quarta-feira, 11 de novembro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XV ]

«O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 3 )»
 Rua da Escola Politécnica - (2002) Foto de Teresa Vale - (Fachada principal do "PALÁCIO CRUZ ALAGOA", vista geral de Sueste, na "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" in  MONUMENTOS - SIPA
 Rua da Escola Politécnica - ( 1993 Foto de Henrique Ruas - (No "PALÁCIO CRUZ ALAGOA" existe uma porta no piso térreo da rua, realçada por um desenho de arco tipo rebaixado) in  SÉTIMA COLINA
Rua da Escola Politécnica - (1927) Foto de autor não identificado (Barricada na frente do "PALÁCIO CRUZ ALAGOA", uma revolução Militar em Fevereiro de 1927, que ficou conhecida pelo "REVIRALHISMO")  (Abre em tamanho grande)  in  AML 


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XV ]

«O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 3 )»

Nessa parte viveu o actor "FERREIRA DA SILVA" que fez (ou encontrou feito) um salão oitocentista de alto pé direito, entrando pelo espaço do telhado, em nobilitação presunçosa.
Mais inquilinos usaram este PALÁCIO no século XX. O poeta e Diplomata "ALBERTO DE OLIVEIRA, o Engenheiro "GABRIEL RAMIRES DOS REIS, chefe dos serviços técnicos do "DIÁRIO DE NOTÍCIAS" e Administrador do "JORNAL DO COMÉRCIO", o historiador nacionalista oficioso "JOÃO AMEAL".
Nesta PALÁCIO existe também, desde os anos sessenta do século passado, a galeria "DINASTIA" que promove leilões de obras de arte e antiguidades.
Relativamente ao outro espaço foi sede da "ACADEMIA PORTUGUESA DE HISTÓRIA", até ser transferida para o "PALÁCIO ROSA", e do "PARTIDO POPULAR MONÁRQUICO (PPM)", no rés-do chão está instalada a "GALERIA S. MAMEDE", que se evidenciou na exposição e venda da arte contemporânea.

Um dos pátios na confusa definição da planta, em quintais que o tempo tem encurtado, dos primitivos "CRUZES", abrindo pelos portões da rua, não estão aproveitados como se desejaria, em lojas ou artesanato, para o que há projecto também, podendo vir a proporcionar ali um tranquilo espaço interior de lazer.

Pegam com este casarão, dois prédios que foram propriedade do "PALÁCIO PALMELA", servindo este palácio fronteiro, habitação de pessoal ou cocheiras que, alienados há anos, e propositadamente degradados, aguardam restauro necessário à imagem da rua; ou demolição que o INSTITUTO DO PATRIMÓNIO, contra a própria área de protecção da zona que estabeleceu, parece autorizar, a favor, não se entende de que interesses particulares.

Numa foto que hoje publicamos, podemos observar uma barricada junto ao lado poente do antigo "PALÁCIO CRUZ ALAGOA", até com algumas danificações no próprio edifício, resultado do conflito. Quisemos saber de que se tratava esta revolução de 1927 e chegámos a esta conclusão: Tem relação com a "REVOLTA DE FEVEREIRO DE 1927" por vezes também referida como a "REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO DE 1927", foi uma rebelião militar que ocorreu entre 3 e 9 de Fevereiro de 1927, centrada no PORTO, cidade onde estava instalada o "CENTRO DE COMANDO" dos insurrectos e se travaram as primeiras manifestações. A "REVOLTA" liderada pelo General "ADALBERTO GASTÃO DE SOUSA DIAS", terminou com a rendição e prisão dos revoltosos, saldou-se em cerca de 80 mortos e 360 feridos no PORTO, e mais de 70 mortos e 400 feridos em LISBOA. Foi a primeira tentativa consequente de derrube da "DITADURA MILITAR" (que durou aproximadamente 48 anos) que então se consolidava em PORTUGAL na regência do golpe de 28 de Maio de 1926, ocorrido nove meses antes, iniciando um conjunto de movimentos, insurreições que ficaram conhecidos para a história como "REVIRALHISMO".


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA[ XVI ]-O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 4 )».  

sábado, 7 de novembro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XIV ]

«O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 2 )»
 Rua da Escola Politécnica - (2002 ) - Foto de Teresa Vale - (Fachada principal do "PALÁCIO CRUZ ALAGOA" vista geral de Norte, na Rua da Escola Politécnica)  in  MONUMENTOS - SIPA
 Rua da Escola Politécnica - (2001) - Foto de Pedro Soares - ( A antiga Capela do "PALÁCIO CRUZ ALAGOA" virado para a "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA"- Diz-nos Matos Sequeira; que ainda pôde apreciar em 1918, a CAPELA de NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO com seus elementos decorativos, e com missa aos Sábados.  Está desafectada e degradada, tendo recebido, como propositada crítica ao conjunto, no programa "7.ª COLINA" em 1994. Na fachada foi colocado um reboco, no entanto revela abandono)  in   MONTE OLIVETE
Rua da Escola Politécnica - (2009) - (O "PALÁCIO CRUZ ALAGOA" na Rua da Escola Politécnica esquina para a antiga "RUA DA PENHA DE FRANÇA", no início do século XX, hoje consagrada ao "MAESTRO PEDRO DE FREITAS BRANCO" 1896-1963) in GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XIV ]

«O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 2 )»

Todos os irmãos viveram ao mesmo tempo no casarão e só em 1788 o «SOBRAL» construiu casa nova, ao "COMBRO" "PALÁCIO SOBRAL" que, dois anos depois passaria ao "CRUZ III".
Na "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" (que nesta época tinha outro nome), em 1773 reunia 35 criados ao serviço, juntamente com familiares e empregados de contabilidade e balcão, de todos os seus negócios; existiam ainda oficinas, lojas e comércio, por alugueres vários, para além dos investimentos próprios.
A viúva do "CRUZ I" ( ALAGOA) teve dissabores de herança e veio a casar com um negociante "STREET", raiz dos "CONDES DE CARNIDE" de 1890, já Viscondes em 1871.
Após 1778, a "CASA ALAGOA" andou de aluguer e, de 1781 a 1788, habitaram-na os 6.ºs "CONDES DE VALE DOS REIS" ( e também os de "AZAMBUJA" por ramo familiar) que em breve seriam acrescentados de marqueses de " LOULÉ", e que, com o terramoto, tinham perdido o seu Palácio da "GRAÇA" e para ali transportaram uma larga vida "familiar" de consideráveis bens, chegando a ter, na altura nobreza. 
Conta-nos "MATOS SEQUEIRA" na sua consulta do  "ROL DOS CONFESSADOS"; 92 pessoas habitaram "portas a dentro".  Depois foram inquilinos, de 1788 a 1804, os "ENGEITADOS E AS AMAS DA REAL CASA DOS EXPOSTOS", e os 2.ºs e 3.ºs CONDES DA LOUSÃ, durante dez anos, de 1824 a 1834, no ano seguinte veio a MARQUESA DO LOURIÇAL, os CONDES DE RESENDE, possivelmente até 1853, ainda, depois de 1843, viveu neste Palácio o VISCONDE DE TELHEIRAS, alto funcionário, a célebre MARQUESA DE ALORNA com suas filhas, tudo inquilinos que notabilizaram este casarão, que foi à praça em 1853, para partilhas complicadas. 

Foi adquirido pelo "DR. JOSÉ VAZ MONTEIRO" que depois subdividido em duas partes: dos números 177 a 197, comprou-o o "DR. MAGALHÃES DE BARROS" e, a partir de 1918, o VISCONDE DE SACAVÉM; e dos números 167 a 175 o "DR. CARLOS CHAMPALIMAUD.
Muito dificilmente este edifício se chamaria PALÁCIO, com características habitacionais e comerciais, e um ar meio rústico nesta "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" que começava a definir-se entre "SOARES" e os "SEIAS", já os PALMELAS defronte, e a FÁBRICA DAS SEDAS, no seguimento para o LARGO DO RATO
A sua descrição arquitectónica é ao mesmo tempo simples em categoria e complexa pela multiplicação de aposentos e lojas, cocheiras e pátios; e só uma capela, na extremidade, impunha desejada solenidade.
Ao longo do primeiro andar de janelas de sacadas com grades de barrinha forjada, como nos correntes imóveis da BAIXA POMBALINA, encimado por um segundo piso de simples janelas de peito, uma cornija pouco moldurada e pilastras só às extremidades, dois portões abrindo um para um átrio em túnel ( e daí para um pátio que foi conhecido pelo "PÁTIO DO CONDE DA LOUSÃ") e outro para a entrada da casa, não são, elementos de molde a categoria do imóvel que meia dúzia de janelas de águas furtadas dispostas ao acaso e em situações várias. Na parte de cima, com um projecto há muito discutido ( e duvidosamente informado pela Câmara), de um andar de mansarda corrida, sobre a metade poente do edifício, por iniciativa suspensa do seu parcelar proprietário.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XV ]O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 3 )».

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XIII ]

«O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 1 )»
 Rua da Escola Politécnica - (1993) Foto de FOTOVOO - (O "PALÁCIO CRUZ ALAGOA" é um dos mais característicos edifícios da COTOVIA, na RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA) in SÉTIMA COLINA
 Rua da Escola Politécnica - (191_) foto de Joshua Benoliel - ("RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" no edifício do PALÁCIO CRUZ ALAGOA, a "DROGARIA PROGRESSO" no início do século, esquina para a antiga "RUA DA PENHA DE FRANÇA", (hoje Rua Maestro Pedro de Freitas Branco)  (Abre em tamanho grande) in  AML 
 Rua da Escola Politécnica - (1983) - Foto de autor não identificado (O "PALÁCIO CRUZ ALAGOA" na Rua da Escola Politécnica, 161 a 195. Arquitecto desconhecido, entre 1757 e 1762. À direita a CAPELA) in  LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO
Rua da Escola Politécnica - (Século XVIII) Foto de Pedro Soares - (O "BRASÃO DOS CRUZ-ALAGOA" idêntico ao de "SOBRAL" (altera a posição do galgo). Família que se enobreceu no séc. XVIII. Por alvará de 17.01.1763 foi dada a casa e quinta de ALAGOA  a JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ ALAGOA, riquíssimo comerciante que dela tomou o apelido) in  MONTE OLIVETE

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XIII ] 

«O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 1 )»

Com uma longa fachada de 1.º andar de dezoito janelas e dois portões acompanhando a inflexão da RUA, a CAPELA ao topo como se fizesse parte de uma Quinta, parte-se  mais ou menos ao meio, por efeito da curva da rua, o que passou a justificar-lhe dois proprietários entre os números 161 a 195 da "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" (antiga Rua da Fábrica das Sedas).
O chamado "PALÁCIO ALAGOA" ou "PALÁCIO CRUZ ALAGOA", é um dos mais característicos edifícios da "velha" «COTOVIA», hoje "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA".
A Caracterização deste edifício, ou melhor, dos edifícios, anda um pouco confundida. Vulgarmente chamado de Palácio, no entanto apresenta-se como se fosse uma unidade habitacional, definida por uma evidente lógica arquitectónica. Ora tal não se passa: realmente são edifícios justapostos, cobertos por uma mesma gramática decorativa, que transmite essa noção unitária que de facto não existe. Aliás, o conjunto primitivo era ainda maior, pois o prédio contíguo na "RUA PEDRO DE FREITAS BRANCO" (antiga "RUA DA PENHA DE FRANÇA), hoje revestido de azulejos, pertencia-lhe também, como se percebe lendo-lhe as coordenadas decorativas das cantarias.
Construído logo a seguir ao Terramoto desde 1757, e já terminado, ou quase em 1762 (em terrenos da antiga Quinta do Morgado dos SOARES da COTOVIA), paralelamente, portanto, ao "PALÁCIO SEIA", este "PALÁCIO ALAGOA" compôs a franja poente da "RUA DIREITA DA FÁBRICA DA SEDA", construção Joanina preexistente, até ao RATO.
Foi mandado edificar por "JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ", mas logo deu habitação familiar a dois irmãos que seriam herdeiros sucessivos dos grandes negócios em que a família, dita das «CRUZES DOS TABACOS», em cujo monopólio arredondavam enorme fortuna, metidos em negócios difíceis, os quais POMBAL havia de proteger.
A posição proeminente dos CRUZES, até ao terceiro, já falecido em 1802, no consulado pombalino e, logo depois, na política a que se adaptaram com idênticos ou acrescidos privilégios, é o caso mais fascinante da sociedade portuguesa da segunda metade de Setecentos, caso exemplar, caso da escola, como se diz, referencia da história que prosseguiria liberalmente pelo século XIX dentro, como tem sido estudado.
"JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ" era o mais velho dos três negociantes, mas já um irmão, padre de Oratório, lhe abrira caminho  junto de "SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO", e acreditando nas preciosas «MEMÓRIAS DE RATTON» que muito viveu e muito observou e muito lucrou também na sua comum e concorrencial situação. 

"JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ" de grandes capitais envolvidos no Comércio do BRASIL, na sua "COMPANHIA DO GRÃO PARÁ E MARANHÃO", foi Presidente da JUNTA DO COMÉRCIO e tesoureiro-mor da "FAZENDA REAL", cargo de maior confiança política e de proveito certo. Quando faleceu em 1769, tinha instituído um MORGADO em 10.09.1763, das suas propriedades da «ALAGOA», isso lhe dera em 25.03.1765 o brasão de armas de mercê novas ( e que são efectivamente inspiradas nas, seculares dos TÁVORAS), de nome abolido, assaz característica... Coincidência não pode pensar-se, antes propósito ou vingança de humor negro nas trágicas circunstâncias! Eles passaram aos irmãos mais novos, "JOAQUIM INÁCIO" que, à sua vez, instituiu Morgado em "SOBRAL DE MONTE AGRAÇO", em 1771 e "ANSELMO", CRUZ I, CRUZ II, e CRUZ III o primeiro dito CRUZ ALAGOA, os outros dois "CRUZ SOBRAL", dando o terceiro, origem por casamento BRAANCAMP da filha herdeira ( que finalmente surgia na família), a sua baronia de "SOBRAL", criada em 1813, que subiria a viscondado e condado, já em 1844, grandeza obtida na sucessiva situação constitucional de D. MARIA II.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA[ XIV ]-O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 2 )».

sábado, 31 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XII ]

«O PALÁCIO PALMELA ( 3 )»
 Rua da Escola Politécnica - (1993) Foto de Henrique Ruas - (O PALÁCIO PALMELA já no século XX, em 1902 teve lugar uma intervenção e dela resultou o aspecto actual do edifício.  Foi refeita a porta principal, que está ladeada por uma cariátide representando a "FORÇA MORAL" e um ATLANTE simbolizando " O TRABALHO", obra da autoria de "CALMELS") in SÉTIMA COLINA
 Rua da Escola Politécnica - (1993) Foto de FOTOVOO - ("CHAFARIZ DO RATO" ligado ao PALÁCIO PALMELA, ficando no "LARGO DO RATO" esquina com a "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA". Fazendo parte da rede de fontanários do século XVIII, inaugurado em 1744) in SÉTIMA COLINA
Rua da Escola Politécnica - ( 2007 ) - (Panorâmica da "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA"  o "PALÁCIO PALMELA" e o "CHAFARIZ DO RATO")  in  GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XII ]

«O PALÁCIO PALMELA ( 3 )»

O papel determinante do CONDE MARQUES DE PALMELA na guerra que opôs D. PEDRO IV a D. MIGUEL, trouxe-lhe largas recompensas em terras, da casa do INFANTADO e em importantes indemnizações de dinheiro, a que se juntou, então, a fabulosa herança PÓVOA.

Falando ainda de "D. MARIA LUÍSA DE SOUSA HOLSTEIN" que foi uma escultora de merecimento, discípula de "CÉLESTIN ANATOLE CALMELS" (1822-1906), artista francês que se instalara em LISBOA, a DUQUESA foi figura de grande destaque na vida cultural e social de LISBOA do seu tempo, pelo relevo da sua fortuna, considerada a maior de então, a que juntava os seus próprios dotes de mulher inteligente e sensível às artes. A sua casa tornou-se, pois, um fulcro de intensa vida social, sucedendo-se as festas de grande repercussão com convivas de lustro internacional.
A DUQUESA fez construir nos jardins um atelier de escultura, de onde saíram muitas peças de qualidade, da sua autoria. Junto dele, ergueu um forno de cerâmica, onde iniciou a fabricação de louça artística, marcado com um pequeno "RATO", certamente em lembrança da proximidade do LARGO com este nome. Esta produção muito restrita ficou conhecida por louça do «RATINHO».
Acompanhando este movimento sempre intenso de gente e de modas, a DUQUESA não se poupou a esforços para tornar mais digna de uma casa DUCAL a residência que "MANUEL CAETANO DE SOUSA" tinha construído com  propósito  mais prosaico. Por um lado, encheu-a com a espectacular colecção de objectos de arte reunida por seu avô, o 1.º DUQUE DE PALMELA, com forte incidência de pintura, onde se distinguiam, entre muito boas obras estrangeiras, algumas telas de SEQUEIRA. Por outro lado, em sucessivas campanhas, fez e refez decorações, alargou salas, como a grande casa de jantar, tomada então apropriada para banquetes.
São resultado dessas variadas intervenções alguns tectos de estuque trabalhado, os arranjos na escadaria, que incluíram os estuques de tecto e paredes, bem como o magnifico gradeamento, obra encomendada directamente de PARIS, que enriqueceu esse espaço que é sem dúvida, o melhor apontamento arquitectónico deste conjunto algo irregular.
No exterior do PALÁCIO foram mais intensos os esforços desenvolvidos para enobrecer o edifício. Em  obras quase ininterruptas, foram sendo introduzidas modificações que alteraram o projecto da construção. Fecharam-se os portões laterais do piso inferior e revestiu-se a pedra rosada todo o antigo reboco das quatro fachadas do PALÁCIO, bem como os muros de suporte do jardim que deitam sobre a RUA, agora alinhada com balaustradas e vasos de pedra.
A intervenção mais significativa teve lugar já em 1902, e dela resultou o aspecto mais actual do edifício. Com os seus nove vãos de fachada de três andares é uma grande unidade nesta parte da "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA".
Foi refeita a porta principal, duas esculturas ladeiam a porta principal, da autoria de "CALMELS",  observa-se à esquerda, uma CARIÁTIDE representando a "FORÇA MORAL" e, à direita um "ATLANTE" simbolizando o "TRABALHO" e encimado pelo brasão dos "SOUSA-ARRONCHES" da família DUCAL, com coroa do titulo e manto de arminho do seu "pariato" ( 1 ). Todas as campanhas de obras foram orientadas pelo arquitecto JOSÉ ANTÓNIO GASPAR, embora algo contestado por diversos críticos, dada a discrepância entre a opulência da estatuária e a vulgaridade da arquitectura que não as podia integrar adequadamente, estas obras obedeceram ao simples propósito de exteriores a qualidade dos moradores, figuras cimeiras, pelo título e o dinheiro, da sociedade lisboeta.
Situada a casa entre dois muros do jardim suspenso, com acesso por rampa o da direita, indo de um portão armorejado, um largo muro leva a propriedade até ao RATO, nele rematando com um Chafariz do sistema ÁGUAS LIVRES, e sua arca de água junta; sobre ele se ergue um pequeno pavilhão elegante "CASA DE FRESCO", à moda ainda romântica. Corre esse muro de cantaria, encimado por balaustrada, paralela à última grande construção da "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA", torneando para o RATO.
É precisamente pelo facto do desajustamento entre os propósitos e o resultado final, que torna a imagem de marca desta fachada, que não consegue disfarçar inteiramente a modéstia do seu núcleo inicial, por baixo de tanta pedra e de tanto decorativismo enobrecedor.
O 5.º DUQUE DE PALMELA, DOM DOMINGOS DE SOUSA HOLSTEIN, embaixador de PORTUGAL em LONDRES, tendo falecido em 1968, sendo o edifício vendido ao ESTADO pelos herdeiros, para partilha em 1977, já na 2.ª República, pela quantia certamente merecida de Oitenta e Dois Mil Contos.

Nela se instalou com o devido decoro, a PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA, com obras de adaptação que provocaram um incêndio na antiga CAPELA, em Abril de 1981, prontamente reparado sob a orientação do ARQUITECTO FREDERICO GEORGE (1915-1994).

( 1 ) - PARIATO - Título de par do reino.

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XII ]-O PALÁCIO CRUZ ALAGOA ( 1 )»

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XI ]

«O PALÁCIO PALMELA ( 2 )»
 Rua da Escola Politécnica - (1993) Foto de FOTOVOO - (Fachada do "PALÁCIO PALMELA", ladeando a "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA", em 1822 foi à praça, sendo arrematado por HENRIQUE TEIXEIRA DE SAMPAIO, 1.º Barão da Terceira e 1.º Conde da Póvoa, um dos homens mais rico do seu tempo.  in  SÉTIMA COLINA 
 Rua da Escola Politécnica - (Começo de 1952) Foto de Salvador de Almeida Fernandes - (PALÁCIO DOS DUQUES DE PALMELA, em primeiro plano  o Policia sinaleiro e o CHAFARIZ DO RATO, encostado a propriedade do PALÁCIO) ( Abre em tamanho grande) in  AML 
Rua da Escola Politécnico - (1944) Foto de Eduardo Portugal ( O PALÁCIO DOS DUQUES DE PALMELA, nesta altura ainda o Duque de Palmela habitava o Palácio) (Abre em tamanho grande) in  AML


(CONTINUAÇÃO)- RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XI ]

«O PALÁCIO PALMELA ( 2 )»

Foi então mandado fechar o saguão para nele ser criada uma importante escadaria que serve não só o primeiro andar, como a sobreloja, e o andar nobre, agora condignamente realçado no conjunto. A escadaria adornada com decorativas "COLUNAS TORSAS" ( 1 ) de mármore rosa, visivelmente adaptadas, que realçam a cenografia, de gosto já neoclássico, que atinge esta campanha de obras. Foi também alterada a divisão interna, desenhando-se os imprescindíveis salões palacianos, agora decorados a preceito com pinturas murais, onde é manifesta a influencia de gosto de "JEAN-BAPTISTE PILLEMENT"(1728-1808), executadas por um artista não identificado, um dos múltiplos seguidores do pintor francês que, por ocasião, proliferavam em LISBOA.
A tradição segundo a qual alguma dessas pinturas seriam do próprio "PILLEMENT" é manifestamente errónea, quer por razões cronológicas, quer ainda, por não evidenciarem a qualidade que caracterizou a obra do mestre Gualês.
Estas obras, já estavam concluídas em 1833, quando morreu o CONDE DA PÓVOA. Falecido pouco depois seu filho único varão, o ainda menor 2.º CONDE DA PÓVOA, a herança caiu na filha "D. MARIA LUÍSA".
A mão desta senhora foi muito disputada, enchendo-se então os mexericos lisboetas com as peripécias recambolescas deste episódio, que meteu sequestros, acções e um estendal de lavagem de roupa suja, agigantado pela grandeza da fortuna e o relevo político das figuras envolvidas, que incluíam "MOUZINHO DA SILVEIRA" e o "DUQUE DE PALMELA, tutor da menina.  
Tudo acabou com o casamento de "D. MARIA LUÍSA" com o filho de PALMELA, futuro 2.º DUQUE deste titulo. Deste enlace nasceu em 1841, "D. MARIA LUÍSA DE SOUSA HOLSTEIN", depois 3.ª DUQUESA DE PALMELA, que viria a escolher esta casa materna para sua residência, transformando-a num dos centros mais activos da vida social e cultural lisboeta da segunda metade do século XIX.

Em 1833, o filho do Arquitecto fundador; "FRANCISCO ANTÓNIO DE SOUSA" tinha regressado do degredo a que tinha sido condenado, tentou impugnar o PALÁCIO, mas na nova situação liberal, maior era o poder do DUQUE DE PALMELA, protector do PÓVOA, então falecido, e nenhum êxito teve a reclamação que, porém assentava numa razão moral inegável. Logo no ano seguinte, PALMELA tutor dos filhos do colaborador e amigo, estabeleceu promessa de casamento do seu herdeiro com a filha do PÓVOA, que na época tinha sete anos de idade, casando-a mesmo daí a mais cinco, já ela era então herdeira, por morte de seu irmão, em 1837, e a mais rica herdeira do reino de D. MARIA II.
Deu escândalo público o feito, com reclamação e processo da condessa viúva e da família do conde; e só uma intervenção particular do MARQUÊS DE FRONTEIRA (que conta nas suas famosas MEMÓRIAS) junto de COSTA CABRAL, MINISTRO DA JUSTIÇA, abonou as coisas a favor da família PALMELA, onde a grande herança acabou por entrar, com a própria casa nobre, de onde a condessa viúva se via expulsa.
O pai manteve-se no palácio da família, no CALHARIZ, (PALÁCIO DO CALHARIZ-PALMELA), então também melhorado, o 2.º DUQUE viveu no palácio que o sogro desenvolveu em grandes obras e a casa tomou o nome dos PALMELAS. Estes eram de fidalguia antiga, de princípios Quinhentistas, com o "MORGADO DO CALHARIZ" entrado por casamento no filho segundo do 1.ºBARÃO DO ALVITO, SILVEIRA, que adoptou o nome de uma avó materna este SOUSA , do ramo dito de "ARRONCHES", que tinham enumeras gerações ilustres por detrás, desde o século XI. O BRASÃO adoptado e fixado foi o deles, em pleno, assumido a linhagem e sem diferença heráldica.

( 1 ) - COLUNA TORSA ou COLUNA SALOMÓNICA- Coluna cujo fuste apresenta saliências helicoidais (ou retorcidas) de secção semicircular.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XII ] O PALÁCIO PALMELA ( 3 )» 

sábado, 24 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ X ]

«O PALÁCIO PALMELA ( 1 )»
 Rua da Escola Politécnica - ( 1993 ) Foto de FOTOVOO - (Panorama do "PALÁCIO PALMELA" na Rua da Escola Politécnica, hoje "PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA) in SÉTIMA COLINA
 Rua da Escola Politécnica - (1945) Foto de Eduardo Portugal - ( O "PALÁCIO PALMELA" foi vendido em 1822 ao Barão TEIXEIRA, que casou com uma filha dos DUQUES DE PALMELA) in AML
Rua da Escola Politécnica - (19--) Foto de Paulo Guedes - ( "PALÁCIO DOS DUQUES DE PALMELA", porta principal onde se encontra a estatuária de "A FORÇA" e "O TRABALHO") (Abre em tamanho grande) in  AML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ X ]

«O PALÁCIO PALMELA ( 1 )»

O primeiro edifício levantado neste lugar data da última década do século XVIII. O famoso arquitecto das "OBRAS PÚBLICAS" da "CASA DO INFANTADO", MANUEL CAETANO DE SOUSA, aqui fez erguer a sua casa, em terrenos que lhe foram cedido pela "RAINHA D. MARIA I". Instalado entre "S. MAMEDE" e o "RATO", em terrenos que tinham sido do "NOVICIADO DOS JESUÍTAS" e as traseiras  viradas para a "RUA DO SALITRE". Terá eventualmente edificado uma casa bastante modesta, que no dizer de "RATON" em sua "MEMÓRIAS"; "ser tão destituída de ordem e de gosto". 
"CAETANO DE SOUSA" beneficiou ainda, dado a boa vontade da rainha, da doação das sobras de água do «CHAFARIZ DO RATO» que ficava encostado ao muro da propriedade, bem como a pedra  não utilizada nas obras da "BASÍLICA DA ESTRELA".
Com estes apoios, o arquitecto MANUEL CAETANO DE SOUSA iniciou a construção da sua casa a partir do ano de 1792.
A casa tinha menos um andar, além de não ostentar nem revestimento em pedra, que hoje cobre grande parte da fachada, nem os elementos decorativos que agora rodeiam a porta principal.
Como um prédio vulgar, abria no rés-do-chão mais quatro portões, dois de cada lado, dando serventia às cavalariças e outras dependências, podendo até ser autonomizada para aluguer.
É no interior, no entanto, que as mudanças viriam a ser mais radicais.
O edifício primitivo organizava-se em torno de um pátio, ou saguão, com acesso a partir do átrio, sendo os andares superiores servidos por escadas vulgares, próprias de um prédio de rendimento. Este edifício não terá sido pensado como uma estrutura palaciana. Facto decisivo para se perceber o carácter das transformações posteriores, destinadas a fazer dele um palácio.
Depois da morte de MANUEL CAETANO DE SOUSA, herdou a casa seu filho "FRANCISCO ANTÓNIO DE SOUSA", também arquitecto, que aqui habitou. Infeliz nas escolhas políticas, foi incriminado em 1817, na conjura de GOMES FREIRE DE ANDRADE, vindo a ser deportado para ÁFRICA. Para a casa ficou a aura de ter sido um dos locais de reuniões dos conjurados, facilitada por GOMES FREIRE seu vizinho no SALITRE.
O Edifício foi confiscado, ficando por alguns anos na posse do ESTADO, que ali instalou a "INTENDÊNCIA GERAL DA POLÍCIA". Mais tarde, em 1822, foi à praça, sendo arrematada por "HENRIQUE TEIXEIRA DE SAMPAIO" 1.º BARÃO DE TERCEIRA e 1.º CONDE DA PÓVOA, um dos homens mais ricos do seu tempo. Fortuna continuada de seu pai, negociante passando pelos AÇORES, sendo ele COMISSÁRIO DOS FORNECIMENTOS AO EXÉRCITO, nas guerras do principio do século, desde a proveitosa "Campanha do ROSSILHÃO" ( 1 ).
O nome do bisavô era FERREIRA, mas o avô já usou o de TEIXEIRA SAMPAIO da bisavó; em 1789, o pai obteve carta e brasão com os dois apelidos ( e mais dois maternos, AMARAL e GUEDES), embora com uma "brica"( 2 ) distintiva no TEIXEIRA adoptado, e essa forma as armas do BARÃO de 1818, CONDE DA PÓVOA, em 1823 (com riquíssimo Morgado instituído na "PÓVOA" DE SANTA IRIA"), sendo nesse ano PRESIDENTE DO REAL ERÁRIO e MINISTRO DA FAZENDA do MARQUÊS DE PALMELA que entrara brilhantemente na política do reino de D. JOÃO III.
O CONDE DA PÓVOA iniciou o processo de transformação do antigo prédio de MANUEL CAETANO DE SOUSA, em residência palaciana condigna com a sua grandeza. Subiu-lhe um andar, aumentando os cómodos e envolvendo uma magnifica capela que ali fez adaptar e, sobretudo, criou novos acessos internos.

( 1 ) - CAMPANHA DO ROSSILHÃO- Também chamada "GUERRA DOS PIRENÉUS" ou GUERRA DA CONVENÇÃO". Foi uma campanha militar que PORTUGAL participou ao lado da ESPANHA e REINO UNIDO, contra a FRANÇA de (7 de Março de 1793 - 22 de Julho de 1795).

( 2 ) - BRICA -s. f. (Heráldica) Pequeno espaço nos brasões para distinguir a linhagem dos filhos segundos.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XI ]O PALÁCIO PALMELA ( 2 )». 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ IX ]

«A CASA DAS ONZE PORTAS ( 2 )»

 Rua da Escola Politécnica - (2008) Foto de autor não identificado (Parte da fachada do prédio conhecido pela "CASA DAS ONZE PORTAS", na RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA . No piso térreo a FARMÁCIA ALBANO)  in  JUNTA DE FREGUESIA DE SANTO ANTÓNIO
 Rua da Escola Politécnica - (entre 1890 e 1948) Foto de José Artur Leitão Bárcia - (A "CASA DAS TESOURAS" de JOSÉ CLEMENTE nos números; 51,51-A, 53 e 55 na "CASA DAS ONZE PORTAS", construção de 1858, local para habitação e comércio, num luxo desusado na época, em imóveis de rendimento na RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA)  (Abre em tamanho grande) in  AML  
 Rua da Escola Politécnica - (1922) Foto de Alfredo Galhardo (A "CASA DAS ONZE PORTAS" na Rua da Escola Politécnica, onde está instalada a "CASA DAS TESOURAS") in  RESTOS DE COLECÇÃO

Rua da Escola Politécnica - (1909) (A "CASA DAS TESOURAS" de JOSÉ CLEMENTE, instalada no edifício "CASA DE ONZE PORTAS" fazendo propaganda das suas actividades no jornal MUNDO) in DIAS QUE VOAM


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ IX ]

«A CASA DAS ONZE PORTAS ( 2 )»

As onze portas que deram nome ao prédio ( e popularmente o notabilizaram) contam dez para a "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" e a décima primeira virada para a "RUA DO MONTE OLIVETE". Servem elas lojas variadas no tempo, com requinte e elegância.
São decorações dignas de casas de habitação de luxo, algumas já restauradas em 2000, e conheceram inquilinos famosos, como o romancista e historiador "REBELO DA SILVA", fiel discípulo de ALEXANDRE HERCULANO, ali falecido em 1871, no 2.º andar, vizinho de uma 2ª VISCONDESSA, viúva de PORTOCARREIRO, ele JUIZ DO SUPREMO com fidalguia materna de nome.

O prédio teve, nos princípios do século, com duas portas transbordando para o prédio do lado esquerdo, as instalações da "CASA DAS TESOURAS" de JOSÉ CLEMENTE, nos números 51, 51-A, 53 e 55, vendendo fatos e sobretudos feitos (será possivelmente o antecessor do mais tarde aparecido "O PRONTO-A-VESTIR") e especializado na confecção de "GIBÕES DE AVEIRO ( largamente reclamados nos jornais  e magazines dos anos 10 e 20 do século passado, em pitorescos anúncios ilustrados).

Além da "CASA DAS TESOURAS" existiu um antiquário. Em Maio de 1935 o estabelecimento foi destruído por um violento incêndio; com a mesma designação abriu em seguida uma loja de móveis, que permaneceu até aos anos 50 do século passado.

As outras duas portas ( do prédio do lado) receberam a leitaria "CAMÉLIA D' OURO", a funcionar em meados dos anos 30, e uma década mais tarde a "CONFEITARIA CAMÉLIA", à qual sucedeu a casa de pasto " BRIOSA ", com infeliz alteração da fachada ( em 1957 ), única no conjunto dos dois prédios.
Os primeiros e segundos andares dos números 55 e 56 foram no passado ocupados pelos serviços da "DIRECÇÃO DE JUSTIÇA E DISCIPLINA DO ESTADO MAIOR DO EXÉRCITO" hoje com nova designação de "ESTADO MAIOR DO EXERCITO-DIRECÇÃO DE JUSTIÇA E DISCIPLINA", instalado na TRAVESSA DE SANTO ANTÓNIO, 21 (LISBOA).

A neoclássica "CASA DAS ONZE PORTAS", a par do prédio vizinho ( N.ºs  49 - 53), mais modesto, que segue o mesmo desenho, de vão repetido nos seus quatro andares, também ele atribuível a "PIERRE-JOSEPH PÉZERAT"(1801-1872) e construído na mesma altura, formam um conjunto urbano de qualidade que é testemunho de uma ideia de construir e habitar a cidade, "MODERNA" e "regenerada", que só encontrará sucessores já nos anos 80, com a AVENIDA DA LIBERDADE.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ X ]-O PALÁCIO PALMELA ( 1 )».