sábado, 3 de agosto de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXVI ]

 Rua do Açúcar - (1992/93) Foto de Filipe Jorge (BAIRRO CHINÊS- Com a implantação industrial, o abandono prematuro de muitas explorações agrícolas, a falta de habitação acessível e a progressiva degradação da paisagem e do ambiente, vão fornecendo a invasão por ocupação espontânea, sobretudo em terrenos públicos, mas também nalguns privados que originam "Bairros de Lata", de que o famoso "Bairro Chinês", na "Quinta dos Marqueses de Abrantes", constitui exemplo típico e duradouro, embora o seu fim se aproximasse no final da década de 80, início de noventa, motivado pela EXPO'98 que veio alterar radicalmente uma parte substancial desta zona Oriental de Lisboa) (Foto abre em tamanho grandein LISBOA VISTA DO CÉU
 Rua do Açúcar - (1998) Foto de António Sacchetti (Acesso por Portal com Brasão picado, pertencente ao antigo "Palácio dos Marqueses de Abrantes", na "Rua de Marvila, 34. Encontrando-se ali instalada a "Sociedade Musical 3 de Agosto de 1885", local onde se ensaia a marcha que representa a freguesia de  MARVILA)  in  CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (anos 50 do século XX) -Foto de autor não identificado ("Palácio dos Marqueses de Abrantes" parte virada para o pátio) in ANTIGA FREGUESIA DOS OLIVAIS
Rua do Açúcar - ( A Casa de "VILA NOVA DE PORTIMÃO/ABRANTES". Uma sucessão complexa de heranças transformou a "CASA DOS CONDES DE VILA NOVA DE PORTIMÃO", depois também herdeiros dos Marqueses de Abrantes e Fontes, numa das maiores propriedades na zona envolvente de Lisboa)  in  CAMINHO DO ORIENTE

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ XXVI ]

«A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 3 )»

Na década de sessenta, com um dos quartos térreos arrendados a "JOÃO LOURENÇO VELOSO"(1762-69), irmão de "VASCO LOURENÇO VELOSO" (de Santa Apolónia), as alusões à decadência das casas nobres são frequentes. Manteve-se a situação ao longo do século XIX, embora tivesse o cuidado por parte dos Marqueses de salvaguardarem nos arrendamentos a preservação da quinta - do bom amanho das vinhas, árvores e todas as terras cultiváveis, comprometendo-se os rendeiros, uma vez findos os arrendamentos, a deixar a quinta povoada e cheia de bacelos e cepas - casos de "ANTÓNIO JOAQUIM DOS REIS", mercador de lã e seda, pela renda anual de 400 000 réis e um pipa de vinho (1819-27) ( 1 ), em cuja renda eram abonados 60 000 réis para as obras do referido Palácio.
No ano de 1854, pela expropriação feita em parte do domínio útil do prazo da «QUINTA DE MARVILA» pelos Caminhos-de-ferro, o "Morgado do Esporão" foi compensado pela sub-rogação de 37 700 réis, e em parte do domínio directo pela quantia de 92 320 réis ( 2 ).
Em meados do século XIX foi ali instalada a «ESCOLA NORMAL DE MARVILA», estabelecimento de referência para a formação de professores do ensino primário. Em 1869, depois do Governo manifestar interesse em arrendar à "CASA DE ABRANTES" a "QUINTA DE MARVILA" ( 3 ), era anunciada a sublocação do terreno anexo à "ESCOLA NORMAL DE MARVILA" ( 4 ), constando então a quinta, arrendada em haste pública, de "12 hectares de terra lavradia e dez oficinas rústicas não incluídas nos logradouros reservados ao edifício da referida escola(...) ( 5 ). Depois de desactivada a escola o edifício foi sendo ocupado por várias famílias, e no pátio instalou-se uma uma Associação Desportiva, enquanto o extenso terreno da quinta se transformava em "ilha" habitacional o «BAIRRO CHINÊS». O antigo Palácio interiormente degradado e descaracterizado, mantém a sua traça exterior, acrescentada em mais um piso.
O "BAIRRO CHINÊS"
Nesta grande quinta dos "MARQUESES DE ABRANTES" anteriormente «QUINTA DE MARVILA», dominada pelas explorações agrícolas, este espaço esteve ocupado até finais dos anos 80 início de noventa. As actividades industriais ferroviárias e portuárias deram origem à formação de novas áreas residenciais, que se podem distinguir por uma imagem que hoje publicamos. Assim, coexistiam residências nobres, vilas operárias e habitações clandestinas. O chamado "Bairro Chinês", o maior bairro de barracas na ZONA ORIENTAL DE LISBOA, ficava onde hoje podemos ver os bairros: "MARQUES DE ABRANTES", "ALFINETES", das "SALGADAS" e "QUINTA DO CHALÉ".

Com a entrada do século XIX, após a revolução liberal, houve diversas mudanças na zona Oriental de LISBOA, em que as antigas quintas e outras novas que surgiram, se tornaram propriedade de comerciantes e industriais em ascensão.
A antiguidade desta propriedade da «QUINTA DE MARVILA» e o relevo histórico dos seus proprietários bem assim, como a qualidade arquitectónica das construções ainda subsistentes, fazem dela uma das mais importantes quintas arrabaldinas de LISBOA.
Da sua história, que se confunde com a do sítio de MARVILA, de que constitui o verdadeiro centro, já se falou atrás e no texto genérico sobre Marvila, cabendo aqui tentar sobretudo uma análise estilista resumida do conjunto palaciano, inserindo-o no panorama lisboeta.  É claro que, como acontece com a generalidade destas Quintas, o edifício dos "Marqueses de Abrantes" resulta de várias campanhas de obras, devendo ainda ter-se em conta que a antiguidade quase imemorial da Quinta impôs por certo o aproveitamento de construções preexistentes, condicionantes sempre a ter em conta na leitura de qualquer destes conjuntos.   

( 1 ) - IAN/TT, ACA - Morgado do Esporão, Mç. 192, Doc. 3942
( 2 ) -     IDEM     Mç. 194, doc. 4037, fl. 4.
( 3 ) -        "         Mç. 194, doc. 4030.
( 4 ) -        "         Mç. 194, doc. 4046.
( 5 ) -        "         Mç. 194, doc. 4031.
SIGLAS
IAN/TT = Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo
ACA = Arquivo da Casa de Abrantes

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ XXVII ]-A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 4 )» 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXV ]

 Rua do Açúcar - (anos 50 do século XX) Foto de autor não identificado (Palácio dos "Condes de Figueiró" depois "Vila Nova de Famalicão" e por último dos "Marqueses de Abrantes", virado para a "Rua de Marvila") in ANTIGA FREGUESIA DOS OLIVAIS
 Rua do Açúcar - (1992/3) Foto de Filipe Jorge (Vista panorâmica de Lisboa na zona Oriental. É visível a "Doca do Poço do Bispo", muito próxima da nossa "RUA DO AÇÚCAR" em toda a sua extensão, mais para o lado de cima a linha ferroviária do Norte e cintura de Lisboa, que na sua primeira curva podemos ver um conjunto de casas abarracadas na (Quinta dos Marqueses de Abrantes), feitas pelos trabalhadores que representavam  a mão-de-obra, dos tempos áureos da Industrialização da Zona Oriental de Lisboa) in LISBOA VISTA DO CÉU
 Rua do Açúcar - (2009) Foto de Jmsbastos (Portal de acesso ao pátio da "Quinta e Palácio dos Marqueses de Abrantes" na "Rua de Marvila") in FLICKR
Rua do Açúcar - (anterior a 2009) Foto de Barragon (Portal de acesso ao pátio do Palácio e Quinta dos "Marqueses de Abrantes", com o reclame da Sociedade Filarmónica 3 de Agosto de 1885) in SKYSCRAPERCITY

(CONTINUAÇÃO) RUA DO AÇÚCAR [ XXV ]

«A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 2 )»

«D. HELENA DE NORONHA» empreendeu grandes obras de beneficiação na Quinta, constando nos inventários feitos por sua morte as avaliações. "(...) no estado em que estão abatidas as malfeitorias que se fizeram nos desmanchos das casas para melhoramento da dita propriedade em 14 000 cruzados, em que entram todas as benfeitorias das vinhas e pomares e tudo o mais que está feito de pedra e cal e madeira, na dita Quinta (...) ( 1 ).  No testamento declarava "(...) tenho nela feito muitas benfeitorias e vou fazendo (...) ( 2 )
«FRANCISCO DE VASCONCELOS», casado com a herdeira da "CASA DE FIGUEIRÓ", de cujo senhorio foi o 1º Conde, em 1637 entrou na posse da «QUINTA DE MARVILA» "com outras pequenas, e diversos foros que se pagam de várias propriedades junto à dita quinta que tudo é a ela anexo (...) ( 3 ). Sucedeu-lhe o sobrinho «D. PEDRO DE LENCASTRE» e seu filho, «D. JOSÉ LUÍS DE LENCASTRE», moradores em SANTOS, que tiveram grande litígio ( 4 ) com a condessa viúva de "FIGUEIRÓ", que instituíra herdeira a Condessa de "CASTELO MELHOR": "pois minha sobrinha é a parente mais chegada que tenho dos VASCONCELOS e é herdeira de minha casa de "FIGUEIRÓ", que tenho de juro e herdade e fora da "Lei Mental", ela entra na 2ª. vida e eu na 1ª., que tenho alvará de duas vidas - e no prazo e quinta de Marvila, onde vivia, com todas suas pertenças - com todos os foros, jardins, quintas e cercas e pomares e tudo o que pertença a este prazo. Da qual tomou posse, e onde viveu, cobrando os foros de 1644-47 e 1654-1660, cobrados nos restantes anos pela Represália
«D. PEDRO DE LENCASTRE», comendador-mor de AVIS, herdara se seu tio o título de «CONDE» e o "MORGADO DO ESPORÃO", no qual a quinta fora integrada. O sucessor "D. JOSÉ", que trocou o título de "CONDE DE FIGUEIRÓ" pelo de "VILA NOVA DE PORTIMÃO", herdado de sua avó materna; "engrossando em rendas a sua grande casa por recaírem nela duas tão ilustres, veio a ser uma das mais ricas do Reino ( 5 ). Não deixou descendência, pelo que se lhe seguiu na titularidade seu irmão, «D. LUÍS», que em 1688 tomou posse. "(...) da quinta de Marvila e suas anexas, como também das benfeitorias que na dita quinta estão feitas, (...) tomou também posse de tudo aquilo em que a senhora Condessa tinha retenção, assim em louça como em tudo (...) ( 6 ), bem como da propriedade situada em XABREGAS chamada o "JARDIM", então nas mãos da Condessa de «CASTELO MELHOR», já falecida.
Por esta altura ter-se-á sugerido a «QUINTA DE MARVILA» como uma das hipóteses para instalação da rainha de Inglaterra, «D. CATARINA DE BRAGANÇA», regressada a LISBOA em 1693.
No ano de 1704, «D. PEDRO DE LENCASTRE», 5º CONDE DE VILA NOVA, sucedeu na Casa, cuja opulência se viu sobremaneira acrescida pela fusão mais tardia com a «CASA DE ABRANTES», originada pelo seu casamento com «D. MARIA SOFIA DE LENCASTRE». Detentor do senhorio de inúmeras vilas, Morgados e Alcaidarias-mores. Porém no ano de 1745 hipoteca a "QUINTA" para pagamentos de várias dívidas.
Em 1752, pelo pai, seu administrador, "MANUEL RAFAEL DE TÁVORA", o CONDE DE VILA NOVA «D. JOSÉ MARIA DE LENCASTRE», então com 10 anos, neto de «D. PEDRO», tomou posse do seu Palácio e Quinta de Marvila e de todos os mais bens do dito MORGADO.
A partir de meados do século XVIII, a Quinta e o Palácio, passaram a estar geralmente arrendados, degradando-se progressivamente o seu estado de conservação.

( 1 ) - IAN/TT, ACA - Morgado do Esporão, Mç. 188, doc. 3843
( 2 ) - Idem   Mç. 194, doc. 4037                                  
( 3 ) -   "       Mç. 191, doc. 3930
( 4 ) -   "       Mç. 192, doc. 3935
( 5 ) - SOUSA, Antº Caetano de, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, LºXI cap. XXI, p, 191
( 6 ) -IAN/TT, ACA - Morgado do Esporão, Mç. 191, doc. 3931.
SIGLAS 
IAN/TT =Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo 
ACA = Arquivo da Casa de Abrantes.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [XXVI]-A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 3 )»

sábado, 27 de julho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXIV ]

 Rua do Açúcar - (1992/3) - Foto de Filipe Jorge (Panorama da antiga "QUINTA DE MARVILA". Se alinharmos em linha recta de "X" a "X", vamos encontrar, sensivelmente, as grandes dimensões desta Quinta) in LISBOA VISTA DO CÉU
 Rua do Açúcar - ( 1998) Foto de António Sacchetti (Vista do conjunto do Palácio dos "MARQUESES DE ABRANTES". No lado esquerdo o edifício onde esteve instalado de 1862 a 1930 a "Escola Normal Primaria de Lisboa", para o ensino de professores. O grande portal central de acesso ao pátio é o elemento central enobrecedor do conjunto, sendo as duas janelas que o acompanham possivelmente mais tardias) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (anos 50 do século XX) Foto de autor não identificado (No chamado pátio do Palácio, a sede de um clube recreativo, dominada por um pequeno campanário, da antiga Capela dos "Marqueses de Abrantes") in ANTIGA FREGUESIA DOS OLIVAIS 
Rua do Açúcar - (2011) (Pátio do antigo "PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES", virado para a "Rua de Marvila") in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS

(CONTINUAÇÃO) RUA DO AÇÚCAR [ XXIV]

«A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 1 )»

"DOM AFONSO HENRIQUES" após a tomada de LISBOA, doou à "MITRA DE LISBOA" (1149) "três dezenas de casas e todas as rendas e terras de MARVILA que pertenciam às Mesquitas dos MOUROS ( 1 ). Por sua vez, o 1º Bispo lisboeta, «D. GILBERTO», ao organizar o CABIDO (1150) concedeu-lhe metade de Marvila.
A parte adstrita à Mesa Pontifical - a QUINTA DA MITRA - constituía um terreno vastíssimo indo do BEATO ao POÇO DO BISPO, e do rio até à estrada para o ALFUNDÃO. Veio a "QUINTA DE MARVILA" a cair na família dos "COSTAS", parente do cardeal ALPEDRINHA, "D. JORGE DA COSTA" com o domínio útil a título perpetuo. Integrada depois no «MORGADO DO ESPORÃO», transitou por herança para os "CONDES DE FIGUEIRÓ", depois de "VILA NOVA DE PORTIMÃO" e "MARQUESES DE ABRANTES".
A parcela maior da "HERDADE" - assim referida no século XVII - a chamada da "QUINTA GRANDE", reservaram os senhores para si, com vinhas, pomares, hortas e olivais, aí construindo casas nobres que, fruto de várias campanhas de obras, ganharam dimensões palacianas. Sabe-se que no século XV, entre os bens que pertenciam à sua "Mesa Pontifical", estava uma quinta " que se chama de MARVILA, que está além do Mosteiro de S. Bento". Em 30.04.1495 renovou o cardeal "ALPEDRINHA" o emprazamento em três vidas da (...) "Quinta de Marvila, além do Convento de S. João de Santo Elói, pelo foro de 3500 réis ( 2 ), a sua irmã, "D. CATARINA DE ALBUQUERQUE", terceira vida no prazo. Justificou-se a renovação, "por ela dita senhora ter feitas muitas benfeitorias e esperava ao diante mais fazer", na propriedade composta por casas, terras, vinhas e olivais. "D. CATARINA" nomeou na posse do prazo da quinta, em segunda vida, a sua sobrinha, "D. HELENA DA COSTA" ( 3 ), que o possuiu com isenção de foro na prelatura de "D.MARTINHO DA COSTA", seu tio.
Esta senhora, por sua vez, nomeou terceira vida, por testamento, ao irmão "JOÃO DA COSTA", senhor de "PANCAS", que em 1541 tomou posse (...) "da quinta de Marvila que está a par de S. Bento e das casas do Conde de Portalegre" ( 4 ).
Coube à mulher deste fidalgo, "D. INÊS DE NORONHA", a obtenção de novo plano de aforamento em (1573), e a duas de suas filhas um papel fundamental na história desta propriedade.
A primeira, "D. Jerónima de Noronha, sendo possuidora desta Quinta (...) suplicou à Sé Apostólica, lhe reduzisse este prazo que era em vidas, a enfatiota, em razão de haver feito nela grandes benfeitorias, e com efeito se lhe expediu BULA (...) ( 5 )
Concedido o pedido passou a «QUINTA DE MARVILA» a constituir um prazo perpétuo com o foro de 6000 réis anuais, por breve assinado pelo Cardeal "D. HENRIQUE" (1566), então ARCEBISPO DE LISBOA ( 6 ).
A segunda filha, herdeira da irmã, "D. HELENA DE NORONHA", senhora de "PANCAS", tomou posse da propriedade em 1575 ( 7 ),junto com seu primeiro marido "D. MANUEL DA CUNHA", Morgado de "TÁBUA".  "D. HELENA" casou em terceiras núpcias com "MANUEL DE VASCONCELOS", regedor da Justiça e Presidente da Câmara, Morgado "ESPORÃO", figura de relevo no período filipino, de quem não teve geração.
Sem herdeiros, foi obrigado a instituir por testamento (1602), aberto em Marvila  (1619), morgado de todos os seus bens livres, incluindo esta quinta.
Para primeiro administrador do vínculo, que anexou ao do "ESPORÃO", chamou o enteado "FRANCISCO DE VASCONCELOS" depois " 1º CONDE DE FIGUEIRÓ", primogénito do regedor.

- ( 1 ) -Cunha, D. Rodrigo da, História Eclesiástica da Igreja de Lisboa. Lisboa, 1642,pp69 e seg.
- ( 2 ) -IAN/TT,ACA - Morgado do Esporão, Mç. 188, doc. 3841.
- ( 3 ) -IAN/TT,ACA - Morgado do Esporão, Mç. 190, doc. 3904
- ( 4 ) -IAN/TT,ACA - Morgado do Esporão, Mç. 191, doc. 3927
- ( 5 ) -IAN/TT,ACA - Morgado do Esporão, Mç. 188, doc. 3840
- ( 6 ) -Delgado, Ralph - "O LUGAR DE MARVILA E A QUINTA DA MITRA", in Olisipo, Lisboa 1963, nº 103.
- ( 7 ) -IAN/TT,ACA - Morgado do Esporão, Mç. 190, doc. 3903

SIGLAS
- IAN/TT =Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo.
- ACA = Arquivo da Casa de Abrantes   

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ XXV ]A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 2 )»

quarta-feira, 24 de julho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXIII ]

 Rua do Açúcar - (1969) Autor da fotografia não identificado (Frontaria do Convento de Nª. Senhora da Conceição de Marvila", depois "Asilo de Velhos de Marvila" in AFML 
 Rua do Açúcar - (1969) Foto de autor não identificado (Capela do antigo "Mosteiro de Marvila" vista da parte Norte) in AFML 
Rua do Açúcar - (1998) Foto de António Sacchetti (Interior da Igreja do "Mosteiro de Marvila", iniciada pelo "Fr. Pedro de Santo Agostinho", do "Convento de São Francisco de Xabregas" e só ficou concluída no ano de 1680) in CAMINHO DO ORIENTE 
 Rua do Açúcar - (Colocado em 1911) Foto de António Sacchetti (Busto de mármore branco, assinado por "G. DUPRE-F.1852, FIRENZE, de "MANUEL PINTO DA FONSECA", benemérito fundador do "ASILO D. LUÍS I" no "Convento de Marvila") in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (1998) Foto de António Sacchetti (Um painel de azulejos revestindo uma parte do coro baixo, no interior da Igreja do Mosteiro de Marvila) in CAMINHO DO ORIENTE
Rua do Açúcar - (14 de Janeiro de 1961) (Programa das comemorações do 50º Aniversário do "ASILO DE VELHOS DE MARVILA", com a  realização de um espectáculo musical pela F.N.A.T., no salão de festas desta instituição) in ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO) RUA DO AÇÚCAR [ XXIII ]

«O CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE MARVILA ( 2 )»

O conjunto é de planta muito simples. Um quadrado em torno do claustro, reunia as dependências conventuais.  Desse quadrilátero saíam dois corpos laterais, formando  um  "U", que envolvia o pátio. O corpo lateral poente albergava a Igreja. O templo, como era habitual nos Conventos de freiras, destinava o seu eixo principal ao altar-mor e ao coro, dividido este em dois andares. Abria lateralmente a sua porta principal, dando sobre o pátio de entrada.
O traçado do edifício é de extrema modéstia, formando um simples rectângulo a que se adossava um outro mais pequeno, destinado à capela-mor. No corpo da Igreja abriam-se um número variável de capelas, pouco profundas, albergando cada uma o seu altar. No topo  sul, abria-se o duplo coro das freiras, separado da Igreja por fortes grades.
Sobre esta austera receita sobrepunha-se a exuberância decorativa. Talhas douradas nos altares, azulejos historiados até meia altura e, depois grandes telas entalhadas, que lembravam a devoção própria da casa religiosa. Por vezes surgiam, por doação mais farta, os mármores embrechados, com desenho miúdo.
Nesta Igreja temos exemplos de tudo. Existem mármores coloridos na Capela-mor, na parte concluída pela referida "D. ISABEL HENRIQUES". São completados pelos degraus, também em mármore, de um forte tom rosa, sem dúvida de belo efeito.
Os altares são de boa talha, desenhados com colunas torsas, enleadas de parras e anjos, que se prolongam em arquivolta, ao jeito de reminiscência dos antigos portais românicos.
Os azulejos, atribuídos por "JOSÉ MECO" ao monogramista "P.M.P.", são de boa qualidade, compondo um conjunto que se impõe pelo colorido forte e o excelente estado de  conservação. No coro baixo, os painéis de azulejos são de grande beleza, tendo sido atribuídos por "SANTOS SIMÕES" a "ANTÓNIO DE OLIVEIRA BERNARDES", o mais notável pintor de azulejos deste período.
A pintura é, talvez, neste conjunto tão harmónico, o detalhe mais importante. É da autoria de "BENTO COELHO DA SILVEIRA", um dos pintores mais interessantes dessa época pictoricamente tão fraca.
É composta, entre outros, por uma série sobre a vida de "SANTO AGOSTINHO".
Quanto à parte conventual, só o claustro mantém a sua forma primitiva. É simples e de boa dimensões, com arcaria sustentada em pilares sólidos, despidos de qualquer enfeite. Ao centro, um pequeno tanque com chafariz põe nota bucólica na agradável austeridade desta simples quadra.
O «MOSTEIRO DE MARVILA» foi suprimido por decreto de 11 de Abril de 1872. Depois da carta de lei de 10 de Abril de 1874, o Governo ofereceu as instalações para o "ASILO D. LUÍS I", fundado em 1861, com um legado testado pelo comendador "MANUEL PINTO DA FONSECA".
Depois da implantação da República, logo em 1911, o nome do ASILO, foi substituído por "ASILO MANUEL PINTO DA FONSECA". E, em 1928, vagando esta casa, por o ASILO se ter transferido para o "PORTO BRANDÃO", nela foi instalado o "ASILO DOS VELHOS DE CAMPOLIDE", com secção para cegos de ambos os sexos. O edifício tem capacidade para albergar cerca de 500 internos. Actualmente, no portão do corpo central do pátio de entrada, vê-se a legenda de «ASILO DE VELHOS DE MARVILA».

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ XXIV ]A QUINTA E PALÁCIO DO MARQUÊS DE ABRANTES ( 1 )»

sábado, 20 de julho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXII ]

 Rua do Açúcar - (2010) Foto de Barragon ("Igreja e Convento de Marvila", na "Rua Direita de Marvila" e antiga "Quinta de Marvila") in SKYSCRAPERCITY
 Rua do Açúcar - (1833) (Desenho de Gonzaga Pereira) (O "Convento de Marvila" desenho inserto in "Monumentos Sacros de Lisboa" em 1833. Podemos notar a arcada que inicialmente fechava o pátio de entrada, dando acesso directo ao claustro) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (1998) Foto de António Sacchetti (O Pórtico da Igreja do "Mosteiro de Marvila" datado de 1725 é atribuído a "João Vicente dos Santos", pai da Ordem religiosa) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (depois de 1666) Foto de Antº Sacchetti (A Pedra de Armas do arcebispo "Fernão Cabral", um dos patronos do "Mosteiro de Marvila", colocada no exterior da porta lateral do Mosteiro ) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (1998) Foto de Antº Sacchetti (Aspecto do claustro do Convento de Marvila, construção dos últimos anos do século XVII e início do seguinte) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (1998) Foto de Antº. Sacchetti (Coroamento com frontão de um dos corpos simétricos que fecham o pátio do "Mosteiro de Marvila", com decoração de azulejos) in CAMINHO DO ORIENTE
Rua do Açúcar - (1998) Foto de Antº Sacchetti (Um pormenor da decoração em talha e painel de azulejo, na "Igreja do Mosteiro de Marvila", salientando o púlpito no corpo do templo) in CAMINHO DO ORIENTE

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ XXII ]

«O CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE MARVILA ( 1 )»

Este Convento foi erguido numa parcela do terreno foreiro ao Morgado do "ESPORÃO", correspondendo à extremidade nascente da grande «QUINTA DE MARVILA», dos CONDES de "FIGUEIRÓ", assim era designada no século XVI, por a "CABEÇA". Vendida por "PAULO DE TOVAR" ao cónego "MANUEL PIMENTEL" em 1611 ( 1 ), foi herdada por a família "TINOCO" em (1623). Foi adquirida mais tarde por "SANCHO DE FARIA E SILVA" a que deram o nome de "QUINTA DO SANCHO DE FARIA AO POÇO DO BISPO" ( 2 ).
Em 1648 comprava em haste-pública esta QUINTA, o Arcediago "FERNÃO CABRAL" que, por sua vez, a doou para a construção do CONVENTO.
Existe na zona de LISBOA dois antigos CONVENTOS DE FREIRAS, um na zona OCIDENTAL e outro nesta zona ORIENTAL, dedicados ao mesmo orago «NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO». O primeiro é o "CONVENTO DE Nª. SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS CARDAIS" na "RUA DO SÉCULO" (ver mais aqui), o outro é este de MARVILA, das «FREIRAS DE SANTA BRÍGIDA" ou "BRÍGIDAS".
Esta Ordem tem história acidentada, que retrata as atribulações por que a EUROPA passou com os desentendimentos religiosos do século XVI.
"SANTA BRÍGIDA" era sueca e instituiu uma ordem nas friezas da sua pátria. 
"HENRIQUE V" de Inglaterra tomou de afecto as freiras escandinavas, fundando-lhes um Convento. Foi a "CASA DO MONTE SION".
Mais tarde, os distúrbios de "HENRIQUE VIII" levaram à expulsão das freiras, andando desde então as pobres em bolandas. Foram para a "FLANDRES", de onde fugiram à frente das tropas heréticas de "GUILHERME DE ORANGE". Seguiram para "ROUEN", onde as atingiram as fúrias dos huguenotes. Finalmente, em desespero de causa, meteram-se num barco com destino à Península Ibérica.
Reparem os termos como se descreve a viagem que as trouxe até LISBOA. Escreve o autor: "Como o seu desígnio se dirigia a ESPANHA, forcejou muito a sua embarcação por tomar nela algum porto: porém como DEUS NOSSO SENHOR as tinha destinado para PORTUGAL, a fúria dos temporais e o medo de outro qualquer encontro, as meteu como por força, na BARRA DE LISBOA"(...).
Estes acontecimentos passaram-se em 1594, sendo as errantes religiosas recebidas em LISBOA com júbilo de quem ganha uma batalha. Foi-lhes dada casa ao antigo MOCAMBO, onde fundaram o seu mosteiro em LISBOA conhecido por "CONVENTO DO QUELHAS", ou das "INGLESINHAS". Aí professou "D. LEONOR DE MENDANHA", rica herdeira, que se escondeu sob o nome de Madre BRÍGIDA DE SANTO ANTÓNIO. Em 1655, a reverenda MADRE conseguiu os seus intentos de fundar nova casa. Não o fez sem reticências de "D. JOÃO IV", que julgava que LISBOA já tinha CONVENTOS a mais. Mas a MADRE teimou na sua e, a meias com o arcediago "FERNÃO CABRAL", dono de uma Quinta em Marvila, que se prestou oferecer para os pios propósitos,  lá conseguiram arrancar ao rei a tão pretendida autorização, com o alto patrocínio da rainha "D. LUÍSA DE GUSMÃO".
Assim, nascia o «CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE MARVILA», dedicado, certamente para agradar ao rei indeciso, à recentemente declarada "PADROEIRA DO REINO".
Não foi fácil de início a vida do Convento. O dinheiro era pouco e as obras arrastavam-se... O arcediago "FERNÃO CABRAL" ainda viu erguida a nova Igreja, completada com a dádiva de "D. ISABEL HENRIQUES", ainda lembrada em lápide na parede lateral da capela-mor.
É no período entre 1660 e 1690, do chamado barroco de sensibilidade portuguesa, que se ergue e decora este Mosteiro. Alguns pormenores são posteriores, como os azulejos, mas o essencial desta casa religiosa estava então construída. Este facto concede a esta igreja a indispensável importância de ser um exemplar completo de um gosto específico, perfeito de harmonia dos diversos elementos, seja arquitectónicos, seja decorativos.

( 1 ) - DELGADO, RALPH - O Mosteiro de Marvila, in Olisipo - Nº110, p.113-1965-LISBOA

( 2 ) - Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo-Registos Paroquiais, Nª Srª. dos Olivais, Baptismos, Cx. I, Lº. 4, fl. 6.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ XXIII ] O CONVENTO DE Nª. Srª. DA CONCEIÇÃO DE MARVILA ( 2 )»

quarta-feira, 17 de julho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXI ]

 Rua do Açúcar - (2013) (Foto gentilmente cedida por Ricardo Moreira) (A "VILA PEREIRA" na "Rua do Açúcar" conhecida noutros tempos como: "Vila directamente ligada à produção", é constituída por 42 fogos) in ARQUIVO/APS
 Rua do Açúcar - (2013) (Foto gentilmente cedida por Ricardo Moreira) (A parte final da "Vila Pereira" na "Rua do Açúcar") in ARQUIVO/APS
 Rua do Açúcar - (2010) Foto de Barragon (A "Vila Pereira" na "Rua do Açúcar) in PANORAMIO
 Rua do Açúcar - (1887) (Planta do primeiro andar da "Vila Pereira" na "Rua do Açúcar", no Arquivo de Obras da C.M.L. - Processo de Obras nº 3339-Vila Pereira) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar (2012) - (A "Vila Pereira" localizada na "Rua do Açúcar", o seu piso térreo era ocupado por oficinas de Tanoaria e armazéns de vinhos. As habitações ficavam no primeiro andar e águas-furtadas) in GOOGLE EARTH
 Rua do Açúcar - (ant. 1998) Foto de António Sacchetti (Com uma ostentação arquitectónica a "Vila Pereira" na "Rua do Açúcar", destaca-se pelas suas enormes e inúmeras chaminés) in CAMINHO DO ORIENTE
Rua do Açúcar - (ant. 1998) (Foto de António Sacchetti) (Pormenor das chaminés da "Vila Pereira" na "Rua do Açúcar", números 24 a 50) in CAMINHO DO ORIENTE

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ XXI ]

«A VILA PEREIRA»

A «VILA PEREIRA» fica na «RUA DO AÇÚCAR» dos números 24 a 50, com esquina para a «RUA PEREIRA HENRIQUES».
Esta vila apresenta uma tipologia muito especial no género das habitações lisboetas que, numa determinada época, eram classificadas por "Vila directamente ligada à produção".
Destaca-se por ser um edifício implantado ao longo da "RUA DO AÇÚCAR" e pelo facto das habitações se localizarem sobre os próprios armazéns de actividade. Neste caso concreto, o próprio local de trabalho agrega as habitações dos seus operários.
A par destas características, a «VILA PEREIRA» faz parte integrante da fisionomia da zona do "POÇO DO BISPO", sendo um edifício que se distingue pela distribuição ritmada das grandes portas no rés-do-chão, das janelas do primeiro andar e pelas suas imponentes chaminés, que marcam todo o comprimento habitacional, conferindo-lhe uma leitura cadenciada.
Foi mandado construir no ano de 1887 pela "SOCIEDADE SANTOS LIMA & Cª.", este edifício que reúne duas funções ( o trabalho e a habitação).
Num estudo que o arquitecto "TEOTÓNIO PEREIRA" em "PRÉDIOS E VILAS DE LISBOA" definiu este grupo  específico de "VILAS", no qual se insere a "VILA PEREIRA". Trata-se de uma modalidade associada a empresas de menor dimensão, em sectores específicos da actividade industrial, sendo as habitações integradas no próprio edifício das instalações fabris.
Aliás toda esta zona do "POÇO DO BISPO" era marcada pela abundância deste tipo de construção, como por exemplo o complexo armazém, escritórios e habitação para os empregados administrativos, mandado construir pela empresa de "JOSÉ DOMINGOS BARREIROS"
No que diz respeito à "VILA PEREIRA", a sua ostentação arquitectónica não é tão sumptuosa como no exemplo anterior, destacando-se antes pela conjugação de alguns dos seus elementos funcionais. Assim, a fachada principal deste prédio de dois pisos, organiza-se por módulos compostos: 1º.) no piso térreo, por três vãos com uma porta e duas janelas de arco de volta inteira, com bandeira preenchida por gradeamento de ferro fundido, onde se inseriram as siglas do proprietário (FSL) e datação do imóvel (conforme a época); 2º.) no primeiro andar, por quatro janelas, dispostas simetricamente.
O prédio compõe-se ainda por mansardas discretamente implantadas e disfarçadas pelas chaminés, distribuindo-se duas por cada modulo.
Este efeito repete-se integralmente cinco vezes e podia ser acrescentado até ao infinito, mantendo a mesma harmonia e equilibro.
No piso térreo necessitava de áreas muito amplas para o desenrolar das actividades da firma. Ali se instalaram oficinas de tanoaria ou espaços de armazenagem.
Entre o primeiro andar e o sótão desenvolviam-se as habitações, comportando um elevado índice populacional, para um espaço tão pequeno. As habitações distribuem-se ao longo de um corredor, para ambos os lados, (conforme figura quatro), criando um curioso sistema de relações de vizinhança, no seu próprio âmago. As dimensões e área de cada divisão são exíguas.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ XXII ]-CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE MARVILA ( 1 )»

sábado, 13 de julho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XX ]

Rua do Açúcar - (2013) (Fachada da propriedade na "Rua do Açúcar" da antiga "Quinta do Betencourt") in GOOGLE EARTH 
 Rua do Açúcar - (2013) (Fachada da Casa Nobre de Betencourt na "Rua do Açúcar" obtida do lado nascente (Poço do Bispo) in GOOGLE EARTH
 Rua do Açúcar - (2007) - Panorâmica da "Quinta do Brtencourt", representa a primeira faixa de terreno entre a "Rua do Açúcar" e a "Rua Direita de Marvila" junto da passagem de nível. Segue para norte a "Quinta do Convento", fazendo parte as duas propriedades da antiga "Quinta de Marvila") in GOOGLE EARTH
 Rua do Açúcar - (2013) (Foto gentilmente cedida por Ricardo Moreira) (Uma parcela do edifício nobre da velha "Quinta do Betencourt") in ARQUIVO/APS
Rua do Açúcar - (2010) (Foto de Barragon) (Início da "Rua do Açúcar" vendo-se depois do edifício de cor azul, a fachada da casa Nobre da "Quinta do Betencourt") in SKYSCRAPERCITY

(CONTINUAÇÃO) - «RUA DO AÇÚCAR [ XX ]

«A QUINTA DO BETENCOURT ( 2 )»

O foreiro mais antigo de que há informação é «LÁZARO LOPES DE ALMEIDA», que vinculou a propriedade a favor da família «ALMEIDA BETENCOURT», por certo seus familiares. É natural que inicialmente as casas se dispusessem no cimo da Quinta, sobre a "RUA DE MARVILA" então o eixo principal, levando a alteração da importância das vias públicas à escolha mais tardia da implantação da nova residência sobre a «ESTRADA DO POÇO DO BISPO». Não existe informação sobre a data exacta da construção desta interessante fachada, bom exemplar da casa nobre urbana lisboeta do século XVIII, virada para a actual "RUA DO AÇÚCAR".
É certamente, tendo em vista alguns elementos decorativos, desenho  do portal de acesso, com frontão triangular, vergas curvas nas aberturas e grades das sacadas, datadas do segundo quartel do século XVIII em diante, quando estes elementos arquitectónicos se vulgarizam entre nós.
Podemos assim pensar tratar-se de uma campanha de obra da iniciativa do último membro da família "BETENCOURT", «PEDRO DE ALMEIDA BETENCOURT», aqui residente nesse período pelo menos até 1763, data em que na casa residia já «CHRISTAN SMITH».
O facto de sobre o portal se encontrar ainda o suporte para a pedra de armas, entretanto desaparecida, parece confirmar a hipótese de o construtor ser o referido senhor, dado que nenhum dos posteriores locatários teriam direito a uso de brasão. O citado cidadão inglês instalou nesta propriedade uma «FÁBRICA DE AÇÚCAR», eventualmente a origem que veio a dar o nome à actual "RUA DO AÇÚCAR". 
Sabendo que dela faziam parte algumas outras casas anexas, é possível que a referida fábrica - por certo de pequenas dimensões - se localizasse nessa dependência e não na Casa Nobre, a qual sabemos, pelos LIVROS DA DÉCIMA, habitada por "CHRISTIAN SMITH" até 1782.

A estrutura de construção é muito simples, embora denote algum cuidado, quer nos pormenores decorativos, quer na rigorosa obediência às regras da simetria. Sobre o piso térreo - inicialmente destinado a cavalariças e armazéns - corre o andar nobre de sacada que, para trás, é rés-do-chão, abrindo sobre um terraço lajeado.
A este andar se sobrepõe um mezanino ( 1 ), de  vão e abertura muito pequenas. Ao centro do piso térreo abre-se o portal - muito prejudicado nas suas proporções pela subida do nível da rua - que dá entrada para um vestíbulo agora compartimento, de onde nascia lateralmente a escada muito simples para o andar nobre.
Ao fundo desse vestíbulo abre-se um arco de acesso a um corredor largo que vencia em rampa o desnível da encosta, conduzindo ao referido terraço e deste por escada ao jardim e quinta (onde hoje funcionam os viveiros camarários) e na qual ainda se destaca o antigo poço com a sua nora.

( 1 ) - MEZANINO - Sobreloja; piso baixo entre dois mais altos, geralmente entre o rés-do-chão e o 1º andar.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DO AÇÚCAR [ XXI ] A VILA PEREIRA»