "sete colinas" as quais assentariam ambas as cidades.  Mas a verdade é que a capital não tem dificuldade em as evidenciar, enquanto que as nossas já são hoje muitas mais e, quanto às primitivas, nunca foram, salvo melhor opinião, muito bem explicadas.

Trocas de SANTAS estão nas relações entre LISBOA e a ITÁLIA, exageram "prendas" de vulto. Não há dúvida de que, nesse capítulo, não nos faltou generosidade. Logo no século XII, foi para a península "ITÁLICA" o que de melhor havia em LISBOA: o nosso SANTO ANTÓNIO, nascido e baptizado na "SÉ", aluno aplicado da Escola da CATEDRAL, estudioso regrante entre os frades AGOSTINHOS no MOSTEIRO lisboeta de SÃO VICENTE, foi dádiva inestimável desta cidade a ITÁLIA. Foi por lá que se revelou como orador, é certo; por lá fez muitos dos seus milagres; por lá patenteou a sua santidade.  Mas a semente levou de cá.
A figura do "TAUMATURGO" ( 2 ) é hoje Universal, concede-se. Mas dá sempre vontade ao alfacinha empedernido de, quando vê uma imagem de "SANTO ANTÓNIO" "de PÁDUA", acrescentar por baixo "nascido e criado em LISBOA"  .

- ( 1 ) - O nome de "ITÁLIA" foi atribuído a esta PRAÇA onde reside nesta freguesia parte da comunidade italiana, e por ocasião da visita ao nosso país do seu Chefe de ESTADO em 2001.

- ( 2 ) - TAUMATURGO - (do Gr. thaumatourgós) adj. e s. m. que ou aquele que opera milagres. 


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«PRAÇA DE ITÁLIA [ II ] AS TROCAS ENTRE ROMA E LISBOA»

sábado, 19 de agosto de 2017

TRAVESSA DOS ALGARVES [ III ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 3 )»
 Travessa dos Algarves - (Século XVIII) Desenho do artista José Ruy  -  ( A "GALEOTA REAL" de D. Maria I, que possivelmente era guardada no sitio da "Travessa dos Algarves", sendo a sua tripulação assegurada pelos "Algarves")  in HISTÓRIA DOS BARCOS PORTUGUESES
 Travessa dos Algarves - (Século XVIII) - Desenho do artista José Ruy   -  (A Galeota Real de D. Maria I, de boca aberta, tinha apenas meia ponte à ré. A popa de rara beleza e a sua Galeria moldurava o "BRASÃO DE PORTUGAL" -1)GALERIA;  2)CAMARIM;  3)MASTRO; 4)LANTERNAS)   in  HISTÓRIA DOS BARCOS PORTUGUESES
 Travessa dos Algarves - (1899)  -  ("GALEOTA REAL" a remos, também denominada como "GALEOTA D.JOÃO VI", foi construída no BRASIL em 1808)   in   WIKIPÉDIA
 Travessa dos Algarves - (1967) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (O ARCO da "TRAVESSA DOS ALGARVES" na parte interna)    in    AML 
 Travessa dos Algarves - (2016)  -  (Vista de cima da "TRAVESSA DOS ALGARVES" que ligava a "RUA DA JUNQUEIRA" à "AVENIDA DA ÍNDIA")   in   GOOGLE EARTH 
Travessa dos Algarves -  (2016)  -  (A "TRAVESSA DOS ALGARVES" visto da "AVENIDA DA ÍNDIA" e os novos edifícios em construção)   in   GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO) - TRAVESSA DOS ALGARVES [ III ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 3 )»


Estas «GALEOTAS REAIS» já não circulam com regularidade pelo "TEJO", estes e outros barcos do século XVIII, a não ser em casos muito particulares como em 1957, aquando da visita a PORTUGAL DA RAINHA ISABEL II DE INGLATERRA, que teve honras de ESTADO e pode navegar num "BERGANTIM REAL". Hoje podemos admirar esses e outros bonitos exemplares da mesma época, bem perto deste sítio de BELÉM, trata-se do "MUSEU DE MARINHA" onde actualmente se encontram em exposição barcos de várias épocas.
Voltando um pouco a trás, não nos podemos esquecer que no século XVIII o RIO TEJO chegava até ao local onde se guardavam as "GALEOTAS" e viviam ali bem perto os "ALGARVES", levando muitos anos para se completar o aterro que fez desaparecer a praia e aparecer a "AVENIDA DA ÍNDIA".

As "GALEOTAS REAIS" no final do século XVIII. As "GALEOTAS" evoluíram para embarcações do género do "AVISO" ( 1 ) ou de transporte de luxo, reservado a grandes figuras e membro da COROA.
Passaram, então, a chamar-se "BERGANTINS", nome de ilustre tradição Marítima, e primavam pela imponência dos adornos e pelo conforto.
Deixaram de ter aparelho de velas, passando a mover-se somente pela força concentrada de dezenas de remadores.
No reinado de "D.MARIA I", foi construído um "BERGANTIM REAL" manejado por cento e vinte remadores, três em cada remo.
O "BERGANTIM REAL" de "D.MARIA I foi possivelmente a "GALEOTA" por excelência. De boca aberta, tinha apenas meia ponte à ré. A popa era de rara beleza e a sua galeria moldurava o "BRASÃO DE PORTUGAL". O camarim, de elegantes vidraças, serviam de aposento régio. Todo o aparato exterior impressionava pela riqueza da talha dourada, a cor e o relevo trabalhado.
O Comandante era o Patrão-mor que seguia de pé, junto do leme.

O "BERGANTIM REAL" de "D.MARIA I" compunha-se com os dados seguintes: 1- GALERIA;  2- CAMARIM;  3-MASTRO;  4-LANTERNAS;  5-MEIA PONTE e  6-BANCOS. [FINAL].

- ( 1 ) - AVISO - Barco cuja missão era estabelecer comunicação entre os navios.

Agradecimento público: Existem duas fotos da pauta do mestre desenhador JOSÉ RUY, ao qual agradecemos, do "BERGANTIM" que nos dá uma excelente ideia da sua configuração e desempenho.

BIBLIOGRAFIA

- BELÉM - Reguengo da cidade - CML - Edições ASA -1990 - LISBOA
- BRAGA, Fernando C., - NÁUTICA - Marinhagem e Navegação para Patrão de Costa - 3ª. Ed. EDITORA DOMINGOS BARREIRA - 1980 - PORTO.
- LELLO UNIVERSAL - de JOSÉ LELLO e EDGAR LELLO - Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro - 2 Volumes - 1976 - PORTO.
- NÉU, João B. M., - EM VOLTA DA TORRE DE BELÉM - Vol. II - Liv. Horizonte-1988-LISBOA.
- REIS, A. do Carmo e RUY, José, -História dos Barcos Portugueses-Edições ASA- 1989 - PORTO.

INTERNET

- AFML
- BLOGUE DE LISBOA
- PAIXÃO POR LISBOA
- TOPONÍMIA DE LISBOA 

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

TRAVESSA DOS ALGARVES [ II ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 2 )»
 Travessa dos Algarves - (2014) - Foto de Carlos Gomes  -  (Placa Toponímica  TIPO II a assinalar a "TRAVESSA DOS ALGARVES", na "RUA DA JUNQUEIRA")  in   BLOGUE DE LISBOA
 Travessa dos Algarves - (2014) -Foto de Carlos Gomes  -  ( Entrada da "TRAVESSA DOS ALGARVES" visto da "RUA DA JUNQUEIRA")  in  BLOGUE DE LISBOA
 Travessa dos Algarves - (2015)  -  (Panorâmica mais aproximada da "TRAVESSA DOS ALGARVES", existindo já algumas construções novas)   in   GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves  - (2016)  -  (Entrada para a "TRAVESSA DOS ALGARVES" com frente virada para a "RUA DA JUNQUEIRA")   in   GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves - (anterior a 1910) Foto de Augusto Bobone  -  ( A "GALEOTA REAL PORTUGUESA" nas margens do RIO TEJO)  in   AML 
 Travessa dos Algarves - (1967)  Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo)  -  (A "TRAVESSA DOS ALGARVES" na parte mais para o interior, existindo um prédio para demolir)  in   AML 
Travessa dos Algarves - (1969) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (Nora de Poço existente no pátio de um prédio na "TRAVESSA DOS ALGARVES" na "RUA DA JUNQUEIRA")  in   AML 


(CONTINUAÇÃO)- TRAVESSA DOS ALGARVES [ II ]

«OS REMADORES DAS BALEOTAS REAIS ( 2 )»


Aqui, na JUNQUEIRA embarcavam os "algarvios do escaler de el-Rei", conhecidos por "ALGARVES", que constituíam as equipas de "SUA MAJESTADE", que a partir do Terramoto de 1755 passou a residir na vizinha "CALÇADA DA AJUDA".
Os seus tripulantes, habitualmente de origem Algarvia, viviam numa espécie de "CASA DE MALTA". junto a palheiros e acomodações vizinhas ao Palácio do "MARQUÊS DE ANGEJA".
Os "ALGARVES", também conhecidos como "CATRAIOS", rudes e "tisnados do sol e do sal", constituíam um tipo bem definido na capital. Chamavam-se pessoas da "BEIRA-RIO" oferecendo os seus préstimos e serviços para o transporte de passageiros e carga. 
A "TRAVESSA DOS ALGARVES" terá ainda sido conhecida por outro nome. Assim, na metade do século XVIII, aparece no "livros de óbitos da AJUDA" com a referência de "TELHEIROS DOS ALGARVES". Designação dada  a um "TELHEIRO" que possivelmente por ali existia, sob o qual se abrigavam os "pobres" remadores algarvios, vulgarmente conhecidos por "ALGARVES". Embora apareça outra designação para este topónimo, pelo facto de ali serem guardados  ( na época)  os "BERGANTINS" e as "GALEOTAS REAIS". ( 1 ).
É bastante relevante a determinação da toponímia ao assinalar que existiu neste local, algum movimento de embarcações com características da época. 
Assim podemos detectar um pouco mais para nascente, dois topónimos relacionados com os nomes das embarcações da época neste local, reforçando a veracidade dos factos.
E neste lugar os remadores viviam com suas famílias, todos eles de origem "ALGARVIA", constituindo uma elite e cujo ofício era transmitido de pais para filhos. Assim, desde o século XVIII, os algarvios eram recrutados para servir na ARMADA e no ARSENAL, em virtude das suas características físicas e pela sua habilidade na arte de remar.

- ( 1 ) - GALEOTA REAL - Embarcação movida por grande número de remos, remando a cada um deles um homem e às vezes dois, era destinada, antigamente, ao serviço das pessoas reais em ocasiões de gala.

- GALEOTA - Era primitivamente um pequeno navio ligeiro e rápido, intermédio entre o "FALUCHO" e a "GALERA".  Foi empregada especialmente pelos piratas "barbarescos". Os "HOLANDESES" deram esse mesmo nome as construções de carga 50 a 300 toneladas, de fundo chato e redondas na popa e na proa.  A "enxárcia" compunha-se de um grande mastro, de um "GURUPÉS", à frente, e de um pequeno mastro atrás. Estas GALEOTAS desapareceram em finais do século XVIII.[Fonte LELLO UNIVERSAL]  

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