segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

LARGO DR. ANTÓNIO DE SOUSA DE MACEDO

Largo Dr. António de Sousa de Macedo [194-] Foto Horácio Novais - Palácio Mesquitela in AFML

domingo, 20 de janeiro de 2008

Rua Marechal Saldanha

Rua Marechal Saldanha (2005) Foto Rita Castelo Branco in Olhares.com
Rua Marechal Saldanha (entre 1898 e 1908) Fotografo não identificado in AFML

Rua Marechal Saldanha (Início do século XX) foto Joshua Benoliel (esquina da Travessa da Portuguesa) in AFML


Rua Marechal Saldanha (entre 1898 e 1908) Fotografo não identificado in AFML



Rua Marechal Saldanha, 12-14 (1966) Foto João H. Goulart (Esquina da Travessa das Laranjeiras) in AFML




Rua Marechal Saldanha (entre 1898 e 1908) Fotografo não identificado (Rua do Almada à Esquerda) in AFML





Rua Marechal Saldanha (1952) Foto Eduardo Portugal (Rua do Almada à Esquerda) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
A RUA MARECHAL SALDANHA começa na Rua de Santa Catarina no número 1 e termina no Largo do Calhariz no número 19.
É dividida por duas freguesias, cabendo à de SANTA CATARINA os números ímpares e à de SÃO PAULO os números pares.
Antes de 1896 esta rua era chamada de RUA DA CRUZ  DE PAU, por nela ter sido implantada uma cruz de madeira no Alto de Santa Catarina para guiar os navegantes, que se faziam à barra do Tejo.
No início da Rua Marechal Saldanha torneando para a Rua de Santa Catarina, existiu aí um Largo e uma Igreja com o nome de Catarina. Dela nos fala Angelina Vidal no seu livro «Lisboa Antiga e Lisboa Moderna» na página 224 «nem já dela há vestígios. Estava na Rua do Monte de Santa Catarina, outrora denominado Largo de Santa Catarina, exactamente no local onde agora se ostenta um dos mais famosos prédios particulares da capital.
Fora a Igreja edificada em 1557, e muito sofreu com o terramoto de 1755, pelo que foi necessário reconstruí-la. Afinal foi profanada e vendida».
Diz-nos também Norberto de Araújo nas suas "Peregrinações em Lisboa" volume V página 13 sobre o mesmo tema. «Existiu no Alto de Santa Catarina (antigo Monte ou Pico de Belver), exactamente no sítio onde está hoje o palacete, avançado por um pátio defendido por gradeamento, do industrial senhor Alfredo da Silva, uma Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai, fundada em 1557 pela Rainha D. Catarina mulher de D. João III. Esta Igreja deu nome ao Alto de Santa Catarina, e á paróquia que está hoje no antigo Convento dos Paulistas, pois o templo citado - que era da irmandade dos livreiros - muito ferido pelo terramoto, reconstruído, e incendiado em 1835, foi finalmente demolido já em ruínas, entre 1856 e 1862».
Podemos acrescentar que esta D. Catarina Rainha de Portugal, filha de Filipe "o Belo" e de Joana "a Louca", viria a ter grande influencia na história de Portugal, já que, por morte de D. João III, foi regente do reino, dado que seu filho tinha morrido e o neto, o futuro rei D. Sebastião, era ainda muito novo.
Ciosa do seu nome, mandou a rainha edificar uma igreja cujo orago era Santa Catarina, também dita do Monte Sinai.
As ruínas da primitiva igreja e respectivo terreno acabaram por ser vendidos, e adquiridos por José Pedro Colares Pereira, um industrial que ali mandou construir o seu palacete. Foi este vendido tempos depois a outro industrial, Alfredo da Silva o fundador da CUF-Companhia União Fabril, que viria a ser um dos "império" económicos portugueses. Seguiu-se na propriedade D. Manuel de Melo, genro do anterior.
O edifício tem servido depois um pouco para tudo: lá foi, por exemplo, a redacção e serviços do "Jornal Novo", combativo vespertino que foi publicado depois do 25 de Abril de 1974 e teve Artur Portela como primeiro director. Mais tarde, em 1986, funcionou ali a sede da candidatura do Professor Diogo Freitas do Amaral à Presidência da República e ainda uma instituição de carácter político denominado Fundação Século XXI. No número um da Rua Marechal Saldanha veio mais recentemente a Associação Nacional de Farmácias adquirir o imóvel dos "Melos" e dar nova feição ao edifício.
Muito próximo do início desta Rua junto à Rua de Santa Catarina, vamos encontrar o conhecido Miradouro de Santa Catarina com a escultura ao Adamastor - da autoria do escultor Júlio Vaz Júnior - que desde 1927 é o seu "ex-libris". O ditado de sabor popular alfacinha «ficar a ver navios no Alto de Santa Catarina» nasceu no século XIX, no período das invasões francesas aquando do embarque da família Real no Tejo com destino ao Brasil. O povo só pôde assistir lá do Alto de Santa Catarina para testemunhar o acontecimento, ficando entregue aos malefícios do seu invasor.
O Marechal Saldanha de seu nome; João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Daun, nasceu na Golegã em 17 de Novembro de 1790 e faleceu em Londres no dia 21 de Novembro de 1876, foi 1º Conde, 1º Marquês(1) e 1º Duque de Saldanha, e ainda Marechal do Exército Português.
Homem de Estado do tempo da Monarquia constitucional, influenciou de forma substancial o rumo dos acontecimentos do país ao longo de meio século. Foi inúmeras vezes ministro, assumindo designadamente as pastas da Guerra e dos Negócios da Fazenda. Foi também, por quatro vezes, primeiro-ministro de Portugal (em 1835, entre 1846-1849 e 1851-1856 e em 1870). (2)
(1) - Marquês de Saldanha foi um título nobiliárquico criado pela Rainha D. Maria II de Portugal, por decreto de 27 de Maio de 1834, a favor do Marechal João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira Daun, em substituição do título de Conde de Saldanha que lhe havia sido concedido a 14 de Janeiro de 1833. Ao mesmo Marechal Saldanha, foi-lhe concedido o título de cortesia de Duque de Saldanha a 4 de Novembro de 1845.
(2) - Blogue - Pela Transparência - Toponímia e cultura XVII - Placa toponímica da Rua Marechal Saldanha (em Sintra).







sábado, 19 de janeiro de 2008

RUA DR. LUÍS DE ALMEIDA E ALBUQUERQUE

Rua Luís de Almeida e Albuquerque, 5 (1966) - Funcionários da Administração e Contabilidade do "JORNAL DO COMÉRCIO" foto de APS
Rua Dr. Luís de Almeida e Albuquerque, 5 (1966) - Funcionários do "JORNAL DO COMÉRCIO" Foto de APS

O "JORNAL DO COMÉRCIO" na altura director Diniz Bordallo-Pinheiro (1955) foto de APS


Rua Dr. Luís de Almeida e Albuquerque (entre 1898 e 1908) fotografo não identificado in AFML



Rua Dr. Luís de Almeida e Albuquerque (entre 1898 e 1908) fotografo não identificado - ao fundo a Rua Marechal Saldanha - in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa




Rua Dr. Luís de Almeida e Albuquerque, 6 (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado in AFML
A RUA DR. LUÍS DE ALMEIDA E ALBUQUERQUE pertence à freguesia de SANTA CATARINA, começa na Rua Marechal Saldanha no número 11 e termina na Travessa de Santa Catarina no número 8.
Esta artéria teve inicialmente o nome de RUA DO LAMBAZ por morar nessa altura D. Diogo de Sousa, que por sinal deu nome à sua rua, que depois foi RUA DE BELVER com origem no nome daquele Monte.
O LAMBAZ(1) era a alcunha que tinha na corte este D. Diogo de Sousa, filho de Francisco de Sousa do tempo de El-Rei D. João III.
Deve o seu actual nome a um vereador da Câmara de Lisboa, jornalista e professor na Escola Politécnica que atingiu no século XIX o cargo de Director do "JORNAL DO COMÉRCIO" (situado nesta rua no número 5) que mais tarde, acabou por comprá-lo.
A sua primeira publicação iniciou-se em 17 de Outubro de 1853 e seus antigos proprietários (Mateus Pereira de Almeida e Silva e ainda José Pereira e Silva) cedo decidiram transformá-lo num diário designadamente virado para o noticiário essencialmente comercial.
Luís de Almeida e Albuquerque em 1881 vende o jornal a Henry Burnay também professor na Escola Politécnica. Na posse da família Burnay acabou por ser novamente vendido desta vez a pessoas ligadas às Colónias, daí ter o nome mudado para "JORNAL DO COMÉRCIO E DAS COLÓNIAS".
A partir dos anos 30 do século passado, Diniz Bordallo-Pinheiro foi o novo proprietário e director. Sendo este também o nosso local de trabalho nos anos (1950 a 1966), saímos ao emigrar para a África do Sul. Com o falecimento de Bordallo-Pinheiro, o jornal foi adquirido em 1962 pelo Dr. Fausto Lopo de Carvalho homem ligado as letras e aos seguros, sofrendo assim novas modificações.
Nos anos 70 do século findo passou novamente de mãos este diário, tendo sido adquirido pelo grupo Banco Borges. Depois de nacionalizada a Banca o "JORNAL DO COMÉRCIO" viu-se a braços com uma crise de identidade, tendo fechado definitivamente em 1983.
Muito perto desta Rua está a Travessa de Santa Catarina que foi chamada noutro tempo, Travessa do Cemitério, por ali se situar um cemitério anexo à Igreja. Também nessa mesma Travessa morou no número 7 o poeta Gonçalves Crespo marido de D.Maria Amália Vaz de Carvalho a grande e notável escritora, existindo uma lápide a recordar que ali viveu, notabilizando a sua memória. Esta residência tornou-se na época, num dos mais frequentados salões literários de Lisboa.
(1) - Pessoa lambona, glutona, comilona.






sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

CALÇADA DO COMBRO

Calçada do Combro - (2005) autor desconhecido
Calçada do Combro - (1917) Foto Joshua Benoliel (Palácio Marim-Olhão) in AFML

Calçada do Combro - (1945) autor não identificado (Igreja dos Paulistas ou de Santa Catarina e Capela da Ascensão de Cristo in AFML

Calçada do Combro - (1969) Foto João H. Goulart in AFML

Calçada do Combro - (1913) Foto Joshua Benoliel (Elevador Estrela-Camões)-in AFML

Calçada do Combro - (início do século XXI) - autor desconhecido (Um troço da Calçada do Combro).

Calçada do Combro (anos 50 do século XX) foto de autor desconhecido (antiga Rua do Correio para S. Bento)

Calçada do Combro [195-] Foto Mário de Oliveira - Igreja dos Paulistas ou de Santa Catarina fachada principal in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
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A CALÇADA DO COMBRO pertence à freguesia de SANTA CATARINA, começa no Largo do Calhariz no número 19 e finaliza no Largo Dr. António de Sousa Macedo no número 7-E.
Fala-nos desta Calçada o Olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa no volume V «que quem desce a Calçada do Combro à direita encostado à antiga casa de André Valente está, encravada nela, e junto à entrada do Pátio dos Tanoeiros, a Ermida da Ascensão de Cristo». Reconstruída no século XVII, segundo se lê na legenda sobre o pórtico: «Esta obra se fez à custa dos irmãos de Nossa Senhora do Amparo no ano de 1673». A Ermida, que tem apenas três Capelas, é uma relíquia do sítio, e muito mais antiga do que a importante igreja dos Paulistas. Teve mesmo a honra de ser durante algum tempo a paróquia das Mercês.
No dizer de Norberto de Araújo «a fachada da Igreja dos Paulistas, paroquia de Santa Catarina desde 1835, é, como se observa, majestosa e de um equilíbrio de linhas».
Sobre a Igreja e Mosteiro dos Paulistas fala-nos também, Angelina Vidal no seu livro - Lisboa Antiga Lisboa Moderna na página 224; «Inaugurou-se o Mosteiro em 1649 sendo fundador o geral da ordem, padre-mestre frei Diogo da Ponte. D. João IV beneficiou muito a comunidade, dando-lhes avultadas esmolas para as obras e para alimentação dos professores.
O edifício foi largamente construído conforme se vê, e ao pé tinha uma grande quinta onde a cultura vinícola desenvolvida a ponto de abastecer fartamente o refeitório dos bons frades, que pelos modos tinham horror à sede. (...). O grande Mosteiro dos Paulistas é de há muito ocupado por uma Companhia da Guarda Municipal».
No início da Calçada do Combro quando descemos, à direita de quem vem do Calhariz, fica-nos um pardieiro imundo, que em tempos foi um Palácio da família Melo Cunha, posteriormente Condes Castro Marim e ainda Marqueses de Olhão. (1)
Um deles foi Monteiro-Mor da Corte e aqui se instalou em 1799 o Correio Geral. Foi também proprietário desta casa D. José da Cunha, descendente dos primeiros titulares.
O casarão palaciano foi moradia de famílias muito pobres, tendo funcionado também entre 1840 e 1890 «A Revolução de Setembro» - onde se destacou como principal redactor o «Sampaio da Revolução» de seu nome António Rodrigues Sampaio (1806-1896) - e já no início do século XX o jornal «A Batalha». Em 1922 pertencia à firma Mello Castello Branco, Lda.. O edifício é votado ao abandono, passando mais tarde para a posse da Câmara Municipal de Lisboa que em 1966/1998 elaborou um projecto para reabilitar o imóvel, encontrando-se nesta altura (2006) a ser gerido pela EGEAC, como função cultural.
Continuando a descer a Calçada e sempre do lado direito fica-nos a antiga Rua Formosa hoje Rua do Século (terras do Marquês do Pombal). No lado esquerdo, quem desce, as Travessas; de Santa Catarina, da Hera, da Condessa, do Rio e lá em baixo a do Alcaide já junto do antigo Largo do Poço Novo (hoje com o nome de Largo Dr. António de Sousa Macedo).
(1) - Proprietários também do Palácio Olhão na Rua de Xabregas.





























quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

PRAÇA DA ARMADA

Praça da Armada (1968) Foto Armando Serôdio -Chafariz e estátua cimeira representando Neptuno com o tridente de bronze e o golfinho simbólico -in AFML
Praça da Armada (1965) Foto Arnaldo Serôdio in AFML

Praça da Armada [s.d.] Foto Eduardo Portugal in AFML


Praça da Armada, 11 a 15 [s.d.] Foto João H. Goulart in AFML



Praça da Armada (1965) Foto Armando Serôdio Arquivo Geral da Marinha in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
A PRAÇA DA ARMADA - antiga Praça de Alcântara - pertence à freguesia dos PRAZERES, situa-se entre as Ruas: Prior do Crato, do Sacramento a Alcântara, Rampa das Necessidades e Rua do Arco a Alcântara.
A Praça de Alcântara, também chamada Largo de Alcântara ou do Baluarte hoje chama-se PRAÇA DA ARMADA. Vamos por partes: à época (inicio do século XIX) existia naquela Praça o que teriam sido ruínas de um dos Baluartes que faziam parte dum plano de defesa da cidade na época da Restauração, que iria dotá-lo destes pequenos fortes em toda a sua cintura. Tal plano não chegou a concluir-se e o terramoto terá destruído o inacabado Baluarte de Alcântara. Quanto às designações da Praça ou Largo devem-se ao facto de apesar de pequeno, ser um espaço distribuidor das principais ruas de Alcântara Oriental, que vai até ao sítio da antiga ponte e actual estação de comboios e rotunda: como diz Norberto de Araújo, esta praça é o "Átrio de Alcântara". Voltados de frente para a Rampa das Necessidades e de costas para o Tejo, com a antiga Rua do Livramento, actual Prior do Crato, à nossa esquerda e a Rua do Sacramento à direita, podemos hoje ver o que resta do casario da época e que comporta do lado direito o pequeno Beco dos Contrabandistas, cuja história se perdeu na memória do tempo, e que o nome apenas deixa adivinhar.
Na esquina com a Rua do Sacramento depara-se um edifício incaracterístico e muito degradado, pertença do antigo Convento do Sacramento que serviu de aquartelamento durante longo tempo, sendo hoje armazém de material do exército. Agora, e iniciando uma volta de 360º graus, estamos em frente ao quartel dos Marinheiros, construído em meados do século XIX sobre as ruínas do Baluarte acima mencionado; e durante algum tempo também responsável pelo nome da Praça a que o vulgo passou a chamar Largo dos Marinheiros (hoje Praça da Armada).
A saída do Corpo dos Marinheiros e a transferência para o edifício de vários serviços da armada, veio a fixar o nome actual em PRAÇA DA ARMADA, uma vez que este edifício pelo seu tamanho em proporção com o resto da praça, se lhe impõe como nenhum outro.
Quase pegado com o quartel da Armada, do lado esquerdo está um edifício idêntico ao que descrevemos como aquartelamento do outro lado da praça e que também pertenceu ao Convento do Sacramento; foi até há poucos anos repartição do Registo Civil.
Está dada a volta à Praça. Resta-nos falar do curioso chafariz ou fontanário perto do casario, que data de 1845, é encimado por um Neptuno de Tridente em punho. As quatro carrancas que adornam as quatro bicas teriam sido esculpidas em 1794 para um outro chafariz não construído, e a este fontanário adaptadas. A sua função foi substituir as sobras do chafariz das Necessidades que servia insuficientemente aquela zona.
Frei Luís de Sousa diz-nos na História de S. Domingos a propósito da escolha do sítio para edificar o Convento do Sacramento: «Havia na estrada, que corre do bairro que chamam da Pampulha, para a ribeira, e ponte de Alcântara, um estendido pedaço de terra lavradio chão, e desabafado cuja largura capaz de um grande edifício era a estrada para o mar (...) sítio forte para bom fundamento do edifício, e tão alto, e sobranceiro, que fica senhor de todo o rio, e livre de danos, e vizinhança da praia que lhe lava os pés: oferece defronte como painel, as rochas de Almada vestidas em parte de verdura, parte ao natural descomposta: e contra a boca da barra, larga e formosa perspectiva, até se perder de vista no mar. Em tal sítio, e o no mais eminente dele foi o vigário desenhando o seu Mosteiro».
Para terminar como, provavelmente devíamos ter começado, mas para deixar boa recordação, gostaríamos de referir o paraíso que Alcântara parece ter sido antes do progresso mal controlado ter destruído a razão dos seus encantos. Imaginemos um vale salpicado de pequenas quintas e conventos, separado por uma ribeira, que o Tejo esperava ali perto, e unido por uma ponte.





quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

RUA PRIOR DO CRATO

Rua Prior do Crato (em fundo o Mercado de Alcântara) [194-] Foto Eduardo Portugal in AFML
Rua Prior do Crato, 106 a 134 [s.d.] Foto João H. Goulart in AFML

Rua Prior do Crato, 14 a 38 (1969) Foto João H. Goulart in AFML


Rua Prior do Crato (1965) Foto Armando Serôdio in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


A RUA PRIOR DO CRATO (antiga Rua do Livramento) pertence à freguesia dos PRAZERES.
Começa na Praça da Armada no número 15 e acaba na Rua de Alcântara.

No fim desta artéria circundante à Praça de Alcântara, passou em tempos a Ribeira de Alcântara, que corria no vale do mesmo nome. Sobre ela havia uma antiga ponte, com uma estátua de S. João Nepomuceno erigida em 1743.

Segundo o ITINERÁRIO LISBONENSE esta rua «principia na ponte de Alcântara e termina na Praça do Regimento deste nome». Assim se chamava por estar nas imediações do Convento de Nª. Senhora do Livramento. Este Convento foi edificado no século XVII (1679), no local onde até essa data se erguia a Capela de Nossa Senhora do Livramento, mandada construir em 1606 por Rodrigo Homem Azevedo, em sinal de reconhecimento à Virgem por o ter "livrado" de uma acusação que a gente de Filipe II de Espanha lhe fazia: a de ter sido partidário do Prior do Crato.

Logo em 1698 foi reconstruída a Igreja, sob outro risco, e assim se conservou, com reedificação ligeira depois do terramoto, até que, extintas as Ordens Religiosas e ocupada uma parte da casa por uma Companhia da Guarda Municipal, os seus restos foram demolidos já no século XX para ser construída a Caixa Geral de Depósitos. Numa dependência escusa deste edifício ainda se encontra a lápide com o nome do fundador da capela, depois Convento do Livramento, e bastante expressão piedosa deu ao antigo sítio de Alcântara. Com seu nome, de Livramento, encontramos ainda uma Travessa e uma calçada, junto à Rua Prior do Crato.

A Rua Prior do Crato (antiga rua do Livramento) pertencia de acordo com a remodelação paroquial de 1770, à freguesia do Senhor Jesus da Boa Morte e depois do novo plano de divisão e transladação das paróquias de Lisboa, integrou-se na freguesia de S. Pedro de Alcântara. A Real Capela, Paço e Convento de Nossa Senhora das Necessidades pertenciam também a esta freguesia.

Esta rua que, depois de implantada a República mudou de nome, fica situada na parte sul do bairro de Alcântara. Os prédios que a povoam são quase todos do século XIX e com eles contrastam as casas da parte sul deste bairro, mais modesto mas com o seu traçado bem pitoresco e de construção mais antiga. No cunhal alto do prédio Nº 63 a 75, esquina nascente da Travessa da Trabuqueta, podia ver-se uma caravela em baixo relevo, que nos leva a crer que esta casa, aliás já reconstruída, provém da Segunda metade do século XVII; no outro canto, no Nº 77, existia um painel de azulejos considerado único, que apresentava o navio do brasão de Lisboa, embora já bastante desgastado. Um edifício marcante nesta rua é o da Caixa Geral dos Depósitos (Caixa Económica Portuguesa) que ocupa o local onde se ergueu o Convento do Livramento, das religiosas da Santíssima Trindade.

A Rua Prior do Crato beneficiou da aproximação da Tapada da Ajuda, coabitando com o populoso bairro de Alcântara, habitado principalmente por gente ligada às lides do mar.

Como nos diz Norberto de Araújo «Alcântara tornou-se popular, febril, animada - bairrista com expressão e carácter próprio; área da cidade que vive a trabalhar em tumulto natural, sem pitoresco acentuado, que idade velha não lhe pode deixar impresso, mas com inconfundível personalidade»(1).

(1) - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA Livro IX página 16.











terça-feira, 15 de janeiro de 2008

LARGO DAS NECESSIDADES

Largo das Necessidades(1963) Foto Armando Serôdio (Palácio das Necessidades fachada)-in AFML
Largo das Necessidades[s.d.] Foto António Passaporte (Chafariz das Necessidades)-in AFML

Largo das Necessidades[19--] Foto Paulo Guedes (Palácio das Necessidades) -in AFML


Largo das Necessidades(1908) Foto Joshua Benoliel (Chegada ao Palácio após a cerimónia em S. Bento do juramento e proclamação de D. Manuel II como Rei de Portugal) in AFML



Largo das Necessidades (1908) foto Alberto Carlos Lima-(A guarda no Palácio das Necessidades após o atentado) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
O LARGO DAS NECESSIDADES, freguesia dos PRAZERES, situa-se entre a Rua das Necessidades e a Rua Capitão Afonso Pala.
Segundo Gomes de Brito em Ruas de Lisboa, chegava-se ao Largo depois de se descer a Calçada das Necessidades e atravessar o Largo do Rilvas.
Tanto D. Maria II como D. Pedro V fizeram do Palácio das Necessidades residência permanente. Ali vivia a família quando o Rei D. Carlos foi vítima do regicídio e o 5 de Outubro afastou D. Manuel II do trono.
Grande parte do recheio deste Palácio foi enviada para o Museu de Arte Antiga, tal como aconteceu com outros Palácios portugueses aquando da implantação da República. No entanto, ainda hoje lá existem pinturas, retratos, mármores trabalhados, decoração prateada e dourada, sem esquecer a capela onde se encontram estátuas de Giusti e de José de Almeida, assim como ricas alfaias e ornamentos. Também os jardins são magníficos e o seu parque encontra-se repleto de árvores e arbustos exóticos.
Presentemente, a parte da frente do Palácio das Necessidades está ocupada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que para ali foi transferido em 1916, e na parte de trás está instalado o quartel-general da Primeira Divisão Militar, com entrada pelo Largo do Rilvas.
Afirma Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa no livro IX:«Não é indiferente que nos quedamos a olhar a sua fachada, glórias e tragédias, alegrias e dores, confiança e certeza, fausto e penumbra passaram por ele. Não temos que o olhar com saudade, mas com um certo respeito comovido: não será do seu tempo, aquele que for insensível... às coisas do passado».
O Paço das Necessidades, largo aberto de linda vista para o Tejo e oxigenado pela frondosa Tapada do mesmo nome.
O Bloco das Necessidades, chamamos-lhe assim porque foi crescendo a partir de uma pequena Ermida, que nasceu de uma devoção. Uma grande peste martirizou Lisboa no reinado de Filipe III; a cidade ficou despovoada porque muitos morreram e outros fugiram. Entre as famílias em fuga, uma havia de devotos tecelões que na Ericeira encontraram abrigo, colocando-se sob a protecção de Nossa Senhora da Saúde cuja imagem veneravam numa pequena Ermida daquela praia. Anos depois regressaram à cidade e trazem consigo a imagem, procurando dar-lhe em Lisboa um local de culto, que conseguem por doação no Alto de Alcântara num pedaço de terreno enquanto que a construção da Ermida é custeada por esmolas piedosas. Alguns anos depois, em 1613, conhecida a sua fama milagreira, a Senhora é agora das Necessidades.
Já com uma Irmandade de marítimos da Carreira da Índia, a sua Ermida ia sofrendo melhoramentos. Com a proximidade do Palácio de Alcântara, a devoção vai estender-se aos Reis de Portugal, D. Pedro II e sua mulher D. Isabel de Sabóia que mandaram levantar uma tribuna ricamente guarnecida para as suas visitas ao pequeno templo, contribuindo para a ornamentação e paramentação da imagem.
Quando este Rei adoece em 1705, requer a santa na sua presença; uma vez restabelecido atribui à Senhora a benesse da sua cura, mandando pendurar a sua mortalha na ermida.
Seu filho D.João V, numa tarde de Maio de 1742 sente todo o seu lado esquerdo paralisar. Pensando que vai morrer, à semelhança do pai pede que a imagem da Nossa Senhora das Necessidades o assista na sua morte, esperançado talvez num milagre da Santa. O Rei salva-se e promete a construção de uma igreja para a sua milagreira, mantendo a imagem à sua cabeceira para sempre.
O "Magnânimo" rei, cumpre a sua promessa e para além da igreja manda construir um hospício e convento que doa aos frades da congregação do Oratório de S. Filipe Néri que, quando para lá se mudam, já em 1757, seguindo a vocação da Ordem, abrem uma escola que vai das primeiras letras aos preparatórios para a Universidade.
Mas D. João V, rei absoluto, não edifica sem deixar a marca do poder temporal, e completa a construção com um Palácio, símbolo da omnipresença Real: O Trono patrocina e protege o Altar.
O Palácio, insuficiente para alojar a corte absolutista, servirá sobretudo para receber visitantes ilustres como diz o francês Carrére na sua Voyage au Portugal... no fim do século XVIII, o Palácio era particularmente ocupado por particulares com autorização da rainha D. Maria I. Murphy, na mesma altura, no mapa de Lisboa inserto na sua obra sobre o país, apenas menciona o hospício.
O original William Beckford, na primeira estada em Portugal em 1797, habitou junto às Necessidades; e fala-nos no seu Diário de uma cerimónia religiosa a que assistiu no convento: a consagração de um frade oratoriano elevado a Bispo do Algarve. A Igreja estava ricamente decorada e o chão repleto de tapeçarias persas: «Era extraordinário o esplendor das capas, dos turíbulos(1), das mitras e dos báculos(2) em contínuo movimento». Mas a sua ligação ao sítio, referido várias vezes no livro, passa sobretudo pelos refrescantes passeios no terreiro, ao fim da tarde, só ou na companhia de amigos; pelo contacto com a natureza, o fruir da paisagem, dos jardins, do ruído tranquilo das águas do chafariz. Num dia inicia o seu diário dizendo: «Tenho estado debruçado sobre os jasmins que trouxe das Necessidades, inalando o seu doce perfume». Confessa-nos, no entanto, que duma vez não conseguiu acalmar o seu temperamento de achaques românticos, e tanto andou pelo terreiro das Necessidades que voltou coxo para casa.
Usufruindo de toda a infra-estrutura existente e das instalações da biblioteca, funcionou nas Necessidades durante os primeiros anos da vida de 1780 a 1791, a Academia Real de Ciências.
A riqueza da biblioteca Oratoniana é comentada desde sempre. O italiano Gorani que a visitou ainda no tempo do Marquês de Pombal, maravilhou-se com a raridade das suas obras.
Após a extinção das Ordens Religiosas, todo o seu recheio passou para a Biblioteca da Ajuda.
O Largo das Necessidades, com o seu jardim (hoje Olavo Bilac), foi mandado construir por ordem de D. João V conjuntamente com o chafariz das Necessidades no ano de 1747, ao arquitecto Caetano Tomás de Sousa.
Esta obra escultórica, resulta da implantação de um obelisco que emerge do interior do tanque quadrilobado, sendo cada lobo ornado ricamente com belíssimos mascarões que jorram água. Este conjunto de mármore é rematado superiormente por uma resplandecente custódia, encimada por uma cruz dourada.
(1) - Vaso em que se queima o incenso
(2) - Cajado pastoral dos Bispos, que tem a extremidade superior curva.