quarta-feira, 7 de novembro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ X ]

«RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS»
 Rua Carlos José Barreiros - (2016)  Foto de Sérgio Dias   -  (Um troço da "RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS", antiga "ESTRADA DAS AMOREIRAS" e antes chamada de "ESTRADA DA CHARNECA")     in  TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Carlos José Barreiros  (Finais do século XIX)   -  (Foto de CARLOS JOSÉ BARREIROS, num dia de gala da sua Corporação de Bombeiros)   in   TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Carlos José Barreiros - (1939) Foto de Eduardo Portugal  -  (O Chafariz de ARROIOS, transferido para esta rua em 1884 e demolido no ano de 1935.  Sendo a data da sua construção de 1624)   in    AML 
 Rua Carlos José Barreiros  - (1964-10)  Foto de Arnaldo Madureira   - (Edifício onde funcionava a "ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS , CARLOS JOSÉ BARREIROS" dos Bombeiros Municipais de Lisboa)   in    AML 
Rua Carlos José Barreiros - (2016)  Autor Sérgio Dias   -  (Antiga "ESTRADA DAS AMOREIRAS" hoje Rua Carlos José Barreiros.  Nesta RUA existiu "O VELHO CHAFARIZ DE ARROIOS", retirado em 1935)    in    TOPONÍMIA DE LISBOA


(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS [ X ]

«RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS»

Um EDITAL MUNICIPAL de 26 de Setembro de 1916 mandou que um troço da antiga "ESTRADA DAS AMOREIRAS" no sítio de ARROIOS, passasse a chamar-se "RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS", na antiga freguesia de SÃO JORGE DE ARROIOS. hoje com a REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a chamar-se freguesia de "ARROIOS" (integrando as freguesias de ANJOS, PENA e SÃO JORGE DE ARROIOS). Tem início na "RUA DE ARROIOS", 273 e finaliza no "LARGO DO LEÃO". É-lhe convergente no lado direito a "TRAVESSA DAS AMOREIRAS a ARROIOS".
Desde a segunda década da "PRIMEIRA REPÚBLICA" que esta RUA tem o nome deste jornalista, que se notabilizou mais pelos serviços humanitários prestados à comunidade de bombeiro.
São muito escassos os dados sobre a vida desta personalidade, sabe-se que viveu no século XIX tendo eventualmente falecido em 1901.
Estava em plena pujança de produção em meados dessa centúria. Notabilizou-se, contudo, de tal forma que foi feito Cavaleiro da "ORDEM DA TORRE E ESPADA".

O "CHAFARIZ DE ARROIOS" foi transferido para esta RUA em 1848, a sua demolição teve lugar no ano de 1935 (Ver mais aqui...).

No ano de 1880 "CARLOS BARREIROS" fundou o "MONTEPIO DE S. CARLOS", que no ano seguinte aprovou os seus Estatutos, nos quais estabelecia a atribuição de  "subsídios, pensões, enterros para os seus associados".

Tendo a "CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA" criado a sua "COMPANHIA DE BOMBEIROS" em 1834, conhecida como "COMPANHIA DO CALDO E DO NABO", nesse mesmo ano estabeleceu uma tabela codificada dos toques a rebate.
Em 1851 publicava novo REGULAMENTO DE SERVIÇOS DE INCÊNDIO e antes de 1868 "CARLOS BARREIROS" foi nomeado para "INSPECTOR DE INCÊNDIOS". resolução publicada em 1867, revolucionando o sistema de organização e os meios dos serviços na luta contra o fogo na cidade de LISBOA.

No que aos jornais diz respeito, foi notória a sua colaboração no "ARQUIVO UNIVERSAL" e em 1864 tinha sido fundado por "JOSÉ BARBOSA" o "JORNAL DE LISBOA" que, pouco depois, cedeu a Sociedade a "CARLOS JOSÉ BARREIROS", acabando por ser seu DIRECTOR e Proprietário.
Escreveu ainda várias obras, "O INCÊNDIO DA TRAVESSA DA PALHA": memórias dedicadas à Exma. C.M.L. (1887), embora a mais conhecida e propagada das quais dizia respeito à sua actividade preferida.
Chamou-se "ITINERÁRIO PARA OS SOCORROS DOS INCÊNDIOS EM LISBOA" e foi aprovado pela Câmara de LISBOA em 1866.
Nos outros livros revelou-se um escritor multifacetado, tratando de temas tão diferentes como a "aplicação do sistema métrico no Comércio" ou as "lições de MORAL". O seu nome foi ainda atribuído a uma "REAL ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS" à qual podiam pertencer os elementos do CORPO DE BOMBEIROS MUNICIPAIS DE LISBOA.
Os "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA AJUDA", fundados em 1881, deram ao  seu quartel na "PRAÇA DA ALEGRIA", o nome de "CARLOS JOSÉ BARREIROS". 


(CONTINUAÇÃO)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE)[ XI ]-RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA»

sábado, 3 de novembro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ IX ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 3 )»
 Rua Camilo Castelo Branco - (Postado em 13.06.2015 Juliana Venâncio  -   (O livro "AMOR DE PERDIÇÃO" escrito por CAMILO CASTELO BRANCO  no ano de 1862)  in  JU E SEUS LIVROS 
 Rua Camilo Castelo Branco - (Planta de Sérgio Dias)  -  (A Planta da "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" na Freguesia de "SANTO ANTÓNIO")  in  TOPONÍMIA DE LISBOA
Rua Camilo Castelo Branco -  (Post.  1950) Foto de Claudino Madeira  -  (Estátua de "CAMILO CASTELO BRANCO" na esquina da AVENIDA DUQUE DE LOULÉ e a "RUA CAMILO CASTELO BRANCO". A obra foi executada por António Duarte entre 1947 e 1949 e inaugurada no dia 25 de Outubro de 1950)   in    AML 


(CONTINUAÇÃO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ IX ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 3 )»

Aliás, quando "CAMILO", em 1848 se fixou no PORTO, o objectivo era o de se dedicar totalmente à imprensa.
Mesmo sem entrar em pormenores e dados mais amplos, anote-se que "CAMILO" esteve ligada, como REDACTOR e às vezes como "principal responsável", pelo menos às seguintes publicações: "PORTO E CARTA""O CRISTIANISMO", "A CRUZ", "O BICO DO GÁS" (Tratou-se de um número único), "GAZETA LITERÁRIA DO PORTO" - todos portuenses -, "O MUNDO ELEGANTE" e "REPÚBLICA" (ambos de LISBOA) e "O  ATENEU", de COIMBRA.

Logo em 1847 (aos vinte e dois anos de idade), teve o escritor uma colaboração activa no jornal " O NACIONAL". Com o "bento feitio" que DEUS lhe deu, teceu ali críticas a um GOVERNADOR CIVIL. Tais e tantas que o funcionário (que também não era fresco) o mandou espancar em plena RUA.  Recorde-se ainda que começou "CAMILO" os seus voos de ROMANCISTA num folhetim publicado em 1848 no "ECO POPULAR".

Podemos mesmo dizer que foi um escritor que abraçou não só o ROMANTISMO. como também o ULTRA-ROMANTISMO, o REALISMO e o NATURALISMO, e desde o seu primeiro livro "ANÁTEMA" (1851) são de destacar "A FILHA DO ARCEDIAGO" (1854), "DOZE CASAMENTOS FELIZES" (1861), "AMOR DE PERDIÇÃO", "MEMÓRIAS DO CÁRCERE", "CORAÇÃO, CABEÇA  E ESTÔMAGO" (todos de 1862), "AMOR DE SALVAÇÃO" (1864), "A ENJEITADA" (1866), "A DOIDA DO CANDAL" (1867), "O RETRATO DE RICARDINA" (1868), "NOVELAS DO MINHO" (1875-1877). "EUSÉBIO MACÁRIO" (1879), "A CORJA" (1880), "A BRASILEIRA DE PRAZINS" (1882) e outros de que já tinha falado no episódio anterior, dou como exemplo; "MISTÉRIOS DE LISBOA" em três volumes etc..
Só para um apontamento podemos afirmar que «CAMILO» na sua escrita usou diversos  "pseudónimos" cuja escolha dependia do seu estado de espírito. Os mais curiosos: "ANACLETO DOS COENTROS", "ANASTÁCIO DAS LOMBRIGAS", "O ANTIGO JUIZ DAS ALMAS DE CAMPANHÃ", "FOUCHÉ", "JOÃO JÚNIOR", "JOSÉ MENDES ENXÚDIO", MANUEL COCO",  "NINGUÉM", "DONA ROSÁLIA DOS COGUMELOS", "SARAGOÇANO" e "VISCONDE DE QUALQUER COISA" entre outros.

No ano de 1858, por proposta de "ALEXANDRE HERCULANO" é eleito para a "ACADEMIA DAS CIÊNCIAS" e em 18 de Junho de 1855 foi agraciado por "DOM LUÍS I" com o título de 1.º VISCONDE DE CORREIA BOTELHO, para além de ter recebido a COMENDA CARLOS III, de ESPANHA.

JORNAIS, artigos de crítica e polémica não foram pois estranhos ao Romancista, ainda que seja hoje recordado, essencial e justamente como escritor, um dos maiores da nossa língua.

(CONTINUAÇÃO)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE) [ X ]-RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS».

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VIII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 2 )»
 Rua Camilo Castelo Branco ( 1850 ) Foto de autor não identificado  -  (Retrato de CAMILO CASTELO BRANCO quando tinha 25 anos de idade)   in    WIKIPÉDIA
 Rua Camilo Castelo Branco (1888) - Foto de autor não identificado  -  (Capa da  revista "A COMÉDIA PORTUGUESA" com a foto de CAMILO )  in  TOPONÍMIA DE LISBOA
Rua Camilo Castelo Branco - (195_) foto de Judah Benoliel  -  (A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO", troço entre a "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ" e a "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 


(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VIII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 2 )»


A verdade é que CAMILO CASTELO BRANCO nunca perdeu os contactos com LISBOA. São de facto, relativamente muito frequentes as suas deslocações à CAPITAL.
"CAMILO FERREIRA BOTELHO CASTELO BRANCO" nasceu em LISBOA no dia 16 de Março de 1825 e faleceu a 1 de Junho de 1890 em SÃO MIGUEL DE SEIDE - CONCELHO DE FAMALICÃO.  Romancista muito produtivo, tanto mais que foi o primeiro escritor português a viver exclusivamente daquilo que escrevia, um paradigma da cultura portuguesa do século XIX.
"CAMILO" foi Cronista, Dramaturgo, Ensaísta, Poeta, JORNALISTA e Tradutor, somando mais de trezentos títulos editados.
"CAMILO" quando permanecia em Lisboa hospedava-se em sítios diversos, como no conhecido "HOTEL UNIVERSAL", que ficava onde hoje se encontra a "memória" dos "ARMAZÉNS DO CHIADO". Conhecia razoavelmente o ambiente das letras lisboetas, mantinha correspondência com alguns letrados aqui residentes. Estava atento para o bem e para o mal. Não dispensou, por exemplo, de lançar algumas "ferroadas" ao "GRÉMIO LITERÁRIO", que terá passado por uma fase menos feliz e menos condizente com a sua vocação. Escreveu assim: "A instituição  do "GRÉMIO LITERÁRIO" poderia cuidar de letras (...). Como a nossas gente é pouco coroável de palavreado e as línguas inspiradas ganhassem saburro nos lides Parlamentares, as letras fugiram de lá...".

Em 1860, chegou a morar, um tempo episodicamente é certo, em LISBOA, mais exactamente na "RUA DE SÃO JULIÃO", numa casa que partilhou com o seu amigo "VIEIRA DE CASTRO". E em 1874, quando já habitava há muito em SEIDE com "ANA PLÁCIDO", chegou "CAMILO" a pensar fixar-se em LISBOA. Teve assim em vistas uma casa na "RUA DE SÃO JOÃO DA MATA" ( a SANTOS). Um seu amigo, (o primeiro e único) VISCONDE DE OUGUELA, "CARLOS RAMIRO COUTINHO" que lhe escreveu, a dar conta de como a casa em questão era grande e cómoda. Dada a quantidade e qualidade dos aposentos que possuía , a renda pedida (300 mil réis por ano) nem era cara, advogava o VISCONDE.
Mesmo na obra, revelou "CAMILO" algum conhecimento da cidade de LISBOA. Dedicou-lhe, por exemplo os três volumes dos "MISTÉRIOS DE LISBOA", seguidos do "LIVRO NEGRO DO PADRE DINIS", ainda que este imaginário herói fosse personagem internacional. E em "A QUEDA DE UM ANJO" há como que uma antecipação da "sátira verrinosa" que "EÇA DE QUEIROZ" viria a fazer de alguns aspectos da vida lisboeta.

Dos JORNAIS que colaborou não cabe aqui uma biografia, mínima que fosse. Continuando no propósito de focar os homens e mulheres cujos nomes figuram nas "RUAS DE LISBOA" e tiveram intimamente ligados a jornais, revistas, interessa pois falar dessa faceta CAMILIANA. E, na verdade, o homem que pensou ser médico, jurista e padre - mesmo depois de já ter sido pai e ter tido um primeiro casamento aos 15 anos de idade - foi também JORNALISTA.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE) [ IX ] - RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 3 )».

sábado, 27 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 1 )»
 Rua Camilo Castelo Branco - (2016) Foto de Sérgio Dias   -  (Um troço da Rua Camilo Castelo Branco na freguesia de SANTO ANTÓNIO)   in   TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Camilo Castelo Branco - (1950)  Foto de Kurt Pinto   -  (A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" esquina com a "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML
Rua Camilo Castelo Branco -  (1950)  Foto de Judah Benoliel  -  ("AVENIDA DUQUE DE LOULÉ à esquerda a Estátua no pequeno JARDIM  da "RUA CAMILO CASTELO BRANCO")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 


(CONTINUAÇÃO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 1 )»

É curioso lembrar que LISBOA prestou bem cedo a este  "seu filho" a homenagem de uma RUA com o seu nome. Na verdade, "CAMILO" suicidou-se em  1 de JUNHO e logo em 24 de Julho seguinte "uma deliberação Camarária",  por força da abertura da "AVENIDA DA LIBERDADE", a um arruamento que liga a "RUA ALEXANDRE HERCULANO" à então "RUA FONTES" (a partir de 1902) "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO" rodeada a "ESTE" pelo então "BAIRRO CAMÕES" e a SUESTE pelo "BAIRRO DE SANTA MARTA".
A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" pertencia à antiga freguesia do "CORAÇÃO DE JESUS" que pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a pertencer à freguesia de "SANTO ANTÓNIO".  A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" começa na "RUA ALEXANDRE HERCULANO",4 e finda na "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO",4 é atravessada pela "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ" e no cruzamento com esta AVENIDA a "RUA CAMILO CASTELO BRANCO", no seu  lado esquerdo, existe um JARDIM com o mesmo nome, ostentando uma estátua e base de pedra lioz com 3 metros de altura. A obra foi executada pelo escultor ANTÓNIO DUARTE, entre 1947 e 1949, tendo sido inaugurada em 25 de Outubro de 1950.

Alguns biólogos de «CAMILO CASTELO BRANCO» costumam apontar como acaso familiar o nascimento do escritor em LISBOA. (O que aconteceu em 16 de Março de 1825). Para a demonstração da tese, servem-se dos antecedentes do romancista: PAI natural de VILA REAL, MÃE nascida em SESIMBRA, toda a família paterna fixada no NORTE DO PAÍS, com maior incidência em TRÁS-OS-MONTES. Nenhumas raízes nesta cidade de LISBOA.
Mas o próprio escritor, ao longo da sua vida, mostrou nítida referência pelos ares nortenhos.  Em VILARINHO DA SAMARDÃ (Concelho de VILA REAL) teve os primeiros amores e o primeiro casamento (sem que necessariamente amadas e esposa coincidissem...). No PORTO cursou MEDICINA, frequentou o seminário e veio a encontrar aquela que foi a grande paixão da sua vida ( ou, mais do que isso, a sua obsessão), a fatal "ANA PLÁCIDO". A maior parte da sua obra localizada entre o DOURO e MINHO. Acabou por fixar-se e pôr termo à vida em "SÃO MIGUEL DE SEIDE", Concelho de VILA NOVA DE FAMALICÃO. Nada, portanto, a objectar: CAMILO foi um lisboeta que preferiu o NORTE.
Não serão. no entanto tão frágeis como parecem os laços que prenderam o autor da "A QUEDA DUM ANJO" à sua terra NATAL. Até à morte de seu pai (o que ocorreu quando CAMILO tinha dez anos, depois de ter perdido aos dois), cá viveu e aprendeu as primeiras letras.  Frequentou nomeadamente um colégio que existiu na então "RUA DOS CALAFATES" (hoje RUA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS) ali no BAIRRO ALTO DE LISBOA, sendo o seu professor "JOSÉ INÁCIO LUÍS MINAS JÚNIOR, que era casado com uma TIA do escritor GERVÁSIO LOBATO e de quem há notícias de ter morado naquela RUA até 1833.
Por outro lado, a falta de raízes lisboetas não significa ausência total:  um AVÔ PATERNO do escritor, o DR. DOMINGOS JOSÉ CORREIA BOTELHO. conhecido pela típica alcunha de "DR. BROCAS", viveu na "RUA DAS MERCÊS",  à AJUDA. ainda no século XVIII numa casa térrea que pertencia a um cozinheiro do vizinho palácio, segundo nos conta o mestre "LUÍS PASTOR DE MACEDO".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VIII ] RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 2 )».

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [VI ]

«RUA BARBOSA COLEN»
 Rua Barbosa Colen  -  (c. 1953) Foto de Abreu Nunes  -  (Fotografia aérea do BAIRRO DO ARCO DO CEGO, Praça de Londres , Avenida de Londres e ALVALADE) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)    in    AML 
 Rua Barbosa Colen  - (1962)  Foto de Artur João Golart   -  (A "RUA BARBOSA COLEN" no BAIRRO DO ARCO DO CEGO)    in    AML 
Rua Barbosa Colen  - ( 2000 )  - (A "RUA BARBOSA COLEN" do Jornalista e Político, que tem uma RUA, no "  in  BAIRRO DO ARCO DO CEGO")    in    ARQUIVO/APS-A CAPITAL

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS ( 5.ª SÉRIE) [ VI ]

«RUA BARBOSA COLEN»

A "RUA BARBOSA COLEN" pertencia à freguesia de "SÃO JOÃO DE DEUS", com a actual introdução da REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a pertencer à freguesia do « AREEIRO ».
Começa na "RUA BRÁS PACHECO",15  e termina na "RUA JOSÉ SARMENTO",8 é atravessada pela "RUA BERNARDO PASSOS" e "RUA CÂNDIDO GUERREIRO", fazendo parte do "BAIRRO SOCIAL DO ARCO DO CEGO".
Por EDITAL CAMARÁRIO de 18 de Julho de 1933 a CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA ordenou que a a RUA com o NÚMERO DOIS do "BAIRRO DO ARCO DO CEGO" ( na antiga freguesia de "SÃO JOÃO DE DEUS" passasse a usar o nome de "BARBOSA COLEN", e assim se mantém até aos dias de hoje.

"JOSÉ AUGUSTO BARBOSA COLEN" ( ALMEIDA (1849) - LISBOA  (1917), mais conhecido por "BARBOSA COLEN", trata-se mais um caso de POLÍTICO que foi JORNALISTA ou VICE-VERSA
Nascido em ALMEIDA no ano de 1849, cedo veio para LISBOA, onde se tornou redactor do JORNAL "CORREIO DA NOITE".
A sua amizade e dedicação pelo político "EMÍDIO NAVARRO" traçou a sua vida. Assim, quando este fundou o Jornal "NOVIDADES" ( na antiga RUA DO MUNDO, hoje RUA DA MISERICÓRDIA), "COLEN" deixou o "CORREIO DA NOITE" para seguir o amigo. Era ele, no entanto a alma do novo jornal, inovando os processos e lançando um jornalismo mais moderno e menos oficioso. Cronista das sessões do PARLAMENTO, "BARBOSA COLEN" dava-lhe vida e foi até, em dada altura, convidado para redactor do "DIÁRIO DAS CÂMARAS".
"NAVARRO" seguia a sua carreira política e em breve seguia para PARIS como EMBAIXADOR. Assim, com naturalidade "BARBOSA COLEN" ficou a dirigir o "NOVIDADES". Os seus artigos eram, porém de tal forma combativos que lhe proporcionaram nada menos de quatro duelos ...  Antes quebrar que torcer...

Regressando "EMÍDIO NAVARRO" a LISBOA, foi MINISTRO  - e "COLEN" para seu secretário. Só pela morte do amigo ( e compadre, já que um filho do MINISTRO, casou com uma filha do jornalista), voltou à Direcção do Jornal "NOVIDADES".
Foi entretanto escrevendo obras de carácter histórico, nomeadamente continuando a obra de "PINHEIRO CHAGAS", na edição da "HISTÓRIA DE PORTUGAL, POPULAR E ILUSTRADA", obra de grande valor e divulgação, editada entre 1899 e 1909. Colaborou com "EMÍLIO NAVARRO" em diversos projectos jornalísticos, destacando-se a sua colaboração nas revistas "BRASIL - PORTUGAL" (1899-1914) e "SERÕES" (1901-1911). Faleceu em LISBOA em 1917. 
Os idealistas possuem, regra geral,  têm a faculdade de suscitar grandes paixões e grandes ódios. Costumam ser homens (ou) mulheres que por acreditarem piamente nos valores que defendem, não se dobram a facilidades nem a argumentos. Na ronda que temos vindo a fazer pelas "RUAS DE LISBOA" que ostentam nomes de gente ligada aos jornais (Jornalistas "STRICTO SENSU" [ 1 ] e não só) vamos encontrando como exemplos desses persistentes cruzados que defendem sua "dama" contra tudo e contra todos, não vergando.
Alguns deles usaram como emblema absoluto a honestidade, não se deixaram tentar pelos acenos da vida cómoda ou do aproveitamento fácil. 

[ 1 ] - "STRICTO SENSU" - a definição da expressão LATINA que significa "em sentido estrito". É utilizada para referir que determinada interpretação deve ser compreendida no seu sentido estrito.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE)[ VII ] RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 1 )». 

sábado, 20 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ V ]

«RUA ALEXANDRE HERCULANO ( 2 )»
 Rua Alexandre Herculano - ( 2008)  -  (A estátua de "ALEXANDRE HERCULANO" na "AVENIDA DA LIBERDADE", frente à sua RUA, inaugurada em 27 de Maio de 1950  in ARQUIVO/RUAS DE LISBOA COM ALGUMA HISTÓRIA
 Rua Alexandre Herculano - (2016) Foto de Sérgio Dias  -  (A "RUA ALEXANDRE HERCULANO" com edifícios de 1822,  honrados com prémios VALMOR de 1903 e 1911, obra de VENTURA TERRA)   in    TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Alexandre Herculano - (2016) Foto de Sérgio Dias   -  (Mapa de LISBOA onde se pode ver a "RUA ALEXANDRE HERCULANO" no cruzamento da "AVENIDA DA LIBERDADE")  in  TOPONÍMIA DE LISBOA
Rua Alexandre Herculano - (19--) Foto de Paulo Guedes   -   (A "ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL PORTUGUESA" na RUA ALEXANDRE HERCULANO, no inicio do século XX)  [ABRE EM TAMANHO GRANDE]   in    AML 


(CONTINUAÇÃO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ V ]

«RUA ALEXANDRE HERCULANO ( 2 )»

Nas memórias de "ANTÓNIO RODRIGUES GIL", diz-nos que "ALEXANDRE HERCULANO" nasceu no "PÁTIO DO GIL" na "RUA DE SÃO BENTO", por altura da colocação de uma lápide em 26 de Abril de 1910 (ainda se mantém por lá), para assinalar que aqui residiu também o Arquitecto MANUEL CAETANO DE SOUSA, irmão da AVÓ MATERNA  de HERCULANO.

Em 1831 "ALEXANDRE" envolve-se na revolta de "4 DE INFANTARIA", escapando à matança dos insurrectos que a liquidou, e vê-se obrigado a fugir para INGLATERRA. A sua situação como emigrado é de um soldado desconhecido, quando GARRETT já se tornara uma personalidade.
Regressou a PORTUGAL como soldado da expedição de DOM PEDRO, e tomou parte em combates e acções militares. Mas já então colabora em trabalhos de reforma cultural relacionados com a revolução. 
Organiza a BIBLIOTECA PÚBLICA DO PORTO com fundos retirados das bibliotecas "monástica ou Miguelista", incluindo a um irmão de GARRETT.
A REVOLUÇÃO DE SETEMBRO de 1839, trouxe  o moço escritor para a notoriedade; demitiu-se como protesto, do seu lugar de Bibliotecário, e em LISBOA, para onde veio, publicou contra os novos Governantes, um folheto a "VOZ DO PROFETA", no estilo das "PAROLES D'UM CROYANT" de LAMENNAIS, pouco antes traduzida por "A. FELICIANO DE CASTILHO".
Depois, em 1851, o escritor associado ao "MARQUÊS DE NISA", aparece como fundador do Jornal "O PAÍS" e o "PORTUGUÊS"(1853) periódicos de carisma político que se destinava a fazer oposição a "RODRIGUES DA FONSECA".
"ALEXANDRE HERCULANO", a partir de 1839 passou a dirigir as BIBLIOTECAS:  das "NECESSIDADES" e da "AJUDA", nomeado pelo "REI DOM FERNANDO II". E paralelamente começa a escrever; "O PÁROCO DE ALDEIA" e a poesia "A HARPA DO CRENTE", foi publicando algumas das suas obras  de que destacamos os dois volumes de "LENDAS E NARRATIVAS" (entre 1839  e 1844) o romance "EURICO O PRESBÍTERO"(1842), "O BOBO" (publicado inicialmente em "PANORAMA" em 1843 e editado postumamente em volume no ano de 1878) e a sua «HISTÓRIA DE PORTUGAL» (1846-1853) (Nos anos 50 do século XX tivemos na "aula de Português e História", alguns  destes livros)."ALEXANDRE HERCULANO" ainda introduziu em PORTUGAL a HISTORIOGRAFIA CIENTIFICA. "O MONGE DE CISTER" (1848) e "HISTÓRIA DA ORIGEM E ESTABELECIMENTO DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL"(1854-1859).
Em 1867 casa com "DONA MARIANA MEIRA" e retirou-se para a sua quinta em "VALE DE LOBOS" (AZOIA DE BAIXO-SANTARÉM)


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISMO (5.ª SÉRIE) [ VI ]RUA BARBOSA COLÉN».

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE) [ IV ]

«RUA ALEXANDRE HERCULANO ( 1 )»
 Rua Alexandre Herculano - (2016)  Foto de Sérgio Dias  -  ("RUA ALEXANDRE HERCULANO" com dois edifícios galardoados com o prémio VALMOR, nos anos de 1903 e 1911. Obras do Arquitecto "VENTURA TERRA")   in  TOPONÍMIA DE LISBOA 
 Rua Alexandre Herculano  (1810-1877)  -  (Placa em homenagem a ALEXANDRE HERCULANO colocada na porta da casa onde esteve instalada a CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM, na "RUA NOVA DO CALHARIZ" na AJUDA)  in   AML 
 Rua Alexandre Herculano - (c. 1903)  -  ( Casa de "VENTURA TERRA" prémio VALMOR de 1903) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)    in    AML
Rua Alexandre Herculano - (1940) - Foto de Eduardo Portugal  - ( A "RUA ALEXANDRE HERCULANO" e a construção envolvente na década de quarenta do século passado) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ IV ]

«RUA ALEXANDRE HERCULANO ( 1 ) »

A "RUA ALEXANDRE HERCULANO" pertencia à freguesia do "CORAÇÃO DE JESUS" e "SÃO MAMEDE", pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA  DE 2012, passou a pertencer à freguesia de "SANTO ANTÓNIO", começa na "RUA DE SANTA MARTA",49-C e finaliza no "LARGO DO RATO".
Como tinha sido "PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM" - entre 1854 e 1855 - teve o seu nome atribuído pela primeira vez em LISBOA, cerca de quatro meses após a sua morte, por "EDITAL DO GOVERNO CIVIL DE LISBOA de 18 de Janeiro de 1878. Embora nove anos depois, o EDITAL MUNICIPAL de 10 de Janeiro de 1888, alterou o topónimo para "RUA FRADESSO DA SILVEIRA", e ainda se mantém na freguesia de "ALCÂNTARA".
Evitando existirem duas RUAS com o mesmo nome em LISBOA, já que mais ou menos seis anos antes a deliberação de 6 de Maio de 1882, atribuíra o topónimo da "RUA ALEXANDRE HERCULANO"  à artéria perpendicular à AVENIDA DA LIBERDADE", dirigida para o "LARGO DO RATO". Na "RUA ALEXANDRE HERCULANO" podemos encontrar atribuídos com o prémio VALMOR (1911) o Nº. 25, a obra de "VENTURA TERRA", ao Nº. 57 que será do próprio arquitecto. como "ARTE NOVA" galardoada com o PRÉMIO VALMOR"(1903).
"ALEXANDRE HERCULANO DE CARVALHO ARAÚJO", nasceu em LISBOA a 28 de Março de 1810 e faleceu em VALE DE LOBOS, a 13 de Setembro de 1877, era filho de um modesto funcionário administrativo, descendente de comerciantes e pedreiros (depois mestre-de-Obras). Foi, sobretudo escritor historiador e jornalista. Preparou-se no Colégio dos "ORATORIANOS" ( 1 )   para matricular-se na UNIVERSIDADE, mas a morte do pai obrigou-o a desviar-se para um curso mais utilitário e rápido com vista a um emprego no funcionalismo público: a "AULA DE COMÉRCIO" e o "CURSO DE DIPLOMACIA".
A sua formação cultural realizou em época incerta que sucede às INVASÕES.  
Tinha 10 anos quando se deu a REVOLUÇÃO de 1820. As fronteiras estavam então abertas às influências exteriores, e HERCULANO pôde na adolescência iniciar-se em escritos como "SCHILER", "KLOPSTOCK", "CHATEAUBRIAND".
Perante as tendências literárias precocemente manifestadas, entra em contacto com CASTILHO, (dez anos mais velho), como representantes da geração "BOCAGE", abrem-lhe entrada nos salões da "MARQUESA DE ALORNA", figura no movimento pré-romantismo  em PORTUGAL.
ALEXANDRE HERCULANO considerado o introdutor do ROMANTISMO EM PORTUGAL  como ALMEIDA GARRETT foi um renovador do estudo da HISTÓRIA DE PORTUGAL, mas também um político que terminou a sua vida como agricultor e  afamado produtor de azeite «HERCULANO», negócio que acabou por vender à firma "JERÓNIMO  MARTINS".
Neste seu percurso de vida andou também "HERCULANO" pelos jornalismo. A nota mais conhecida, nesta faceta é a direcção  e redactor principal  que assumiu durante sete anos, da revista "PANORAMA". Era esta uma publicação destinada a temas de LITERATURA e HISTÓRIA, pertencente à "SOCIEDADE PROMOTORA DOS CONHECIMENTOS ÚTEIS".

- ( 1 ) - Hoje "CONFEDERAÇÃO DO ORATÓRIO" (Conf.Oratoni Santti Philipp)

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